Seddie, a história continua
93 A aliada de Brad
Notas iniciais
Sam acordou antes de Freddie e o moreno estranhou, questionando-a:
– Caiu da cama amor? — enquanto sentava-se na cama e tentava se acostumar com a claridade que já invadia o quarto, tendo em vista que Sam havia aberto as cortinas.
– Nem consegui dormir direito – respondeu ela, enquanto vestia uma calça jeans azul escuro.
– Qual o problema?
– A Carly tá mal e você pergunta qual o problema?
– Eu sei que é um grande problema, mas eu vou resolver isso com ela daqui a pouco, vamos à Delegacia.
– Acha mesmo que isso resolve o problema? Ah meu amor! Você é tão ingênuo! — disse a loira enquanto abotoava uma camisa branca.
– Isso não é verdade! — responde Freddie, contrariado – Sei que registrar Boletim de Ocorrência não vai resolver o problema, mas vai amenizar, porque Carly poderá chamar a polícia cada vez que Brad se aproximar.
– Até a polícia chegar esse doente já pode ter matado a Carly – observou Sam, fechando sua jaqueta preta – Vou resolver do meu jeito – sentando-se na beirada da cama para calçar suas botas pretas de cano curto.
– O que vai fazer Sam? — indagou Freddie, preocupado.
– Nada demais, não se preocupe – garantiu Sam.
Mais tarde, Carly e Freddie registravam a ocorrência na delegacia. O delegado passou a questionar a morena:
– O que a senhora fez para despertar a fúria de seu marido?
– Em primeiro lugar ele não é meu marido, mas meu ex-marido e, em segundo lugar, eu não fiz nada, ele que é doente! — respondeu Carly, indignada.
– E por que se casou com um doente? Não sabia que isso ia lhe acontecer?
– Se eu soubesse é óbvio que eu não me casaria com ele. Não tenho culpa se ele é doente de ciúme.
– Ciúme? A senhora largou seu marido para ficar com esse rapaz? — apontando para Freddie.
– Eu não tenho nada com ela, além de amizade, sou casado – informou Freddie.
– Somos amigos de infância e ele é casado com a minha melhor amiga, só veio me acompanhar à delegacia e não é dele que o Brad tem ciúme.
– Então a senhora deveria se resguardar mais para não despertar o ciúme de seu ex-marido, pelo o que me disse a separação é recente – disse o delegado.
– O senhor está sendo desagradável com a minha amiga, está tratando-a como se ela fosse culpada pelas atitudes do Brad. Eu vim até aqui justamente para protegê-la e não vou permitir que o senhor a trate assim, devia ter mais respeito com a vítima – insurgiu-se Freddie.
– O senhor é que está sendo desagradável comigo e mais um pouco eu mando prendê-lo por desacato à autoridade – ameaçou o delegado.
– Isso é abuso de autoridade! — reclamou Freddie.
– Freddie, calma, fica quieto – pediu Carly, segurando a mão do amigo – O senhor pelo menos registrou a minha ocorrência? — perguntou ao delegado.
– Está registrada. Assine aqui – falou o delegado, pegando o papel da impressora.
Saindo da delegacia, Freddie deu carona à Carly até o seu trabalho. No carro, a morena foi calada, contendo o choro. Freddie percebeu:
– Não fica assim Carly.
– Você quer que eu fique como? — perguntou ela já sem segurar o choro – Aquele delegado ainda achou que eu fui a culpada de tudo! Brad nunca vai me deixar em paz e a polícia ainda vai ficar do lado dele!
– Você tem a mim – disse Freddie, segurando a mão de Carly ao parar no sinal – Também tem à Sam e ao seu irmão Spencer. Tem que ser forte pelo seu filho!
– Você tem razão. Eu vou enfrentar essa situação pelo meu filho.
– É isso aí! Agora dá um sorriso pra mim.
Carly sorriu, o sinal abriu e logo chegaram ao destino. A morena agradeceu ao amigo por tudo, deu um beijo no rosto dele e desceu do carro. Freddie percebeu que ela havia esquecido sua pasta e foi atrás.
Quando Carly entrava na redação deu de cara com Brad.
