Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
55 Capítulo 54 – How Dare You?
Notas iniciais
CAPÍTULO 54 – HOW DARE YOU?
“Como se atreve?”
– NARRAÇÃO – 29 DE ABRIL DE 1998 –
– Aqui estamos... – sussurrou Violet aconchegando-se em seu cachecol na calçada do Instituto Tenebrarum. — Não pensei que voltaríamos tão cedo...
– Vamos entrar logo, é mais seguro lá dentro. – sugeriu Mary abrindo o cadeado que quebrou da última vez e abrindo os pesados portões de ferro, que rangeram na noite escura e deserta.
Caminharam cuidadosamente até o quintal e, assim que encontraram a portinhola atrás da casa, desceram as escadas e finalmente se viram no corredor mal iluminado do subsolo, com as portas de ferro enferrujadas abertas e amassadas. Violet suspirou fundo novamente, aquele lugar tinha uma energia péssima e ela se sentia confusa, perdida... Algo parecia puxá-la para dentro enquanto ela queria sair dalí correndo.
– Violet?- chamou Hermione vendo-a parada. – Está tudo bem?
– Não muito... – admitiu. – Eu quero sair daqui logo, não gosto desse lugar...
– Tudo bem, só mais um dia Violet, é pouco tempo... – garantiu Mary tentando acalmá-la.
– Certo... – suspirou dando um passo à frente e, então, foi banhada com um aroma inconfundível, o mesmo poder chamando-a, tentando-a... Fechou os olhos inebriada e, assim que sentiu dois braços rodeando-a, agiu automaticamente e aplicou uma rasteira na pessoa que a abraçava.
– Não! – gritou alguém e, quando ela abriu os olhos, viu cabelos ruivos correndo em sua direção e abaixando-se ao lado de dos cabelos castanhos de Hermione.
– Harry... – sussurrou ao perceber que era seu irmão que estava no chão recebendo ajuda de Rony e Hermione. – Eu não... Eu... – gaguejou não entendendo a sede que se instalava dento de si. Ela queria abraça-lo e demonstrar o quanto sentiu sua falta, mas ao mesmo tempo um sentimento horrível de querer mata-lo a invadiu e deixou desesperada.
– Vi, sou eu... – disse Harry tentando se aproximar.
– Não, não, não... Fique longe Harry, por favor... – pediu afastando-se.
– O quê? – confundiu-se ele, para depois perceber que o que Hermione havia dito sobre a conexão que ele tinha com Voldemort afetar Violet ser verdade.
– Só... Fique longe... – pediu com lágrimas nos olhos. – Eu não quero te machucar, por favor...
– Violet, o que está sentindo? – perguntou Mary entrando em sua frente. – Violet, por favor, fala... – disse novamente segurando em seus braços e virando-a de costas para o irmão. – Violet?
– Eu... Eu quero pegá-lo... – sussurrou nervosa – Eu preciso sentir... Sentir... Preciso...
– Sentir o quê? – perguntou calmamente, indicando à Hermione que tirasse Harry Dalí.
– Eu posso sentir o sangue dele pulsando... Está mais forte que da última vez, mais tentador...
– E como é uma tentação? – perguntou vendo Hermione puxando Harry para longe.
– Eu preciso sentir... A energia, ela está nele Mary, eu preciso dela... – murmurou.
– Você sabe que não pode.
– Sim, eu sei... Mas é tão forte... Eu preciso, mas não quero... Não quero... – repetiu nervosa enquanto pouco a pouco a tentação diminuía. – Mantenha ele longe de mim Mary, por favor...
– Ele já está longe agora... – concordou — Se sente melhor?
– Minha garganta ainda está seca.
– Isso vai passar, vai passar... – sussurrou puxando-a para um abraço apertado.
Enquanto Mary cuidava dela, Hermione ainda puxava Harry e Ron para o lado oposto ao das duas.
– Certo, dá para explicar por que isso aconteceu? – perguntou Rony.
– Digamos que ela não esteve muito bem nos últimos meses... – começou Hermione – Desde que ela absorveu aquela poção localizadora ela realmente se tornou um radar de Horcruxes e teve sonhos com os lugares onde cada uma delas estava. Graças a isso encontraram Régulus Black e o medalhão.
