Seddie, a história continua
149 O sogro
– Sam, nós somos os novos proprietários desse apartamento! — anunciou Freddie num misto de contentamento e surpresa.
– Pirou nerd? — indagou Sam, tomando a escritura da mão de Freddie — Como pode? — quis saber ela ao conferir o documento.
Gary respondeu:
– Vocês têm uma grande amiga, perguntem a ela — retirando-se, juntamente com o advogado.
– Ele tava falando da Carly? — perguntou Freddie.
– É o que vamos descobrir agora — falou Sam, saindo em direção ao apartamento 8C, acompanhada por Freddie.
Carly logo abriu a porta ao ouvir a campainha e Sam foi direta:
– Carly Shay, a senhora tem alguma coisa a ver com isso? — mostrando a escritura para a amiga.
Carly riu e respondeu:
– Quem sabe...
– Como arranjou dinheiro? — quis saber Freddie.
– Eu não arranjei, meu pai sim — explicou Carly.
Freddie aproximou-se de Coronel Shay, sentado no sofá da sala com Sophie no colo, e perguntou:
– O senhor comprou o aparamento para nós?
– Mais ou menos. Minha filha me disse que estavam precisando de um empréstimo para a aquisição do imóvel. Eu tenho umas boas economias, ganhei um bom dinheiro servido à aeronáutica dos Estados Unidos da América em vários cantos do mundo. Então, resolvi ser um Banco para vocês, garantindo que pudessem ter o apartamento — explicou Coronel Shay.
– Deixa eu ver se entendi. O senhor, na verdade, nos fez um empréstimo? — quis saber Sam.
– Isso aí.
– Mas, como vamos pagá-lo? Por quanto tempo? Não fizemos nenhum acordo a respeito disso — preocupou-se Freddie.
– Não precisa. Vocês me pagam quando e quanto puderem. Esse dinheiro não está me fazendo falta. Fui para a reforma das Forças Armadas com um salário muito digno.
– Nossa! Valeu — agradeceu Sam.
– Muito obrigado mesmo Coronel Shay. Seremos eternamento gratos e vamos pagar o mais rápido possível — garantiu Freddie.
– Não se preocupe rapaz. Vocês são os melhores amigos da minha filha. Eu os conheço desde crianças. Sei o quanto são importantes para a minha menina. Ela ficou muito preocupada desde uma conversa com a Sam e eu me ofereci para ajudar. Só quero que sejam muito felizes.
Sophie começou a choramingar e Coronel Shay percebeu que era a fralda molhada. Carly pegou a filha no colo e subiu as escadas para trocá-la. Sam foi atrás.
Enquanto a morena trocava Sophie, Sam falou:
– Amiga, eu preciso te agradecer e te pedir desculpa. Falei coisas injustas naquele dia da festa do seu pai...
– Eu entendo o que quis dizer Sam. Eu mesma muitas vezes penso ter sido a pior amiga do mundo pra você. Talvez você nunca possa me perdoar pelo Freddie...
– Isso já passou. Eu mesma não sei por que trouxe isso a tona depois de tanto tempo.
– Porque ficou com raiva e liberou algo do seu subconsciente.
– Pensei que fosse jornalista e não psicóloga.
– Quem sabe eu devesse mesmo mudar de área...
– Pensei que gostasse do seu trabalho?
– Eu gosto, mas nem sei se vou conseguir voltar ao meu posto.
– Como assim?
– Eu tô de licença-maternidade e o programa não pode ficar sem uma garota do tempo. Uma colega me contou que um dos Diretores colocou a amante dele no meu lugar e que vai ser ruim dela sair. Capaz de me mandarem de volta para o trabalho na redação.
– Que coisa chata amiga. Quer que eu quebre essa fulana com a meia de manteiga?
– Não resolveria Sam e você acabaria presa. Mas, fico feliz em ouvir isso de você.
As duas trocaram um sorriso de entendimento.
Quando desceram, encontraram Coronel Shay discutindo com Gibby, enquanto Freddie tentava contornar a situação.
– Seu marido é um preguiçoso Carly! Estava agora mesmo cochilando no sofá — contou o Coronel.
– Senhor, eu trabalho a semana inteira. Quando chega final de semana quero descansar — explicou Gibby.
– Deveria arranjar algo de útil pra fazer nos finais de semana. Certamente estão precisando de bombeiros voluntários.
– Eu tô acima do peso. Não tenho nem preparo físico pra isso — justificou Gibby.
– Se fosse menos preguiçoso, não estaria acima do peso e ficaria a altura da minha filha.
Carly interrompeu:
– Pai, o Gibby trabalha muito a semana toda, me ajuda com as crianças e é um bom marido. Não me importo que ele esteja acima do peso.
– Você poderia ter arranjado um marido melhor.
Gibby irritou-se, levantou-se do sofá e abriu a porta. Carly perguntou:
– Aonde vai?
– Pra casa da minha mãe. Tenho um pouco de paz lá — saindo.
– Pai, não tem o direito de se meter no meu casamento desse jeito! — insurgiu-se Carly.
– Se estou incomodando, devo ir embora. Eu me aposentei querendo passar um tempo perto da minha filha. Um tempo que nunca tive, porque estava trabalhando duro para que nada faltasse a você e ao seu irmão. Mas, pelo visto isso não é muito importante pra você — falou Coronel Shay.
– Não foi isso que eu quis dizer. Não quero que vá embora.
