Megan permaneceu sentada no banheiro por mais uns dois minutos. Porem um grito de Sarah a fez se levantar e olhar por baixo da porta. Não viu ninguém, mas continuou olhando, até que viu os pés de alguém, estavam calçados por botas pretas. Ela voltou de imediato para trás e encostou-se à parede.

Em pânico ficou olhando para a porta, alguém girou a maçaneta, para impedir a si própria de gritar colocou a mão sobre a boca e fechou os olhos. Seja quem fosse que estivesse por trás daquela porta continuou girando a maçaneta mais e mais rápido. Como não obteve sucesso em abrir a porta teve certeza de que Megan estava lá dentro.

–Como vocês me deixaram de mau humor –Disse Martin –Você tem apenas uma chance de abrir essa porta. Se fizer isso terá uma morte rápida, do contrario terá uma morte lenta e dolorosa.

–NÃO ABRA! –Sarah diz.

Megan não sabia o que fazer, não sabia se Kevin já estava chegando ou não, tudo o que ela sabia era que não podia esperar mais dentro daquele banheiro. Abriu a janela, e então olhou para a porta. Martin estava tentando abri-la a chutes.

Tomando coragem, Megan se colocou para fora, era muito alto, mesmo assim ela pulou caindo sobre as flores que ficavam do lado da casa. Ao se levantar percebeu que tinha torcido seu pé.

Mesmo mancando ela começou a correr, antes que entrasse na floresta o cachorro veio em sua direção. Ele conseguiu derrubá-la no chão, antes que mordesse seu pescoço ela colocou seu braço na frente evitando a mordida no pescoço, porém sendo atingida no braço, Megan se levantou e o acertou com uma pedra.

Então voltou a correr para a floresta, seu braço sangrava muito e seu pé a impossibilitava de ser rápida o bastante. Mesmo assim não desistiu e continuou andando.

Ela sabia que estava perdida, e já fazia uns dez minutos que ela havia perdido à reta que estabeleceu para voltar ao caminho do inicio. Megan se sentia tonta por causa da queda. E já estava escurecendo, então veio em sua cabeça algo que não era tão importante naquele momento. Como explicaria seu atraso a Marcela?

O problema é que com esse pensamento veio também a preocupação do toque de recolher... E se realmente houvesse um animal selvagem solto pela floresta? Não poderia fugir, então morreria sem dizer a sua mãe que a amava. Sem dar um ultimo beijo em Kevin. Sua tontura piorava cada vez mais, até que não conseguiu mais andar encostou-se em uma arvore.

–O que aconteceu bela adormecida?- Era Max, ele para em frente de Megan.

–Max? O que você quer?

–Eu vim salvar você.

–Por quê?

–Porque foi isso que me mandaram fazer. –Ele olha para a esquerda, depois olha de relance para o braço de Megan. -Você está bem?

–Foi um cachorro. –Megan diz quase caindo em Max, porém coloca as mãos na cabeça antes que aconteça. –Temos que ajudar Luna e Sarah.

–A Luna está bem? –Ele pergunta preocupado.

–Eu não sei... Não a vejo desde que me escondi... Isso queima. –Megan diz olhando para seu braço.

Max morde seu próprio braço, então o coloca na frente de Megan.

–Beba, vai se curar.

Megan olha fixamente nos olhos de Max, depois segura seu braço e bebe seu sangue. Pouco tempo depois o solta.

–Obrigado. –Ela diz limpando a boca.

–Continue nessa direção e vai encontrar uma estrada. –Max se vira. Então Megan segura seu ombro.

–Eu vou com você. Tenho que ajudá-las.

–Vai ajudá-las estando a salvo.

–Não posso ficar sem fazer nada... Se fosse ao contrario elas me salvariam... E você não sabe onde fica a cabana.

–Ok, você vem, mas faz o que eu mandar.

–Ok... –Megan diz começando a andar.

