Seddie, a história continua
140 Sob pressão
Notas iniciais
O Juiz começou a ler a sentença:
– Julgo improcedente a ação proposta por August Peterson para obter a guarda do menor Cristopher Shay, mantendo a custódia deste com a mãe adotiva Carlotta Shay Gibson. Encerrada a audiência.
– Ahhh! Eu ganhei! — comemorou Carly, empolgada, abraçando Melanie – Ou melhor, nós ganhamos!
– Ganhamos sim! — comemorou Melanie, apertando Carly em um abraço.
Sam, Freddie, Spencer, Audrey e Gibby foram parabenizar Carly e Melanie.
August passou por eles, olhou para Carly e disse:
– Ainda não acabou, eu vou recorrer.
– Faça o que quiser, eu tenho fé de que ninguém vai tirar o meu filho de mim – respondeu Carly, convicta.
Assim que chegou ao seu apartamento, Carly correu para abraçar Cris:
– Você é meu, meu filho! — contou a morena, não o abraçando mais por causa da barrriga que a impedia de puxá-lo ainda mais para si.
– Você me ganhou mamãe? — perguntou Cris.
– Não, você me ganhou Cris, desde a primeira vez que olhou pra mim – contou ela, emocionada.
Spencer anunciou:
– Vou fazer tacos de macarrão para comemorar!
– Eehhh!!! — comemoraram todos os presentes.
Um mês depois, as aulas recomeçaram no Ridgeway. Isabelle, Cris e Mabel foram deixados no local por Sam e Freddie.
– Eu nem acredito que finalmente vou estudar com vocês! — comemorou Mabel, abraçando Cris.
– Não vai não! — falou Isabelle, puxando Cris de forma bruta – Você é pirralha, vai para o 1º ano e nós para o 3º.
– Eu quis dizer que no colégio de vocês. Agora vamos nos ver sempre. Podemos fazer todos os lanches juntos, né Cris?
– Sim – concordou o garoto.
O sinal bateu e as crianças foram para a sala de aula.
No final da tarde daquele dia, quando Sam foi buscar Eddie e Nick no colégio encontrou Charles:
– Minha filha, precisamos conversar.
– Outra hora, tenho mil coisas pra fazer ainda hoje. Tenho que levar os gêmeos pra casa, pegar a Belinha na casa da minha sogra, esquentar o jantar, ajudar os meus filhos com os deveres...
– Eu sei, mas é importante. É sobre o Nick...
– O que esse pestinha já conseguiu aprontar no primeiro dia de aula? — perguntou Sam, olhando para o menino, que riu travesso.
– Vamos pra minha sala, prometo que serei breve.
Na sala da Diretoria, Charles começou:
– Sam, eu amo o Nick, ele é meu neto, mas...
– Tá, pula essa parte sentimental e vai ao que interessa.
– Nicolas está passando dos limites desde o ano passado. As mães reclamam há um tempo já, ele gosta de aprontar com os coleguinhas. Hoje mesmo já colou chiclete no cabelo da Poliana, a coitada vai ter que cortar o cabelo curto. A mãe dela ficou enfurecida, disse que eu o protejo por ser o meu neto, que vai tirar a filha daqui e ainda me denunciar por negligência com as crianças.
– Por que não me disse antes?
– Pensei que não era preciso levar a sério, sei que o menino não faz por maldade, ele é levado como muitas crianças. Não achei necessário te aborrecer com isso, pois, na minha cabeça, era uma fase que iria passar.
– Mas a mãe dessa menina te colocou contra a parede e agora quer que eu dê um jeito no meu filho?
– Sam, não me interprete mal...
– Como você mesmo disse, Nicolas é uma criança, é só uma fase. Manda essa mulher histérica ir se tratar – concluiu Sam, saindo do local.
No caminho para casa, Sam perguntou ao filho:
– Por que colou chiclete no cabelo da sua colega?
– Porque ela é chata e tem cabelo feio – respondeu o menino.
– Nicolas, pega leve, tá bom?
O menino assentiu com a cabeça, despreocupado.
Na manhã seguinte, no apartamento 8C a família Shay Gibson tomava o café da manhã.
– Mozão, passa mais um sanduíche – pediu Carly a Gibby.
