Seddie, a história continua
138 A oportunidade de Freddie
Notas iniciais
Freddie chegou tarde da faculdade, Sam o esperava acordada assistindo televisão na sala.
– Ainda acordada amor? — perguntou ele, cumprimentando-a com um beijo nos lábios – Demorei porque fiquei estudando na biblioteca depois da aula.
– Você sempre fica. Por que não me contou?
– Não te contei o quê?
Sam entregou um papel pra ele.
– Encontrei isso na sua calça.
– Deu pra mexer nas minhas coisas?
– Sim, não tenho nada melhor pra fazer na vida, então resolvi bancar a esposa ciumenta e paranoica e fui mexer nas suas coisas em busca de indícios de uma amante. Mas, tamanha foi a minha frustração ao ver que você só está escondendo de mim uma proposta de estágio na Microsoft – falou Sam, com ironia.
– Não estou te escondendo, só não vi motivo para te contar. Não posso aceitar essa proposta.
– Por que não?
– Sam, é só um estágio, até eu me formar, e com um salário bem menor do que eu ganho hoje na Pera Store.
– Mas você não vai passar de gerente na Pera Store. Já na Microsoft, meu amor, você pode crescer muito como engenheiro da computação.
– O Reitor da Universidade também disse isso, na verdade, foi ele que me indicou para a vaga, mas, eu sou um homem adulto, pai de família, não posso me dar ao luxo de arriscar a sorte.
– Você não vai arriscar a sorte. Benson, quando é que você vai acreditar no seu enorme potencial? Você é inteligente! É nerd! Ou melhor, é o rei dos nerds! Se você pegar esse estágio não vai ter pra mais ninguém dentro da Microsoft. Assim que se formar terá uma proposta de emprego com mais que o dobro do seu salário na Pera Store.
– Sam, não quero que as coisas fiquem difíceis em casa. Não quero que acabe sobrando pra você...
– Eu tô com dinheiro sobrando. Meu restaurante tem clientes fiéis e um movimento que só aumenta. Gibby já tá querendo montar uma filial, eu que estou segurando o gordinho, dizendo que é importante juntarmos dinheiro por um tempo antes de investirmos em outro estabelecimento. Não vai ficar pesado pra mim se você tiver que colaborar menos nas despesas de casa. Aproveite essa oportunidade, faça isso por você, por mim e pelos nossos filhos.
– Sam, você não existe. Nunca imaginei que aquela garota que só implicava comigo pudesse se transformar numa grande companheira.
– Já eu sempre soube que o pequeno nerd um dia iria se transformar num grande nerd, por isso estou te incentivando. Fiz um investimento no futuro me casando com você – brincou ela.
– Espero que seu investimento tenha um bom retorno – brincou ele.
– Tenho certeza que terá.
Os dois abraçaram-se, trocaram um olhar e um sorriso.

Alguns dias depois, Freddie estava uma pilha de nervos:
– Sam! Oh Sam! — chamou ele do quarto do casal.
– O que foi amor? — perguntou ela.
– Você viu a minha gravata vermelha?
– É aquela em cima da cama? — perguntou ela, apontando.
– Essa mesma – disse ele pegando a gravata e tentando colocá-la sobre uma camisa branca – Que droga! O nó não sai certo.
– Fica calmo, eu te ajudo – disse Sam, arrumando a gravata dele – Precisa mesmo ir trabalhar todo engomadinho?
– Claro que precisa, é o meu primeiro dia na Microsoft, tenho que passar boa impressão.
– Por acaso vai trabalhar no lugar da impressora?
– Isso é sério.
– Eu sei bebê, só pra descontrair. Espero que queira se arrumar só para passar boa impressão aos seus chefes e não para deixar mocinhas suspirando por onde passa.
– Está com ciúme?
– Não. Só estou avisando. Comporte-se Benson ou vai se ver comigo.
– E eu sou maluco de não me comportar?
Os dois deram um beijo rápido e ele terminou de se arrumar.
Na sala, Isabelle elogiou o pai ao vê-lo de terno:
– Uau! Papai tá bonitão!
– Bonito até demais para o meu gosto – reclamou Sam.
– Fica fria Senhora Benson, só tenho olhos pra você – falou Freddie, piscando para a esposa.
– Não gosto que me chame assim – dando um tapa no braço dele – Faz me lembrar a jararaca da sua mãe.
