Notas iniciais
A pedido de "NutellaDaAriana" escrevi momentos Bade (Beck e Jade)

A festa terminou. Os gêmeos ainda brincavam dentro da nave, fazendo barulhos imitando um motor e se empurrando na disputa para virar o volante.

– Vai pegar os meninos, antes que comecem a se estapear – pediu Sam ao marido – Eu não tô vendo a Belinha.

Freddie foi até os filhos. Sam saiu do salão a procura da primogênita. Encontrou Dice e sua namorada Kate aos beijos no corredor. Ela imitou tosse e chamou a atenção do casal, que se largou, constrangido.

– Vocês viram a Belinha? — perguntou a loira.

– Ela passou pra lá já tem um tempo – contou Dice, apontando em direção à saída de incêndio.

– Valeu cabeludinho – agradeceu Sam.

Ela olhou para a saída de incêndio e viu Isabelle encolhida, sentada na escada, olhando para o céu com o olhar perdido e o rosto molhado pelas lágrimas que continuavam caindo.

– O que aconteceu com a minha bebê? — perguntou Sam, preocupada, pulando a janela e sentando-se ao lado da filha.

– Nada – respondeu Isabelle, tentando secar as lágrimas.

– Conta pra mamãe Belinha. Olha pra mim – levantando a cabeça da menina – Você não confia em mim? Pode ter certeza de que ninguém te ama no mundo mais do que eu.

– Eu sei mamãe, é que eu tenho vergonha.

– Vai ser um segredo só nosso.

– Mamãe, eu pareço um menino?

– É claro que não. Você é uma das garotas mais femininas que eu conheço. Olhe pra você, vestindo esse vestido roxo de babados. Eu jamais usaria isso. Você é tão menininha que às vezes parece ser mais filha da sua madrinha que minha.

– Mas Richard falou que eu pareço um menino e me chamou de cara, só porque eu tenho mais força que ele, falou que Mabel é uma garota delicada de verdade – contou Isabelle, voltando a chorar.

– O Rick é um babaca. Por que se importa com o que ele diz?

– Eu não me importo.

– Então, por que está chorando?

– Porque eu sou uma boba. Tô chorando de raiva.

– Belinha, você gosta do Richard?

Isabelle abaixou a cabeça e não respondeu.

– Belinha eu vou te contar uma história. Quando eu conheci seu pai, tínhamos 8 anos, foi no apartamento da Carly, ele olhou pra mim e começou a rir da minha cara, dizendo que eu tinha nome de menino e me vestia como um menino. Eu fiquei furiosa e tive vontade de arrebentá-lo, eu teria feito se o Spencer não me segurasse para não voar em cima dele. Peguei ódio dele desde aquele dia. Eu sempre tinha que ficar repetindo pra ele que eu era uma garota. Mas, por obra do destino ou do acaso, seis anos depois, estávamos nos dois exatamente aqui, nos beijando. Ele beijou a garota que chamou de menino. Então, como diz o ditado: “quem desdenha quer comprar”.

– Não quero beijar o Richard, isso é nojento. Só não quero que ele me chame de menino. Vou deixar de ser tão violenta.

– Belinha, você não tem que mudar sua essência por causa de ninguém. Uma vez eu pedi à Carly para me ajudar a ser mais feminina por causa de um cara e me arrependo, porque eu nem gostava tanto dele assim e ele tinha que ter me convidado pra sair antes da minha mudança se gostasse realmente de mim. Você é uma Puckett e nunca vai levar desaforo pra casa e não precisa se envergonhar por isso. Quem te merecer, vai gostar de você como é. Agora, chega de chorar, vamos para casa.

Isabelle secou as lágrimas, deu a mão à mãe e ambas tomaram o rumo do apartamento 13-B.

Sam e Isabelle encontraram Jade, Beck e Richard na sala do apartamento, conversando com Freddie.

– Oi Sam, eu tava perguntando ao seu marido se vocês podem ficar com o Richard essa noite. Nós vamos voltar para Los Angeles amanhã cedo, mas gostaríamos de dar uma voltas e conhecer a cidade a sós – falou Jade.

– Eu disse que não há problema amor – contou Freddie.

Sam olhou para Isabelle, que deu de ombros, mostrando indiferença.

– Tudo bem – concordou Sam.

– Valeu – agradeceu Beck, enquanto era puxado pela mão por Jade, porta a fora.

Richard aproximou-se de Isabelle:

– Quer jogar video-game?

– Vê se me erra – respondeu a menina, indo para o seu quarto, irritada.

Freddie observou a cena e comentou com Sam:

– O que aconteceu com a Belinha?

– Longa história, depois te conto.

A campainha tocou, era Melanie com Mabel.

– Boa noite pessoal! Eu vim deixar a Bel, tenho que voltar ainda hoje para Cambridge – explicou a loira, ao entrar no apartamento com a filha.

– Não vai embora mamãe, por favor, eu fico com saudade – pediu Mabel, abraçando-se a ela.

– A mamãe já te explicou querida, tenho aula amanhã cedo, mas vou te visitar nos finais de semana que for possível. Eu também sinto muita saudade de você. Não vai ser pra sempre a nossa distância, só até eu me formar, então ficaremos juntas para sempre.

– Você promete?

– Sim, eu prometo. Seja boazinha e obedeça os seus tios – pediu Melanie, beijando a cabeça da filha – E aproveito a oportunidade para agradecer a vocês, Sam e Freddie, por estarem cuidando tão bem da minha menina, serei eternamente grata e peço desculpas se fui grosseira da última vez que estive aqui.