– Espera, então o irmão do Sirius realmente está vivo?
– Sim, e ele é nosso aliado agora. Lembram quando Sophie disse que Violet seria a única pessoa com poderes suficientes para destruir as Horcruxes? – perguntou e, com os acenos positivos, continuou – Bem, ela estava certa... Só não imaginamos que seria dessa forma. Quando a Violet se aproxima de um objeto extremamente carregado de magia negra, no caso as Horcruxes, ela se torna um tanto sádica, como se a magia a tentasse de tal forma que ela perde o controle de si mesma e...
– E? – pressionou Harry assim que ela parou.
– E absorve toda a magia do objeto.
– Espera, ela o quê?
– Ela pode destruir as Horcruxes só de tocar nelas. – respondeu — Isso porque ela absorve a energia e a magia que tiver impregnada no objeto. Em outras palavras, ela toma o poder para si mesma e deixa a Horcrux como um inútil objeto depois. Foi isso que ela fez com o medalhão e a taça, e agora ela está ficando mais forte, a magia negra dentro dela está crescendo e o humor está terrível.
– Taça... Então vocês encontraram outra? – perguntou Rony.
– Seu palpite estava certo Harry, no cofre da Bellatrix realmente tinha uma Horcrux: a taça de Helga Hufflepuff. Fizemos como o planejado e, apesar de a Violet ter uns acessos de raiva e realmente usar a magia das trevas, deu tudo certo. A taça foi destruída. – explicou. – Mas ela pirou muito depois disso... Sua conexão com a mente do Lord das Trevas Harry, está impregnada de magia negra e ela sente, por isso te atacou agora.
– Então eu tenho que ficar longe dela?- perguntou magoado.
– Sim, desculpe Harry, é preciso...
– Eu... Eu entendo... Tudo bem.
– Certo, você disse que íamos invadir Hogwarts... Por quê? – perguntou Rony.
Hermione então contou tudo que aconteceu nos últimos meses e tudo que descobriram. Falou sobre as Relíquias da Morte, detalhes da invasão ao Gringotes, Voldemort pegando a varinha, mas Snape sendo o verdadeiro dono... E por fim sobre a última Horcrux estar em Hogwarts.
– Uau... Vocês realmente fizeram muita coisa nesse tempo... Tudo que nós fizemos foi sermos capturados.
– Capturados? – preocupou-se.
– Bem, estávamos na Floresta do Deão ainda quando alguns dos Caçadores de Recompensas nos encontraram... Greyback reconheceu o Harry e nos levou para a Mansão Malfoy, o novo “quartel general” dos comensais. – explicou Rony – Bellatrix ficou louca quando viu a espada e começou a perguntar quando estivemos em seu cofre e o que tiramos de lá... Foi mesmo muito estranho, mas já que tinha Horcrux lá dá para entender o desespero.
– E o que ela fez?
– Algumas maldições... – admitiu Rony. – Depois nós ficamos nas celas enquanto eles conversavam se chamavam ou não o “Milorde”. Não vai acreditar em quem encontramos.
– Fala logo Ron!
– O Sr Olivaras estava lá, a Luna e um duende do Gringotes... – respondeu Harry — Tinha também uma cela no fundo do corredor, mas estava trancada e provavelmente vazia. Alessa e Vitor não deveriam estar aqui?
– Eles voltaram para a sede da Ordem com o Régulus e a Emmanuelle.
– Certo... Escuta, como será agora? Digo, nós temos que entrar em Hogwarts, mas a Vi não pode ficar nem perto de mim...
– Nisso teremos que dar um jeito... Eu vou falar com elas e depois volto, mas provavelmente vamos entre hoje e amanhã para Hogsmead. Se tiver alguém guardando as passagens, o que obviamente terá, atacamos todos ao mesmo tempo.
– Sinceramente? Com a Violet do nosso lado nós temos muito mais chance. – disse Ron – Ainda mais depois de tudo que você contou... Chega a ser surreal... Perigoso até. Quero morrer amigo dela. – riu acompanhado pelos outros.
Enquanto a noite avançava, Mary e Hermione transformaram-se em “corujas de recado” para que tanto Harry e Ron quanto Violet soubessem de todos os planos para a invasão na noite seguinte. Violet garantiu que conseguiria se segurar perto do Harry quando chegasse a hora, o que facilitou para que o plano ficasse simples.
