Secrets Of Darkness

2 Chapter 2 - One More Dream


Notas iniciais
Hey hey! Mais de um mês depois, eis o 2º capitulo ;-; Pena que quase ninguém lê ;-;

Matthew Dolley's POV:

Um grito.

Uma lágrima.

Um cadáver de uma rapariga loira.

Uma cara.

A minha cara.

Acordei sobressaltado, assustado até. As luzes vermelhas do meu despertador ainda marcavam as 4 horas da madrugada e lá fora ainda era noite cerrada. Mais um pesadelo.

Quem sou eu?

Isso nem eu sei. O mais correto seria "o que sou eu?". Uma aberração. Um erro. Um demónio fugido dos Infernos. Eu pessoalmente prefiro pensar de mim como alguém que cometeu algum erro muito grave em vidas passadas e agora está condenado a carregar um peso enorme para o resto da vida. Porque sim, o que eu carrego é uma maldição. Eu tenho pesadelos muito incomuns; eu sonho com quem vai morrer.

Não acreditam? Bem vindos ao meu mundo. Renegado por todos, tratado como um louco, ninguém acredita em mim. Abandonado por todos à minha volta. Condenado a uma vida de tristeza e solidão.

E ainda sou mais desprezível que isto. Desde que eu me lembro que tenho estes pesadelos.

Em vinte e dois anos...

Nunca salvei uma única vida.

Eu conhecia as pessoas.

Eu falava com elas como se não soubesse o que lhes estava prestes a acontecer.

Eu nunca fiz nada para evitar estas mortes.

Oh sim, eu sou abominável. Mas prefiro pensar que sou apenas amargurado pela maldição que carrego. Claro que prefiro, fugir da realidade e dos problemas é uma boa solução. A mim parece-me. Fácil e indolor, mas o álcool também ajuda. Vá!, pisa-me humanidade, eu mereço o teu ódio, o teu desprezo, o teu nojo por um ser tão abominável como eu!

Ou simplesmente ignorem isto tudo e conheçam-me como Matthew Dolley, o estudante fracassado de Filosofia, o bêbado, o novo na cidade — embora já cá esteja à 3 anos, mas mesmo assim sou o morador mais recente — conheçam-me como todos aqui me conhecem e esqueçam a faceta do louco desprezível.

Arrastei-me lentamente da cama dura enquanto começava a encarar os factos. Aquela rapariga loira estará morta em pouco tempo. Até aí "tudo bem". Depois tem a parte do pesadelo em que a minha cara apareceu. Eu não parecia morto. Quem sabe aquilo fosse só mais uma partida da minha mente e eu não fosse realmente morrer. Mas querem saber a verdade? Eu se calhar até nem me importava de morrer. Uma forma rápida de acabar com a culpa e com a dor.

Peguei numa garrafa de vodka que estava debaixo da cama e ri interiormente, imaginando a cara da minha mãe quando me visse a beber às quatro da manhã, acabado da acordar. Ela fora a maior opositora ao meu vicio pelo álcool. E também a pessoa que menos me abandonou quando todos o fizeram. De que adianta isso agora? Eles estão do outro lado do mundo, a viverem bem e felizes. Sem o peso nos ombros do filho louco. Sem preocupações. Aproveitando a reforma ao máximo pelas ruas mais calmas e abastadas de Otava. Estão melhor sem mim, claro.

Talvez a minha mãe ainda pense em mim, aqui sozinho nesta vila abandonada. Talvez pense se eu estou doente. Se passo fome. Se estou com boas notas. Se ainda bebo. Se ainda tenho um teto. Simplesmente pense em mim. No seu "Matt"... Sinceramente, eu não me importava de receber algum telefonema dela. Mas só dela. Quer dizer, eu não poderia esperar telefonemas nenhuns do meu pai. Ele foi o primeiro a considerar a opção me de trancar para sempre num manicómio. Nunca se preocupou comigo. Não se irá preocupar agora que vive a vida que sempre sonhou. Não tenho avós, irmãos, primos, tios. Nada.

Por momentos fiquei a olhar para a tela do telemóvel. Para o número com o nome dela. A passar o dedo de leve pela tecla para ligar. Mas depois atirei o telemóvel para a cama e decidi esquecer isso. Se ela não me liga porque irei eu fazê-lo?

Passei o resto da madrugada a beber, esvaziando mais e mais garrafas daquele líquido que me controlava. Aquele vicio que mandava em mim e controlava o meu corpo e a minha mente, usando-me como se eu fosse só uma marioneta nas suas mãos. Irónico como quando me diziam que eu iria me viciar na bebida, à uns anos atrás, eu dizia que não, que eu é que mandava em mim mesmo. Como me sinto patético agora que o jogo se virou contra mim.

É escusado dizer que umas horas mais tarde saí para a Universidade completamente bêbado e sem nada no estômago para além da bebida. Fui cambaleando pelas ruas, com a vista enevoada e a ver em dobro. Já mencionei que sou coxo? Ando sempre a coxear por causa do meu pé direito. O termo correto para o descrever é "inutil e morto".

Ia-me arrastando pelas ruas de Underword, sendo envolvido pelas partidas da minha mente, quando fui contra alguém com muita brusquidão. Tal foi a violência do nosso impacto que caimos ambos no chão. Abri os olhos um pouco atordoado, e pedi desesperadamente para que ainda estivesse sobre as partidas do alcoól. Porque senão eu encontrava-me perante algo que daria uma reviravolta louca na minha vida. Encontrava-me perante a rapariga loira do meu sonho.

A sua voz com um sotaque desconhecido apressou-se a desculpar-se pelo nosso embate.

- Oh, peço desculpa.

- Não. Eu peço-te desculpa.

Não era o álcool a falar. Não era a nossa queda. Era a culpa de eu não pensar em salva-la.

"Desculpa-me por te deixar morrer..."

Notas finais
Omg que vergonha isto tá tão pequenino ;-; Comentem ;-;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.