– Não precisa agradecer Melanie, eu faço isso por ela – respondeu Sam, de forma ríspida.

– Eu agradeço mesmo assim. Bom, melhor eu ir agora, se não vou perder meu vôo – falou Melanie, saindo do local, logo após se despedir da filha, novamente, com mais um beijo no rosto.

Mabel ficou calada, segurando o choro, enquanto fitava o tapete da sala. Richard se aproximou:

– Você quer jogar video-game comigo?

– Sim – respondeu Mabel, um pouco mais animada.

Enquanto isso, Jade e Beck curtiam uma noite romântica em Seattle. Ele dirigia o carro alugado, enquanto Jade admirava os prédios arranha-céu calada.

– Sempre que viemos para cá essa cidade está tão cinza, acho que o clima costuma ser assim por aqui na maior parte do tempo – comentou Beck.

– Eu adoro cinza! É uma cor fechada e deprimente. Eu moraria aqui numa boa, detesto aquele sol de Los Angeles. Odeio sol!

– Não é a toa que é tão branca.

– Algum problema com isso?

– Claro que não, adoro sua cor, meu amor.

Os dois foram jantar no Pini's.

– A Sam tinha razão, a lasanha daqui é uma delícia – elogiou Beck.

– Não é ruim, mas eu ainda preferia ter ido comer uma picanha mal passada, adoro o gosto de sangue.

– Às vezes acho que me casei com uma vampira – comentou Beck, rindo.

– E isso te assusta?

– Nem um pouco, desde que você morda só a mim – disse ele com malícia.

– E tem pescoço mais gostoso que o seu?

Os dois se inclinaram sobre a mesa e deram um beijo. Em seguida, pediram a conta, ansiosos por continuarem o passeio.

Chegaram ao Space Needle, onde puderam apreciar a cidade do seu prédio mais alto.

– Uau, que vista! Até que Seattle é uma cidade bonita vista de cima – elogiou Beck.

– E as nuvens cinzas sobre a cidade ficam ainda mais lindas vistas de cima – observou Jade.

Uma moça se aproximou:

– Se quiserem uma ajuda para identificar os pontos da cidade, eu conheço tudo por aqui. Prazer, Alana – estendendo a mão para Beck.

Jade puxou a mão do marido, antes que ele pudesse estender para Alana:

– Não estamos interessados e tira o olho do meu marido, a menos que queira que os fure com a minha tesoura de estimação – ameaçou Jade.

A moça saiu correndo, assustada.

– E vocês também, parem de olhar para o meu marido, porque ele não é atração turística aqui – falou Jade, irritada, para um grupo de moças que voltaram o olhar para Beck.

Beck começou a rir e Jade perguntou:

– Qual a graça?

– Esse seu ciúme excessivo meu amor, não percebeu ainda que só tenho olhos para você? — puxando a esposa para si e a beijando delicadamente nos lábios.

Jade mordiscou os lábios do marido e parou o beijo, dizendo:

– Você só tem olhos pra mim, mas muitas têm olhos para você. Ser casada com homem bonito dá trabalho!

– Você também é linda meu amor.

– Mas não fico distribuindo simpatia por aí. Simpatia me dá náuseas.

Beck riu mais uma vez:

– Tá bom e o que faremos agora?

– Que tal a praia? Só gosto de praia a noite. A luz do luar me encanta.

– Mas a praia fica longe, não é como em Los Angeles.

– A noite é uma criança.

Beck acabou cedendo e dirigiu até a praia mais próxima. Jade desceu do carro, tirou os sapatos e correu para a beira do mar, apreciando a lua crescente no céu.

– Não dá pra ficar aqui muito tempo, tá frio – falou Beck.

– Vem cá que eu te esquento – disse Jade, puxando o marido para si e o beijando.

O beijo foi ficando quente e Beck parou:

– Melhor irmos embora, antes que eu perca o controle.

– Tudo o que eu quero é que você perca o controle. Sempre imaginei que seria o máximo se a gente transasse à luz do luar.

– Uh, me confessando um sonho erótico Jade?!

– Você não quer realizar esse sonho?

– Eu não quero acabar preso, e também não vou conseguir fazer isso ao ar livre.

– E no carro rola?

– Demorou.

Os dois foram correndo para o carro, estacionado na entrada da praia.

Enquanto isso, Richard relutava contra o sono, sentada no sofá do apartamento dos Bensons.

– Vai dormir garoto, já coloquei um colchão pra você no quarto dos gêmeos – disse Sam.

– Mas mamãe e papai falaram que não iam demorar – justificou Richard.

– Quando eles chegarem eu acordo você – garantiu Sam.

– Está bem – concordou Richard, seguindo para o quarto dos gêmeos, cambaleante de sono.

– Esses dois devem estar se pegando por aí, duvido que vão dar as caras antes de amanhecer – comentou Sam com o marido, rindo.

– Não é má ideia se a gente também fosse se pegar no quarto agora né? — perguntou Freddie, puxando Sam pela cintura e a beijando.

– Hoje não vai dar amorzinho.

– Por que?

– Tô naqueles dias.

– Aff!

– Mas a gente pode dormir de conchinha. Não fica triste bebê.

– É o que me resta né? — conformou-se Freddie, abraçando a esposa e ambos caminhando para a suíte do casal.