Seddie, a história continua
134 Loucura, loucura, loucura
Notas iniciais
Freddie levou Sam até o apartamento de Carly.
– Eu não vou entrar aí! Não pode me obrigar a fazer as pazes com a Carly, nerd! — disse Sam, irritada, parada em frente ao apartamento 8C.
– Não vou fazer isso. Você não queria saber onde estava a Belinha? Está aí dentro.
Nisso, Carly apareceu com Mabel. Sam apressou-se a dizer:
– Não vim te visitar, só vim pegar minha filha.
– Não faço a menor questão da sua visita Sam – respondeu a morena, enquanto abria a porta.
Quando entraram. Viram Isabelle e Cris brincando com o video-game de rap. Os dois cantavam juntos, riam e improvisavam uma coreografia.
– Viram? — perguntou Freddie à Sam e à Carly – Vocês brigaram por causa deles. Eles já fizeram as pazes e nem se lembram mais disso, já vocês, ainda estão de mal.
As duas olharam para as crianças, constrangidas. Freddie prosseguiu:
– Vocês duas deveriam deixar de serem mais infantis que as crianças e fazerem as pazes de uma vez.
– Me perdoa? — perguntou Carly, abraçando Sam.
– Só se você me perdoar – respondeu Sam, devolvendo o abraço.
– Voltamos a ser melhores amigas?
– Nunca deixamos de ser.
As duas se olharam e sorriram.
– Eh! Finalmente! — comemorou Freddie.
Gibby descia as escadas e viu a cena, dizendo:
– Isso merece uma comemoração. Poderíamos sair nós quatro, como nos velhos tempos.
– E as crianças? — perguntou Sam.
– Eu ligo pra minha mãe, ela vem ficar com eles – falou Gibby, pegando o celular.
Os quatro resolveram ir ao cinema, onde assistiram a um filme romântico. De vez em quando Sam e Freddie, bem como Carly e Gibby, trocavam beijos apaixonados.
Depois, foram a um barzinho para fechar a noite. Todos conversavam de forma descontraída, alegres pelos drinks.
– Alguém aqui poderia imaginar que o ICarly ia dar nisso? — indagou Carly.
– Nisso o quê? — perguntou Sam.
– Em amizades e amores... Quando tínhamos 13 anos e começamos a fazer o ICarly, nunca imaginaria que Sam e Freddie acabariam se casando e muito menos que eu me casaria com o Gibby.
– Nem eu imaginava isso. No dia que nos beijamos no elevador, pensei que era mais um de meus sonhos – contou Gibby.
– Aquele elevador é um ótimo lugar para beijos – expôs Freddie.
– Quando você e a Sam namoravam todo lugar era ótimo para beijos – recordou-se Carly.
– Nós gostávamos tanto de nos beijar, que continuamos nos beijando mesmo depois que acabamos o namoro – contou Sam.
– Na verdade, ainda gostamos muito de nos beijar – disse Freddie, dando um beijinho em Sam.
– Não acredito que estavam ficando nas minhas costas! Vocês adoravam fazer isso! — reclamou Carly – Mas, agora, faz todo o sentido... Como não desconfiei antes.
– Complete o raciocínio Carly – pediu Sam.
– Vocês dois sumiam juntos. Ficavam mais tempo que o necessário a sós no estúdio do ICarly depois que eu descia. Entravam e saiam do meu apartamento juntos e a Sam pensou que o notebook dela estivesse no apartamento do Freddie quando sumiu. No meio daquela confusão eu nem me dei conta, agora faz sentido.
– Aproveitávamos o tempo livre e o apartamento livre do Freddie, quando a jararaca da mãe dele saía para trabalhar – contou Sam.
– Sam, já pedi para não falar assim da minha mãe – interveio Freddie.
– Por isso que o Freddie não me chamava mais para ir ao apartamento dele depois da aula, mas foi até bom, porque eu ficava conversando com a Carly e foi assim que eu me apaixonei por ela – contou Gibby.
– Oh! Que fofo mozão – disse Carly, dando um beijo m Gibby.