Coronel Shay levantou-se e subiu as escadas.
– A coisa tá tensa por aqui né amiga? — perguntou Sam à morena.
– Nem me fale.
Algum tempo depois, Sam, Freddie, Isabelle, Eddie e Nick estavam prontos para embarcar rumo a Los Angeles, pois o bebê de Jade e Beck havia nascido.
Isabelle abraçava Bolinha e não queria deixá-lo no hotel para cachorro.
– Belinha, pare com isso. Não é a primeira vez que o Bolinha fica aí para viajarmos – falou Sam.
– Mas, eu tô com mal pressentimento – justificou a menina.
– Belinha, não vai acontecer nada. O Bolinha vai ficar feliz da vida com os amigos caninos dele – explicou Freddie.
– O seu mal pressentimento é só saudade – disse Sam.
– É, pode ser – concordou Isabelle, entregando o cachorro para o responsável pelo hotel.
Em Los Angeles, Jade recebeu os amigos em sua casa e mostrou orgulhosa a pequena Sarah, que era morena como Beck.

Sam perguntou:
– Por que das meias nas mãozinhas dela?
– Não são meias, são luvinhas. Detesto as pessoas pegando nas mãozinhas da minha bebê. Não é higiênico. Depois ela pode levar à boca e ingerir a bactérias dessas pessoas sem noção. Detesto pessoas! — explicou Jade.
Enquanto isso, Isabelle tentava falar com Richard, mas o garoto falou:
– Fica longe de mim Belinha.
– Por que?
– Vai tentar me beijar de novo.
– Eu nem ia te beijar.
– Ia sim, não sou bobo.
– Foi besteira. Ainda somos crianças. Só quero brincar com você, pode ser?
– Tá bom, mas não chega muito perto – concordou Richard, entregando um de seus carrinhos de brinquedo para a amiga.
Dice chegou e apresentou a nova namorada, Jesse, uma morena de olhos verdes.
Sam cumprimentou o casal e perguntou ao rapaz de 22 anos:
– Quando vai se formar cabeludinho? — bagunçando os cachos do garoto.
– Ano que vem. Serei oficialmente um publicitário. Se bem que prefiro continuar fazendo comerciais de xampu por enquanto. Isso dá grana e em breve pretendo me casar.
– Devagar garoto. Vocês estão juntos a pouco tempo. Aproveitem essa fase de namoro. É a melhor que tem.
– Eu digo a mesma coisa pra ele – falou Jesse.
Sam mudou de assunto:
– E como vai nosso amigo grandalhão?
– Goomer tá querendo se mudar pra Dubai – respondeu Dice.
– Ele perdeu o juízo de vez?
– Soube que aquela lutadora, a Rita Rooney, mudou-se pra lá e colocou na cabeça que precisa encontrá-la.
– É cada uma que o Goomer inventa. Mas, eu não ligo. Jade, o que tem pra comer? — perguntou Sam à amiga.
– Beck comprou umas porcarias – respondeu Jade.
– Comprei uns lanches, venham comigo – informou Beck, chamando todos à cozinha.
Em Seattle, Carly reclamou com Gibby:
– Parece que você nem mora mais aqui. Passa todo o seu tempo livre na casa da sua mãe, nem me ajuda com a Sophie.
– Quando passo meu tempo livre aqui seu pai fica me atormentando.
– Eu sei. Já conversei com ele várias vezes, mas não adianta. Aconselhei a sair com os amigos dele, porque passa o dia todo em casa de pijama sem ter muito o que fazer e mal-humorado. Mas, ele disse que não tem mais amigos em Seattle, que se afastou de todos, porque passou anos fora.
– Poderíamos encontrar uns amigos pra ele, como fizemos com o Spencer há alguns anos.
– Tentamos isso com o Spencer e não deu certo, lembra? Amizade é uma coisa que não se impõe.
Na sala, Coronel Shay estava agoniado, trocando os canais da TV a cabo:
– Será possível que não tem nada de bom passando nessa televisão?
Cris falou:
– Tem umas séries legais, posso pegar o controle?
– Não, deixa pra lá – desligando a TV – Será que você não quer ouvir umas histórias? Passei muito tempo servindo à aeronáutica, vi muitas coisas...
– Claro que eu quero ouvir. Deve ser demais! — empolgou-se Cris, sentando-se ao lado de Coronel Shay.
O senhor também se empolgou e começou a contar suas aventuras para o garoto atento.
A família Puckett Benson voltou para Seattle no dia seguinte. Passaram em casa para deixar as malas.
– Vamos logo pegar o Bolinha, gente! Eu estou com muita saudade – pediu Isabelle.
– Aposto que ele não está com saudade de você – caçoou Nicolas.
– Eu não sou você – devolveu Isabelle.
Freddie resolveu:
– Chega crianças, vamos lá pegar o Bolinha.
– Eu não quero ir, vai começar o novo episódio de Guerra nas Galáxias – falou Eddie, sentando-se no sofá e ligando a televisão.
– Boa lembrança garoto! Nós podemos buscar o Bolinha mais tarde – disse Freddie, sentando-se no sofá ao lado do filho.
– Não! Vamos agora! — disse Isabelle.
– Tudo bem, eu vou com você – falou Sam, saindo com a filha.
Assim que chegaram ao hotel para cachorro, encontraram o responsável assustado:
– Eu peço que fiquem calmas e que entendam que não foi minha culpa...
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