Acordei suando frio , ainda estava na sala, minhas amigas estavam me olhando como se eu andasse falando coisas enquanto dormia , o que não poderia ser impossível.

Memórias do meu sonho invadem minha mente , a minha testa estava fria , no mesmo lugar em que Ele encostou o seu dedo , a garota ruiva , ela parecia uma pessoa normal , exceto pelos seus olhos , eles eram tão verdes , tão vivos , pareciam analisar cada pessoa e decidir quem matar , eu não tive medo , tive impressão que ela era um fantoche.

Usado pelas pessoas que queriam me pegar.

Mas porque elas queriam me pegar ?

Interrompo meus devaneios quando a professora me pergunta um resultado de calculo , eu obviamente não sei responder , então me calo e resolvo prestar atenção no resto das aulas.

Depois de toda uma manhã cheia de erros de português , e locais errados nas aulas de geografia , o dia acabou , agora eu poderia ir para casa e pensar realmente naquele sonho estranho.

As meninas quiseram ir comigo para casa , já que moravam perto , porém eu não queria que me interrompessem novamente , dei uma desculpa e fui embora.

No meio do caminho , um frio passou sobre mim , o mesmo frio do sonho , olhei para trás como um impulso

Nada , a rua estava vazia.

Comecei a ficar assustada , pensei no sonho , na garota , no homem , na arvore , e corri. Minha casa não era muito longe , mas eu estava tão abalada , corri como se fosse escapar da morte.

Cheguei , olhei para os lados para me certificar que não tinham me seguido , Ninguém na rua.

Tranquei a porta, joguei a mochila no sofá e corri para o meu quarto.

Fechei a porta e janelas , não entendi muito o porque , se alguém quisesse me matar , com certeza viria preparado.

Dormi , esperando ter um sonho que respondesse minhas dúvidas e meus medos.

Acordo com um barulho , nada muito alto , o suficiente para me acordar.

Procuro alguma coisa afiada no quarto, o barulho aumenta , me desespero , preciso achar uma faca , um garfo , qualquer coisa que me mantenha segura, pelo menos um pouco.

Acho uma faca , debaixo da cama , não me pergunte porque ela estaria ali , eu não faço idéia.

Escondo a faca no meu travesseiro e fecho meus olhos , Esperando um anuncio de assalto , ou coisa pior.

Nada

Silêncio total.

Que estranho – Pensei – Geralmente assassinos não ficam quietos , eles chegam e fazem o que tem de fazer

Minha porta faz um chiado , estremeço , porém meus olhos continuam fechados, minha curiosidade é forte , mas meu medo de morrer é só um pouco maior.

Silêncio de novo.

Dessa vez não consegui resistir , tive que abrir meus olhos , maldita curiosidade.

Meus olhos abriram vagarosamente ,com um pouco de receio.

Vi uma pessoa de costas , parada, olhando minha janela , completamente indefesa, não identifiquei , a pessoa estava com um manto com capuz preto , a cobrindo totalmente.

Pensei em jogar a faca , no momento em que peguei , a pessoa , de costas , disse :

– Você não quer fazer isto. Não mesmo.

Na mesma hora , minha mão soltou a faca , o que era aquela pessoa ? Ela tinha total controle sobre minhas ações , a marionete era eu.

– Quem é você ? – Disse eu , inutilmente , tentando pegar a faca novamente, minha mão não obedecia meus pensamentos.

– Eu sou o oráculo de Delfos.

A pessoa finalmente se virou , e tirou o capuz.

Com um sobressalto , percebi que era a Garota ruiva do meu sonho , os mesmos olhos frios e calculistas , ela olhava para mim firmemente , e eu estava em choque.

Ela sorriu , um sorriso meio termo , e disse :

– Olá Cereza , temos muito o que conversar.