– Realmente, nossas histórias sempre se entrelaçaram – comentou Freddie.
– É verdade. Mas o engraçado é que eu sempre acabava descobrindo os beijos de vocês, mas levei anos pra descobrir que estavam ficando depois que terminaram o namoro – disse Carly, inconformada – Até notei a maior proximidade de vocês, mas pensei que era normal, depois de terem um relacionamento.
– Tem que me pagar 20 pratas Freddonho – disse Sam ao marido.
– Por que? — perguntou Freddie, surpreso.
– Você sempre achou que Carly desconfiava de nós e eu apostei 20 pratas de que ela não desconfiava de nada.
– Mas isso já faz muito tempo.
– Por isso vai me pagar com juros e correção monetária.
– Essa aposta já caducou Sam.
– Caducou nada. Pode ir passando a grana.
– Carly, diz pra ela que essa aposta não tem mais valor – pediu Freddie à amiga.
– Carly, diz pra ele que tem – pediu Sam.
– Algumas coisas nunca mudam... Vocês dois não têm jeito... Não vou me meter nos problemas de vocês.
– É isso aí amorzinho – falou Gibby, dando um beijinho em Carly.
– Eu tenho um bom argumento: pague as 20 pratas ou vai dormir no sofá hoje – ameaçou Sam ao marido.
– Isso é chantagem! — insurgiu-se Freddie.
Sam não esqueceu o assunto e assim que chegaram em casa tirou o dinheiro do marido, com juros, sob nova ameaça de que ele dormiria no sofá.
Na noite seguinte, quando Freddie chegou da faculdade, Sam ainda estava acordada. Ficou em pé na cama, levantou a camisola e mostrou a calcinha nova de renda vermelha que usava.
– Seu dinheiro rendeu, nerd – falou a loira em tom sedutor.
– Esta noche sera caliente! — disse Freddie, largando a mochila no chão e pulando na cama.
O final de semana chegou.
Sam foi com Eddie para casa de Anne, mãe de Susan, enquanto Freddie ficou com Isabelle e Nick.
– Belinha, arrume-se logo, sabe que vai ter que passar a tarde na detenção – alertou Freddie à filha.
– Não quero ir, papai. Esse castigo não foi justo.
– Se não for vai acabar suspensa e vai ser muito pior. Isso mancha seu histórico escolar e pode te prejudicar na disputa de uma vaga numa boa universidade.
– E se eu não quiser fazer faculdade? Posso sair viajando pelo mundo quando eu crescer!
– Você pode fazer isso tendo um bom emprego. Agora, vista-se e vamos logo.
No carro, Isabelle ia emburrada. Nick aproveitou para tirar onda da irmã:
– Belinha vai passar a tarde de sabádo no colégio enquanto eu e o papai vamos nos divertir no shopping – cantarolou o menino, recebendo um beliscão da irmã – Ai! — gritou, revidando com outro beliscão na irmã, que já puxava o topete dele.
– Parem os dois! — gritou Freddie, autoritário – Não vai ter shopping Nicolas se não parar de perturbar sua irmã.
O garoto cruzou os braços emburrado.
Isabelle chegou em frente à sala da detenção e parou, olhando apreensiva.

Freddie falou a ela:
– É só por uma tarde querida, vai passar rápido, vamos – pegando a mão dela.
– Eu sei papai, é só porque é injusto...
As palavras de Isabelle tocaram Freddie e ele teve uma ideia.
Senhorita Ackerman era a responsável pela detenção naquele dia e foi receber Isabelle na porta, mandando a menina entrar logo e se sentar.
Freddie disse à professora:
– Nossa Senhorita Ackerman, o tempo não passou para você! Está igualzinha. Preciso dizer que muito bonita – elogiou dando o seu sorriso de lado.
– Agradecida Senhor Benson – respondeu a professora de forma ríspida.
– Espere. Será que é mesmo necessário a Belinha ficar na detenção? Só foi uma briguinha de criança, porque os garotos provocaram o amigo dela. A senhorita poderia dar uma aliviada e depois poderíamos sair para conversar sobre o comportamento da minha filha na escola, tenho certeza de que me dará boas dicas de como ajudá-la – segurando a mão da professora.
