Sedative
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Os raios de sol irromperam no quarto de Roxanne provocando um leve incomodo com a claridade em seu rosto. Ainda de olhos fechados ela passeou os dedos na grande cama de casal desarrumada, concluindo que já estava sozinha. Os cabelos loiros quase branco mantinham a mesma cor de 18 anos atrás, porém a falta de corte que levava ao comprimento exageradamente grande fora substituído por um corte médio e comportado. A garota deixou os cabelos caírem nas costas quando se sentou na borda da cama, deixando todo o sol frio do interior da França iluminar o seu rosto branco e cansado. Suas feições não mudaram muito, o que ela gradecia quase todos os dias de sua vida. Talvez estivesse mais madura, com mais cabeça e até mesmo a família recém construída, que depois de muito tempo nunca pensou que iria dar certo, a fez se sentir uma pessoa melhor.
Ao abrir as cortinas do seu quarto no andar de cima da casa, pode ter uma vista do seu jardim em pleno domingo e como tudo sempre parecia tão calma naquela região, muito diferente de todo o Reino Unido. Desceu as escadas para o andar debaixo ainda com sua camisola de seda, ouvindo o som de uma música francesa que vinha da cozinha. Um sorriso brotou em seu rosto quando escutou as risadas de uma criança, um bebê e em homem.
– É muito bom acordar com o café da manhã já pronto. — encostou-se na porta e sorriu para o marido.
– Ah não, a mamãe estragou a surpresa! — disse o homem loiro, agora seu marido, para as duas crianças que estavam na cozinha. O homem se chamava Pierre Gauthier. Haviam se conhecido em Beuxbatons assim que ela fora transferida de Hogwarts.
Há 18 anos atrás Roxanne havia sido transferida de Hogwarts para a escola de bruxaria localizada em algum ponto da França, deixando para trás tudo o que tinha no Reino Unido e apesar da distância não ser tão levado em consideração no mundo bruxo, para dois jovens menores de idade foi quase impossível manter a proximidade com tantos empecilhos. Nas primeira semanas ela sempre esperava ansiosamente o momento em que a coruja de Sirius iria pousar em sua janela em Beuxbatons, trazendo as boas novidades de sua vida, como tudo estava e se as coisas ainda estavam as mesmas depois que ela partira. Nunca imaginou que ele pudesse te-la deixado de lado tão rápido, porque ela pensava nele em todas as horas de seu dia e em como seu irmão, idiota, porém que havia se casado com a prima de Sirius, tinha arruinado todas as suas chances de ficar com o garoto. Imaginava também que incansavelmente ele estaria procurando a real localização da escola, para aparecer em um dia de café da manhã monótono, com sua jaqueta preta se destacando nos emaranhados de uniformes azul-claro que vestiam e como seria maravilhosa a sensação de dizer “Eu disse a vocês, disse que ele viria. Ele é o amor da minha vida.”. Ele nunca veio.
Apesar dos pesares, Peter, alto e com lindos olhos castanhos claro, que antes ocupava o lugar de melhor amigo da garota, estava sendo a melhor saída de sua vida. Naquele momento, tudo que importava era que ele estava desempenhando o papel de um bom amigo, bom marido e bom pai. Roxanne nunca voltou a gostar de alguém da maneira que gostava de Sirius, mas deixou o amor pelo marido crescer por si só.
Roxie pegou a pequena Amandine, de apenas 1 ano, no braço e deu um beijo estalado em sua bochecha. Seus olhos azuis se iluminaram ao dar um sorriso e agarrar os cabelos da mãe.
– Por acaso ela já comeu alguma coisa, querido? — perguntou a Pierre que andava até o armário para pegar alguns pratos.
– Já, claro. — sorriu. — Ela acordou primeiro que todo mundo, vai ter uma ótima energia para jogar Quadribol. — colocou Amandine de volta na cadeira junto a mesa, ela brincava com vassoura em miniatura que voava por cima de sua cabeça. Sentaram todos a mesa para aproveitar um ótimo café da manhã. Fréderic, que havia acabado de completar 11 anos, se entusiasmava com a ideia de poder estudar em Hogwarts, indo contra a vontade de pai que desejava que ele ficasse em Beuxbatons. Após o café, Fréderic correra para o quintal para brincar com algum vizinho que o esperava nos fundos da casa. Amandine continuava distraída com seu brinquedo. Com um aceno da sua varinha, Pierre colocou todos os pratos na pia parem serem lavados. Pegou Roxie pela mão e a abraçou.
– Você quer mesmo que ele vá para Hogwarts? Não acho que seja muito seguro nas circunstâncias atuais... Você sabe o que dizem, não é? Que Voldemort voltou. Seria arriscar demais na sorte.
– Não seja descrente, Pierre! Você deveria saber que Hogwarts é um dos lugares mais seguro para se estar! Eu teria continuado lá se pudesse. Fréderic vai para Hogwarts e é assunto encerrado. Draco estará lá se precisar de alguma coisa.