– Ai! Querendo ou não, você é a senhora Benson – provocou ele, levando outro tapa – Ai! Pare de me bater e me deseje sorte no meu primeiro dia, amorzinho.
– Boa sorte amor e juízo – beijando-o.
Eddie perguntou:
– Papai, posso conhecer o seu trabalho?
– Claro que sim, mas hoje não dá, outro dia.
Foi a vez de Nick indagar:
– É de lá que sai o X Box?
– É feito lá sim.
– Traz um pra mim?
– Um dia eu compro pra você filho.
– Você pode simplesmente pegar um pra mim de lá.
– Não posso não, porque seria roubar e isso é errado. Lembre-se do que aconteceu com você da última vez que tentou fazer isso.
Bolinha começou a latir. Freddie fez carinho na cabeça do cachorro e disse:
– Obrigado pelo apoio Bolinha, sei que está me desejando sorte.
O moreno despediu-se da família e saiu.
Sam foi para o restaurante, depois de deixar Eddie e Nick no apartamento de Marissa e de levar Isabelle e Cris ao colégio.
Chegando ao “Gibby's” encontrou o sócio nervoso.
– Tá tudo bem Gibby? Tô te achando nervoso – perguntou ela, desconfiada.
– Estou preocupado com a Carly.
– O que aconteceu com ela?
– Nada, mas ela anda muito nervosa por causa dessa história do Cris. A audiência em que o Juiz vai decidir a guarda vai acontecer no mês que vem e ela já nem dorme de ansiedade. Tenho medo pela saúde dela e do bebê.
– Você acha que tem risco de aborto como da outra vez?
– Acho que não. O médico disse que está tudo bem com o bebê, ela já tá entrando no quinto mês, mas a pressão dela está um pouco alterada, tenho cuidado da comida colocando menos sal, mas acho que o que faz a pressão dela subir, realmente, é o nervoso.
– Coitada da minha amiga, é uma paulada atrás da outra. Mas, eu vou vê-la hoje a noite e tentar distrai-la um pouco.
– Faça isso Sam.
Mais tarde, Freddie chegou em casa empolgado.
– Hoje o meu dia foi muito bom! Vou estagiar no desenvolvimento de softwares, isso é demais! O ambiente de trabalho é legal e os meus supervisores estão dispostos a me ajudar – contou ele ao filhos.
– Que legal papai – disse Isabelle.
– E quando vou ganhar meu X Box? — perguntou Nicolas.
– E quando vou conhecer seu trabalho e ver como se faz um computador? — indagou Eddie.
– Calma crianças, tudo no seu tempo. Onde está a mãe de vocês?
– No apartamento da dinda – respondeu Isabelle.
– Muita consideração da Sam... nem me esperou pra saber das novidades – falou ele, emburrado.
Enquanto isso, no apartamento 8C, Sam e Carly assistiam a um filme de comédia para descotrair.
De repente Carly soltou um gemido e segurou a barriga.
– Tá tudo bem amiga? — perguntou Sam, preocupada.
– Está. Eu acho que o bebê se mexeu pela primeira vez.
– Sério? Deixa eu ver – disse Sam, colocando a mão sobre a barriga da morena – Dá um chute para a sua madrinha – falou próximo à barriga.
– De novo! — falou Carly, sentindo o movimento.
– Eu senti! Mexeu mesmo!
– Gibby! Gibby! — chamou Carly, fazendo o marido descer as escadas apressado.
– Está passando mal amorzinho? — perguntou ele, preocupado.
– Não. Nosso bebê mexeu! Sente – colocando a mão dele sobre a sua barriga.
– Não tô sentindo nada.
– Tem que chamar o seu filho Gibby – falou Sam.
– Cadê o bebê do papai, cadê? — disse ele, passando a mão pela barriga da esposa, tentando sentir um movimento – Bebê?
– O bebê já não gosta de você – zombou Sam, rindo.
– Não tem graça Sam... Senti! — disse Gibby, contente – Chutou! E chutou forte!
– Nosso bebê já é muito forte e saudável – disse Carly, emocionada.
O casal deu um beijinho.
– Bom, vou deixar os pombinhos a sós curtindo o momento e vou lá pra casa ver se meu maridinho já chegou, deve estar cheio de novidades – falou Sam.
– Não vai terminar de ver o filme? — perguntou Carly.
– Já era a terceira vez que eu via, então, sei até o roteiro de cor. Termine de assistir, vale a pena.