Senhorita Ackerman puxou a mão e disse:
– Boa tentativa Senhor Benson, mas seu charme não me convence. Acredite, nem todas as mulheres caem aos seus pés... — entrando na sala e fechando a porta na cara de Freddie.
Nick ficou rindo.
– Não teve graça filho e não comente isso com a sua mãe.
– Por que?
– Quer ver seu pai morto?
– Não.
– Então faça o que eu te pedi.
Enquanto isso, na casa de Anne, Sam observava tudo surpresa, perguntando:
– Não tem sofá na sua casa?
– Eu adotei um estilo de vida natural depois que virei Hare Krishna. Não vivemos com luxo, apenas com o necessário. Pode se sentar numa dessas esteiras no chão – respondeu Anne.
– Mas você não veste esses camisolões quando vai levar sua filha ao colégio – observou Sam.
– Levo uma vida normal fora de casa, fiz de meu lar o meu templo. Aqui encontro calmaria e só entram boas vibrações. Por falar nisso, você está muito carregada – disse Anne, pegando um insenso e passando sobre Sam.
A loira começou a tossir:
– Pare com isso, não gosto dessa fumaça. Eu vim aqui por causa do lanche.
– Ah, claro. Um minuto – falou Anne, levantando-se para ir à cozinha buscar a comida.
Anne voltou com uma bandeja e colocou a frente de Sam, que perguntou:
– O que é isso?
– Kofta de repolho, arroz com gergilim moído, lentilha, e suco de goiaba.
– Não tem nada com carne?
– Que horror! É um absurdo comer cadáver de animais. Agora entendo sua energia densa.
– Não se preocupe, vou levar minha energia densa para longe daqui. Agradeço o lanche, mas não é dos meus favoritos.
– Mas Eddie e Susan estão se divertindo tanto. Escute.
As duas se calaram e ouviram as risadas das crianças vindas do andar de cima.
– Então, vamos fazer assim: vou fazer um lanche aqui perto e volto para pegar o Eddie daqui a pouco.
– Você que sabe, mas é uma pena. Poderia ver o quanto esse lanche é saboroso e te livraria do vício da carne.
– Eu gosto do meu vício da carne.
Sam estava abrindo o portão para sair quando quase esbarrou com um homem vestido de metaleiro.
– Aonde o senhor vai? — perguntou ela, desconfiada.
– Eu moro aqui.
– Impossível. Essa é a casa da Hare Krishna.
– E eu sou marido da Hare Krishna, pai da Susan. Você deve ser a mãe do amiguinho da minha filha que vinha aqui hoje né?
– Inacreditável – disse Sam, sem responder à pergunta, saindo.
Na detenção do Ridgway...
Isabelle olhava com tédio para Senhorita Ackerman que passava as atividades daquela tarde. De repente, batidas na porta. A professora foi abrir. A menina se surpreendeu ao ver Cris.
– Está muito atrasado Senhor Shay – falou a professora, contrariada.
– Desculpe. O pneu da minha mãe furou na rua.
Carly estava logo atrás e começou a dar explicações para a professora, enquanto Cris entrou e se sentou ao lado de Isabelle.
– O que faz aqui? — perguntou a loirinha.
– Dei um chute na canela do Senhor Howard ontem.
– Por que?
– Meu sábado não seria divertido longe de você.
– Você é louco.
– Devo ser mesmo.
No shopping...
Freddie entrou numa loja de departamento com Nick. Ele queria comprar meias novas e foi para a sessão de roupas íntimas masculinas. Na sequência, foi ao caixa, pagou a mercadoria e saiu com o filho. Na porta, o alarme disparou e logo os seguranças da loja foram abordá-lo.
– Eu paguei as minhas meias! Eu juro! Tenho a nota aqui pra provar – disse Freddie, nervoso, pegando a nota na sacola.