Assim que a noite do dia seguinte chegasse, iriam aparatar para as ruas de Hogsmead e entrariam escondidos na Dedos de Mel. Em poucos minutos estariam dentro de Hogwarts e então... Bem, então veriam o que fazer.
– 1 DE MAIO DE 1998 —
– Tem certeza que não quer a capa? – perguntou Harry novamente.
– Não, se alguma coisa acontecer eu não vou conseguir ficar debaixo dela e nem fazer alguma coisa... Prefiro ficar livre. – agradeceu tentando ignorar ao máximo o desejo incontrolável de sentir a energia que corria no sangue do garoto.
O sangue corria com tanta intensidade... Parecia uma melodia clamando por ela... Talvez ninguém notasse, estava escuro, iam para uma missão suicida... Poderia ser algum comensal no meio do caminho... Talvez...
“Não”, repreendeu-se Violet, assustada pelos pensamentos que a cercavam. Fechou os olhos rapidamente e, logo após duas mãos segurarem nas suas, sentiu um puxão do umbigo e logo ouviu um som alto e estridente, como um alarme.
– É o Potter! – gritou alguém.
Violet abriu os olhos e viu-se nas ruas de Hogsmead, mas logo percebeu que comensais estavam se aproximando e puxou Mary consigo enquanto Harry, Ron e Hermione corriam para o lado oposto. Tentaram aparatar, porém, estavam presos.
– Ele não pode escapar dessa vez!
– Droga, eu deveria saber que tinha algum tipo de feitiço protegendo Hogsmead... – murmurou Mary abaixando-se atrás de algumas mesas amontoadas na rua. – É impressão a minha ou está mais frio de repente?
– Dementadores. – respondeu Violet engolindo em seco e apontando para as figuras encapuzadas no fim da rua. – Se usarmos o Patrono eles vão descobrir onde estamos... O que está fazendo? – perguntou vendo-a tirar a varinha do bolso.
– Vão descobrir de qualquer forma. – respondeu – E se aparecer uma águia aqui eles vão saber que você também veio, então deixa que eu faço... Expecto Patronum!
Um pequeno jato prateado saiu da varinha dela e logo tomou a forma de um lobo, que afastou rapidamente os dementadores. Mas isso obviamente chamou a atenção dos comensais que estavam por perto, já que viram de onde saiu o jato e aproximaram-se. Hermione, porém, foi mais rápida. Estuporou-os rapidamente e logo em seguida puxou Violet e Mary para uma porta aberta, que deu a uma sala escura com móveis gastos.
– O quê... – começou Violet, porém, parou assim que viu Harry, Ron e Hermione e um velho homem com barba branca e olhos azuis encarando-a – Dumbledore?
– Aberforth Dumbledore. Vamos, escondam-se. – respondeu o homem indo até a porta onde batiam.
– Quem é Aberforth? – perguntou Violet escondendo-se com Mary.
– Irmão do Dumbledore... – respondeu Hermione, que logo em seguida viu o homem de cabelos brancos e olhos azuis entrar novamente na sala.
– Vocês não deveriam estar aqui... – começou ele – Eles estão rondando Hogsmead o tempo todo e duvido que um lobo vá se passar por cabra de novo. Aliás, de quem é o lobo?
– Meu. – admitiu Mary – Obrigada Sr Dumbledore, o senhor nos...
– Sim, sim, eu sei... – suspirou – Mas não deveriam estar aqui. Vão passar a noite, mas logo pela manhã vão voltar para sei lá onde estiveram e ficarão lá, em segurança...
– Nós não vamos voltar. – respondeu Harry – Precisamos entrar em Hogwarts o mais rápido possível e...
– Hogwarts? Ora garoto, não seja tolo... Hogwarts é dele agora, acabou. Eles querem a cabeça de vocês dois em uma bandeja de ouro, é motivo o suficiente para se esconderem não é?
– Não, Dumbledore nos deixou uma missão e vamos terminá-la. Podemos derrotá-lo.
– Alvo? E o que meu inteligente irmão deixou para vocês? – debochou – Ele não se importa com ninguém, sempre fez tudo que queria e dava desculpa que era para um “bem maior”. É um charlatão.
