Seddie, a história continua
44 Um gesto de amor
No final de semana, Freddie foi procurar as contas para pagar no armário da cozinha, onde sempre as deixava, mas não as encontrou.
– Sam! Oh Sam! – chamou ele, nervoso.
– O que foi? – perguntou ela aparecendo na sala com Isabelle enrolada na toalha no seu colo – Eu tava terminando de dar banho na Belinha. Onde é o incêndio?
– Onde estão as contas que eu deixei aqui? Elas vão vencer na segunda, preciso pagar.
– Nem esquenta bebê, já estão pagas.
– Como? Você pagou as contas? Todas?
– Sim, tirei um ótimo lucro do restaurante nesse mês. Deu pra pagar a primeira parcela do empréstimo do Charles e sobrou o bastante para as contas.
– Mas não é justo que pague tudo sozinha.
– Você vem pagando tudo sozinho, é justo sim.
– Eu ainda sou o chefe dessa família, é minha obrigação sustentar vocês.
– Que discurso machista e ultrapassado. Nós podemos dividir as despesas dos próximos meses, isso sim.
– Está bem – cedeu ele.
– Eu vou vestir a Belinha e volto aqui para conversarmos melhor.
Pouco depois Isabelle entrou na sala correndo:
– Tô bonita papai? – perguntou a menina dando uma voltinha e mostrando o vestido novo, presente de aniversário da avó Marissa.
– Você está sempre linda minha princesa – elogiou Freddie, pegando a filha no colo e aspirando o perfume dela – E muito cheirosa também.
Sam veio em seguida e sentou-se ao lado de Freddie:
– Amor, eu estive pensando que agora as nossas finanças estão muito melhor e...
– E já sei, quer se mudar daqui?
– Não. Eu já me acostumei a esse mausoléu. O que eu ia dizer é que vai sobrar dinheiro para você voltar pra faculdade.
– Não sei se tenho mais cabeça pra isso. Trabalho o dia todo, fico cansado...
– Você sempre me disse que era seu sonho ser engenheiro da computação, era mentira?
– Claro que não.
– Então, penso que os sonhos não caem do céu. É a sua chance de correr atrás do seu.
Freddie refletiu a respeito e decidiu voltar à universidade, retornando ao curso que havia trancado.
Alguns dias depois, já era final de tarde, Sam estava saindo da faculdade, conversando com Brad, quando olhou para o relógio:
– Minha nossa, eu tô muito atrasada, preciso pegar a Belinha – subindo na sua moto, acenando para Brad e dando partida.
Isabelle estava sentada no balanço, com a professora ao lado, a menina tinha expressão fechada depois de ver todos seus coleguinhas irem embora.
Sam entrou correndo e avistou a pequena, que se levantou com as mãos na cintura:
– Esqueceu de mim mamãe?
– Claro que não. Só me atrasei.
– O papai nunca se atrasava.
– Acontece que agora quem vem te buscar todos os dias sou eu.
– Que pena. Vou ficar aqui até tarde.
– Não vai não, eu vou dar um jeito de sair mais cedo da aula e de moto chego rápido.
A professora interveio:
– A senhora vai levar a menina de moto pra casa?
– É claro que não. Eu vim da faculdade de moto, mas posso voltar com ela caminhando pra casa, porque moramos perto. Não sou tão doida quanto a senhora imagina – respondeu Sam, irritada.
– Desculpe, não quis ofender.
– Que seja. Vamos logo Belinha.
– Vamos, eu já tô morrendo de fome – reclamou Isabelle, pegando a mochila.
Quando Freddie chegou Sam e Isabelle já estavam dormindo. Ele abriu o armário com cuidado para não fazer barulho, vestiu o pijama e foi se deitar.
– Você jantou bebê? – perguntou Sam, sonolenta, após acordar com o movimento do marido na cama.
– Fiz um lanche na faculdade.
– Tem que se alimentar direito, não quero que acabe doente.
– Não se preocupe amor.
Sam deitou-se no peito dele e Freddie acariciou a cabeça dela. Logo adormeceram.
O sono do casal foi interrompido por uma campainha insistente.
– Quem pode ser no meio da madrugada? – perguntou Freddie, tenso, sentando-se na cama.
– Melhor eu ir atender com isso daqui – disse Sam, puxando a meia de manteiga de baixo da cama.
– Eu não acredito que você ainda tem a meia de manteiga – surpreendeu-se Freddie.
– Eu deixo ela em baixo da cama, só para o caso de emergência, como agora – falou ela se levantando.
Isabelle já estava acordada e corria do seu quarto para a sala quando a mãe a encontrou no corredor:
– Não pode abrir a porta no meio da noite Isabelle, pode ser perigoso, pode ser um ladrão – advertiu Sam.
– Isabelle volte para o seu quarto – determinou Freddie.
– Ah não, eu quero ver o ladrão – reclamou a pequena.
– Passa agora pra lá, se não quiser levar umas palmadas – ameaçou Sam.
Isabelle mostrou a língua pra mãe e correu pro quarto.
Sam e Freddie abriram a porta temerosos, Sam já fazendo girar a meia de manteiga:
– Vai me atacar com isso Samantha? – perguntou Marissa.