– Não acredito que veio até aqui! — falou ela, assustada – É meu local de trabalho, vai embora, por favor.
– Eu tento falar com você em casa, mas você não abre a porta pra mim.
– Depois do que me fez, não quero mais papo contigo.
– Mas eu quero. Carly, eu te amo, nossa história não pode acabar assim.
– Sai da minha frente.
Carly tentou contornar Brad, mas ele a segurou pelo braço.
– Solta a Carly! — disse Freddie, aproximando-se.
– O que faz aqui Freddie? — perguntou Brad, desconfiado.
– A Carly esqueceu a pasta dela no meu carro – explicou Freddie.
– Vocês dois estão de rolo de novo?! — indagou Brad, apertando o braço de Carly.
– Vai deixar esse meu braço roxo pra combinar com o outro? — questionou Carly, irritada.
Brad soltou o braço de Carly e começou a gritar:
– Vocês voltaram a ter um caso? A Sam sabe disso?
– Fala baixo! Meus colegas de trabalho não precisam ouvir isso, até porque não é verdade – falou Carly.
– Tá com medo de que seus colegas saibam que você é uma vadia? — indagou ele, em voz alta.
– Você não tem o direito de falar assim com a Carly! Ela é uma mulher direita! Nunca foi minha amante, mas sim minha namorada há muitos anos, hoje nos queremos bem como melhores amigos – explicou Freddie.
– Melhores amigos que vão pra cama! — gritou Brad.
As pessoas começaram a se aglomerar em volta. Freddie pegou o celular e disse:
– Eu vou chamar a polícia pra você Brad.
– Pensa que eu tenho medo? — perguntou Brad jogando o celular de Freddie no chão e olhando pro moreno com cara de deboche.
Freddie juntou toda a fúria que sentia e deu um soco na boca de Brad, derrubando-o no chão e dizendo:
– Corre daqui agora, a menos que queira a surra completa!
Brad levantou-se com dificuldade e ameaçou:
– Isso não vai ficar assim! Vai ter volta! O amante da minha mulher não vai dar na minha cara e sair impune – enquanto saia do local.
Carly começou a chorar e disse a Freddie:
– Me desculpa, eu não queria te envolver nessa história.
– Não foi culpa sua Carly — disse Freddie abraçando-a — Não é melhor ir pra casa? Eu te levo.
– Não, valeu. Prefiro trabalhar, assim me distraio. Se eu for pra casa vou chorar o dia inteiro.
– Fica bem – falou Freddie beijando-a na testa – Qualquer coisa liga ou manda mensagem.
– Pode deixar.
Brad chegou furioso ao restaurante:
– Sam!!! Cadê você Sam?!
A loira correu da cozinha para o salão:
– O que houve? Eu tô com panela no fogo! O que tem de tão urgente pra falar comigo? Aliás, está atrasado e ainda chega atrapalhando o trabalho.
– Você sabia que seu marido está te traindo com a minha mulher?
– O que comeu no café da manhã? Colocaram porcaria na sua comida...
– É sério Sam! Acabei de ver com os meus próprios olhos Carly e Freddie juntos lá no trabalho dela.
– E daí? Freddie deu uma carona a ela, eu sabia disso.
– Tava rolando um clima entre eles, todo mundo lá na redação viu, pode perguntar pra qualquer um.
– Brad, você tá muito nervoso. Toma água com açúcar e vai trabalhar. O movimento do restaurante aumenta a cada dia e se não começarmos logo, não daremos conta.
– É uma pena que não acredite em mim. Poderíamos nos unir para vingar essa traição. Mas, não tem problema, eu faço isso sozinho.
– O que vai fazer Brad? — perguntou Sam, preocupada.
– Não te interessa, afinal, você não quer ser minha aliada. Vamos trabalhar – falou Brad, seguindo para a cozinha.
Mais tarde, na hora de dormir, Sam chamou o marido, que já começava a pegar no sono, cansado depois de mais um dia de trabalho:
– Freddie, promete pra mim que vai tomar cuidado com o Brad?
– Prometo amor – respondeu ele sem dar atenção, sonolento.
– É sério nerd.
– Tá bom. Vem cá – puxando Sam pela cintura para si e a abraçando – Vamos dormir, amanhã temos que acordar cedo.
