Sedative
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Estou atrasado? — perguntou Sirius.
– Depende do ponto de vista. — respondeu Roxie, sorrindo.
– Do seu.
– Um pouco.
Já faziam duas semanas que os dois não desgrudavam um do outro. Raras eram as vezes que eram visto separados e Roxanne já havia se familiarizado com grande parte da Grifinória. Lilyan adorava a ideia de te-la por perto, tendo em vista que podiam estudar juntas algumas vezes. Seu jeito era completamente compatível com qualquer um dos Marotos.
Por causa do acaso e do destino que estava sendo tão favorável à aquele grupo de pessoas, Roxanne havia descoberto, por acidente, o segredo que Lupin escondia de todos, menos de seus amigos. Isso explicava todas as constantes idas da garota à biblioteca: sua geniosidade estava tentando achar meios de evitar todos, ou pelo menos um, dos efeitos que uma pessoa mordida por um lobisomem sentia. Por fim, todos, apesar de tudo, ou de uma pessoa só, concordavam que Sirius não poderia estar saindo com uma pessoa melhor.
Mesmo assim, com eles não havia acontecido nada físico. Sirius sempre dizia que estava esperando o momento certo para o primeiro beijo.
– Eu trouxe comida dessa vez. — dizia o garoto enquanto organizava com acenos de varinha uma toalha quadriculada de piquenique na grama verde debaixo de uma das árvores no grande jardim de Hogwarts. — Espero que esteja com fome.
– Me pergunto como você consegue tanta cerveja amanteigada assim.
– Digamos que eu tenha um estoque particular, de onde veio essa, tem muito mais. Bolo de caldeirão? — ofereceu Sirius.
– Sabe com quem eu cruzei hoje, Sirius? — Roxanne falava enquanto comia. Ele fez um sinal com a cabeça para que continuasse. — Lene. Ela ainda olha pra mim como se quisesse me matar.
– Talvez ela queira mesmo.
– O que você disse? Você é ridículo! E a culpa seria toda sua.
– Não entendo porque ela não consegue simplesmente superar isso tudo.
– O problema, Sirius, é que não é “simplesmente”. Ela deve gostar muito de você.
– Então você quer que eu esteja com ela e não com você?
– Não, claro que não, digo, eu sei que ela gosta de você, portanto você deveria conversar com ela, explicar isso tudo. Há muitas outras pessoas interessantes em Hogwarts.
– Todo mundo me fala pra fazer isso, eu vou fazer, estou esperando o momento certo.
– Me prometa que você falará com ela até, no máximo, amanhã.
– Por que a pressa?
– Não quero me ver perdendo você.
– Isso foi uma coisa profunda, Roxanne. E acho que é uma das frases mais bonitas que você pode falar para um ser humano, não sabia dessa sua capacidade de ser romântica.
– Eu odeio você, Sirius Black. Odeio tanto que eu podia fazer você rolar ladeira abaixo pra ver se aprender a ser menos idiota.
– E aí vamos nós de novo...
– Você está achando ruim?
– Estou! — disse Roxie fechando a cara.
– Então, você precisa parar de fazer essa cara de irritada.
– Me obrigue.
Sirius virou-se para fazer cócegas na garota, que ria e o mandava parar. Com toda a movimentação eles realmente rolaram ladeira abaixo, parando quando chegaram em um pequeno canteiro na beira do lago. Sirius se encontrava em cima de Roxie. Ele se apoiava nos braços, frente a frente com a garota, que não se mexia e estava olhando fixamente para seus olhos castanhos. Quase que por um reflexo, Roxie colocou as mãos no pescoço de Sirius, sorrindo, sabendo o que vinha em seguida. E então ela o beijou, sorrindo. Um calafrio bom de se sentir passou por todo o corpo de Siris e ele entendeu o que estava acontecendo, o que estava sentindo pela garota de cabelos loiros e compridos, que vira no Três Vassouras tão determinada a não falar com ele. Ninguém é cego para sempre.