– Outro? Já é o terceiro!
– Estou comendo por dois. Quer que o nosso bebê nasça desnutrido?
– Daqui a pouco você ganha da Sam num concurso de comedores de cachorro-quente.
– Tá com medo que eu engorde e não volte mais a meu peso normal?
– Claro, até porque eu sou um cara em forma e não pega bem pra mim sair por aí com uma mulher gorda — respondeu Gibby em tom de brincadeira.
– Não pega bem mesmo, por isso que em vez de mais um sanduíche, eu vou comer dois – disse Carly, rindo.
A campainha tocou e Mabel foi abrir. Era um homem de terno, sério, com um papel na mão.
– Chame a sua mãe garotinha.
– Minha mãe não mora aqui.
– Aqui não é o apartamento de Carlotta Shay Gibson?
– Sim...
Carly foi à porta ver do que se tratava e o homem disse:
– Assine aqui, por favor – entregando o papel.
– O que é isso? — quis saber Carly.
– Decisão proferida no recurso do senhor August Peterson que o autoriza a fazer visitas periódicas ao menor Cristopher Shay.
– Não vou assinar isso!
– A senhora que sabe. Já está ciente e vou escrever no mandado que a senhora se recusou a assinar, isso não muda a decisão.
O homem saiu e Carly ficou desesperada:
– Nós vamos viajar! Nós vamos sumir no mundo! Não vou permitir que aquele cara se aproxime do meu filho.
Carly levou a mão à nuca, sentindo dor, tonteou, mas não caiu, porque Gibby, que já se aproximava, conseguiu segurá-la:
– O que sente? Quer ir ao médico?
– Não, já passou, uma tontura passageira.
– Carly, senta – colocando-a no sofá – Eu vou ligar pra Melanie, ela pode resolver isso.
– E se não tiver o que fazer?
– Sempre tem.
Gibby falou com Melanie e deu o recado à Carly:
– Ela vai pedir ao juiz pra reconsiderar a decisão.
– E se ele não reconsiderar?
– Vamos pensar positivo.
Na semana seguinte, August estava batendo à porta, feliz, por ter conseguido manter seu direito de visita enquanto a questão da guarda não se resolvia na justiça.
Assim que Cris saiu pela porta com August, Carly caiu em prantos:
– E se ela sequestrar o meu filho? — indagou ao marido.
– Ele não é doido de fazer isso, se fizer vai perder a guarda e ele tá pedindo na justiça.
– E se ele fizer mal pro menino?
– Ele não vai fazer isso. Só tá querendo conhecer melhor o filho, Cris também deve querer conhecer melhor o pai biológico.
– Você é o pai dele! Como pode não se importar com essa situação?
– Eu me importo, mas sei que o Cris me ama como pai assim como eu o amo como filho e não vai ser o August que vai mudar isso. Se eu não soubesse quem é o meu pai gostaria de conhecê-lo, de ver no que me pareço com ele. Você não teria essa curiosidade?
– Talvez.
– Então relaxa. Eles só vão dar umas voltas pra se conhecerem melhor, então o Cris vai voltar pra casa e tudo será como sempre.
No shopping, Cris e August davam voltas, conversavam e riam. Os dois foram ao play e se divertiram nos games. O garoto estava feliz.

Depois foram fazer um lanche na Praça de Alimentação.
– Como você conheceu minha mãe Faye? — quis saber Cris, enquanto devorava um hambúrguer.
– Foi numa festa da faculdade. Ela foi com a amiga de uma amiga que era mais velha. Sua mãe era gata, apesar de novinha. Assim que a vi disse: essa menina vai ser minha! Então, cheguei junto e mandei a inocência dela pro espaço. Homem tem que ser assim filho, mostrar que tem pegada e ser boa pinta, claro, porque daí elas não resistem mesmo, abrem o coração e outras coisas – falou August, rindo com deboche.
– Meu pai diz que o mais importante é saber tratar uma garota bem, com carinho e respeito, porque, independentemente da aparência, elas gostam do cara que tratam elas como princesas.
– Eu sou o seu pai! Fácil pro gordo dizer isso. Nem sei como conquistou sua mãe adotiva. Ela tá grávida, mas dá pra ver que é gostosa, eu pegava.
