Seddie, a história continua II
35 A festa
Freddie assustou-se ao ver o look sensual demais, para o conceito dele, de Isabelle.

— Que vestido é esse, minha filha?
— O vestido que a dinda me deu. Custou o olho da cara, até falei pra ela que não precisava, mas ela insistiu.
— A Carly perdeu o juízo!
—Também acho, pai. Poderia ter me dado um mais barato.
— Poderia ter te dado um mais descente!
— Freddie! – ralhou Sam – Não liga para o seu pai, o vestido está lindo, filha. Você já é uma mulher de 18 anos e o que é bonito é pra se mostrar!
Freddie encarou Sam com um olhar duro e ela manteve-se firme sustentando o mesmo olhar ao marido.
Eddie elogiou:
— Tá gata, mana!
— Valeu, maninho.
Sam olhou para o relógio e disse:
— Melhor nos apressarmos, já deve estar tudo pronto na casa do meu pai.
— A festa vai ser na mansão do vovô? – surpreendeu-se Isabelle.
— Claro, lá tem mais espaço que esse nosso salão de festas que mais parece uma lata de sardinha – explicou Sam.
Nick se manifestou:
— Nós também vamos ganhar uma festa assim amanhã?
Sam respondeu:
— Quando fizerem 18 anos, certamente!
A mansão de Charles estava iluminada. Garçons se espalhavam, uma banda tocava, as mesas espalhadas pela grande sala com toalhas de cetim e arranjos de flores decorativos, o bolo e os doces sobre uma mesa com decoração caprichada.
— Uau! – disse Isabelle ao apreciar cada detalhe.
Marissa e Charles aproximaram-se. A avó abraçou a neta desejando feliz aniversário e não deixou de reparar no vestido:
— Esse decote e essa fenda não estão exagerados, Isabelle? Seu pai te deixou sair assim? – olhando para o filho, que desviou o olhar.
— A dinda me deu, mas eu escolhi. Pra mim está perfeito – respondeu a garota.
Charles tomou a palavra:
— Parabéns, minha querida – abraçando a neta – O tempo passou tão rápido! Veja só, você já é uma mulher – segurando a mão da neta e fazendo-a dar um rodopio – Espero que a festa que preparei esteja a contento.
— Está melhor do que eu poderia sonhar, muito obrigada vovô!
Os convidados foram chegando, dentre eles, Alison e Greg, Pâmela e Coronel Shay, Cat, Robbie e as filhas (que vieram especialmente para a ocasião de Los Angeles), Melanie e Mabel, os colegas e professores do colégio, Spencer, Audrey e Júnior, e, finalmente, Carly, Gibby, Sophie e Cris.
Carly estava efusiva:
— Arrasou, Belinha! Dá uma voltinha!
Isabelle deu um pequeno giro a pedido da madrinha, que aplaudiu, dizendo:
— Está simplesmente divina!
— Muito obrigada de novo pelo presente, dinda.
— Só de ter ver linda assim, já estou bem satisfeita – dando um beijo no rosto da afilhada e um abraço.
Gibby cumprimentou a menina e deu os parabéns. Isabelle abaixou-se para que Sophie lhe desse um beijo no rosto. Foi a vez de Cris que a abraçou, dando parabéns e disse mais baixo ao seu ouvido:
— Minha mãe tem razão, você está divina, porque linda, sempre foi.
Isabelle corou e sorriu para o rapaz, que lhe devolveu o sorriso.
Desde que havia chegado, não conseguira mais desviar os olhos de Isabelle. Reparou na mulher linda que ela havia se transformado.
A banda tocava animada e Isabelle foi dançar com Alison, Greg, Mabel e outros colegas do colégio. A música agitada parou e começou a tocar uma mais lenta e romântica. Alison e Greg foram dançar juntos e aos poucos os casais foram se formando. Cris aproximou-se na intenção de convidar Isabelle, mas Mabel foi mais rápida, puxando-o pelo braço e já passando os braços em volta do pescoço do rapaz. Sem graça, Cris prosseguiu na dança com a moça. Isabelle viu a cena e resolveu sair da pista de dança.
Chegou a hora dos parabéns. Todos cantaram ao som da banda e a aniversariante apagou as velas. Freddie tomou a palavra:
— Antes que a minha filha corte o bolo, tenho algo muito importante a anunciar.
Diante do suspense do pai da aniversariante todos se calaram e olharam atentamente para Freddie, que pegou um envelope no seu bolso e prosseguiu:
— Eu recebi essa correspondência em minha casa há dois dias, mas a guardei para entregar à sua destinatária nessa data especial. Tomei a liberdade de abri-la, pois já tinha certeza de seu conteúdo, o qual muito me orgulhou. Anuncio a todos que minha adora filha, a minha primogênita, a minha garotinha que hoje é uma mulher que completa 18 anos, foi aprovada para cursar engenharia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge!
Isabelle, ao ouvir a palavra “aprovada” já sentiu o seu coração acelerar e não conteve as lágrimas com o que veio a seguir. Abraçou os pais enquanto era ovacionada com uma salva de palmas.
— Pai, mãe, só tenho a agradecer a vocês. Se hoje estou indo para uma das melhores universidades de engenharia do País, devo a vocês.
Sam também chorava, emocionada:
— Minha filha, você está realizando o meu sonho. Quando você nasceu, eu achei que não daria conta, mas, eu consegui – chorando mais ainda – nós conseguimos, abraçando o marido, que sorriu para ela.
— Sim, nós conseguimos, meu amor – concordou Freddie, com a voz embargada pela emoção.
Cris aproximou-se:
— Se me permite, gostaria de te dar parabéns por essa conquista, Belinha. Sei o quanto é importante para você.
— É claro.
