– Sam, nós somos os novos proprietários desse apartamento! — anunciou Freddie num misto de contentamento e surpresa.

– Pirou nerd? — indagou Sam, tomando a escritura da mão de Freddie — Como pode? — quis saber ela ao conferir o documento.

Gary respondeu:

– Vocês têm uma grande amiga, perguntem a ela — retirando-se, juntamente com o advogado.

– Ele tava falando da Carly? — perguntou Freddie.

– É o que vamos descobrir agora — falou Sam, saindo em direção ao apartamento 8C, acompanhada por Freddie.

Carly logo abriu a porta ao ouvir a campainha e Sam foi direta:

– Carly Shay, a senhora tem alguma coisa a ver com isso? — mostrando a escritura para a amiga.

Carly riu e respondeu:

– Quem sabe...

– Como arranjou dinheiro? — quis saber Freddie.

– Eu não arranjei, meu pai sim — explicou Carly.

Freddie aproximou-se de Coronel Shay, sentado no sofá da sala com Sophie no colo, e perguntou:

– O senhor comprou o aparamento para nós?

– Mais ou menos. Minha filha me disse que estavam precisando de um empréstimo para a aquisição do imóvel. Eu tenho umas boas economias, ganhei um bom dinheiro servido à aeronáutica dos Estados Unidos da América em vários cantos do mundo. Então, resolvi ser um Banco para vocês, garantindo que pudessem ter o apartamento — explicou Coronel Shay.

– Deixa eu ver se entendi. O senhor, na verdade, nos fez um empréstimo? — quis saber Sam.

– Isso aí.

– Mas, como vamos pagá-lo? Por quanto tempo? Não fizemos nenhum acordo a respeito disso — preocupou-se Freddie.

– Não precisa. Vocês me pagam quando e quanto puderem. Esse dinheiro não está me fazendo falta. Fui para a reforma das Forças Armadas com um salário muito digno.

– Nossa! Valeu — agradeceu Sam.

– Muito obrigado mesmo Coronel Shay. Seremos eternamento gratos e vamos pagar o mais rápido possível — garantiu Freddie.

– Não se preocupe rapaz. Vocês são os melhores amigos da minha filha. Eu os conheço desde crianças. Sei o quanto são importantes para a minha menina. Ela ficou muito preocupada desde uma conversa com a Sam e eu me ofereci para ajudar. Só quero que sejam muito felizes.

Sophie começou a choramingar e Coronel Shay percebeu que era a fralda molhada. Carly pegou a filha no colo e subiu as escadas para trocá-la. Sam foi atrás.

Enquanto a morena trocava Sophie, Sam falou:

– Amiga, eu preciso te agradecer e te pedir desculpa. Falei coisas injustas naquele dia da festa do seu pai...

– Eu entendo o que quis dizer Sam. Eu mesma muitas vezes penso ter sido a pior amiga do mundo pra você. Talvez você nunca possa me perdoar pelo Freddie...

– Isso já passou. Eu mesma não sei por que trouxe isso a tona depois de tanto tempo.

– Porque ficou com raiva e liberou algo do seu subconsciente.

– Pensei que fosse jornalista e não psicóloga.

– Quem sabe eu devesse mesmo mudar de área...

– Pensei que gostasse do seu trabalho?

– Eu gosto, mas nem sei se vou conseguir voltar ao meu posto.

– Como assim?

– Eu tô de licença-maternidade e o programa não pode ficar sem uma garota do tempo. Uma colega me contou que um dos Diretores colocou a amante dele no meu lugar e que vai ser ruim dela sair. Capaz de me mandarem de volta para o trabalho na redação.

– Que coisa chata amiga. Quer que eu quebre essa fulana com a meia de manteiga?

– Não resolveria Sam e você acabaria presa. Mas, fico feliz em ouvir isso de você.

As duas trocaram um sorriso de entendimento.

Quando desceram, encontraram Coronel Shay discutindo com Gibby, enquanto Freddie tentava contornar a situação.

– Seu marido é um preguiçoso Carly! Estava agora mesmo cochilando no sofá — contou o Coronel.

– Senhor, eu trabalho a semana inteira. Quando chega final de semana quero descansar — explicou Gibby.

– Deveria arranjar algo de útil pra fazer nos finais de semana. Certamente estão precisando de bombeiros voluntários.

– Eu tô acima do peso. Não tenho nem preparo físico pra isso — justificou Gibby.

– Se fosse menos preguiçoso, não estaria acima do peso e ficaria a altura da minha filha.

Carly interrompeu:

– Pai, o Gibby trabalha muito a semana toda, me ajuda com as crianças e é um bom marido. Não me importo que ele esteja acima do peso.

– Você poderia ter arranjado um marido melhor.

Gibby irritou-se, levantou-se do sofá e abriu a porta. Carly perguntou:

– Aonde vai?

– Pra casa da minha mãe. Tenho um pouco de paz lá — saindo.

– Pai, não tem o direito de se meter no meu casamento desse jeito! — insurgiu-se Carly.

– Se estou incomodando, devo ir embora. Eu me aposentei querendo passar um tempo perto da minha filha. Um tempo que nunca tive, porque estava trabalhando duro para que nada faltasse a você e ao seu irmão. Mas, pelo visto isso não é muito importante pra você — falou Coronel Shay.

– Não foi isso que eu quis dizer. Não quero que vá embora.

Coronel Shay levantou-se e subiu as escadas.

– A coisa tá tensa por aqui né amiga? — perguntou Sam à morena.