– Não gosto que fale assim da minha mãe.
– Ela não é a sua mãe.
– É sim! Não tô gostando dessa conversa, quero ir pra casa.
– Tô no meu horário de visita. Você não tem querer. Tô vendo que estão te criando feito um viadinho, tem que aprender a ser macho. Desse jeito não vai pegar mulher quando crescer, vai ser um nerd babaca.
– Não acho nerds babacas.
– É claro que não acha. Mas, vai achar quando quiser convidar a garota mais gata do colégio pro baile e ela quiser ir com o pegador. Eu vi o jeito como você olha pra loirinha bonitinha, você gosta dela né?
– Não sei do que está falando.
– Aquela menina que tá sempre com você. Já percebi que ela é esperta e que adora fazer bullying com você. Ela faz porque te acha um babaquinha, se mudar, vai tê-la nas mãos e quando atingirem a puberdade, vai tê-la do jeito que quiser – disse August, com malícia.
– A Belinha é minha amiga e ela não me acha um babaquinha, só gosta de fazer brincadeiras, isso é natural dela, não faz por maldade.
– Se não é babaquinha, prova.
– Como?
– Espera aí.
August levantou-se e voltou com uma cerveja, colocando na frente do filho:
– Bebe.
– Eu sou criança, não posso beber álcool.
– Já tem quase 10 anos! Eu bebi pela primeira vez aos 8! Meu pai me deu pra me ensinar a ser macho. Vira isso Cristopher!
– Não! — falou o menino, correndo pra longe de August.
– Volta aqui moleque! — gritou August.
Cris correu até despistar August, então ligou para Carly:
– Mamãe, vem me buscar, por favor – chorando.
Em pouco tempo, Carly e Gibby estavam pegando Cris no estacionamento do shopping.
No carro, o menino disse:
– Não deixem mais o August me levar! Ele é mau! Eu não gosto dele.
– Eu prometo que não vou deixar ele te levar – disse Carly, convicta.
– Não pode prometer isso – observou Gibby.
– Eu dou um jeito, mas aquele cara não coloca mais as mãos no meu filho.
Na semana seguinte, August voltou para levar Cris para o horário de visita, mas o menino se recusou e Carly tomou a frente:
– Pra levar meu filho só passando por cima do meu cadáver.
– Eu não tô querendo bater em mulher e ainda mais grávida, minha senhora – falou August com deboche.
– Está ameaçando a minha mulher? — perguntou Gibby, irritado, encarando August.
August e Gibby pareciam dois touros prestes a entrar numa briga.
– Pensa que tenho medo de você, gordo? — provocou August.
Gibby deu o primeiro soco, iniciando uma briga. Os dois já rolavam pelo chão e derrubavam os móveis a volta.
– Papai! — gritaram Mabel e Cris, preocupados com Gibby, ao verem a cena.
– Parem! — gritou Carly, desesperada – Socorro!
Os dois não ouviam os gritos da morena e das crianças e continuavam a troca de socos.
Carly começou a sentir o coração acelerado, dor na nuca, a visão ficou turva e ela se sentou no chão, com medo de desmaiar. Mabel e Cris correram para acudi-la. Gibby se deu conta, então levantou-se do chão e foi acudir a esposa, dizendo a August:
– Some daqui desgraçado!
August saiu com a boca sangrando. Gibby levou Carly para o hospital e pediu às crianças que fossem para o apartamento de Sam e Freddie.
Sam recolhia os brinquedos dos filhos espalhados pela sala, sem paciência:
– Já disse mil vezes que não sou empregada de vocês! Arrumem suas bagunças!
Bolinha começou a latir:
– O que quer?
O cachorro foi até a área de serviço e voltou com a coleira na boca, mostrando que queria passear.
– Belinha, seu cachorro quer passear!
– Desde quando me deixa sair na rua sozinha, mamãe? — indagou Isabelle.
– Desde hoje, não saia da quadra. Eu não dou conta de tudo, você quis o cachorro.
Freddie apareceu:
– Sam! Quem colocou cola no meu xampu?
– Já passei da idade de fazer isso nerd!
– Se não foi você, foi um dos seus filhos.
– Claro, meus filhos. Fiz todos sozinha! É um caso a ser estudado pela ciência.