Seu braço já havia cicatrizado, e parecia nunca ter sido ferido por um cão. Seu pé parecia nunca ter sido torcido, e ela sentia-se revigorada, como se pudesse correr uma maratona sem ao menos ficar ofegante.

E se Max não fosse tão mal como ela pensou que fosse? Talvez tivesse feito um mau julgamento, porém não queria tirar conclusões precipitadas, tudo o que queria era ajudar Luna e Sarah. Mas Megan já não se sentia mais tão preocupada, pois Kevin e Frank já deviam estar chegando. E se Max quisesse matá-la já teria matado. Os dois continuam no mesmo passo, e chegam à cabana, eles se escondem atrás de uma grande árvore.

–Você espera aqui. -Diz Max se levantando. -Eu volto logo.

Megan segura seu braço, o fazendo ficar atrás da arvore de novo.

–Não. Eu já disse tenho que ajudar.

–Você concordou em fazer o que dissesse pra fazer, por isso te deixei vir.

–Mas já estamos aqui, qual a diferença entre eu ficar ou ir com você?

–A diferença é que se você ficar ainda tem chance de sobreviver.

–Eu não posso... -Megan é interrompida por um dos capangas de Martin que a segura pelos braços.

Max empurra e depois quebra seu pescoço.

–Vamos, já viram a gente. –Max diz indo em direção a cabana.

Assim que chegam perto da porta, dois homens seguram Max e o jogam no chão, Megan corre para dentro e tranca a porta. Ela não sabia o que fazer, por um instante perdeu completamente o foco, mas não demorou muito a encontrá-lo novamente.

Ela desceu as escadas até o porão, Luna e Sarah estavam lá, Sarah parecia exausta. Porém Luna estava com uma boa aparência. Primeiro Megan soltou Luna das cordas que a prendiam, depois desamarrou Sarah.

–Obrigado. –Disse Sarah.

–Fiquem atrás de mim. –Completou Luna.

As três subiram as escadas e abriram a porta principal da cabana. Quando saíram de lá, Luna foi atacada por Martin.

–FUJAM! –Ela disse olhando para as duas.

Megan e Sarah tentaram correr para a floresta. Mas quando estavam quase lá outro dos capangas apareceu, ele segurou Megan. Sarah correu para trás da cabana, quando voltou estava com um grande ferro nas mãos, ela o acerta no vampiro conseguindo soltar Megan. Quando ele se vira Sarah corta sua cabeça com um facão.

As duas vão até Luna, que estava sendo enforcada pelas mãos de Martin. Sarah tenta cortar sua cabeça, porém ele se levanta segura Luna em uma das mãos, e com a outra joga Sarah perto do jardim, logo depois derruba Megan no chão. Martin vê o facão caído no chão, então o segura e o aponta para Luna, que nada poderia fazer.

–NÃO! –Megan diz.

Quando Martin iria cortar sua cabeça, Max aparece e arranca seu coração. Sem nenhuma outra reação Martin olha para baixo e depois cai no chão. Luna olha para Max e depois o abraça chorando.

Megan se levanta e respira aliviada. Max não aparentava querer conversa, então solta Luna e entra na floresta. Depois Megan vai até Sarah e a ajuda levantar do chão, quando as duas estão de pé, o homem do cabelo grisalho volta a aparecer, ele chuta Sarah, que novamente cai no chão, ele encurrala Megan na parede da cabana.

–Por que você teve que dificultar tanto as coisas? –Ele diz tirando uma faca.

–Me deixe ir, você não precisa me matar seu chefe já morreu.

–Acha mesmo que eu obedeço ordens? –Ele levanta a faca apontando-a para Megan. –Está errada.

Com medo da morte eminente Megan fecha os olhos, mas rapidamente os abre, pois Kevin aparece e segura à mão do homem, depois acerta um soco em seu rosto e quebra seu pescoço.

–Eu sabia que viria. –Megan diz abraçando Kevin.

