Secrets | jjk + pjm
1 Único
Sentir dor na cabeça já não se tratava de alguma novidade. Na verdade, estava virando tão parte da minha vida que era rotina quase. E o ódio por saber do motivo somente aumentava a cada dia que passava. Fazia anos que não me sentia idiota dessa forma, um verdadeiro bobo apaixonado. Mas, aquele garoto me causa tantas coisas que minha cabeça somente enlouquece. Meu coração foi roubado e pertence inteiramente a ele.
Durante muitos anos convivo com meus seis amigos, esses que sempre considerei como irmãos. Foram anos lidando com muitas situações, desde provocações com minha altura, até o que estou sentindo e vivenciando atualmente: paixão. Jamais fez parte dos meus sonhos enxergá-lo de forma diferente ou me entregar ao que antes pensava ser apenas uma paixão que logo passaria. Pensei que fosse apenas afeto, admiração ou desejo, mas tudo aumentou de nível e de intensidade.
Fui pego de jeito por tudo o que ele era.
Não esperava que me apaixonaria por ele, mesmo que nossos fãs quisessem a todo custo tornar o "casal" deles real. Em uma noite me peguei lendo as famosas fanfics que faziam sobre nós, durante alguns capítulos ri bastante, até perceber que não eram histórias tão irreais. Eu sentia aquelas coisas ali, eu sentia praticamente tudo.
Sentia meu corpo queimar de ansiedade quando o via, meu coração acelerar como se eu tivesse corrido uma maratona, minhas mãos tremerem por puro nervosismo, meus sorrisos escapando sem meu consentimento, eram minhas de sensações dentro de mim — e algumas fora também — e eu não sabia identificar. Nunca havia me apaixonado, graças a essas histórias que identifiquei tudo que estava sentindo.
Desde que nosso grupo foi formado ouço as brincadeiras a respeito disso. Jin sempre dizia que Jungkook e eu formaríamos um belo casal. Era uma piadinha dele, todos riam então devia ser engraçado, mas Jungkook sempre ficava vermelho e eu apenas dava de ombros sem realmente dar importância para isso. Se eles falarem sobre isso agora com certeza sou capaz de sair correndo apenas pela aflição de meus sentimentos serem descobertos.
Jungkook e eu éramos realmente muito próximos. Os mais próximos dentre nós sete. Mas para nós isso sempre foi algo muito comum, uma amizade normal como qualquer outra. Sempre contávamos tudo um ao outro, absolutamente tudo, sinto que sei mais sobre Jungkook do que ele mesmo, e é muito provável que o mesmo aconteça com ele sobre mim.
Mas de uns tempos para cá, desde que eu percebi que estava apaixonado, outras brincadeiras pareciam mais frequentes e eu já estava sentindo que elas de alguma forma ecoavam na minha cabeça. Parecia que na minha testa estava escrito "estou apaixonado por Jeon Jungkook", porque até mesmo ele estava estranho comigo. E isso me machucava muito. Muito mesmo!
Fiquei me perguntando por dias o que poderia ter feito de errado. E o pior de tudo é que nem mesmo podia contar para alguém. Sentia medo da represália dos outros membros, sentia uma insegurança enorme, meu peito apertava só de pensar que toda a nossa equipe iria me odiar se soubesse dos meus sentimentos.
Eu seria o culpado pelo fim do Bangtan Sonyeondan. E eu me odiaria se acabasse com nosso grupo.
Então decidi esconder o que estava sentindo, me afastando um pouco de Jungkook e sempre dando a ele desculpas para não ficar muito perto. Nem mesmo saía com os meninos caso não fosse obrigado.
Aquela paixão já estava me deixando doente. Literalmente doente. Não queria comer, algumas vezes nem respirar era uma vontade minha. Apenas treinava, ensaiava coreografias e letras, decorava os passos de todos os integrantes e focava ainda mais nos meus, para realizá-los com uma perfeição que eu talvez nunca atingisse. Aquele momento estava sendo o pior da minha vida.
Se eu já era inseguro com meu corpo, tudo só piorou. Sabem quando estamos tristes e acabamos ouvindo a famosa música da desgraça para nos afundarmos mais ainda? Pois bem, esse estava sendo eu naqueles dias, mas não em relação a músicas e sim a comentários de ódio que faziam para mim nas redes sociais.
Julgavam meus cabelos, meu rosto, meu corpo, minha dança e minha voz. Me chamavam de coisas horríveis, diziam que eu deveria estar fora do grupo e que eu apenas atrasava os meninos, eles poderiam ser muito melhores sem mim. E eu acreditei nisso, porque eu já me sentia assim e tais comentários só me fizeram ter certeza.
