Seddie, a história continua II
37 A manha de Sophie
— Você não ta desmaiado, Cris! Viva! – comemorou Sophie, parando de chorar e levantando os braços em comemoração.
Cris percebeu o olhar fixo de Isabelle e ficou sem jeito, dizendo:
— Peço perdão às damas por não estar vestido. Eu estava tomando banho, ouvi a campainha insistente e vim correndo, pensando que era alguma emergência.
— Era uma emergência, eu tava com saudade, mano – disse Sophie.
— Sophie, o mano já falou que saudade não é uma emergência. Mas, entrem! Enquanto isso, vou vestir alguma coisa.
Isabelle e Sophie entraram e sentaram-se no sofá da sala. A pequena já pegou o controle da TV e ligou no canal de desenhos.
Pouco depois, Cris voltou vestindo um agasalho e sentou-se com elas no sofá. Sophie correu para o colo do irmão, que disse:
— São quase 9h da noite, querida, não acha que já passou da hora de dormir?
— Eu não poderia dormir sem te dar um beijo – respondeu Sophie.
— Então me dá um beijo bem estalado aqui na bochecha – pediu Cris.
Sophie deu um beijo sugando a bochecha de Cris, que riu e falou:
— Só não precisa engolir a minha bochecha.
— Agora conta história pra mim?
— Está bem, vou te colocar na cama, lá no seu quarto e contar uma história de princesa, como você gosta.
Isabelle manifestou-se:
— Você assume os cuidados com ela até amanhã, quando voltam os nossos pais?
— Sim, posso fazer isso.
— Beleza, eu vou pra casa então.
Sophie não gostou e disse choramingando:
— Ah, não! Fica também, Belinha. Ajuda o Cris a contar a história.
— Está bem, conto a história e depois vou pra casa.
Cris pegou Sophie no colo e os três subiram para o quarto da pequena.
O irmão vestiu o pijama da menina, levou a pequena ao banheiro e pediu que fizesse xixi e escovasse os dentes. Quando a pequena voltou, deitou-a na cama e cobriu a irmã com o lençol e o edredom da Barbie, o preferido dela.
— E então, maninha, que história vai ser? A Bela Adormecida, a pequena Sereia, Branca de Neve e os Sete anões, a Bela e a fera...
— Nada disso – manifestou-se brava – Eu estou cansada de ouvir sempre as mesmas histórias – Quero que vocês me contem uma nova, inventada por vocês.
— Não sou um bom contador de histórias inventadas por mim, irmãzinha. Talvez a Belinha tenha mais criatividade – disse Cris olhando para a moça.
— Também sou péssima – informou a loira.
— Então, eu começo e vocês terminam – propôs Sophie – Era uma vez uma princesa muito linda, com os cabelos loiros compridos, assim igual a Belinha e um príncipe bonitão, moreno, de cabelo liso, igual ao mano. Eles se amavam muito, mas não ficavam juntos. Agora vocês continuam.
Cris tomou a palavra:
— O príncipe amava muito a princesa, desde criança, mas eles brigavam muito por coisas pequenas, por bobagem.
Isabelle continuou:
— A princesa também amava muito o príncipe, mas quando cresceram, o príncipe decepcionou muito a princesa, pois namorou todas as mocinhas da Corte.
— O príncipe se deixou levar por ser muito paquerado pelas mulheres, mas mesmo beijando outras damas, nunca amou nenhuma delas como amava a princesa.
— Então, um dia a princesa cansou-se de esperar pelo príncipe, trancada numa torre, apenas observando a vida passar. Ela tomou coragem e desceu de lá, com a ajuda de um amigo, um outro príncipe, que a tratava com muito amor e considerou. Assim, a princesa sentiu-se apaixonada pelo segundo príncipe.
Os dois nem perceberam que Sophie já havia adormecido e prosseguiram na história, Cris falou:
— Quando o príncipe percebeu que sua amada princesa estava nos braços de outro, enxergou o quão idiota havia sido a ponto de perder o amor de sua vida divertindo-se com outras damas, pelas quais nenhum sentimento nutria. Então, nunca mais teve olhos para mais ninguém e fez da tristeza da perda a sua única companhia.
— A princesa fez de tudo para esquecer o príncipe, até se entregou a outro amor, mas nunca o esqueceu de verdade e um dia, durante um baile de aniversário, provou novamente o gosto do beijo do príncipe e todas as dúvidas acabaram...
Os dois trocaram um olhar apaixonado e se esqueceram da sequência da história. Isabelle deu-se conta de que Sophie deveria estar esperando e olhou para a menina, que já dormia profundamente.
— A Sophie dormiu – avisou a Cris, quebrando o clima.
— Vamos apagar a luz e sair sem fazer barulho – disse ele.
Os dois desceram e Isabelle falou, olhando a hora no celular:
— Nossa! Já passa das 10h da noite, melhor eu ir e te deixar descansar também.
— Estou cansado, mas não vou conseguir dormir. Seria demais te pedir para me fazer companhia numa taça de vinho?
— Beber?
— Só uma taça. Eu estudei o dia inteiro e tenho o costume de tomar um cálice para relaxar no final do dia, isso melhora o meu sono. Somos maiores de idade e um pouquinho não deixa ninguém bêbado.
— Está bem, só uma taça.
Cris pegou o vinho, as taças, serviu Isabelle e depois a si próprio. Os dois sentaram-se no sofá e ele colocou uma música ambiente suave.
A moça comentou, saboreando o vinho:
— Esse vinho é uma delícia e ajuda a esquentar nesse frio.
— É tinto da melhor qualidade, minha mãe gosta muito de vinhos e sabe escolher, aqui em casa sempre tem do bom. Mas, você quebrou o brinde.
— Ops – disse a moça, rindo.
— Não tem problema, ainda podemos fazê-lo.
— A que vamos brindar?
— A nós?
— A nós! – disse Isabelle levantando a taça.
— A nós, que mesmo entre tantos encontros e desencontros, cá estamos – completou Cris, batendo na taça de Isabelle.
Ambos beberam um bom gole de vinho e se fitaram, sem nada dizer.
Cris quebrou o silêncio:
— Você é como o vinho, Belle.
— Cantada velha, Cris. Já sei o que vai dizer: “Quanto mais o tempo passa, melhor fica” – rindo.
— Errou! Mesmo que você me conheça há muito tempo, eu posso ser surpreendente, minha cara.
— Então diga, senhor das surpresas.
— Eu ia dizer que você é como o vinho, aquece minha alma, meu coração e meu corpo também. Se eu passo muito tempo olhando para você, sinto-me queimar por inteiro.
— Engraçado, pois sinto o mesmo – confessou a garota.
Os dois, num bote, tomaram os lábios um do outro.
O beijo era frenético, com sugadas nos lábios, línguas em movimentos circulares e pequenas pausas para respirar. Cris parou de devorar os lábios da moça e tomou-lhe o pescoço, enquanto apertava as coxas dela sobre a calça jeans. Sentiu-se excitado e resolveu parar, ofegante, dizendo:
— Belinha, acho melhor você ir.
— Você não quer, Cris?
— Eu quero muito, sempre quis. Mas, não quero forçar nada ou que você se deixe levar pela situação sem ter certeza dos seus sentimentos.
— Você não ouviu o final da história que contei para Sophie? Eu não tenho mais dúvidas, desde o nosso beijo no meu aniversário.
— Isso significa que...
— Que eu quero tanto quanto você, seu bobo. Eu quero ser sua de corpo e alma e de mais ninguém.
Cris pegou Isabelle no colo e entre beijos apaixonados, levou a moça para o quarto dele.
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