No apartamento 13B, Sam entrou na suíte do casal e ouviu o barulho do chuveiro. Sentou-se na cama e esperou Freddie sair do banho.
– Apareceu Sam? — perguntou ele, saindo do banheiro com uma toalha branca na cintura.
– Já te falei o quanto você fica gostoso assim?
– Falou e não foge do assunto. Cheguei aqui e não te encontrei.
– Por acaso não posso mais sair de casa sem a sua permissão.
– Não foi isso que eu quis dizer. Cheguei querendo te contar como foi meu dia, mas acho que não importa pra você, porque nem me esperou.
– Claro que eu me importo com seu dia, acontece que a Carly estava precisando de mim.
– O que houve com ela?
– Ela tá com pressão alta e isso é ainda mais perigoso na gravidez. Ela anda muito nervosa, com medo de perder a guarda do Cris, então fui lá assistir uma comédia com ela e distraí-la um pouco.
– Pobre Carly.
– Pois é, agora se vista e conte o seu dia ou fique assim e não espere que eu me controle.
– Vou me vestir, melhor deixarmos a diversão pra mais tarde. Tenho muita coisa pra te contar.
Na manhã seguinte, Freddie deixou Isabelle e Cris no colégio, em frente ao portão.
As crianças estavam quase entrando no Ridgeway quando ouviram alguém chamar:
– Cris!
Os dois se viraram e viram August.
– Minha mãe não deixa eu falar com você – disse Cris ao pai biológico.
– Ela não precisa saber – falou August, aproximando-se – Você não quer dar uma volta comigo? Podemos conversar, nos conhecer melhor.
– Eu não posso, tenho aula.
– Vai com ele Cris, eu dou uma desculpa pra professora e depois te passo a matéria – incentivou Isabelle.
– Boa, menina! — elogiou August – É a sua namorada? — perguntou pra Cris.
– Não! — responderam as duas crianças rapidamente.
– Então vamos Cris?
– Sim – respondeu o garoto, acompanhando August.
A aula estava quase terminando e nada de Cris voltar, o que já estava deixando Isabelle preocupada.
A loirinha saia da sala com Alisson,após bater o sinal, comentando:
– Só espero que o pai do Cris não tenha sequestrado ele.
– Que nada, lá vem ele – disse Alisson apontando para o garoto que entrava correndo com um sorriso no rosto.
– Olá garotas!
– Como foi com o seu pai? — quis saber Isabelle.
– Foi muito legal! Meu pai é muito legal! Mas, vou pedir uma coisa pra vocês meninas: guardem segredo. Minha mãe vai ficar mal se souber.
– Claro – concordaram as duas.
Na semana seguinte, Sam tentava concertar a pia da cozinha do Gibby's, dizendo ao sócio:
– Acho que restos de comida entupiram aqui.
– Não é melhor chamarmos um encanador? — perguntou Gibby.
– Não, sei arrumar, não precisamos gastar com isso – disse ela, puxando o cano e recebendo um jato de água suja na cara.
Gibby começou a rir.
– Qual é a graça baleia?
– Sua cara – respondeu ele, rindo de sair lágrimas dos olhos.
– Pelo menos desentupiu.
– Tô vendo.
O celular da loira começou a tocar, ela atendeu:
– Péssima hora Cat...
– Sam, é o Robbie, estou na maternidade com a Cat, vai nascer...
– Que coisa boa! Vou pra Los Angeles amanhã.
– Valeu Sam, Cat vai ficar contente.
No dia seguinte, Sam embarcava para Los Angeles com Isabelle. Freddie não podia ir por causa do estágio novo, ficando em Seattle com Eddie e Nick.
No avião, Isabelle perguntou à mãe:
– Será que o bebê da tia Cat é menino ou menina?
– Não sei. Ela quis surpresa, não fez ultrassom. Vamos descobrir em breve.
No Bushwell Plaza, Carly separava as roupinhas do bebê por cor, sobre a sua cama, quando sentiu tontura, dor na nuca e sua visão começou a ficar embaçada.
– Socorro! — gritou ela, pouco antes de desmaiar.
Cris ouviu o chamado da mãe e subiu correndo, vendo-a desacordada:
– Mamãe! Acorda, por favor! Eu te amo! Acorda! — começou a sacudi-la , chorando.
Ele pegou o celular da mãe e discou para Gibby.
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