Sede de Sangue
9 Cura
Depois de segurar Megan nos braços Kevin a levou até o carro que estava no estacionamento. Os dois começaram viagem até a casa de Frank. O que intrigava Kevin era o arranhão no braço de Megan, ele já havia visto aquilo em algum lugar, porém por mais que tentasse não sabia dizer onde.
Pouco tempo depois Kevin chegou à casa de Frank e deitou Megan na cama do quarto principal, Frank parou e olhou para ela.
–Um arranhão? –Ele disse voltando o olhar a Kevin.
–Com certeza foi essa o motivo do desmaio.
–Como sabe?
–Ela pressionava esse ferimento quando desmaiou.
Frank fica parado observando Megan e seu arranhão, ele parecia estar pensando. Kevin para de olhar Meg e volta o olhar a ele.
–Sabe o que é?
–Não...
O celular de Megan toca no bolso da jaqueta, era Marcela, e já haviam outras duas chamadas perdidas.
–Atenda. –Frank diz.
–E o que eu vou dizer?
–Não sei, invente uma desculpa.
Kevin não parecia muito a favor da idéia, mas mesmo assim atendeu o celular, antes que dissesse uma palavra sequer Marcela fala em um tom nada bom.
–Eu disse direto pra casa Megan.
–Oi Marcela é o Kevin.
–Kevin?
–Sim, eu trouxe a Megan pra conhecer meu tio Frank... Acho que vocês dois se conhecem, ele trabalha no hospital.
–Sim, ele é muito legal... Mas então onde está Megan?
–Ela e meu tio estão na cozinha preparando o jantar. Ela pode passar essa noite aqui?
–... Pode claro... Cuide bem dela.
–Ok, tchau Marcela.
–Tchau.
Frank olha para ele e poucos segundos depois diz fazendo um gesto negativo com a cabeça.
–Acho que eu sei o que ela tem.
–E o que é?
–É uma maldição. –Betty diz entrando no quarto junto de Luna e Mike. –Ela foi arranhada por um gato...
–Mas não um gato qualquer –Luna diz –Um gato que pertence a uma bruxa.
–E o que isso tem a ver? –Kevin pergunta.
–Esse gato passou a ela a “dor de Salém” — Luna diz sinalizando aspas.
–Salém?
–Não se lembra? As bruxas há alguns séculos atrás... Elas foram condenadas a morte, algumas foram para fogueiras, outras para a forca... E por ai vai.
–Então Megan vai sentir como se estivesse queimando em uma grande e velha fogueira. –Betty diz.
–E o que fazemos pra reverter isso? –Kevin diz preocupado.
–Procuramos, mas até agora não encontramos nada. –Mike responde.
–Acho que sei o que fazer. –Frank diz. –Me ajudem a encontrar uma coisa.
Eles descem as escadas e vão até onde ficavam os livros. Frank começa a esvaziar as prateleiras.
–E o que a gente procura? –Betty pergunta passando o dedo sobre o pó nos livros.
–Um livro grande com capa vermelha... Rápido.
Todos começam a ajudar a procurar. Uma hora depois a maioria dos livros já estava para fora daquelas nove prateleiras enormes. Kevin já estava irritado por não fazer nada a respeito de Megan a não ser procurar um livro.
Luna e Betty estavam em pé em frente a uma das ultimas prateleiras olhando capa por capa todos os livros, as duas sabiam que não podiam parar. Tudo em que elas pensavam era em ajudar Megan. E elas sabiam que se fosse ao contrário Megan faria de tudo para ajudá-las.
Mike estava sentado no chão encostado na parede olhando em algumas caixas. E Frank continuava procurando o livro sobre a mesa junto com Kevin.
–E afinal o que tem de tão importante nesse livro? –Kevin pergunta.
–Talvez ele ensine um feitiço para reverter essa maldição e salvar Megan.
–Talvez?!
–Estou fazendo tudo o que posso Kevin.
–E qual o plano B?
–Não sei ainda.
–É disso que você está falando? –Mike diz com o tal livro na mão.
–Sim. –Frank responde colocando o livro sobre a mesa e folheando-o pagina por pagina.
O livro era grande, e seu conteúdo falava sobre profecias, maldições, e também continha histórias de séculos passados, porém não eram histórias sobre amor nem nada do tipo, eram histórias sobre vingança e carnificina.
–E todos aqueles –Frank diz lendo o livro- Que forem contra as bruxas, meio-sangues ou então ameaçarem o equilíbrio, pagarão com seu próprio sangue, provarão toda a dor que nós sentimos e serão queimados vivos até a morte, sem nenhuma clemência. E só então o mundo poderá ver a nossa força, e quando chegar à hora, todos se curvarão diante de nossos pés.
–E como paramos isso? –Kevin pergunta.
–Aqui não diz nada... Mas eu tenho uma idéia. Vou ligar para uma bruxa e perguntar o que ela sabe sobre isso.
–Faça isso. –Kevin diz subindo as escadas e sentando-se na cama ao lado de Megan.
Tudo o que ele queria era conseguir resolver as coisas, ajudar Megan era sua prioridade... Assim como sempre foi. Só que todos sabem, o amor é como, ter uma bicicleta e não saber andar, você pode até se esforçar para aprender, mas só quando você cair vai saber se vale ou não a pena continuar tentando.
