Notas iniciais
E a confusão só aumenta...

Sam e Freddie foram algemados e levados para a sala de segurança. O navio voltou para terra firme. Valerie e Robert foram encaminhados ao hospital, devido a fraturas da queda, enquanto Sam e Freddie foram conduzidos à Delegacia.

– Eu tenho direito a um advogado! — gritou Sam assim que entrou na sala do delegado.

– Vocês realmente vão precisar de um bom advogado. Pesa contra vocês suspeita de duas tentativas de homicídio — informou o delegado alto e moreno, aparentando 35 anos.

– Tentativas de homicídio?! — chocou-se Freddie — Meu Deus, vamos morrer na cadeia!

– Não é hora pra bancar o frouxo Benson! — ralhou Sam — Eu tenho direito a um telefonema.

– Pelo visto a senhora sabe todos os seus direitos — caçoou o delegado.

– Ela é exper... — começou Freddie.

– Cala a boca — disse Sam, pisando no pé do marido.

– Ai — gritou Freddie, calando-se.

Sam foi levada por um policial ao telefone e ligou para Carly.

Em Seattle, a morena ficou em estado de choque ao desligar o telefone:

– Ai meu Deus! Sam e Freddie foram presos!

– Mamãe e papai foram presos? — perguntou Isabelle, sentada ao lado de Spencer no sofá, assistindo televisão.

– Foram presos no trânsito. Nossa, lá no Caribe tem tantos carros, Belinha! Você não ideia! — disfarçou Carly — Agora vá ver se a sua avó está em casa e convide-a para jantar — disse abrindo a porta e pedindo para a menina tocar a campainha de Marissa.

Carly fechou a porta e falou:

– O que faremos para tirar Sam e Freddie da cadeia nas Bahamas?

– Eu posso ir até lá e fingir que sou advogado — propôs Spencer — Afinal, sei muito de leis...

– Claro, nos seus 3 dias de faculdade no curso de direito — ironizou Carly — Acho melhor chamarmos um advogado de verdade.

– Quem?

– O pai da Sam.

– Será que ela vai gostar?

– Ela não tem que gostar, está em apuros.

No dia seguinte, Charles chegou à delegacia e foi se inteirar da situação com o delegado. Depois disso, teve direito à visita aos seus clientes.

– Pai, o que faz aqui? — quis saber Sam.

– Eu sou o advogado de vocês, Carly me avisou. Oh minha filha, como isso foi acontecer?

– Longa história. Mas, boa parte da culpa é do Freddie que teve uma péssima ideia — acusou Sam.

– Que ideia rapaz? — perguntou Charles.

– Nâo me sinto confortável em contá-la para o senhor — respondeu Freddie, sem graça.

– Como advogados de vocês devo saber de tudo desde o princípio para poder elaborar a defesa e pedir um Habeas Corpus. Vocês estão bem encrencados, acusado de tentativas de homicídios.

– Sabemos disso, mas não tentamos matar a Valerie e o Robert — explicou Freddie.

– Eles caíram — completou Sam.

– Mas, o que aconteceu para eles caírem?

– Estavam brigando — contou Freddie.

– E nós tentamos separar — complementou Sam.

– E qual era a causa da briga?

– O Robert ficou com ciúme do Freddie — disse Sam.

– Por que?

– Porque pegou ele e a Valerie numa situação constrangedora — expôs Sam.

– Você traiu a minha filha? — perguntou Charles a Freddie, irritado.

– Claro que não. Foi tudo um mal entendido — desculpou-se Freddie.

– Tá, vamos logo ao que interessa. Qual a nossa chance de sairmos daqui? — perguntou Sam sem paciência.

– Torçam para que as vítimas, cujos depoimentos serão colhidos no hospital, inocentem os dois — falou Charles, de forma franca.

Naquela noite, Freddie contemplava as estrelas, enquanto Sam tentava dormir no colchão úmido.

– Se formos condenados não nos veremos mais. Seremos colocados em alas masculina e feminina — falou Freddie, ainda com o olhar fixo para fora da pequena janela com grades da cela.

– E não veremos mais a Belinha. Ela vai crescer, se tornar uma moça e terá vergonha de nós — disse Sam, deixando as lágrimas rolarem.

Freddie sentou-se no colchão, ao lado da esposa e a abraçou:

– Isso não vai acontecer.

Ali, juntos, abraçados, sentados no colchão úmido, encostados a parede, adormeceram. Foram acordados por uma voz masculina alta e grave:

– Acordem logo ou vão querer ficar aí por muito tempo? — abrindo a cela.

Sam e Freddie esfregaram os olhos e olharam para o carcereiro grandalhão, levantando-se rapidamente. Charles estava logo atrás:

– Venham logo para a liberdade!

– Eu ainda tô sonhando? — perguntou Sam, incrédula.

– Essa é a mais pura realidade filha. Estão livres!

Sam correu para fora da cela e abraçou o pai. Freddie saiu em seguida.

– O senhor conseguiu um Habeas Corpus? — perguntou Freddie.

– Melhor que isso. Consegui o arquivamento do caso. Valerie e Robert confirmaram que tudo não passou de um acidente provocado pelos dois durante uma discussão — explicou Charles.

Mais tarde, no táxi, Sam se deu conta de que faltava algo antes de voltarem para casa:

– Precisamos recuperar os pen drives Freddie!

– É mesmo, tinha me esquecido! — concordou o moreno.

– Que pen drives? — quis saber Charles.

– Faz parte daquela longa história pai, aquela que o senhor não precisa saber — falou Sam.