– Nós confiamos nele.
– Confiam? E ele confiou em vocês? Alvo nunca se importou com ninguém garoto, ele morreu e deixou crianças em uma missão suicida! Diga Potter, ele alguma vez falou da família dele? Da Ariana ou de mim?
– Não mas...
– Sabe, eu conheço pessoas como você Potter... – interrompeu — Você confia cegamente no que meu irmão falava, mas já parou para pensar que ele estava usando vocês esse tempo todo para esse “bem maior”?
– Eu não quero saber de seus problemas com Dumbledore, nenhum de nós quer. – interrompeu Harry, para o alívio de Violet – Nós confiamos no homem que conhecemos, se ele foi diferente algum dia não é problema nosso. Podemos até passar a noite aqui, mas assim que amanhecer vamos para Hogwarts.
O homem então encarou cada um deles lentamente e encontrou uma similaridade entre eles... Todos tinham o olhar confiante, a coragem. Droga!, pensou. Ele não poderia deixar de ajudá-los... Se tinham tanta certeza assim, talvez Alvo estivesse certo em deixar algum tipo de missão suicida nas mãos deles. O que ele não poderia negar é a capacidade de Alvo encontrar bruxos esplêndidos.
– Sabe o que fazer... – suspirou para a imagem de uma moça com face delicada e pálida em um quadro na parede.
Rony e Hermione encararam, surpresos, a imagem da mulher desaparecer em um logo túnel escuro.
– Essa... É Ariana?
– Ariana sempre foi muito bela... – concordou.
– E onde ela foi?
– Já vão saber. – disse afastando-se para pegar uma bebida.
Poucos minutos se passaram e logo Rony novamente ficou surpreso ao ver a imagem de Ariana voltar pelo túnel, porém, não sozinha.
– Mas o quê... – começou ele, porém, o quadro foi tirado da parede por Aberforth, revelando um verdadeiro túnel logo atrás e um garoto sorrindo na entrada. – Neville!
– Harry! Eu sabia que voltaria... Eles duvidaram, mas eu tinha certeza que vocês iriam voltar. – sorriu o garoto abraçando Harry rapidamente. – Uau, então era mentira... Sua irmã nunca esteve com eles não é? Estava com você!
– Se com eles você diz “comensais”... Por que estaria? – perguntou ela friamente.
– Desculpe, força do hábito...
– Claro, os sonserinos são os vilões certo? – ironizou – Mas então... Esse túnel, vai para onde?
– Hogwarts, é claro! – respondeu animado. – Abe, duas pessoas estão vindo...
– Claro, claro... Eu preciso de férias. – reclamou sentando-se em uma cadeira.
– Damas primeiro? – disse Neville apontando para Hermione, Mary e Violet, que logo subiram no túnel e, junto com os demais, percorreram o caminho até o outro lado. – Então, Violet, você invadiu o Gringotes! Devo dizer que aquilo foi incrível! Blás disse que tem certeza que vocês têm um plano e a invasão fazia parte dele... É verdade?
– É, é verdade. – concordou a garota tentando se manter longe de Harry. – O que aconteceu com o seu rosto? — perguntou ao perceber as marcas roxas ao redor dos olhos e alguns curativos na testa.
– Ah, bem, as coisas não estão muito bem... – explicou – Os irmãos Carrow cuidam da disciplina, então sempre que algum aluno quebra uma regra os professores devem mandá-lo para eles. Não é muito agradável...
– Soubemos que eles dão aulas também...
– Ah sim... Alecto e Amicus. A mulher dá aula de Estudo dos Trouxas, que agora é obrigatório. Ela diz tudo de ruim que se possa imaginar sobre eles, em como são inferiores e sujos. Amicus é o professor de DCAT, mas agora não tem a parte de “defesa”. Ele ensina as maldições imperdoáveis e nos obriga a usá-las no primeiro ano na classe... Eu me recusei, então ganhei esse olho roxo. Mas agora tudo vai melhorar! Vocês estão de volta!
– Ninguém pensou em usar as maldições nele? – ironizou Mary.
– Os gêmeos Weasley saíram da escola e a Violet também, então acho que ninguém quer arriscar... – riu parando no fim do túnel e empurrando uma portinhola, por onde a luz entrou rapidamente. – Ei pessoal! Eu tenho algumas surpresas para você! – exclamou animado.
