Notas iniciais
Gratidão à Jade pela recomendação :)

O jantar corria alegre com família e amigos reunidos. Uma banda tocava e todos estavam contentes, com exceção da própria aniversariante e de Cris.

Pam e Coronel Shay continuavam felizes juntos e conversavam como velhos amigos de Marissa e Charles, que também continuavam firmes e fortes no relacionamento.

Carly tentava animar o filho, enquanto prestava atenção em Sophie, que corria com Júnior, filho de Spencer e Audrey, pelo salão.

Audrey pedia para Spencer parar de comer as entradas a fim de não se empanturrar antes dos pratos principais.

Gibby e Sam terminavam a decoração dos pratos na cozinha. Enquanto isso, no salão, Nick gaba-se para Freddie e Eddie por ter ajudado a mãe na cozinha. Prestes a completar 13 anos, o garoto demonstrava ter herdado os dotes culinários da mãe e era realmente bom nisso.

Alison e Greg não escondiam de ninguém o quanto estavam apaixonados. Sentados na mesma, abraçados, trocavam sorrisos e beijinhos.

Richard continuava nervoso diante de Petra, que falava sem parar, mesmo percebendo o constrangimento do garoto, a fim de mudar o foco.

Isabelle observava tudo como se fosse apenas uma expectadora de tudo aquilo. Há dias sentia-se assim, como uma mera expectadora da própria vida. De repente, todas as suas certezas haviam ido por água abaixo. A vida mudou muito, as pessoas mudaram muito, por vezes, era difícil lidar, especialmente por não reconhecer mais em Cris o amor da sua vida. Teria sido tudo uma ilusão da sua cabeça? A idealização de uma menina sobre um amo infantil?

Ela estava virando uma mulher e sentia que algo estava se transformando dentro dela. A menina inconseqüente e apaixonado por Cris perdia espaço cada vez mais para a nova Isabelle que desabrochava.

Sam chegou com os pratos e todos atacaram. Isabelle ainda tinha o seu bom e velho apetite, muito além da média. Comer tornou-se, também, sua fonte de prazer. Havia herdado o bom metabolismo de Sam e o excesso de calorias era imperceptível no seu corpo bem feito.

Depois do jantar, veio a sobremesa e, finalmente, o bolo de aniversário, quando, então, todos se levantaram e cantaram parabéns. Isabelle apagou as 17 velas e forçou um sorriso, sentindo-se cega com todos os flashes disparados por seu pai e por seu padrinho Spencer.

Não demorou para afastarem as mesas e iniciarem as danças ao som da banda.

Richard chamou Petra para dançar. Greg fez o mesmo com Alison.

Isabelle permaneceu sentada, observando, como fez durante toda a festa. Freddie foi falar com a filha:

— Vamos dançar, princesa?

— Valeu, pai. Mas, to cansada.

— Na sua idade é mico dançar com o pai?

— Não é nada disso. Nunca vou sentir vergonha de você, pai. Eu sinto muito orgulho, tanto que decidi fazer engenharia.

— Verdade?! – indagou Freddie, eufórico.

— Sim.

Freddie abraçou a filha, comovido.

— Sua escolha me faz sentir um bom pai e um bom profissional.

— Você é tudo isso. Tenho muito orgulho de você e da mamãe. Com a minha idade vocês tiveram que segurar a barra de descobrir uma gravidez e em vez de optarem pelo aborto, que seria mais fácil para todo mundo, decidiram me ter.

— Belinha, talvez tenha chegado a hora de você saber a verdade sobre a sua concepção.

— A mamãe já me contou.

— Ela não contou tudo. Escondeu a parte que eu não estava presente durante a gravidez e quando você nasceu e que eu e sua mãe não estávamos mais namorando naquela época, foi apenas uma recaída descuidada.

— Você não queria que eu nascesse?

— Claro que eu queria! Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Mas, sua mãe ocultou a gravidez de mim. Na época eu morava aqui em Seattle e ela em Los Angeles. Você foi concebida durante uma visita minha a uma ex-namorada, já considerada uma amiga, por quem eu nutria sentimentos confusos e mal resolvidos e ela sabia disso, razão pela qual achou melhor se afastar. Não julgue sua mãe, o objetivo dela foi nobre. Ela não quis me impor uma paternidade precoce, sem estar certa de que eu queria formar uma família com ela. Além disso, ela não quis ver meu sonho nerd, como ela chamava, desfeito. Eu havia sido aceito para engenharia.

— Ela não tinha o direito de me esconder de você por qualquer motivo!

— Belinha, já te pedi, não julgue a sua mãe. Eu te contei isso para que você soubesse a verdade, não para que ficasse com raiva da Sam. Ela foi muito corajosa. Ela decidiu levar a gravidez adiante sozinha. Você vê que ela é a verdadeira heroína dessa história? Ela te desejou muito e não teve medo de enfrentar tudo por você, com a mesma idade que você tem hoje. Quando eu soube que você existia, não hesitei em assumir a paternidade. Além disso, tive a certeza de que queria uma família com a Sam, que eu a amava. Mas, você já estava lá, pronta, linda, saudável, feliz! Graças à sua mãe! Naquele dia vi que a garota encrenqueira que conheci já não existia mais, que a Sam havia se transformado numa mulher incrível!