– Mãe? O que faz aqui no meio da noite? – perguntou Freddie, surpreso.
– Oi vovó! – cumprimentou Isabelle que, teimosa, não havia voltado para o quarto, mas permanecido espiando no corredor assim que os pais passaram pra sala.
– Olá querida – falou Marissa, sentando-se no sofá e deixando que Isabelle sentasse no seu colo – Essa menina não deveria estar dormindo? – olhando para Sam.
– Ela estava até a senhora acordar todo o andar com essa campainha – respondeu Sam.
– Acontece que é urgente... O Charles sofreu um acidente...
– O que? Como? – perguntou Sam, preocupada.
– Ele estava viajando a negócios, recebi a ligação de um policial rodoviário e ele me disse que foi na estrada.
– Ele foi levado para que hospital? – quis saber Sam.
– Numa cidade próxima, tenho o endereço.
Pouco tempo depois, Sam e Freddie estavam tocando a campainha dos Shay. Spencer abriu assustado, com taco de beisebol na mão:
– O prédio tá pegando fogo e não fui que coloquei? – perguntou ele.
– Claro que não. A Carly tá aí? – perguntou Sam, sem paciência.
Carly estava descendo as escadas:
– Estou aqui.
– Carly, será que você pode ficar com a Belinha? – perguntou Freddie.
– É claro que ela pode – disse Sam, entregando a filha no colo da amiga – Meu pai sofreu um acidente, temos que correr pro hospital.
– Nossa! Espero que ele se recupere logo – desejou Carly, ajeitando a afilhada no colo.
Mais tarde, Sam estava impaciente na sala de espera do hospital e foi até a recepcionista:
– Vocês pensam que somos palhaços? Pedimos informação de Charles Phillips há um tempão e até agora nada!
– Se acalme senhora, o boletim médico sairá em meia hora – informou a recepcionista.
– Meia hora? – dando um soco no balcão – Você só pode estar de brincadeira.
– Calma Sam – pediu Freddie, aproximando-se da esposa – Vá se sentar, deixa que eu falo com ela.
Sam atendeu ao pedido do marido, contrariada. Freddie disse à moça:
– Olha, minha mulher está muito nervosa, porque o pai dela sofreu um acidente de carro na estrada e ainda não sabemos a gravidade, será que não tem um jeito de nos dar qualquer informação, ao menos dizer se ele está na UTI ou se não há tanta gravidade?
– Nossa, você é muito bonito para estar casado com uma mulher tão estressada.
– Ah valeu, você também é muito bonita! – elogiou Freddie, piscando para ela – Agora, será que pode conseguir uma informação sobre o estado de saúde do meu sogro?

– Claro, gatinho. Volto logo – disse a recepcionista saindo.
Pouco depois a moça retornou:
– Parece que o acidente do seu sogro foi feio mesmo, ele sofreu uma ruptura de baço e vai precisar ser operado, estão em busca de sangue pra transfusão, mas o tipo sanguíneo dele é bem raro, O negativo.
Freddie agradeceu com o seu sorriso de lado que deixou a recepcionista atônita e foi contar o que descobriu para Sam e Marissa.
– O meu sangue é O negativo. Posso doar para o meu pai – informou Sam – Preciso encontrar o médico.
No entanto, antes que Sam pudesse começar sua busca, o médico apareceu, informando o que já sabiam. Sam foi levada para uma sala reservada à coleta do sangue.
A manhã já estava clara quando o médico apareceu novamente, trazendo informações:
– A cirurgia foi muito bem sucedida. O senhor Charles está em observação, mas se recupera bem. Salvou a vida do seu pai – olhando para Sam.
– Quando poderei vê-lo? – perguntou Sam.
– Em breve. Irei avisá-los quando o paciente estiver em condições de receber visitas.
– Ah graças a Deus, rezei tanto para os meus santos pra salvar meu querido Charles – falou Marissa.
– Graças a Deus e à Sam – observou Freddie, olhando orgulhoso para a esposa.
Mais tarde, Sam pôde entrar no quarto para ver Charles.
– Sam, é você minha filha? – perguntou Charles, ainda fraco.
– Sim, sou eu – disse ela, sentando-se na cama, ao lado dele.
Charles pegou a mão de Sam e a beijou:
– Muito obrigado minha filha. O Doutor me contou que você salvou a minha vida doando o seu sangue pra mim.
– Não precisa agradecer, afinal, é o seu sangue que corre nas minhas veias. Mesmo que você tenha ido embora, eu devo a minha existência a você.
– Eu nunca vou me perdoar por ter abandonado você e a sua irmã. Mas, será que um dia vocês serão capazes de me perdoar?
– Eu já te perdoei pai.
Charles começou a chorar:
– É tão bonito ouvir isso, diz de novo.
– Pai, meu pai – repetiu Sam.
Os dois se abraçaram. Melanie entrou no quarto nesse momento:
– Será que tem espaço pra mais uma nesse abraço?
– É claro que sim minha filha, esse abraço estava incompleto sem você – falou Charles.
Melanie juntou-se ao abraço.
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