– Se for outra comida milagrosa do Abe, por favor, sem surpresas... – ironizou alguém, que Harry logo reconheceu como a voz de Simas.
– Não tem nada de comida dessa vez... – riu Neville saindo da frente e mostrando Harry, Violet e os demais. – Eles estão de volta!
Logo gritos animados preencheram o ambiente e, enquanto os “visitantes” desciam a escada improvisada que ligava o chão ao túnel, Violet percebeu que aquela era a Sala Precisa, porém, em nada parecia com a que usavam anos antes para as reuniões do AD. Estava cheia de colchões e redes penduradas, velas acesas por todos os cantos e pessoas amontoadas. Como um campo de refugiados.
Enquanto todos abraçavam Harry, Ron e Hermione, Mary permaneceu atrás deles observando todos ao redor e Violet se concentrava para evitar Harry, já que a energia que a puxava estava mais forte... Mais tentadora. Obviamente a próxima Horcrux estava no castelo e, somada ao irmão, estavam deixando a garota louca.
– Por que tem tanta gente aqui? – perguntou Hermione.
– Eles não são tolerantes, então quem não aceita as “regras” prefere se esconder aqui dentro, é mais seguro... – explicou Neville – Então... Qual o plano?
– Plano? – repetiu Rony.
– Claro! Vocês não voltaram por nada! Vamos retomar Hogwarts não é? Finalmente! Vamos lá, é só falarem o que precisam que nós ajudamos. – respondeu ele apontando para o amontoado de gente em pé, apenas esperando.
– Não há exatamente um plano... – começou Harry, porém, Violet o cortou, estava impaciente demais para ouvir o discurso que o irmão certamente faria e sua cabeça doía com o esforço, precisava sair dali o mais rápido possível.
– Precisamos encontrar um objeto que vai nos ajudar a derrotar o Lord das Trevas, e ele está escondido aqui.
– Certo, e onde está?
– Não sabemos. – respondeu Hermione.
– E o que é?
– Também não sabemos.
– O que sabem então?
– É um objeto pertencente à Rowena Ravenclaw, talvez algo pequeno, simbólico... – começou Hermione – Fácil de ser escondido.
– Bem, tem o diadema. – respondeu Luna, aparecendo com Gina pelo túnel.
– Luna! – exclamou Violet, feliz por finalmente ter alguém ali dentro de quem gostava e se importava.
– Olá Violet... – respondeu alegremente após descer as escadas e abraçá-la.
– Do que você estava falando? – perguntou Mary, referindo-se ao diadema.
– O Diadema perdido de Ravenclaw. É uma joia que dá inteligência a quem usar...
– Mas esse é o problema, está perdido há séculos. – comentou Cho Chang. – Não há uma pessoa viva que o tenha visto.
– Desculpe mas... O que é um diadema? – perguntou Neville.
– Uma coroa, uma espécie tiara de prata com o símbolo da Corvinal.
Tiara... Meses atrás Violet pensou ver um colar na página do livro que Dumbledore lhe deixou, mas em seus sonhos era uma coroa prateada que aparecia com uma fina pedra azulada. Safira, talvez.
– Preciso ver esse Diadema, talvez seja ele. Sabe de algum lugar onde possa ter a imagem, ou foto dele? – perguntou Violet.
– No nosso salão comunal tem um busto dela usando a tiara... – respondeu Luna.
– Ótimo, então...
– Não acredito, então é verdade! – exclamou uma voz masculina entre os alunos, atraindo a atenção de Violet.
– Blás? – surpreendeu-se a garota, abraçando-o assim que o moreno se aproximou. – O que faz aqui com eles?
– Só porque sou da sonserina não significa que estou com os comensais, pensei que soubesse... – debochou.
– Eu deveria saber. – riu.
– Bem, seja lá a loucura que vocês têm na cabeça de voltar, temos um problema... – começou ele – Eles já sabem que o Potter esteve em Hogsmead e têm certeza que ele vem para o castelo. Snape mandou chamar as quatro casas para o grande salão e se perceber a ausência de todos que estão aqui, as coisas ficam feias para o nosso lado...