— Obrigada por me contar, pai.

Isabelle abraçou o pai e foi atrás de Sam, que guardava as sobras do jantar na cozinha. Ela e Gibby tinham o hábito de doar às instituições de caridade.

Sem prévio aviso, Isabelle entrou no recinto e abraçou a mãe.

Sam retribuiu o abraço, desconfiada. A menina não conteve as lágrimas:

— Muito obrigada por tudo, mamãe. Por não ter desistido de mim.

— Do que está falando?

— Hoje, estou completando a idade que você tinha quando engravidou de mim. Sou uma adolescente confusa, cheia de questões mal resolvidas na minha cabeça e até com medo da vida, do futuro. Mas, você não teve medo. Decidiu ter a mim quando seria muito mais fácil simplesmente abortar. Seria compreensível. Você era só uma garota, como eu, tentando descobrir como ser uma mulher. Fazendo planos para o futuro. Tudo interrompido por uma gravidez inesperada.

— Belinha, não venha me dizer que também fez besteira e está grávida... – disse Sam, empalidecendo.

— Não, mãe. A única virgem grávida da história foi a mãe de Cristo.

— Ufa – Sam soltou o ar, aliviada.

— O papai me contou a real história do meu nascimento. Ele não estava lá.

— Não julgue seu pai. Digamos que eu não o tenha comunicado.

— É engraçado... Você e o papai brigam o tempo todo, mas estão sempre defendendo um ao outro o tempo todo. Ele também me pediu para não te julgar por não ter contado a ele.

— O amor não é perfeito minha filha, mas é lindo mesmo assim e vale a pena vivê-lo. Não tenha medo de amar.

— Você acha que eu tenho?

— Isso só você pode saber.

— Você já teve medo de amar?

— Muito! A sorte é que seu pai nunca desistiu de mim.

— Quando alguém ama de verdade, nunca desiste?

— Com toda certeza que não.

Isabelle precisava de ar, foi à varanda, a tempo de ver Rick e Petra trocando beijos, motivo pelo qual saiu de fino, sentindo-se feliz pelo amigo. Todos pareciam ter encontrado sua alma gêmea, menos ela. Seria pelo seu medo de amar? O que teria provocado tal medo?

Enquanto divagava, esbarrou com Cris.

— Sempre no meu caminho! – falou ela, mal-humorada.

— Todo esse nervoso é porque está ficando velha? – zombou Cris.

— Você é mais velho que eu, vovô – devolveu Isabelle, rindo e tentando sair.

Cris segurou a garota pelo braço:

— Até quando vai me evitar?

— Não estou te evitando. Me solta!

— Sabemos que isso não é verdade.

— Quer mesmo que eu diga tudo o que sabemos?

— Por favor.

— Não é hora, nem lugar.

— Nunca vai ser. Você foge de mim.

— Eu, fugir de você? Nunca tive medo de você, pelo contrário! Você sempre teve medo de mim!

— Tive, quando criança. Mas, parece que hoje a situação se inverteu.

— Se você esqueceu o peso da minha mão, posso te lembrar agora mesmo.

— Você não vai fazer isso no meio da sua festa. Tem se esforçado tanto para ser uma adulta – rindo.

— O que está insinuando?

— Se quer crescer de verdade, assuma o que sente.

— Quer fazer esse jogo? Beleza! Vamos lá... Assuma você primeiro o que sente... tem coragem?

— Eu tenho, ao contrário de você. Eu te amo, Isabelle Puckett Benson! Por mim, nós dois poderíamos fugir dessa festa agora mesmo e fazer amor na praia à luz do luar.

— Você bebeu? Tá me propondo sexo na cara dura! Como se eu fosse igual a piriguete da Monica.

De fato, Cris havia bebido além da conta para afogar a tristeza que sentia. Isabelle estava distante e o ignorou durante toda a festa. Carly estava ocupada conversando com todos os convidados. Havia criado esse hábito político, já com vistas a se candidatar à Prefeita nas próximas eleições.

— Qual é, Belinha? Sabemos que eu não serei o primeiro.

Isabelle virou a mão no rosto de Cris, dando um tapa estalado que o derrubou no chão (o que não foi difícil, já que estava bêbado e tonteando).

Todos olharam para a cena e Isabelle saiu do local, chorando. O seu “príncipe encantando” havia estragado seu aniversário de 17 anos, idade na qual já se imaginava num relacionamento sério com ele.

Richard viu a cena da varanda, largou Petra e correu atrás de Isabelle. Conseguiu alcançar a amiga:

— O que aconteceu, Belinha? Por que está chorando? O que o Cris te fez? Quer que eu bata nele?

— Não perca seu tempo com ele, ele não merece. Vai curtir a sua namorada. Eu vou ficar bem.

Freddie e Sam também foram atrás da filha e agradeceram à Richard por detê-la na corrida desenfreada pela rua.

Os dois abraçaram a menina, que pediu:

— Me levem para casa. Não quero mais voltar para festa.

Assim fizeram.

Isabelle não dormiu naquela noite. Refletiu sobre sua vida e suas escolhas. Pensou sobre a luta de seus pais, sobre a conduta de Cris e os últimos acontecimentos de sua vida. Precisava assumir uma postura madura, por isso, tomou uma decisão.