– É, não foi tão ruim assim, Malfoy. — saiu de cima da garota e deitou-se ao seu lado no chão.
– Já vi melhores.
– Ah, jura?
– Na verdade, o time inteiro de Quadribol da Sonserina.
– Não sabia que você já havia beijado tantos caras da mesma casa.
– Não beijei o time inteiro, na verdade. Só alguns.
– Não diminui a sua culpa, se quer saber.
– Ciúmes?
– Nunca. Acho melhor irmos para o castelo agora. Tenho um encontro amanhã com uma menina chata da Sonserina, sabia? Me arrependo de te-la chamado, pode cancelar?
– Nossa, fiquei sabendo dessa menina chata, ela me disse que se o tal menino ridículo da Grifinória cancelar, ela o joga para a lula gigante! Que amor!
– Que delicada! Por amor a esse corpo tão belo, decido não cancelar! Aplausos.
– Você consegue ser mais tosco que isso, Sirius? — ria Roxanne enquanto subia o terreno de Hogwarts em direção ao castelo.
– É óbvio que eu não ia cancelar, porque tenho uma surpresa.
– Você não vai me contar?
– Terá que esperar até amanhã, depois de Hogsmeade.
– Odeio você.
– Mas eu não.
Sirius entrelaçou sua mão na dela, sentindo-se extremamente feliz por estar ali. Se aquilo era estar apaixonado, ele achava que poderia sentir e agir assim todas as horas do seu dia.
X
– Eu acho que ela não vem mais, James. — Sirius andava de um lado para o outro no em frente a Casa de Chá Madame Pudifoot, onde já se via alguns casais do quinto ano espalhados pelas mesas do lado de fora.
– Acalme-se, Almofadinhas! Roxie só está atrasada... Hmm... 20 minutos?
– Eu não devia ter dito que iria cancelar.
– Mas foi uma brincadeira, cara.
– E se ela tiver levado a sério?
– Ora, cale a boca e sente-se em qualquer mesinha aí. Ela já deve estar vindo.
– Vou te matar, Amélia! Como você me faz chegar atrasada desse jeito? Minha nossa! — James ouvia de longe Roxanne reclamar com a amiga que andava do seu lado pedindo desculpas e falando algo sobre “Eu não sabia onde estavam as minhas roupas.”.
– Ela ta vindo. Levante-se e finja que está aqui a pouco tempo.
– Oi meninos, desculpem a demora, não estava nos meus planos chegar tão tarde. — desenrolou o cachecol do pescoço e guardou as luvas dentro do bolso do casaco. — Chegaram a muito tempo?
– Ah, não, a pouco, quase nada. — Sirius falava rápido.
– Hmm, então tá. — desconfiou Amélia, olhando para Roxie. — Eu vou indo encontrar com as meninas na Dedos de Mel. Nos vemos mais tarde.
– Eu vou indo também, casal.
– Onde está Lilyan, James?
– Estou indo encontra-la no Três Vassouras.
– Diga que eu mandei um 'Olá', ok?
– Pode deixar! A gente se vê por aí. — James deu um abraço em Roxie, se despedindo e acenou para o amigo, que tinha as mãos dentro dos bolsos, olhando desconfiado para os lados.
Quando James e Amelia saíram do alcance de seus olhos, Sirius sorriu para a garota, passando um dos braços timidamente sobre seu ombro e enfim entraram no local, coberto de cor de rosa e com uma luz baixa.
– Sabe, é a primeira vez que eu venho aqui. — disse o garoto. — Sempre preferi lugares com menos corações, se quer saber.
– Sincero. Eu vim aqui algumas vezes, totalmente um fracasso. Está vendo aquela mesa logo na entrada? Consegui esbarrar nela e derrubar duas vezes em um dia só.
– Bom, até agora você não destruiu nada e o nosso dia está apenas começando, não é?
– Justo. Adianta perguntar o que vamos fazer depois daqui?
– Não mesmo.
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