Seddie, a história continua
60 O casamento Barly
Notas iniciais
– Fala logo Doutor! Eu lhe fiz uma pergunta, não ouviu? O que o meu filho tem?- perguntou Sam, com grosseria, por estar nervosa.
– Calma Sam, o Doutor já vai falar – disse Freddie.
– Não me manda ficar calma – falou Sam, fuzilando o marido com o olhar.
– A senhora pode se acalmar, porque o menino não tem nada grave. Ao que tudo indica, considerando essas cólicas, dores de barriga, vômitos frequentes após ingerir leite materno e perda de peso, está ligado a uma intolerância ao leite. Muitos bebês têm nascido com esse problema ultimamente – explicou o médico.
– Meu filho veio com defeito de fábrica? Culpa dele – disse Sam, apontando para o marido.
– Minha? – perguntou Freddie, indignado.
– Ninguém sabe ao certo à causa dessa deficiência da enzima que digere o leite no intestino, mas a hereditariedade é uma hipótese – explicou o médico.
– Viu como a culpa é sua? Você tem aquela sua tia lá que é cheia de alergia e cheia de problema, e não é a única na sua família – falou Sam.
– Pode ser da sua família Sam! – defendeu-se Freddie.
– Minha família tem o sistema digestivo de ferro, na falta de comida, come até pedra.
O médico interrompeu a discussão:
– Eu acho que de onde o garoto herdou a intolerância não tem importância agora. Eu vou encaminhá-lo para um exame que confirmará o diagnóstico e já irei orientá-los como cuidar do menino, já que ele terá uma dieta de restrição de leite e derivados.
– Meu filho vai ter que parar de mamar? – perguntou Sam.
– Sim, terá. Mas, já existe um leite especial para crianças alérgicas ou intolerantes. Vou prescrever a vocês – disse o médico, pegando um bloco e uma caneta.
– E é muito caro? – perguntou Freddie.
– Não vou mentir a vocês, é sim – respondeu o médico.
Na volta para casa, Freddie dirigia pensativo, enquanto Sam observava Eddie adormecido na cadeirinha no banco de trás.
– Aposto que está preocupado com o valor do leite – falou Sam.
– E como não?
– Relaxa cara, nós vamos dar um jeito.
– A situação já tá apertada com dois bebês. Não temos sobras no orçamento, muito pelo contrário. Eu já faço horas extras na Pera Store, não sei mais onde podemos arranjar mais renda pra comprar esse leite que deve ter ouro na fórmula para custar tanto.
– É, também não dá pra tirar mais do restaurante. Gibby teve que contratar uma cozinheira para colocar no meu lugar durante a licença maternidade. Mas, temos que dar um jeito, nosso filho não pode ficar sem o leite?
– Claro que não! Mas, não consigo pensar em nada agora. Onde podemos cortar gastos?
– Freddie, só tem um jeito... Me leva para a casa do meu pai.
– Você vai ter coragem de pedir dinheiro a ele? Você sempre teve uma postura tão orgulhosa!
– Eu sou orgulhosa, mas não é por mim, é pelo meu filho. Não vou pedir dinheiro, vou pedir o leite.
Sam explicou a situação a Charles e antes mesmo que ela formulasse o pedido formalmente, ele se dispusera a custear o leite especial.
Alguns meses depois...
Sam e Freddie terminavam de arrumar Eddie e Nick no berço deles. Os dois voltaram a ter o mesmo peso, desde que Eddie havia se recuperado das crises de intolerância.
– Oh! São os homenzinhos lindos da mamãe! – elogiou Sam, orgulhosa, ao ver os dois bebês de 6 meses, trajando mini ternos.
– São as cópias em miniatura do papai – gabou-se Freddie, trajando um terno azul marinho, do mesmo tom dos filhos, os quais, quanto mais cresciam, mais se pareciam com ele.
– Só que mais bonitos – zombou Sam.
– Claro que sim amor, eles têm seus olhos – beijando a esposa.
Isabelle entrou, trajando um vestido longo branco, com uma tiara de coroa na cabeça e usando um batom vermelho que chocou Sam.
– O que isso na sua boca garota?
– Eu peguei o seu batom, pra ficar mais bonita – respondeu Isabelle.
– Mas não deu certo, ficou parecendo uma palhaça.
– Sam! – repreendeu Freddie – Não fale assim com a menina.
Freddie pegou Isabelle no colo e falou:
– Você ainda vai ter muito tempo para usar batom. Você é bonita por natureza e não precisa disso minha princesinha – pegando uma das fraldas de pano dos gêmeos e esfregando na boca de Isabelle para tirar o batom vermelho.
– Agora mesmo que ela tá parecendo uma palhaça do jeito que você lambuzou toda a cara dela – caçoou Sam – Me dá ela aqui. Vou limpar isso com um demaquilante – disse a loira, pegando a filha do colo de Freddie.
Sam limpou o rosto da menina e falou:
– Agora sim! Minha bonequinha linda! – beijando a face dela – Tão linda quanto eu – gabou-se.
– Mas eu queria usar batom – disse Isabelle, fazendo bico.