– O que aprontaram? — indagou Charles.

– Isso vai conosco pro túmulo — afirmou Sam — Agora, moço, toca pro porto — determinou Sam ao motorista de táxi.

Sam e Freddie desceram correndo do táxi. Charles foi atrás, sem entender nada.

– Ah, que droga! — esbravejou Sam, chutando uma pedra, ao ver que o navio não estava mais atracado lá — Se esse vídeo for parar na internet eu juro que te mato! — agarrando Freddie pelo colarinho.

– Eu tenho culpa, mas você também tem. Eu fiz a proposta e você aceitou numa boa, até que com bastante empolgação — defendeu-se Freddie.

– O que faremos agora? — perguntou Sam, desesperada.

– Se me explicarem o que está acontecendo posso ajudar — falou Charles.

– Dispensamos, mas valeu — disse Sam.

– Vamos nos informar da rota do navio e verificar qual a próxima parada em porto, então vamos correndo pra lá e pedimos para pegar nossos pertences pessoais — propôs Freddie.

– Então faz isso logo! Tá esperando o que nerd? — perguntou Sam, nervosa.

– Calma — disse Freddie, pegando o celular.

Charles insistiu em acompanhar Sam e Freddie à viagem atrás do navio, mas o casal recusou, afirmando que alugariam um carro e preferiam terminar a lua de mel a sós. Charles voltou a Seattle, rezando para que a filha e o genro não se metessem em nova confusão.

Freddie já dirigia por horas e Sam questionou:

– Tem certeza de que pegou o caminho certo?

– Claro que sim, estou me guiando pelo GPS do celular. Não tem erro.

– Assim espero.

Horas depois:

– Talvez o GPS do celular não seja tão confiável!

– Eu sabia Benson! Estamos perdidos! — gritou Sam no ouvido dele, dando tapas em seguida.

– Para com isso Sam, vou bater o carro desse jeito! — reclamou Freddie — E ficar surdo! — apertando o ouvido.

– Para logo essa coisa e vamos pedir informação.

– Calma, vamos ver se encontramos um posto.

Antes que Freddie encontrasse um posto para pedir informações, despencou uma chuva que deixou tudo branco, sem possibilidade de enxergar a estrada a sua frente.

– Melhor encostar — aconselhou Sam.

– Eu sei, só vou procurar um lugar seguro.

Freddie colocou o carro no acostamento. Alguém bateu no vidro, Freddie abriu e viu uma arma apontada para si:

– É um assalto, desce do carro — determinou o bandido mascarado.

– Eu desço se eu quiser — disse Sam.

– Sam, não provoca, melhor descer — advertiu Freddie.

– Loira gostosa, vem aqui me dar um beijinho — provocou o bandido.

– Mais respeito com a minha mulher — disse Freddie, irritado.

O bandido engatilhou a arma e apontou para Freddie. Sam interveio, nervosa:

– Para com isso cara, a gente entrega o carro.

– Desçam logo! — determinou o ladrão.

Sam e Freddie desceram. O ladrão pegou os celulares do casal, entrou no carro, e saiu.

– Ainda vai se matar nessa chuva — observou Freddie.

– Nós vamos morrer nessa estrada perigosa! — disse Sam.

– Eu te protejo.

– Faz-me rir Benson, mais fácil eu proteger você.

Os dois começaram a caminhar, ensopados. Um caminhão passou e atirou lama nos dois.

– A sensação de dejavu foi forte agora — observou Sam, limpando a lama da face.

– Seja no Japão ou nas Bahamas acabamos sujos de lama perdidos numa estrada — disse Freddie.

– Por falar nisso, outra coisa veio a minha memória e me deu uma grande ideia.

– Sério? Sabe como vamos sair daqui?

– Não, mas sei como resolver o meu problema de cansaço, basta que me carregue no colo.

– Também estou cansado. Além disso, você prometeu que se eu e a Carly te carregássemos você nos carregaria da próxima vez que estivéssemos perdidos numa estrada. Então, agora é a senhora que tem que me carregar.

– Acontece que eu disse que carregaria vocês da próxima vez que estivéssemos perdidos numa estrada do Japão e certamente essa não é uma estrada do Japão, mas das Bahamas.

– Muito espertinha.

– Eu sei, agora me carrega!

– Sem chance, você tá bem mais pesada que aos treze anos.

– Tá me chamando de gorda?

– Eu não disse isso. E a Carly ainda me ajudou daquela vez.

– Você tem muito mais músculos que aos treze anos, então não tem desculpa amorzinho.

– Você não pode me obrigar.

– Está bem, vou fazer greve de sexo.

– O que? — perguntou Freddie, pegando Sam no colo.

Freddie estava exausto, andando com Sam em seus braços, quando ela avistou algo numa praia próxima:

– Olha lá, parece uma casa!

– Graças a Deus — comemorou Freddie, colocando Sam no chão — Você já pode ir andando até lá.

O casal se aproximou e verificou que se tratava de uma cabana. Havia redes e não estava em mal estado de conservação, porém, desocupada.

– Pelo menos podemos passar a noite aqui! — disse Sam, deitando-se numa das redes.

– Pelo menos — concordou Freddie, deitando-se na outra.

Na manhã seguinte, Sam acordou e viu que o marido já estava de pé:

– Parou de chover?

– Sim, podemos seguir viagem. Só tem um probleminha....

– Qual?

– Estamos perdidos.

– Deve ter um telefone aqui perto.

– Parece que nem há casas na redondeza.

– Era pra ser a viagem dos sonhos de lua de mel e tá virando um pesadelo! — reclamou Sam.