Cris a abraçou e a apertou forte:
— Você merece, princesa. Seja feliz.
— Você também merece ser feliz, Cris.
— Estou aguardando ainda a resposta da Escola Naval de Annapolis, em Maryland.
— Tenho certeza de que vai dar certo, você sempre foi um excelente aluno. Me conte quando receber a aprovação, eu vou gostar de saber.
— Claro que eu vou contar, de qualquer forma, sempre vou ficar feliz de dividir minhas alegrias com você.
Os dois trocaram um olhar e um sorriso. Mabel aproximou-se:
— Cris, eu volto para Suíça amanhã bem cedo, então, daqui a pouco terei que ir embora. Dança uma última música comigo?
— Claro, Bel. Vamos lá.
Cris sorriu para Isabelle e acompanhou Mabel, que já o puxava pela mão para a pista de dança.
A festa estava no final e os convidados já se despediam. Carly, com Sophie dormindo em seu colo, disse ao marido e ao filho:
— Acho que já passou da hora de irmos embora.
— Vamos nessa, mozinho – concordou Gibby, verificando que já era bem tarde no relógio do celular, pegando Sophie do colo de Carly para irem.
Cris se manifestou:
— Vocês se importam se eu ficar mais um pouco?
— Pra quê? – quis saber Carly.
— Deixa o garoto, aposto que ele quer se despedir da aniversariante com um pouco mais de privacidade – falou Gibby, piscando para o filho.
— Ah! Entendi! — disse Carly – Vai lá filho e boa sorte. Você sabe que sempre torci por vocês. Seria bom demais se a Belinha além de minha afilhada, virasse a minha nora também.
Cris apenas sorriu, despediu-se dos pais e aproximou-se de Isabelle que ainda ouvia a banda tocar músicas lentas, sentada à mesa perto do palco.
— Você ficou me devendo uma dança – estendendo a mão para a garota.
Isabelle sorriu e pegou a mão de Cris, levantando-se e o acompanhando ao centro do salão.
Os dois dançaram colados, Isabelle apoiou a cabeça no ombro de Cris, que aspirava o seu doce perfume. Ambos podiam sentir as batidas dos corações acelerados um do outro.
A banda parou de tocar e anunciou que fora a última música.
— Ah! – disse Isabelle a Cris.
— Eu também fiquei na vontade de dançar mais uma com você. Mas, podemos fechar os olhos – puxando Isabelle de volta para si – e imaginar uma música ou podemos cantá-la assim:
“Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir”
Isabelle acompanhou Cris na segunda estrofe:
“Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir”
E assim seguiram cantando juntos, baixo, próximo ao ouvido um do outro, a canção que ambos muito gostavam e conheciam de cor:
“Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito
Pronto do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro…”
Em vez de repetir o refrão, fitaram-se e o beijo mútuo foi inevitável. Estavam sedentos pela boca um do outro, sentiam saudade dos lábios e do sabor do beijo.
Sam e Freddie aproximaram-se para chamar a filha para irem para casa e depararam-se com a cena. Mas, não quiseram interromper, ambos entendiam o quanto o momento era especial para a filha e desejavam a felicidade da garota. Sentiram-se contentes também. Então, afastaram-se em silêncio.
Quando cessaram o beijo, sorriram um para o outro. Isabelle falou simplesmente:
— Eu tenho que ir, meus pais já devem estar impacientes.
— Está bem. Só uma coisa, obrigado pela noite especial. Não estou esperando nada de você, já estou muito contente por esse momento mágico. Foi um sonho bom.
— Pra mim também. Uma verdadeira noite de contos de fadas.
Os dois deram um beijo na boca, estalado, e a moça se afastou, deixando um Cris apaixonado e feliz para trás.
Quando Isabelle já se preparava para dormir no seu quarto no Bushwell Plaza, Sam adentrou:
— O que foi isso, filha?
— O quê?
— Eu vi seu beijão com o Cris.
— Viu? – perguntou Isabelle, corando.
— Vi e fiquei feliz. Sou sua mãe e te conheço, sei que você o ama e eu acho que ele também, apesar das bobagens de adolescente que ele andou fazendo. As pessoas crescem, amadurecem, talvez esteja na hora de você dar uma chance a ele.
— Era o que eu mais queria, mãe. Mas, nunca estamos no tempo certo.
— Como assim?
— Eu vou pra Cambridge e ele para Annapolis. Como vamos manter um relacionamento nessa distância?
— Belinha, eu sempre tive orgulho de você por ter mais juízo e pensar mais que eu, mas está na cara que você e o Cris se amam há muito tempo e que você está pensando demais. O amor supera barreiras, vocês podem dar um jeito, se quiserem ficar juntos de verdade.
— Mas, acho que ele também vê a distância como uma barreira, mãe. Ele não falou em namoro, apenas agradeceu pela noite mágica e especial. Vivemos um momento feliz, eu dancei e beijei o meu príncipe no meu aniversário de 18 anos, mas, amanhã voltamos à realidade.
— E qual é a realidade, Belinha? Você e o Cris com medo de se entregarem ao amor, ainda?! Embora já não sejam mais crianças assustadas!
— Você não entende, mãe.
— Não entendo mesmo. Mas, respeito. Vou te deixar dormir, agora.
No apartamento do oitavo andar, Cris não conseguia dormir. A vontade era de correr ao décimo terceiro andar e declarar-se à Isabelle, pedi-la em namoro ou até em casamento. Mas, sabia que iriam para lugares distantes, que ela não se casaria com ele antes de terminar a faculdade ou abriria mão de seu sonho por ele, também não queria atrapalhar a vida do seu amor. Resolveu simplesmente acreditar que um amor tão grande não morreria com o tempo e a distância.
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