Secrets and Lies
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Notas iniciais

Stella me encarou por um tempo depois que contei-lhe tudo. Ela suspirou, e uma pequena chama apareceu em seu dedo indicador.
– Ah, Portia... — murmurou, girando o dedo e observando calmamente a chama. — Esta é uma das crianças?
Aparentemente não houve resposta. Ela suspirou.
– Sabe o que significa? Sabe o que significa Hy ter revelado à você a profecia?
– Não. — respondi.
Ela apoiou as duas mãos na mesa, os cabelos ruivos caindo-lhe nos olhos. Pareciam chamas ao redor da cabeça. Mas eram só... Cabelos.
– Significa que, você, é uma descendente de Portia.
– Mas eu achei que você era a única descendente de Portia. — eu disse.
– Isso não é uma piada, senhorita Vennice.
– Eu não...
Ela levantou uma das mãos, e eu parei de falar. Estava óbvio que eu não conseguiria explicar que não era uma piada.
– Ser uma descendente de Portia é... Algo que significa... Poder. — ela disse, como se estivesse ensinando gatos à miar. — Qualquer um dos descendentes dos Grandes Feiticeiros possui um poder inestimável. Eu, por exemplo, com doze anos podia conjurar animais e objetos de fogo, o que só é possível para feitiçeiros muito avançados.
Eu não me pronunciei. Stella tomou isso por um convite para falar mais.
– Anos atrás, Hy disse que havia uma profecia, mas que só a revelaria à criança correta, um dos Seis Descendentes.
– E eu sou a Descendente de Portia. — disse, finalmente.
– Exatamente.
Suspirei.
– Quem são os outros Descendentes?
– Não sabemos. — ela disse. — Os Espíritos terão que nos contar.
Eu estava a ponto de perguntar o que ela iria fazer quando ela pegou uma caixa de vidro transparente. Na tampa, as iniciais de cada Feiticeiro.
– O que é...
– A Caixa dos Espíritos.
– A Caixa da profecia? — Stella assentiu com a cabeça e eu mordi o lábio inferior.
– Ainda não sei interpretar a profecia. Nada parece fazer sentido. — ela disse. Ela pousou a mão na caixa e começou a murmurar coisas em latim. Algo como:
Spirituum scire sinunt exire et generationes. Apud Esaiam, Propheticum revelatum. Nos postulo auxilium tuum ad noscendam prudentiam. Liberantur.
Consegui entender o que ela falara. Provavelmente uma espécie de encantamento.
(Espíritos, saiam e permitam que saibamos quem são os Descendentes. A profecia foi revelada. Precisamos da ajuda de vocês para entendê-la. Estão libertos.)
Assim que ela terminou de falar, seis espécies de fumaça espiraladas começaram a sair de cada letra. Eles começaram a pairar sobre a caixa, seis minúsculos espíritos. Morgana era cinzenta, e sorriu sombriamente quando me viu. Portia era avermelhada, e tinha um semblante severo. Sylena era tranalúcida, e parecia tranquila. Merlin era branco, e parecia muito sábio. Jarid tinha um tom marrom e parecia tão tranquilo quanto Sylena. E por fim, Acqua, de um tom azulado, de olhos calmos como um lago. Eles eram bonitinhos assim.
Mas eu achava que, seja lá o que fossem dizer, não seria bom.
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