Hoje foi somente mais um dos dias tão horríveis, onde ainda por cima caí em cima do palco. Me senti péssimo, óbvio, por ter feito isso, afinal atrapalhei a coreografia. Atrapalhei o grupo todo. Porque eu só servia para atrapalhá-los.
Jungkook e eu dividiríamos o quarto no hotel, mas não me sentia preparado para ficar sozinho com ele e quando o mesmo entrou no quarto me senti menos preparado ainda. Meus olhos estavam vermelhos, deixando óbvio que antes de ele chegar eu estava chorando. Fiquei abraçado em minhas pernas, com o rosto enfiado entre elas. Por isso tomei um susto, surpreso por sentir um abraço extremamente quentinho e aconchegante me confortando.
— Jiminnie... por que está chorando? — A voz de Jungkook tinha o poder de me desestabilizar por completo e naquele momento não foi diferente. — Me diz que não é pelo tombo.
— Kookie... eu só faço coisas erradas, não percebe? Eu caí no meio do palco, atrapalhei vocês.
Era assim que me sentia: como um peso a mais em um grupo que sem mim seria perfeito. Embora eles não concordassem, eu tinha total certeza de que não faria falta alguma.
— Nossa, realmente, só coisas erradas. Afinal você se atirou no chão, não foi um acidente onde você poderia ter se machucado, certo? — O encarei, sentindo suas mãos secando minhas lágrimas. Tal ato só me dava mais vontade ainda de chorar. — Você não fez nada de errado. Eu também já caí, e poderia ter sido qualquer um de nós. Você deve estar querendo falar de alguma outra coisa.
— Eu não sou bonito para o grupo, nossas fãs dizem isso, eu não tenho a voz tão boa, não danço tão bem. Meu corpo é estranho. Eu sou horrível, Jungkook. — Voltei a chorar. Jungkook sentou mais perto de mim. Aquela proximidade era perigosa. — Talvez elas gostassem mais de mim se eu fosse como você.
Choraminguei, querendo me afundar outra vez em seus braços somente para sentir mais do seu cheiro e também do seu calor. Jungkook me passava conforto somente por estar perto desse jeito, mas eu queria me aproximar mais e mais.
— Mas eu gosto de você do jeito que você é, e minha opinião deveria ser mais importante, não? — Vou apenas fingir que meu coração não ficou dançando loucamente dentro do meu peito, porque fingir é mais fácil do que lidar.
— Mas são nossas fãs. — Argumentei, mas ele negou com a cabeça.
— Não, porque as nossas fãs não são assim, Jimin. Todo mundo que é famoso tem haters, isso infelizmente é normal, e nós também temos. Você não pode se deixar levar por isso, porque a intenção deles é justamente te deixar desse jeito. Nossas fãs estão sempre te defendendo quando isso acontece, assim como elas fazem com nós sete. O amor no coração de todos os nossos fãs é grande demais para cometerem o pecado de magoar o membro mais fofo do nosso grupo.
Estava envergonhado por seus elogios, mas parecia na verdade que eles eram interpretados de forma errado por meu cérebro. Na minha cabeça Jungkook só estava dizendo aquilo porque eu era parte do grupo e precisava estar bem para acompanha-los, insegurança era inimiga do nosso profissionalismo e da perfeição que todos diziam que nós tínhamos.
Mas meu coração me traía e mostrava que era aquilo que ele realmente queria dizer.
— Eu não sou fofo. Eu sou horrível. — Voltei a enfiar o rosto entre as pernas.
— Hyung... — Podia notar o tom repreensor em sua voz.
— O que? — Levantei a cabeça ainda triste, recebendo um sorriso tão bonito, que o mundo pareceu parar em minha volta.
— Eu amo você do jeito que você é, Park Jimin. E você não é horrível. Você é perfeito.
Ouvir Jungkook proferir aquelas palavras foi o suficiente para me acalmar por completo. Ter ouvido ele dizer que me amava do jeito que eu era, que eu não sou horrível e sim perfeito foi o bastante para que eu me grudasse nele e silenciosamente pedisse que seus braços me envolvessem de uma forma carinhosa e confortável que só ele conseguia fazer.
Amava seus abraços com todas as minhas forças.
— Eu odeio ver você chorando. Ver você triste quebra o meu coração. — Jungkook ainda me abraçava enquanto falava. Ele se deitou e me puxou para junto dele. — Você é o membro mais bonito do nosso grupo.
— Não sou não! — Protestei.