Os seguranças passaram uma máquina por Freddie e depois por Nick, então puxaram cuecas infantis de dentro da calça de Nick.
– Muito bonito! Escondendo mercadoria dentro da roupa do seu filho – falou um dos seguranças.
– Eu não fiz isso – defendeu-se Freddie.
Os seguranças já estavam arrastando Freddie para dentro, quando Nick se manifestou:
– Por favor, não prendam o meu pai. Eu peguei as cuecas, meu pai nem viu.
– Ainda instrui a criança a mentir – comentou um dos seguranças.
– Ele não está mentindo. Eu não vi mesmo. Vocês têm as imagens das câmeras de segurança? Podem comprovar o que ele disse – falou Freddie, nervoso.
Na sala da segurança, foram averiguar os vídeos e viram que realmente Nick havia pego as cuecas enquanto o pai estava distraído do outro lado, escolhendo meias.
– O garoto tem que ser encaminhado ao Conselho Tutelar – falou o chefe da segurança.
– Não, por favor, não faça isso – implorou Freddie — Meu filho errou, mas ele só tem 5 anos. Eu vou conversar com ele. Nick viu que o que fez foi muito errado e não vai repetir, não é mesmo filho?
Nick assentiu com a cabeça, assustado. Freddie prosseguiu:
– O senhor é pai?
– Sou sim. Tenho dois filhos.
– E gostaria que alguém mandasse um de seus filhos ao reformatório por um erro? Não iria preferir o senhor mesmo educá-lo? Sabe que as crianças saem desse lugar pior do que entraram.
– É, o senhor tem razão. Entendo o seu drama. Uma vez o meu garoto mais novo pulou o quintal do vizinho para pegar ameixa. Eu o repreendi e ele nunca mais pegou um alfinete. Vão embora. Mas, já aviso que se tiver segunda vez não perdoarei o garoto.
No carro, Freddie foi dando lição de moral em Nick até o Bushwell Plaza e queria prosseguir quando chegaram.
– Tá bom papai! Já entendi que o que eu fiz foi muito errado! Melhor me bater de uma vez, não aguento mais tanto falatório.
– Não vou te bater Nicolas, vou fazer melhor que isso. Está de castigo! Vá para o seu quarto para pensar no que fez.
– Ufa! Minutos de silêncio – disse o garoto, caminhando para o seu quarto.
Sam terminava de comer um hambúrguer triplo numa lanchonete quando o seu celular tocou. Era Anne.
– Aconteceu alguma coisa? — perguntou Sam, preocupada.
– Aconteceu. Quando seu filho percebeu que você tinha saído começou a chorar e não para mais.
– Vou correndo pra aí – desligando o celular.
Sam olhou mais uma vez para o seu hambúrguer, deu um beijo nele e o jogou no lixo, afinal, seu filho era mais importante.
Eddie correu para o colo de Sam assim que a viu entrar.
– Quer dizer que o homenzinho ainda precisa da mamãe por perto? — indagou Sam ao filho.
– Não me deixa mais sozinho mamãe, eu te amo – respondeu Eddie, apertando ainda mais o abraço, envolvendo o pescoço de Sam com os bracinhos.
– Jamais meu amor, até mesmo quando você não couber mais no meu colo.
Mais tarde, no apartamento 13-B, as crianças dormiam. Sam e Freddie estavam assistindo televisão abraçados, tentando se recuperar do dia tenso, depois de contarem um ao outro todos os acontecimentos.
– Sabe amor, hoje percebi que nós não somos o casal mais estranho. Na verdade, acho que somos muito normais na frente de uma Hare Krishna com um metaleiro – comentou Sam.
– Acho que de perto ninguém é realmente normal, amor, inclusive nós. Mas quem se importa? Uma vez ouvi uma música que dizia: “Louco é quem me diz que não é feliz”.
– Então que sejamos tão felizes quanto somos loucos.
– Já somos muito felizes meu amor.
Os dois se beijaram com amor e calma. Depois Sam deitou a cabeça no ombro de Freddie, que a abraçou e assim continuaram assistindo televisão.
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