Sede de Sangue
21 Diga olá ao México.
–A gente tem mesmo que levar o diário pro meu pai?- Megan pergunta quando já estão no carro.
–Claro, ele vai saber o que fazer... Mas porque essa pergunta?
–Não sei. Acho que não estou muito afim de ver ele...
–Porque?
–É complicado... Deixa pra lá.
*
Peter havia lido o diário de ponta a ponta. Parecia apreensivo.
–É um feitiço não é? -Luna pergunta.
–Sim. E pelo visto John tem quase todos os ingredientes.
–Quais faltam?
–Não sei ao certo... Mas aqui tem a localização de um baú.
–E o que tem nele? -Megan pergunta.
–Não sei. Mas temos que encontra-lo primeiro que John, se conseguirmos estaremos um passo a frente.
–Tudo bem. Vou voltar a floresta e ver se encontro algum rastro.
Luna caminha em direção a porta, Megan a segue, mas antes que chegue ao lado de fora Peter segura seu braço.
–Posso falar com você um instante?
–Não... Quer dizer... A Luna já está de saída.
–Sem problema -Luna responde- Eu te espero no carro.
Em seguida Luna sai da casa, Megan suspira com anciedade e volta a sentar no sofá. Ela cruza os braços e passa a encarar Peter.
–Então...? -Ela pergunta.
–Estou preocupado com você. Eu soube que você brigou com Kevin. O que aconteceu?
–Você sabe o que aconteceu. Ele mentiu pra mim, mentiu assim como você e os outros.
–Eu sei, você esta chateada, mas quero que saiba que se fiz isso é porque quero proteger você.
–Não tem como me proteger de algo que esta dentro de mim, e você sabe disso.
–Tem razão... Não fui um bom pai. Me perdoe. Não vou mais mentir pra você.
Megan sorri com o canto da boca.
–Já sabe onde minha mãe está?
–Estou cuidando disso.
Megan acente com a cabeça e sai da casa, ela havia pensado na possibilidade de dizer a ele as mesmas coisa que Sarah havia dito a ela... Porém achou melhor guardar para sí mesma.
*
Megan havia chegado em casa, minutos depois já estava pronta, ela iria pra escola. Não queria ficar em casa pensando em bobagens. Então desceu as escadas e abriu a porta da frente. Quando o fez viu Kevin, ele estava parado em frente a porta.
–Eu já ia bater.
–O que você quer?
–Queria te ver. Saber se está tudo bem.
Ver Kevin fez com que Megan se lembrasse de Vick, e se lembrar dela fez toda aquela raiva voltar, novamente ela sentia aquela fúria crescendo dentro de sí.
–Agora que já viu. -Ela respondeu tomada pela raiva -Pode sair da minha frente.
–Pra onde vai?
–Escola. -Megan diz já do lado de fora -Vou tentar ser uma pessoa normal ao menos por um dia.
*
Megan entra na sala, a professora já havia escrito em metade do quadro.
–Não ouvi você pedindo licença senhorita Horkfield. -Diz a professora autoritária.
–É porque eu não disse. -Megan responde fazendo a sala inteira dar risada.
–Que engraçada! Quero ver você dizer isso na frente do diretor. Vá já pra sala dele!
–Não to afim. -Ela caçoa.
–VOCÊ JÁ ME TIROU DO SÉRIO MEGAN! SAIA JÁ DAQUI!
–Quer saber? Tudo bem. Eu realmente não estava afim de ouvir sua voz.
Megan pega sua bolsa e sai da sala. Ela mal sabia explicar porque estava com aquele comportamento explosivo... Só sabia que se sentia viva, forte, era como uma versão melhorada da antiga Megan.
Ela vai até o refeitório. Estava vazio, exceto por César, que estava ocupando uma mesa com seus livros e cadernos.
–Oi. Posso me sentar? -Megan pergunta já se sentando.
–Oi! Nossa o que aconteceu? Eu fiquei preocupado. Não vejo você desde a festa.
–Ah é. Digamos que eu dei uma sumida.
–E que sumida! Afinal pra o que tem entre você e o Joseph?
–Nada de interessante. Mas então? Porque estudar tanto?
–Bom é último ano. Quero fazer uma boa faculdade. E você, o que planeja pro ano que vem?
–Não sei. -Megan se levanta -E não é da sua conta!
César a encara confuso, porque seu comportamento era tão estranho?