– Falando neles, você teve mais alguma notícia de seu irmão?
– Infelizmente ele me manda uma coruja todos as semanas, não há como não saber de nada, é uma pena.
– Você não deveria ser tão dura. Eles são sua família.
– Vocês são minha família. Você, Amandine e Fréderic. Eu não precisava pedir mais.
Amandine batia na mesa com entusiasmo agora que já havia conseguido alcançar a pequena vassoura enfeitiçada.
– Vou leva-la para tomar um banho lá em cima e dar uma ajeitada nas camas. — dizia Roxie enquanto pegava a garotinha no braço novamente.
– Vou ver se Fréderic precisa de mim ali atrás.
– Faça isso, porque ele anda reclamando que você passa pouco tempo em casa. — eles riram e cada um foi para um lado da casa.
Após dar banho em Amandine, deixou-a brincando no cercadinho na sala do andar de baixo. Arrumou os quartos rapidamente com acenos rápidos de sua varinha e logo foi tomar banho.
– Pierre, sua mãe nos chamou para irmos almoçar na casa dela hoje. — jogou-se no sofá, observando o marido ler uma versão francesa do Profeta Diário que recebiam em casa. — Ela disse que comprou alguns doces para Fréderic quando foi a Suíça. Ela é realmente uma fofa.
– Eu sei, ela me mandou uma coruja, na verdade, dezenas delas. — olhou por cima do óculos com um sorriso brincalhão no rosto. — Podemos sair em uma hora?
– Vou fazer o possível. -riu.
Ficaram conversando na sala um bom tempo. Pierre adorava dizer em como Amandine tinha os olhos de Roxanne, ficando orgulhoso por isso. Dizia também que Fréderic iria dar um bom jogador, que faria o possível para que entrasse na seleção de Quadribol do país. Falou também sobre o trabalho, conversas peculiares de um dia de domingo. Foram interrompidos quando perceberam que uma coruja amarelada batia com o bico na janela da sala.
– Está esperando alguma coisa? — perguntou Roxie.
– Não que eu esteja sabendo.
– Certo, então, hm, fique aqui e eu vou buscar alguns petiscos na cozinha.
Pierre abriu a janela, deixando a coruja entrar na sala e pousar um pouco depois dela. Retirou o pergaminho que tinha enrolado em sua perna. Nele estava escrito “Para Roxanne”.
– É pra você, Roxie! — avisou.
– Eu não estou achando as coisas aqui, eu vou em um minuto. Abra pra mim, por favor.
Pierre se calou ao abrir. Sua expressão fora de animado para algo parecido com surpreso. Decidiu não dar a notícia aos gritos, ou mesmo chama-la para apressar o que tinha acabado de ler. Sentou-se no sofá de novo, olhando para a porta da sala esperando Roxanne aparecer.
– E então? O que tinha no pergaminho? — voltou com uma tigela com petiscos, deixou em um canto para que a coruja pudesse pegar e sentou-se do lado de Pierre. — Por que você está com essa cara, ein? Aconteceu alguma coisa?
– Acho melhor você mesma ler. — passou o papel que estava na mão, olhando-a preocupado. Roxanne tomou o papel em mãos, deixando cair logo que seus olhos acabaram de ver as últimas palavras escritas.
“Sirius está morto. Ele se foi. Me desculpe.
Amélia”
Seus olhos encheram-se de lágrimas e foi quase como poder ouvir o seu coração partindo em mil pedaços. Olhou para Pierre que percebendo o seu estado, abraçou-a com força.
– Vai ficar tudo bem, Roxanne. — A garota chorava abraçado com ele. Sentia um mundo afundando em seu estômago, não queria acreditar no que tinha lido, mas depois de fugir de Azkaban, um lugar que ele nunca deveria ter ido parar, ela podia acreditar em qualquer coisa que fizessem contra ele e Amélia sabia de tudo que acontecia por ser de dentro do Ministério da Magia. Ela não mandaria algo assim se não fosse verdade.
Soltou-se de Pierre e subiu correndo as escadas que a levariam para o escritório. Trancou a porta e correu para um armário de canto, puxando uma das gavetas com tanta força que ela caíram no chão. Jogou tudo que tinha em seu interior em busca de uma caixa de papel escondida em um fundo falso.
E na foto ele ainda estava lá, sorrindo para ela e a abraçando como se os 18 anos não tivessem se passado. Foi atingida em cheio pelos dois sentimentos mais dolorosos do ser humano: Arrependimento e saudade. Deixou todas as lágrimas possíveis caírem antes de sair da sala e encontrar Pierre. Seu rosto estava vermelho e algumas lágrimas insistiam em cair quando ela disse: — Alguma coisa me diz que eu preciso voltar à Godric's Hollow.
“I won't let your smile
Get lost in the fall
I won't let your dreams
Run away in the dark
Still recall the way you were
And that look in your eyes”
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