– Certo... Luna, você vai me levar para o salão comunal debaixo da capa, enquanto isso os outros vão voltar para o Grande Salão e ouvir o que o diretor tem a dizer. – sugeriu ela. — É hora da festa. – sorriu. — Vamos Luna. – disse agarrando o braço da amiga sem dar chance de alguém recusar e, após pegar a capa das mãos do irmão, saiu correndo da Sala Precisa ao lado da loira, que ainda sorria.
– Fico feliz que esteja de volta... Sem você e as meninas me senti um pouco sozinha... – comentou enquanto subiam a escada em espiral que levava para a grande porta do Salão Comunal.
– Senti sua falta Luna... – sorriu parando em frente a porta, porém, antes que falassem alguma coisa, a porta foi aberta e as duas tiveram que se desvencilhar dos inúmeros alunos uniformizados conduzidos pelo professor Flitwick escada abaixo. Antes que a porta se fechasse, porém, Violet e Luna conseguiram entrar sem serem vistas e, uma vez seguras dentro do salão, tiraram a capa.
– Ali está... O diadema de Rowena Ravenclaw. – disse Luna apontando para a estátua de mármore branco logo em frente, entre a entrada dos dormitórios.
Violet não olhou nada ao seu redor, concentrou-se apenas na estátua e concluiu, satisfeita, que o diadema realmente era a horcrux que viu em seus sonhos. Estava tão perto, tão perto!
– Luna, se eu te pedisse para esperar a Ordem na Sala Precisa, você iria?
– Claro, você vem?
– Eu preciso resolver algo antes que todas as casas cheguem ao Salão Principal... – comentou entregando a capa para a loira, que assentiu confusa enquanto Violet corria para fora do salão comunal.
Violet precisava chegar às masmorras o mais rápido possível, queria conversar com ele primeiro e tirar tudo a limpo antes da inevitável guerra. Correu o quanto pode, já que as masmorras eram longe da torre da Corvinal. No caminho viu vários alunos que, surpresos, cochichavam entre si sobre a volta da garota procurada por se aliar aos comensais.
Quando finalmente chegou às masmorras, entrou como um foguete na sala do professor de poções e passou pela porta que levava ao quarto, porém, encontrou tudo vazio. Snape já tinha saído e certamente já estava chegando ao Salão Principal.
– Droga. – ralhou irritada, deveria ter mandado Harry com Luna, talvez conseguisse um momento a sós com o “pai” antes de tudo. Com xingamentos em mente, correu novamente pelos corredores frios de Hogwarts até o Grande Salão e, antes de virar o corredor, viu uma capa negra esvoaçando logo em frente.
– Snape! – exclamou chamando-lhe a atenção.
Snape não acreditava que ouviria aquela voz novamente e, quando virou-se, teve de manter a expressão impassível ao ver a garota que tanto amava ali, à sua frente.
– Como se atreve? Como tem coragem de ocupar o lugar dele depois do que fez? – perguntou aproximando-se raivosamente – Eles sabem que foi você quem matou Dumbledore? – indagou, agora a centímetros de distância.
– Não deveria estar aqui. – ignorou o comentário, porém, percebeu algo diferente nos olhos azuis.
– Não, aqui é exatamente o lugar onde eu deveria estar. – rebateu. – Eu só tenho uma pergunta... Uma única pergunta antes da maldita guerra começar. Por quê?
– Não sei do que está falando... – murmurou observando surpreso o tom azul safira escurecer lentamente.
– Não se faça de idiota porque nós dois sabemos que não é! – exclamou, os olhos cada vez mais escuros. – Por que traiu todos? O poder é tão bom a ponto de te fazer deixar para trás as pessoas que confiavam em você?
– Achei que já houvéssemos discutido isso.
– Oh sim, na noite em que você me quebrou sem dó ou piedade. – rebateu friamente, os olhos agora tão negros como os dele. – Você é um covarde, Severo Snape! Matou a pessoa que confiava cegamente e você na frente da pessoa que mais te amava no mundo! Você se afundou e me levou junto.
– Você pode me odiar agora, mas ainda sou seu pai e exijo respeito!
– O mesmo que teve comigo?! – rebateu afastando-se levemente. – Vou te mostrar o respeito... – disse antes de levantar a mão e lançar um feitiço não-verbal na direção do professor, que defendeu rapidamente.
