Sedative
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Sabe, Sirius – Marlene falava com tom de superioridade – uma coisa engraçada. Você é um aluno da Grifinória e anda por aí exibindo luvas verde e prata há mais de uma semana. Irônico, não é mesmo?
– Não, não é. Eu gosto de verde.
– Lene, esquece isso. — sussurrava Dorcas.
– Não, Dorcas, eu quero saber o por que.
– De que? — dizia Peter que pela primeira vez estava se intrometendo naquela discussão que já levava 15 minutos, no minimo.
– Você gosta dela, Black?
– De quem você está falando? — perguntou desconfiado.
– Da dona das luvas. — apontou discretamente para o braço da poltrona na qual o par verde e prata estava.
– Isso não é necessário, é? — levantou-se, levando as lucas consigo. — Preciso resolver algumas coisas, se já terminou de fazer caso, Marlene, eu vou indo. — atravessou toda a sala comunal, chegando a porta, perguntou a James se ele também o acompanharia. Olhou para Lilyan, procurando saber qual a melhor coisa a se fazer e ela o olhou em resposta, indicando a passagem para fora.
Sirius gargalhava enquanto andava.
– Não entendi porque você ri tanto, cara.
– Você não acha incrível, James, como Lene consegue ser tão observadora!?
– AHÁ! Eu sabia que você estava afim da irmã do Malfoy! Mas e aí, vocês já saíram?
– Mais ou menos, não foi bem uma saída. Soube que a próxima ida a Hogsmeade vai ser perto do Valentine's Day.
– E você ta esperando o que pra chama-la pra sair?
– Encontra-la! Quando eu digo que ela é uma pessoa difícil de se achar, é uma verdade, mas soube que ela está estudando na biblioteca e pretendo passar um bom tempo na entrada das masmorras.
– É, vejo que você está determinado, mas isso não é perseguição? — riram. — Digo, estamos no mesmo espaço que ela e é estranho que você preciso de tudo isso.
– Vai entender!
– Mas e Lene?
– Ora James, você mais do que ninguém deveria saber que nós nunca tivemos nada, eu sei que ela gosta de mim mas não... Bate. Ela não vai entender, por isso nunca falei com ela sobre isso, mas quem sabe, daqui para o último dia em Hogwarts ela saberá disso por bem ou não.
– Justo. Bom, você chegou ao seu destino. Entrada das masmorras. Temo dizer que não poderei ficar com você esperando...
– Roxanne.
– Exatamente.
– E pra onde você vai?
– Me encontrar com Lilyan, bem mais produtivo, não acha?
– Ah, claro. Pra vocês.
– Boa sorte, cara. — bateu em seu ombro e saiu.
– Não faça nada que eu não faria, Potter!
Sirius olhou para os lados e viu-se sozinho. Por um tempo incansavelmente longo ele caminhou em círculos e também de um lado para outro. Muitos alunos da Sonserina passavam e faziam cara feia ao ver um grifinório plantando em sua entrada. Acabou cochilando encostado em uma estátua desgastada perto da entrada, com uma imensa dor nas costas.
– Sirius? — alguém o cutucava. — Vamos, acorde. — abriu os olhos devagar e viu Roxanne com um amontoado de livros nas mãos, cabelos presos em um rabo de cavalo.
– Bom dia. — ele sorriu.
– 'Dia' ainda não. Você sabe que horas são?
– Não, não sei.
– São 2:30.
– E por que você anda por aí uma hora dessas?
– Eu te faço a mesma pergunta. Amélia, pode ir, eu vou dormir em um instante. — Roxie dirigiu-se a sua amiga que vinha com ela. Só depois que a garota desceu as escadas em direção ao salão comunal da Sonserina, ela colocou seus livros em um canto e se sentou do lado de Sirius. — Então, o que você está fazendo aqui? Perdeu a cabeça? — falava calmamente com um sorriso leve no rosto.
– Achava que você iria gostar da surpresa.
– É que... Veja bem, já imaginou se algum monitor de pega aqui? Você não tem mais o que fazer?
– Eu pararia de te procurar assim se você parasse de fugir de mim.
– Eu não... fujo de você... Eu tenho todos os motivos para não estar com você toda hora.
– Tenho o resto da noite pra você me contar todos.
– Meu irmão, de alguma forma, descobriu que eu estava saindo com alguém.
– Então quer dizer que estamos mesmo saindo? Hmmm.
– Cala a boca, Sirius. Mas enfim, ele fez meia hora de discurso, falando que iria matar quem quer que fosse. Ele pode me tirar daqui e agora, a última coisa que eu gostaria era deixar tudo isso pra trás.
– Seu irmão está namorando com a minha prima.
– Eu sei, e daí?
– E daí que, por mais que eu a odeie, posso muito bem fazer o “primo revoltado que não aceita que sua prima namore um tremendo babaca”. Estamos quase quites. 1 a 1.
– Bom jeito de lidar com as coisas. Gostaria que tudo fosse tão simples assim.
– Eu posso fazer ficar simples, quer pagar pra ver?
– Adoraria.
– Posso começar agora, se quiser.
– Vá em frente.
– Primeiro: Eu vim entregar suas luvas. — tirou-as do seu bolso e entregou a Roxie, que o olhou desconfiada.
– Obrigada mas eu tenho mais 3 pares desses.
– Segundo: Soube que a próxima ida a Hogsmeade é no sábado próximo ao Valentine's Day e eu acho um boa sairmos. Só se você quiser é claro.
– E se eu não quiser? — desafiou.
– Então eu teria que ser obrigado a executar o terceiro item da lista.
Sirius a olhou nos olhos e colocou uma de suas mãos no pescoço de Roxanne. A garota o olhava sem reclamar da distância entre eles que ia diminuindo cada vez mais. Roxie sorria sem ao menos Sirius poder vê-la.
– Eu acho que gosto de você, Roxanne Malfoy. — sussurrou em seu ouvido.
– Não gosto do jeito que você me faz sentir tão comum.
– A última coisa que você é, é comum. — beijou de leve sua orelha. — Preciso ir. — se levantou depressa, puxando a garota pela mão, levantando-a também.
– E o terceiro item da sua lista? — perguntou, jogando os dois braços em volta do pescoço de Sirius. — Você não pode ir.
Ele a abraçou, tirando-a do chão e beijou sua bochecha.
– Você mesma disse que eu não podia estar aqui. Nos vemos em Hogsmeade?
– Quem sabe... — sorriu. — Almofadinhas, não é?
– Como você...
– Eu sei de muita coisa sobre você, Sirius. Nos vemos por aí.
Sirius saiu pelos corredores achando graça de si mesmo, imaginando a cara de Roxanne ao ter ouvido pela primeira vez esse apelido e a reação de ter descoberto o por que dele, isso se ela sabia realmente. De longe, ouviu os ecos de livros caindo vindo de onde estivera. Provavelmente Roxie teria derrubado a pilha de livros ao tropeçar nas escadas.
O garoto pensava como era incrível o jeito que ela conseguia ser tão desastrada e tão maravilhosamente perfeita, mas a perfeição, ele achava, era tão subjetiva como tirar coelhos de uma cartola.
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