No dia seguinte, perto do meio-dia, Sam conversava com um dos clientes. Era um senhor de meia-idade e ele elogiava a comida e o lugar:
– O seu tempero é divino, também gostei muito do ambiente, agradável e arejado, o modo como os pratos são montados também merece destaque, afinal, dá vontade de comer só com os olhos e depois conquistam também o paladar.
– Que bom que o senhor gostou, mas aviso que elogio não dá direito a desconto.
O homem riu e disse:
– Não é esse o meu objetivo. Na verdade, sou crítico gastronômico e gostaria de escrever sobre o seu restaurante em minha coluna online. A senhora gostaria?
– Nossa! É claro que sim! Se a crítica for positiva, é claro.
– Será muito positiva. Apenas gostaria de entrevistá-la e saber um pouco mais da história do restaurante e de sua carreira, pode ser?
– Pode. Mas o restaurante não é só meu. Também é do meu sócio Gibby...
Gibby aproximou-se, pálido. Sam fez a apresentação:
– Esse é meu sócio Gibby. Estávamos falando de você agora mesmo...
– Sam, acho melhor se sentar – disse Gibby, puxando a cadeira e a empurrando para que se sentasse.
– Ei! Não me empurra desse jeito! — reclamou Sam.
– Se não se sentar vai cair. Sam, você tem que ser forte...
– Aconteceu alguma coisa com os meus filhos? — perguntou a loira, preocupada, sentindo o coração acelerar.
– Não, as crianças estão bem. É o Freddie, ele...
– Fala logo! — pediu Sam, quase gritando, nervosa.
– Ele sofreu um acidente de carro e está no hospital. Ligaram para cá agora mesmo, porque seu celular tava fora de área.
Sam levantou-se e agarrou Gibby pela gola:
– Em que hospital ele está? Fale agora!
– Calma Sam! O endereço está aqui, eu anotei – entregando um pedaço de papel para ela.
Sam pegou o pedaço de papel da mão de Gibby e saiu correndo.
No hospital, Freddie estava dormindo com alguns arranhões e um braço quebrado. O médico apareceu:
– A senhora é a esposa dele?
– Sou sim. Como ele está? Foi grave?
– Pode ficar sossegada, só foi um susto. O rapaz tem um anjo de guarda forte. O carro capotou e ficou em nada, mas ele saiu com alguns arranhões e o braço quebrado. Ele estava muito agitado, então demos alguns remédios para que ele dormisse um pouco. Assim que acordar podem ir para casa.
Quando Freddie acordou, Sam estava ao seu lado, velando seu sono. Ele abriu os olhos e sorriu dizendo:
– Eu morri e fui pro céu? Estou vendo um anjo.
– Não diz isso nem de brincadeira Benson! – falou Sam, dando um tapa no braço de Freddie.
– Ai! Quer quebrar o meu outro braço?
– Desculpa bebê – disse Sam, beijando-o nos lábios – Eu tô nervosa, tive medo de te perder.
– Não vai se livrar de mim tão fácil – falou Freddie, rindo e acariciando o rosto dela – Pensa que eu sou louco de morrer e deixar uma viúva linda e jovem dando sopa?
– Se você morrer, eu te mato – disse Sam, beijando-o novamente – Como isso foi acontecer?
– Eu não sei. Devo ter me distraído. Um carro cortou minha frente e eu fui desviar, não conseguia frear, não me lembro direito o que o houve. Minha cabeça doi.
– Você acha que o freio não funcionou? Alguém cortou o freio?
– Não posso afirmar isso. Como eu disse, não me lembro direito, foi tudo muito rápido.
Sam fechou a expressão e uma ruga de preocupação apareceu na sua testa. Freddie disse:
– Tá tudo bem amor, já passou. Não precisa mais se preocupar.
– Eu espero que não Benson. Mas, eu garanto que mais nada de mal irá lhe acontecer.
Alguns dias depois, Sam esperou Gibby ir embora do restaurante e foi falar com Brad:
– Eu aceito a sua proposta.
– Que proposta?
– Serei sua aliada para vingar a traição de Freddie e Carly.
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