E então um duelo se iniciou, porém, apenas Violet atacava. A garota estava irritada e frustrada. Sentia a energia da Horcrux em algum lugar do castelo, mas sabia que demoraria a tê-la. O homem que a estilhaçou estava bem ali à sua frente, então, toda a sua raiva foi canalizada em acabar com o morcego.
Snape, por sua vez, não atacou uma vez sequer e estava com o coração destroçado vendo-a tão fora de controle. Ele percebeu que ela estava mais forte e, dados os seus conhecimentos em Magia Negra, associou a magia dela com a coloração escura dos olhos. Violet estava tão diferente! E não apenas em aparência, mas em tudo. A voz, os gestos, os movimentos... Ela obviamente não precisava mais de varinha e estava determinada a matá-lo. Ela iria se arrepender caso suas intenções realmente se concretizassem?
– Asfixo Maladum! – exclamou ela erguendo as mãos e, dessa vez, Snape não conseguiu se desviar tão rapidamente e foi atingido. – Como você conseguiu fingir por tanto tempo? – perguntou furiosa enquanto ele ajoelhava-se no chão, tentando tirar de seu pescoço mãos que não existiam, mas que o estavam sufocando. – Como teve coragem de olhar nos meus olhos e, dia a dia, dizer o quanto me amava? Que se importava comigo?!
Snape sentia suas forças acabarem lentamente... Não, não podia ser assim. Não é justo, pensou ele. Ele não queria morrer sem antes responder a todas aquelas perguntas e desmentir as mentiras. Não podia morrer pelas mãos da própria filha! Reunindo todo o seu autocontrole e força de vontade, pegou sua varinha discretamente e, assim que sentiu-a fortemente na mão... “Sinto muito princesa...”
– Expelliarmus! – exclamou surpreendendo Violet, que foi atingida e lançada para a parede.
Com o sonoro estrondo, logo as portas do salão principal foram abertas e, por ela, Minerva McGonagall percebeu irritada uma Violet caída ao lado da parede oposta e Snape aproximando-se.
– Fique longe dela! – avisou sacando a varinha e entrando em um duelo com o Mestre em Poções, que novamente restringiu-se apenas em se defender.
Raios avermelhados voavam pelo corredor enquanto os demais alunos apenas assistiam, Snape defendia-se habilmente contra cada ataque, lamentando o quão longe chegou a situação. Seus maiores pesadelos se concretizaram e, no mesmo dia, duelou com duas das pessoas com quem se importava, entre elas a única filha.
Blás e Gemma, que estavam mais próximos, foram os únicos alunos a perceberem Violet caída e, assim que McGonagall e Snape afastaram-se, correram em direção à garota e tentaram acordá-la.
Snape não poderia lidar com aquilo por muito tempo e sabia que, com o Potter e Violet dentro do castelo, a Ordem não demoraria a chegar e então não teria chances contra todos. Vendo-se próximo à grande janela do salão, colocou em prática o que aprendeu anos antes e, envolvendo-se numa sombra negra, pulou pela janela, porém não sem antes ver sua filha entrando rapidamente no salão.
– Mas o quê... – começou Madame Ponfrey ao lado de Minerva.
– Parece que aprendeu alguns truques com o Lord das Trevas. – respondeu ela observando o antigo amigo voar sem vassoura pela imensidão escura e aparatar logo em seguida. Fechou os olhos e, quando virou-se, viu a grande maioria dos alunos comemorar enquanto uma garota de cabelos negros jogava-se em seus braços. – Violet! Eu fiquei tão preocupada... – sussurrou apertando-a em seus braços.
– É bom vê-la novamente Minerva. – respondeu, porém, seu tom de voz surpreendeu a professora, que logo afastou-se do abraço e observou a garota.
– O que aconteceu com você? – perguntou assustada vendo os olhos negros e a mecha branca, sem contar nos modos frios e reclusos da menina.
– Nada. – respondeu tentando sorrir, o que não convenceu a mulher. – Precisamos de ajuda.
– Imagino que vocês tenham voltado por uma razão não é?
– Temos que pegar uma coisa que está em Hogwarts, a Ordem está chegando mas precisamos de tempo. – respondeu Harry. – Eles estão vindo...