*
–Porque toda vez que nos encontramos você está na floresta? -Max pergunta fazendo Luna tomar um susto.
–Talvez porque você sempre me segue. -Ela sorri.
–Como descobriu? -Ele também sorri. -Mas então o que faz aqui?
–Estou procurando algo que me leve até Lexi.
–Não vai achar.
–Isso é pessimismo, ou sabe de alguma coisa?
–John precisa de uma bruxa pra fazer o feitiço... A essa altura ele já levou Lexi.
–Então não vou ser útil aqui. -Luna se vira, mas Max para em sua frente.
–E minha recompensa pela informação?
Luna sorri e em seguida o beija.
*
Novamente Megan olha para o relógio. 22:34 Ela checa pela última vez a sua mochila, então pega a lanterna e sai da casa. Estava decidida, iria seguir Sarah e trazer sua mãe de volta... Mas pra isso ela precisava de um carro.
Enquanto caminhava pela rua ela encontrou a oportunidade perfeita, um gipe parado em frente a uma casa. Discretamente ela se aproximou. Então quebrou o vidro e abriu a porta.
Ela entrou e sentou no banco do motorista.
–Megan!? O que você está fazendo!?
Ela olhou para a direção daquela voz, era César, que a essa altura já estava parado na frente da janela do banco do passageiro.
–Eu estou... Estou fazendo um empréstimo!
–Pra ser um empréstimo você tem que pedir. Esta me roubando!?
–Sim, roubando emprestado. Não tenho tempo pra explicar.
Megan começa a dirigir, mas César entra no carro, fazendo com que ela parasse.
–Pra onde você pensa que vai!?
–Não posso dizer. Agora desce antes que eu me atrase.
–Quer levar o gipe? Ótimo. Não vou te impedir, mas vou com você.
–Tudo bem. -Megan responde levantando os dois ombros.
–Espera! Eu só disse isso pra você deixar meu gipe! — Megan continua dirigindo sem dar atenção a César. -Megan! Para o carro. Tenho uma prova amanhã. Você ta indo rápido demais, como vou fazer a prova se estiver morto!?
Megan revira os olhos, mas continua dirigindo, realmente ela estava indo rápido demais, portando não demora para que chegasse até a saída de Groovery Born. Assim que chega lá ela para o carro deixando-o escondido. Em seguida desliga o farol, e fica em silêncio esperando.
–Porque parou? O que fazemos aqui?
–Estamos esperando uma pessoa.
–Quem?
–Não importa.
–E quando essa pessoa chegar pra onde a gente vai?
–México.
–O que!? Eu não posso ir pro México, eu tenho...
–Uma prova. É eu ouvi da primeira vez, mas quer saber, não me importo, sabe porque? Eu vou encontrar minha mãe, finalmente. Vou resgata-la.
–Sua mãe foi sequestrada? Espera eu ligo pro meu pai e ele manda alguém na mesma hora.
–Não. Agora cala a boca!
Eles ficam parados no mesmo lugar por uns vinte minutos, até que um carro passa pela estrada, era Sarah, Megan espera até que ela esteja em uma certa distância. Então começa a dirigir. César estava aflito.
–Essa é a pessoa? Fala sério porque estamos seguindo o carro? Você não é uma serial killer é?
–Não, mas se fosse com certeza eu já teria matado você.
César ficou em silêncio, mas suas mãos tremiam um pouco, Sarah não andava tão rápido, o que deixava as coisas mais fáceis para Megan. Mas será que ela conseguiria segui-la até o México sem que ela notasse? Isso era o que mais preocupava Megan.
*
Trinta minutos depois que Megan estava dirigindo Sarah freiou o carro bruscamente. Megan fez o mesmo, quase bateu no carro de Sarah. Em seguida desceu.
–O que você está fazendo!? -César perguntou.
–Eu já volto. -Megan respondeu correndo com a lanterna nas mãos. -SARAH!
Sarah olhou para Megan com espanto, ela não sabia como a garota estava ali, Megan olhou na direção dela, então viu um corpo no chão. Provavelmente Sarah havia atropelado alguém.
Megan chegou perto, e então se abaixou, em seguida segurou o pulso daquele pobre infeliz. Estava normal, porém extremamente gelado.
–Ele deve estar apenas desmaiado, vou chamar uma... -Megan tentou falar nas foi interrompida.
–Megan!? -Disse o cara que estava no chão se virando para Meg. Era Joseph.