– Você é tão patricinha quanto a sua madrinha! Na sua idade eu nem me identificava como uma garota ainda, muito menos tinha vaidade. Acho que esses passeios com a Carly no shopping estão te fazendo mal.
– Eu gosto dos passeios no shopping com a dinda. A gente sempre vê as tendências da moda.
– Ai meu Deus! Tendências da moda! A Carly já te levou pro mal caminho, é caso perdido.
– Não posso entrar na igreja como uma dama de honra sem um batom – insistiu Isabelle.
– Está bem! Então vamos passar um gloss – disse Sam, abrindo a gaveta de maquiagem e tirando o gloss de lá, passando nos lábios da filha – Pronto! Está linda! Agora vamos logo.
Sam pegou a filha pela mão e saiu apressada.
Mais tarde, na igreja, Brad andava de um lado para o outro nervoso, comentou com Freddie, que era padrinho de Carly junto com Sam, no altar:
– Cara, minhas mãos estão suando.
– Eu sei como é, passei por isso duas vezes e com a mesma noiva – comentou Freddie rindo — mas aguenta firme, porque toda essa emoção vale muito a pena e se prepare para a emoção maior quando sua noiva começar a caminhar lentamente até você.
Sam passou por Freddie e ele perguntou:
– Aonde vai amor?
– Eddie e Nick estão chorando lá com sua mãe e meu pai – apontando para um banco nas primeiras fileiras da igreja.
Não demorou muito para se ouvir a marcha nupcial. Freddie começou a gesticular para Sam correr e tomar seu lugar ao lado dele no altar. A loira entregou os filhos aos avós e correu.
Isabelle vinha caminhando na frente, toda contente, jogando pétalas de rosas vermelhas. Carly vinha logo atrás da afilhada, segurando o braço de seu pai, Coronel Shay, e visivelmente emocionada, trajando um vestido de noiva branco rendado.
Spencer começou a chorar copiosamente no altar. Também era padrinho de Carly, juntamente com Verônica.
– Para com isso Spencer! Olha o mico – alertou Sam.
– A minha irmãzinha vai se casar! Como posso não chorar? O tempo passou tão rápido! Eu nem acredito! Ainda ontem eu dava a ela café descafeinado sem ela saber – disse Spencer, entre soluços – Será que ele vai saber cuidar dela direito? A Carly tem asma.
– Ela não tem crise asmática desde os 7 anos, não seja patético Spencer, ela já é bem grandinha – falou Sam.
– Calma amorzinho, vai ficar tudo bem, você estará por perto para o que ela precisar – disse Verônica, tentando acalmar o namorado.
– Ainda bem que a convenci a continuar morando comigo – disse Spencer.
– Com a promessa de que nos casaremos em breve e você vai se mudar pra viver comigo – alertou Verônica.
Coronel Shay entregou Carly para Brad, dizendo:
– Cuida bem da minha xereta, é o meu bem mais precioso.
– O senhor pode ficar sossegado, eu amo sua filha e vou cuidar muito bem dela – garantiu Brad, tomando a mão de Carly e a beijando.
– Oh, que lindo! Também te amo – disse Carly ao noivo.
Os dois tomaram seus lugares no altar e o padre começou a cerimônia.
Num dos bancos da igreja, Gibby comentou:
– Puxa, a Carly está linda!
– Tem coragem de me dizer isso? – perguntou Melanie, contrariada, segurando a filha Mabel de 2 anos no colo.
– Qual o problema? Eu só falei a verdade.
– Eu já soube que você nutria uma paixonite pela Carly. Quando o padre perguntar se alguém tem algo contra esse casamento, você pode se manifestar.
– Você acha que se eu fosse apaixonado pela Carly teria me casado com você?
– Eu não duvido de nada.
– Você anda muito implicante ultimamente Melanie.
Melanie fitou Gibby com raiva, depois tornou a acompanhar a cerimônia no altar.
Carly e Brad trocaram os votos e as alianças. O padre finalizou:
– Sob as bênçãos de Deus, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Brad e Carly se beijaram sob aplausos dos presentes.
Os convidados foram recepcionados numa festa com jantar e banda animada, que colocou todos para agitar a pista de dança.
Carly e Brad dançavam juntos, em meio a abraços e beijos apaixonados.
– Olha os pombinhos apaixonados – observou Sam, enquanto dançava, abraçada a Freddie.
– Tanto quanto nós – observou Freddie, beijando a esposa, que prontamente retribuiu.
Carly disse a Brad:
– Espero que nosso casamento seja tão feliz quanto o deles – apontando para Sam e Freddie que ainda se beijavam na pista de dança.
– Garanto que seremos muito felizes minha linda! Eu, você e nossos filhos – falou Brad.
– E quantos quer ter?
– Um monte. No mínimo uns quatro. É meu sonho ser pai e ter uma família grande. Já pensou nas menininhas lindas iguais a você e nos garotinhos iguais a mim?
– Então também serão lindos! – elogiou Carly, beijando o marido.
– Podemos começar a fabricar os nossos bebês ainda hoje, o que acha?
– Eu acho uma ótima ideia.
– Vamos fugir daqui.
Brad pegou Carly pela mão e saíram de fininho. A suíte de um hotel de luxo de Seattle os esperava para a noite de núpcias.
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