Levantando-se do chão Sarah sorri para os dois, finalmente todos estavam a salvo. Luna e Frank param em frente a eles, aparentando estar aliviado Frank diz.

–Vamos sair logo daqui. -Todos entram na floresta seguindo Frank, logo chegam até uma estrada de terra, onde o carro de Frank estava parado.

Ele dirige até um posto de gasolina onde deixa Sarah, e prossegue até a casa de Megan que se despede dos três e entra já esperando um sermão de Marcela, e obviamente é isso que acontece.

–Megan. Onde você estava!? Eu disse direto pra casa... Tem um animal solto por ai, sem falar que assassinaram uma garota da sua idade, porque não me obedeceu? –Megan sorri, depois abraça Marcela e diz.

–Senti sua falta mãe. -Marcela sorri brevemente e volta a falar, porém em um tom mais calmo.

–Não posso te perder Meg, entende isso?

–Sim... Porque sinto o mesmo em relação a você. -Marcela a solta e depois diz pegando a bolsa.

–Mas não pense que não estou furiosa.

–Vai trabalhar?

–Vou... Agora me escute, quero que você fique aqui dentro. Qualquer coisa você me liga, ok?

–Ta. –Marcela abre a porta. –Mãe...

–O que?

–Tome cuidado.

–Claro.

Marcela vai trabalhar. Assim que ela sai Megan vai tomar banho, ela demora um pouco mais do que demora de costume. Esse era um habito que ela tinha; pensar melhor quando estava embaixo da água.

Embora tenha demorado, por fim ela terminou seu banho e vestiu seu pijama, depois se sentou na cama com o seu livro de matemática e começou a terminar o trabalho.

Eram aproximadamente onze e meia, não havia a menos possibilidade de dormir, afinal ela não conseguiria, se deitaria apenas para ficar se virando de um lado para o outro, foi assim um dia depois que Clarice morreu.

Ela teve um pesadelo horrível... Mas a pior parte foi quando acordou, pois andou até o quarto de sua avó pensando que ela iria acalmá-la assim como sempre fazia... Só que não foi isso que aconteceu. Muito pelo contrario, ao se lembrar que Clarice havia morrido um temor maior ainda tomou seu coração, tudo o que queria era voltar ao pesadelo; pois até ele era melhor do que viver sem Clarice.

Megan recuperou a atenção e voltou a olhar para o livro, porém decidiu não terminar o trabalho. Ela pegou o celular e ligou para Kevin.

–Oi. –Ele disse com sua voz tranqüilizadora.

–Oi, já chegou em casa?

–Já, já sim... Deixe-me adivinhar, não consegue dormir?

–Estou sem sono... E tenho medo de ter um pesadelo, ou de entrarem pela janela e me raptarem. Acho que estou ficando paranóica.

Kevin da uma curta risada.

–Você é filha de um vampiro com uma humana, foi arranhada por um gato que pertencia a uma bruxa e te passou uma maldição, depois você foi curada por uma outra bruxa... Você namora um vampiro, e tem um amigo lobisomem... Acredite você é a pessoa menos paranóica que conheço.

–Ou então você está dizendo isso porque não quer que eu me preocupe com a possibilidade de ser internada em um manicômio.

–Você é mais esperta do que eu pensei...

Megan sorri.

–Eu tenho que terminar o trabalho de matemática... Então...

–Ok. Vou desligar e deixar a louca estudar.

–Tchau idiota. –Megan diz sorrindo e desligando o celular.

Em seguida abre novamente seu livro. Mas antes que começasse a escrever pensou no assunto que a intrigou na floresta, Max era ou não uma pessoa ruim?

Havia uma maneira de descobrir, porém Megan teria que ter uma longa conversa com ele. Talvez isso não fosse problema, o problema era Kevin, pois ela não poderia nem pensar em dizer isso a ele. Com todos aqueles pensamentos vindo em sua cabeça Megan acabou desistindo do trabalho fechando seu livro e indo dormir torcendo para não ter um pesadelo.