–Joseph? Não acredito. Você ia matar a Sarah!?
–Não antes de me alimentar. -Ele respondeu com um sorriso sarcástico.
Megan se levantou, Sarah e Joseph logo em seguida. Megan podia sentir o peso no olhar de Sarah sobre ela.
–Você estava me seguindo Megan!?
–Você não ia me levar com você. E eu preciso encontrar a minha mãe.
–É perigoso. E eu não tenho certeza se ela está na igreja. Então eu quero que você volte pra casa e espere eu telefonar.
–Sarah. -Megan diz colocando a mão no ombro dela. -Eu vou com você, ou sem você... Eu vou de qualquer jeito!
–É uma emboscada. -Diz Joseph.
–Como sabe? -Megan pergunta voltando o olhar para ele.
–Porque foi eu que sugeri.
–Ótimo. Já que você conhece o plano deles, você vai com a gente.
–Megan eu não vou levar você! -Sarah retruca.
–Não precisa, eu tenho um... -Megan aponta para a direção que o jipe estava, mas quando olha ela vê que César havia ido embora sem ela. -Nerd idiota! É Sarah. Eu vou no seu carro. E o Joseph também.
–Depende. O que eu ganho em troca? -Pergunta Joseph.
–O que você quer?
–A minha faca.
Megan revira os olhos, então tira a faca e devolve pra ele. Em seguida os dois entram no carro e sentam-se no banco de trás. Sarah começa a dirigir. Ela não parecia nada contente, Joseph estava com seu ar sarcástico, aquilo deixava Megan irritada.
–Sou completamente contra isso!
–Eu vou ficar bem Sarah...
*
César dirigia o mais rápido que seu jipe permitia. Ele tinha que contar ao seu pai sobre Megan o mais rápido possível. Mesmo sabendo que ela ficaria furiosa. Alguns minutos depois chegou na delegacia.
–PAI! -Seu pai estava no escritório conversando com Peter, parecia uma conversa séria. Mas ele não tinha escolha, precisava contar.
–Que gritaria é essa César!? O que foi que aconteceu?
–A Megan pai... Ela... Eu... -O menino gaguejava e tremia.
–O que tem a minha filha? -Peter perguntou se levantando.
–Ela é sua filha!?
–César responda! -Disse o xerife.
–Ela... Ela foi pro México... Estava seguindo um carro... Disse que ia encontrar a mãe dela.
Peter sai da delegacia o mais depressa possível. Ele não conseguia entender como sua filha podia ser tão teimosa. Rapidamente ele entra em seu carro. Então começa a pensar em algo para ajudar Megan.
*
John estava enfurecido. Já havia tentado de tudo para achar Joseph e nada dava certo. Em sua sala ele pensava em tudo que poderia estar acontecendo. Um dos seus vampiros havia informado a ele sobre Megan... Ela estava indo para o México. Aquela era a oportunidade perfeita para pega-la, afinal pelo que ele soube ela estava indo apenas com uma caçadora. Pensar nisso o fez se sentir poderoso.
–Desculpe interromper senhor. -Disse um dos vampiros de John entrando na sala.
–Diga.
–Já tentamos de tudo. Já torturamos, mas ela não fala. Não acho que ela vá dizer aonde está esse baú.
–Ela vai dizer. Porque aquilo que não se dobra -Ele quebra um objeto de aço que estava sobre a mesa -Se quebra!
–Afinal o que têm de tão importante nesse baú?
–Não é da sua conta! Agora volte lá e a faça falar.
O vampiro acente com a cabeça, então sai da sala. John se levanta logo em seguida, coloca seu casaco e vai até a saída de sua mansão.
–Onde vai!? -Diz Kate uma das mais novas vampiras que ali residiam.
–Vou dar um alô pra minha sobrinha querida.
–Quer que eu vá com você?
–Não. Fique e ajude aqueles idiotas descubrirem onde está o baú... Me ligue assim que descobrirem alguma coisa.
John sai da mansão e caminha até seu carro. Ele começa dirigir com raiva, por ele mataria Megan assim que a encontrasse... Ele sabia que isso deixaria Peter furioso e isso muito o alegrava.
Mas não. Ele ainda não podia, iria precisar dela viva para o feitiço. Então pensou em como a mataria quando não precisasse mais dela. Todos aqueles pensamentos faziam ele se sentir mais vivo, mais... John.
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