–Prometo salvar você-Kevin diz olhando para Megan. –Não vou te deixar.
A campainha toca, todos se dirigem para a sala. Frank abre a porta. Do lado de fora havia uma mulher um tanto velha... Na meia idade, ela tinha a pele morena, e o cabelo vermelho pouco notável, usava um colar que chamava atenção pelo tamanho e por todos os pingentes pendurados.
–Entre. –Frank diz... Quando estão na sala ele volta a falar. –Esses são Kevin, Mike e Betty... E essa é minha velha amiga Lara. –Ele diz apresentando a mulher.
–Oi pra vocês... Onde está a menina? –Diz Lara.
–Lá em cima.
Todos vão até Megan, chegando ao quarto a mulher se senta na cama e coloca as mãos no local do arranhão. Ela fecha os olhos, e pouco tempo depois se levanta e diz.
–A maldição de Salém. Vocês têm sorte, não foi feita por uma bruxa experiente... Talvez eu possa salva-la.
–Talvez !? –Kevin responde dando um passo a frente.
–Pra fazer isso eu vou precisar de duas coisas.
–De que você precisa? –Frank pergunta.
–Aí é que está... A maldição foi passada por um animal, creio eu que foi um gato, um gato que pertence a uma bruxa, o único jeito de salva-la é tendo um fio de cabelo da bruxa e um pelo do gato.
–Isso é impossível. –Kevin diz.
–É tudo o que eu posso fazer.
–MAS QUE MERDA! –Kevin diz chutando a cômoda e saindo do quarto.
Ele sai da casa. Quando ia entrar em seu carro Max diz encostado no pilar da varando.
–Ora ora ora... Vejo que precisa de ajuda pra salvar a bela adormecida.
–Não quero nada que venha de você. –Kevin abre a porta do carro.
–Nem os ingredientes pro feitiço?
–Você não sabe o que fala.
–Um fio de cabelo da bruxa... E um pelo do gato? –Max tira um pequeno saco plástico do bolso da jaqueta. –É isso?
–Porque eu confiaria em você?
Max sorri ironicamente.
–Não estou aqui pela sua confiança, estou aqui cumprindo ordens. –Ele joga o saco plástico para Kevin e depois vai para a estrada.
Kevin volta para a sala, todos estavam planejando algo. Assim que entra ele diz.
–Max nos deu o que precisávamos. –Luna olha para ele e depois diz.
–Max?
–Sim...
–Não podemos confiar nele.
Lara pega o saco plástico da mão de Kevin e depois e diz.
–É exatamente o que precisamos.
Luna parecia não acreditar, porém ela para de pensar nisso quando todos começam a organizar um altar no porão, havia uma estrela no chão, e um pequeno cálice ao centro da estrela.
–Preciso de sangue... Quem me ajuda? –Lara diz.
Kevin morde seu próprio braço e depois o vira em cima do cálice.
–Traga a menina. –Lara fala.
Pouco tempo depois Frank chega com Megan nos braços e a coloca no chão ao lado do cálice. Lara começa a pronunciar um feitiço, e enquanto isso vai acendendo todas as velas que estavam ao redor da estrela.
–Me esperem lá em cima. –Lara diz.
Todos obedecem. Quando já estão na sala Luna segura o braço de Kevin e então pergunta.
–O que Max disse?
–Disse que estava cumprindo ordens.
–E o que mais?
–Ele não disse nada a seu respeito, se é isso que você quer saber Luna.
Luna olha para o lado, e depois vai se sentar no sofá junto aos outros. Mas Kevin não conseguia sentar, ele estava muito aflito pensando no que iria acontecer com Megan, desde que subiu não parava de andar de um lado para o outro, Frank parecia preocupado também, porém ele tentava parecer calmo para que ninguém se desesperasse.
–O feitiço deu certo. –Lara diz.
Megan vê Kevin e vai correndo até ele. Os dois se abraçam.
–Eu amo você. –Meg diz.
–Também amo você. –Kevin responde.
–Eu já vou indo. –Lara diz andando até a porta.
Frank abre a porta, assim que ela da um passo para fora Max arranca seu coração. Poucos segundos depois ele o arremessa longe, então olha para Megan.
–Vejo que a bela adormecida... Não é mais tão adormecida assim, não é?
–Porque fez isso? –Megan diz saindo da casa e empurrando Max. –Ela salvou minha vida.
–Correção, eu salvei sua vida. –Max olha para Kevin. –Não contou a ela?
–O que?-Megan pergunta a Kevin.
–Ele deu os ingredientes para o feitiço.
–Quais ingredientes?
–Um pelo do gato que te arranhou a um fio de cabelo da dona dele.
–Rose. –Megan olha para Max. –O que fez com Rose? Você a matou?
–Sim. –Ele responde sorrindo. –Eu estava entediado.
–Vá pro inferno Max... Se estiver esperando meu agradecimento trate de sentar, porque não vai acontecer.
Megan entra novamente, então se senta no sofá ao lado de Kevin. Ela o abraça, e diz.
–Obrigado.
–Por?
–Salvar minha vida.
–Eu nem consegui os ingredientes pro feitiço.
–Mas me trouxe até aqui...
–Não precisa agradecer.
Megan sorri, e continua abraçando Kevin, olhando para a lareira queimando toda aquela lenha, isso a fazia ver o que realmente importava... Ficar viva.
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