– Nem me fale.

Algum tempo depois, Sam, Freddie, Isabelle, Eddie e Nick estavam prontos para embarcar rumo a Los Angeles, pois o bebê de Jade e Beck havia nascido.

Isabelle abraçava Bolinha e não queria deixá-lo no hotel para cachorro.

– Belinha, pare com isso. Não é a primeira vez que o Bolinha fica aí para viajarmos – falou Sam.

– Mas, eu tô com mal pressentimento – justificou a menina.

– Belinha, não vai acontecer nada. O Bolinha vai ficar feliz da vida com os amigos caninos dele – explicou Freddie.

– O seu mal pressentimento é só saudade – disse Sam.

– É, pode ser – concordou Isabelle, entregando o cachorro para o responsável pelo hotel.

Em Los Angeles, Jade recebeu os amigos em sua casa e mostrou orgulhosa a pequena Sarah, que era morena como Beck.

Sam perguntou:

– Por que das meias nas mãozinhas dela?

– Não são meias, são luvinhas. Detesto as pessoas pegando nas mãozinhas da minha bebê. Não é higiênico. Depois ela pode levar à boca e ingerir a bactérias dessas pessoas sem noção. Detesto pessoas! — explicou Jade.

Enquanto isso, Isabelle tentava falar com Richard, mas o garoto falou:

– Fica longe de mim Belinha.

– Por que?

– Vai tentar me beijar de novo.

– Eu nem ia te beijar.

– Ia sim, não sou bobo.

– Foi besteira. Ainda somos crianças. Só quero brincar com você, pode ser?

– Tá bom, mas não chega muito perto – concordou Richard, entregando um de seus carrinhos de brinquedo para a amiga.

Dice chegou e apresentou a nova namorada, Jesse, uma morena de olhos verdes.

Sam cumprimentou o casal e perguntou ao rapaz de 22 anos:

– Quando vai se formar cabeludinho? — bagunçando os cachos do garoto.

– Ano que vem. Serei oficialmente um publicitário. Se bem que prefiro continuar fazendo comerciais de xampu por enquanto. Isso dá grana e em breve pretendo me casar.

– Devagar garoto. Vocês estão juntos a pouco tempo. Aproveitem essa fase de namoro. É a melhor que tem.

– Eu digo a mesma coisa pra ele – falou Jesse.

Sam mudou de assunto:

– E como vai nosso amigo grandalhão?

– Goomer tá querendo se mudar pra Dubai – respondeu Dice.

– Ele perdeu o juízo de vez?

– Soube que aquela lutadora, a Rita Rooney, mudou-se pra lá e colocou na cabeça que precisa encontrá-la.

– É cada uma que o Goomer inventa. Mas, eu não ligo. Jade, o que tem pra comer? — perguntou Sam à amiga.

– Beck comprou umas porcarias – respondeu Jade.

– Comprei uns lanches, venham comigo – informou Beck, chamando todos à cozinha.

Em Seattle, Carly reclamou com Gibby:

– Parece que você nem mora mais aqui. Passa todo o seu tempo livre na casa da sua mãe, nem me ajuda com a Sophie.

– Quando passo meu tempo livre aqui seu pai fica me atormentando.

– Eu sei. Já conversei com ele várias vezes, mas não adianta. Aconselhei a sair com os amigos dele, porque passa o dia todo em casa de pijama sem ter muito o que fazer e mal-humorado. Mas, ele disse que não tem mais amigos em Seattle, que se afastou de todos, porque passou anos fora.

– Poderíamos encontrar uns amigos pra ele, como fizemos com o Spencer há alguns anos.

– Tentamos isso com o Spencer e não deu certo, lembra? Amizade é uma coisa que não se impõe.

Na sala, Coronel Shay estava agoniado, trocando os canais da TV a cabo:

– Será possível que não tem nada de bom passando nessa televisão?

Cris falou:

– Tem umas séries legais, posso pegar o controle?

– Não, deixa pra lá – desligando a TV – Será que você não quer ouvir umas histórias? Passei muito tempo servindo à aeronáutica, vi muitas coisas...

– Claro que eu quero ouvir. Deve ser demais! — empolgou-se Cris, sentando-se ao lado de Coronel Shay.

O senhor também se empolgou e começou a contar suas aventuras para o garoto atento.

A família Puckett Benson voltou para Seattle no dia seguinte. Passaram em casa para deixar as malas.

– Vamos logo pegar o Bolinha, gente! Eu estou com muita saudade – pediu Isabelle.

– Aposto que ele não está com saudade de você – caçoou Nicolas.

– Eu não sou você – devolveu Isabelle.

Freddie resolveu:

– Chega crianças, vamos lá pegar o Bolinha.

– Eu não quero ir, vai começar o novo episódio de Guerra nas Galáxias – falou Eddie, sentando-se no sofá e ligando a televisão.

– Boa lembrança garoto! Nós podemos buscar o Bolinha mais tarde – disse Freddie, sentando-se no sofá ao lado do filho.

– Não! Vamos agora! — disse Isabelle.

– Tudo bem, eu vou com você – falou Sam, saindo com a filha.

Assim que chegaram ao hotel para cachorro, encontraram o responsável assustado:

– Eu peço que fiquem calmas e que entendam que não foi minha culpa...

Notas finais
Rita Rooney: http://vignette2.wikia.nocookie.net/samandcat/images/2/2f/Rita_Rooney.png/revision/latest?cb=20140608230124