— Aos meus olhos você é. — Rebateu, fazendo eu quase me derreter.
Eu iria me derreter em lágrimas em algum momento, mas continuaria a fingir que não. Era estranho o tanto que eu confiava em Jungkook, afinal ele era o único que conhecia esse meu lado mais frágil, o único que me via chorar, o único que presenciava minha insegurança.
— Eu só queria que as coisas fluíssem como deveriam. — Murmurei. — Vê bem, Jungkookie, tem tanta coisa que dá errado.
— Mas muitas dão certo. — Jungkook e seu otimismo. — A única coisa ruim que eu vejo é não poder admitir para as pessoas certas coisas.
— Tipo o que? — Perguntei finalmente o olhando.
— Tipo de quem eu gosto... a pessoa por quem eu me apaixonei, que faz meu coração acelerar, sabe? Esse tipo de coisa. — Meu coração agora já não dançava mais nem de forma acelerada, agora parecia trilha sonora de filme de ação ou bateria de banda de rock. — Você só sentiria o mesmo caso estivesse apaixonado e não pudesse contar, certo?
Não queria ter escutado aquilo. Eu o amava, então doía que era um inferno, mas eu nada podia fazer. Jungkook era uma pessoa livre, ele tinha o direito de amar quem quisesse amar e isso não me dizia respeito.
— Claro. — Resmunguei de qualquer jeito. — Mas converse com a nossa equipe. Apresente a moça a eles, de repente eles não se importam.
— O problema é que não é uma garota. — Coração, se acalma, por favor. — E eu acho que eles não aprovariam que eu me apaixonasse por alguém de dentro do grupo.
Eu queria morrer. Mas, eu estava fazendo uma tempestade ridícula. Eu o amo, então quero vê-lo feliz, nem que precise engolir meus sentimentos e sufocar um pouco a cada dia com eles. O que importava era a sua alegria.
— De dentro do grupo? — Meu coração pareceu parar. Virei abruptamente para ele. — É o Tae, não é?
— Por que seria o Tae? — Perguntou em meio a um sorriso. — Não importa quem é.
— Somos amigos, pensei que confiasse em mim. — Choraminguei. A curiosidade batia forte dentro de mim. — Mas tudo bem. Obrigado pela paciência comigo, eu vou dormir, pode dormir comigo se quiser.
— Q-quero. — Sussurrou e eu apenas assenti.
Saí da cama, peguei meu pijama e fui até o banheiro me vestir e escovar os dentes para dormir. Quando voltei ao quarto Jungkook fez o mesmo que eu, se enfiando em silêncio no banheiro. Meu coração estava uma bagunça. Faz anos que eu sou apaixonado por ele, mas parece que fica cada vez mais difícil fingir que não sinto nada, sendo que deveria ser mais fácil com o passar do tempo.
Fui tirado dos meus pensamentos com uma vista muito boa.
Jungkook saiu do banheiro apenas de camiseta e boxer, sendo essa última na cor preta. Meu psicológico foi afetado com sucesso. Ele deitou em meu lado e ambos nos cobrimos com os lençóis. O Jeon me puxou para mais perto dele e eu abracei seu peito, escorando o rosto perto de seu pescoço.
— Não é o Tae. — Murmurou ele depois de um tempo.
— Então quem é? — Perguntei fazendo bico.
Eu queria mesmo saber. Se não era Taehyung, então quem poderia ser?
— Quando você faz esse bico dá vontade de morder! — Continuei com o bico, mas não era para irritá-lo.
— Vai morder o bico de quem você gosta. — Jungkook delicadamente puxou meu rosto pelo queixo e deu uma leve mordida em meu lábio inferior. Eu fiquei o encarando totalmente inexpressivo.
— É tão macio quanto parece. — Jungkook passou os dedos compridos por meu rosto em uma carícia deliciosa enquanto eu apenas continuava sem saber o que dizer. — Jiminnie?
— Jungkookie, eu... — Fui interrompido por outra leve mordida.
Mas ele é afrontoso, viu? Nem mesmo me deu tempo de dizer nada!
— Não fala nada, eu sei que vai brigar comigo e voltar a se afastar, então só deixa eu aproveitar um pouquinho mais. — Meus olhos se encheram de lágrimas. Aparentemente ele gosta de mim e sofre porque eu me afastei. Eu sou um lixo.
— Jungkook... — Tentei novamente, mas mais uma vez ele me interrompeu, então eu me irritei. — Aish, cala a boca, Jungkook.
— Mas...
— Mas nada! — Me alterei. — Você nem deixou eu falar nada.