– Você é muito condencedente com as travessuras das crianças.
– Então eduque você! Eu já tô de saco cheio! Faça o que quiser, vou passear com o Bolinha! Ele é o único que me entende e não me irrita! — pegando a coleira da mão da filha para colocar no cachorro.
A campainha tocou, Sam abriu sem paciência:
– O que é?
Viu que Cris e Mabel choravam e conteve o tom:
– O que aconteceu? Por que estão chorando? — perguntou preocupada.
– A mamãe foi para o hospital, ela passou mal – contou Cris.
– E o papai tá machucado. O pai do Cris bateu nele – contou Mabel.
– Ele não é meu pai, o seu pai é o meu pai – corrigiu Cris.
– Minha nossa! Se eu achava que as coisas estavam tensas aqui em casa, reconsidero. Entrem crianças.
Freddie perguntou aos pequenos:
– Para que hospital a Carly foi?
– Não sabemos – respondeu Cris.
O moreno pegou o celular e discou para Gibby, informando à família:
– A pressão da Carly subiu muito, ela está com pré-eclampsia. Vão ter que fazer uma cesariana de emergência. Gibby tá muito nervoso.
– Vamos pra lá agora! — falou Sam, nervosa.
– E as crianças?
– A bruxa da sua mãe serve pra alguma coisa.
– Quantas vezes vou ter que repetir que...
– Não gosto que fale assim da minha mãe – completou Sam – Não temos tempo pra isso Freddonho.
Pouco tempo depois, Sam e Freddie chegaram ao hospital. Gibby informou:
– Ela vai entrar na sala de parto daqui a pouco.
– Como ela está? — quis saber Sam.
– Mal. Eu tô com muito medo, não quero perdê-la, não sei viver sem ela – falou Gibby, chorando.
Freddie abraçou o amigo:
– Vai ficar tudo bem cara, tenha fé. O seu bebê vai nascer e a Carly vai se recuperar, ela é jovem e forte.
O médico apareceu, indagando à Sam:
– A senhora é Samantha Puckett Benson?
– Sim.
– Carlotta Gibson quer vê-la antes do parto.
Sam entrou no quarto do hospital e encontou Carly pálida, com o olhar distante, como se estivesse aérea.
– Sam – murmurou a morena, fazendo a loira sentar-se na cama ao lado dela.
– Eu tô aqui amiga, seja forte. Gibby já tá lá fora chorando como um bebê.
– O meu bebê...
– Seu bebê vai nascer, isso é muito bom! Vai ter o seu filhinho Carly, como sempre quis.
– Eu não sei se vou viver para criar o meu bebê, eu tô morrendo...
– Não diga isso! Eu te proíbo de fazer um fiasco desse comigo! — disse Sam, em tom autoritário.
– Sam, promete que vai cuidar do meu bebê?
– Claro que vou, sou a madrinha. Vou te ajudar com o bebê como sempre me ajudou com a Belinha, que é a sua afilhada.
– Gibby não vai suportar a minha perda... não vai ter forças... meu bebê vai precisar de uma mãe... você.
– Não, esse bebê precisa de você. Jure que vai viver pelo seu bebê, pelo Gibby, pelo Cris e por mim também.
O médico e enfermeiras apareceram para encaminhar Carly para a sala de parto.
– Jure que vai cuidar do meu bebê Sam, não vou ter paz se não jurar – implorou Carly.
– Eu juro, jamais abandonaria o bebê da minha melhor amiga, da minha irmã de coração.
– Muito obrigada, minha irmã do coração – disse Carly, enquanto era levada na maca, esboçando um sorriso fraco.
Sam saiu de lá aos prantos, abraçando Freddie, que fazia carinho no cabelo da esposa, envolvendo-a num abraço protetor.
Ele indagou, quando Sam conseguiu parar de soluçar:
– Ela está tão mal assim? — com os olhos cheios de lágrimas.
– Você já imaginou como seria a nossa vida sem a Carly? — perguntou Sam.
– Nunca.
– Nem eu. Ela não pode morrer.
– Ela não vai – falou Freddie, abraçando a esposa novamente.
As horas passavam e todos aguardavam notícias ansiosos. Spencer também havia chegado, juntando-se ao grupo dos desesperados.
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