– Certo... – concordou ela voltando sua atenção para os inúmeros rostos do salão. — Muito bem, quero que todos prestem atenção! Nós...
Minerva não pode terminar sua fala, pois logo ouviu-se um terrível ruído pelo castelo, as velas apagaram-se e o céu enfeitiçado do Salão Principal fechou-se numa tempestade.
– Vocês decidiram lutar. – começou uma voz ameaçadora e alta, rompendo por todo o salão. – Mas não têm chance em um combate comigo, pensem bem em quanto perderiam... Não quero desperdiçar sangue bruxo, um sangue tão precioso! Me entreguem Harry Potter e devolvam minha pupila que deixarei o castelo intacto. Hogwarts ficará intocada, se me entregarem Harry Potter e devolverem minha pupila. – avisou - Vocês têm uma hora.
E assim como chegou, a voz se foi. Ninguém tinha explicações para o que havia acabado de acontecer e como Voldemort conseguia fazer aquilo, mas logo uma onda de terror invadiu os alunos.
– O que estão esperando? – manifestou-se Pansy Parkinson apontando para Harry, parado no centro do salão. – Peguem ele!
– Ninguém toca no meu irmão. – avisou Violet colocando-se na frente do garoto, surpreso pela atitude. Logo Luna acompanhou e, em poucos segundos, a maioria dos alunos virou-se de forma protetora.
– Vocês são loucos... Vão morrer por ele?!
– Atreva-se a encostar nele e eu acabo com a sua raça Parkinson. – avisou Violet aproximando-se – E dessa vez eu juro que cumpro minha promessa.
– Pupila? – debochou – Você é uma deles não é?!
– Se eu fosse você já estaria morta à essa altura!
– Já chega! – intrometeu-se Minerva enquanto o Sr Filch entrava desesperado no salão.
– Alunos fora da cama, alunos nos corredores!
– Ora é claro que estão fora da cama idiota, não deveria dizer que os professores também estão? – ironizou ela, impaciente – Quanto a vocês... – disse encarando os alunos. – Estamos em uma guerra, e depois do que acabou de acontecer, Hogwarts transformou-se no principal alvo dos Comensais da Morte. Eu não vou forçar ninguém a ajudar, todos que são maiores de idade são livres para decidirem seus próprios caminhos, mas não vou admitir que atrapalhem. Então, quem é a favor da estupidez que a Srta Parkinson acabou de dizer, por favor, retire-se agora e vá para o dormitório. – mandou em voz alta e autoritária, silenciando o lugar — Flitwick, Sprout, Slughorn, levem suas casas para os salões comunais, todos os alunos menores de idade deverão ficar lá em segurança. Os demais podem escolher de qual lado ficarão. Sr Filch, acompanhe a grifinória. – mandou.
Logo todos os alunos menores, sob reclamações, começaram a se retirar do salão empolvorosos enquanto os maiores de idade agrupavam-se perto à mesa dos professores. Violet percebeu, com orgulho, que Gemma, Blás, Theo e Amanda ficaram. Enquanto McGonagall e os professores tentavam controlar os alunos, um grande grupo entrou no salão e Violet logo viu todos ali. Lupin, Shacklebolt, George Addams, Sr e Sra Weasley, Fred & Jorge, Alessa, Vitor, Sirius, Régulus, Gui & Fleur e, logo em frente, Alastor Moody, para quem a garota correu ao encontro e pulou em seus braços.
– Alastor! – murmurou enquanto o velho auror a abraçava fortemente e beijava sua testa.
Vê-lo novamente provocou uma sensação boa na garota, que acabou chorando silenciosamente enquanto recusava-se a se soltar.
– Finalmente... – sussurrou aliviado – Fiquei tão preocupado garota, você sumiu sem ao menos...
– Eu sei, desculpa... – respondeu afastando-se e, após limpar o rosto manchado de lágrimas, sorrindo. – Foi preciso.
– É, eu sei... Mas quando tudo isso acabar, se você fugir pela terceira vez eu juro que vou te caçar até o inferno e te trazer de volta, ouviu pirralha?
– Não sabe o quanto senti falta de você me chamar assim... – riu abraçando-o rapidamente antes de voltar sua atenção aos bruxos que haviam entrado e Minerva, que avançava com os professores.
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