— Desculpa, Jiminnie, eu só tenho medo de você mandar eu parar de sentir o que sinto.
Meu coração voltou a doer, porque Jungkook sofria por culpa minha e pelo mesmo motivo que eu também me sentia triste. Nós dois éramos vítimas daquela situação toda. Nós éramos vítimas de um amor que não sabíamos ser recíproco.
— Só alguém muito insensível faria isso. — Disse calmamente, acariciando seu rosto da mesma forma que ele fazia comigo minutos atrás. — Até porque sei como é gostar de alguém e sei que é impossível simplesmente deixar de gostar.
— E eu estou confessando que gosto de você sendo que você já gosta de alguém. Desculpa, eu prometo que não deixarei nossa amizade mudar por causa disso e...
Calei Jungkook com um selinho. Era para ter sido breve, mas acredito que nossas bocas ficaram grudadas por vários segundos, mesmo sem o toque se aprofundar ou coisa parecida. Nossos lábios apenas ficaram juntinhos em uma carícia que era sutil e delicada, da mesma forma que meus sentimentos.
— Era isso que eu estava tentando dizer. — Sussurrei sorridente, vendo ele abrir aquele sorriso enorme que eu tanto amava admirar. — Eu gosto de você, há muito tempo.
— Eu também, Minnie, mas eu sempre tive medo de admitir e você me mandar longe. — Ele fez uma feição assustada, mas logo voltou a sorrir.
Ficamos alguns segundos nos encarando sem dizer nada, até que eu puxei mais o moreno em minha frente e selei meus lábios nos dele, mesmo que eu estivesse muito envergonhado para fazer algo. Jungkook não recuou, nem mesmo tentou me afastar de si, pelo contrário.
Me puxou pela cintura para cima de si e eu levei ambas as mãos para sua nuca, onde fiquei acariciando enquanto sentia ele aprofundar o beijo. Soltei um suspiro quando suas mãos adentraram a camiseta do meu pijama, a sensação era boa e eu já sentia que para ele me ter totalmente entregue não seria muito difícil.
Nos separamos com vários leves selares e sorrimos um para o outro. Fiquei deitado praticamente em cima de Jungkook, sentindo suas carícias em meu pescoço enquanto eu fazia o mesmo tipo de carinho, só que em seu peito.
— Eu deveria ter dito antes. — Proferi rindo.
— Eu também, teria me poupado vários rios de lágrimas.
— Desculpa, Kookie, se eu soubesse...
Tudo teria sido diferente. Nós poderíamos estar juntos a mais tempo. Tudo teria sido melhor e mais tranquilo, o amor prevalecendo sobre toda a mágoa que carregamos nesse tempo.
— Não tinha como você saber. Nem eu, na verdade. — Ele riu e me beijou de novo. — Está tarde, é melhor dormirmos. Temos mais um show amanhã.
— Sim, temos. Você ainda estará deitado comigo quando eu acordar? — Perguntei nervoso e ele assentiu sorrindo. O dei mais um selinho. — Boa noite, Kook.
— Boa noite. Dorme bem, Minnie.
A vida é engraçada, ela tem dessas coisas.
Um ano atrás eu era um idiota apaixonado por Jeon Jungkook e, veja bem, eu continuo sendo apaixonado por ele, mas muitas coisas mudaram em apenas um ano — exceto meus sentimentos, óbvio.
Jungkook e eu, após nosso primeiro beijo, começamos a ter mais momentos apenas nossos às escondidas. Não era nada de novo para nenhum de nós o fato de sempre pedirmos para dividirmos os quartos de hotéis nas viagens, ou qualquer coisa que nos fizesse ficar próximos um do outro.
Sempre inventávamos uma coisa diferente da outra, porque ninguém podia saber sobre nós. A produção nos descobriu e isso abalou nosso relacionamento, entretanto foi apenas na frente deles que nos fizemos de abalados, porque a sós, continuávamos os mesmos.
Uma semana atrás decidimos que contaríamos aos meninos que estamos namorando, afinal já estamos juntos há um ano, mas quando estávamos prestes a dizer, fugimos do assunto. O medo que chegou em mim e Jungkook não foi pequeno, foi aterrorizador.
Decidimos, por fim, que ninguém precisa mesmo saber. O namoro é nosso, o amor é nosso, quem tem que saber somos nós. E se mais alguém descobrir e quiser apenas nos causar algum mal? Não, é melhor que isso fique entre nós.
É o tipo de segredo que vale a pena guardar.
Porque por Jeon Jungkook definitivamente vale a pena lutar.
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