Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
39 Capítulo 38 – Running Away
Notas iniciais
CAPÍTULO 38 – RUNNING AWAY
“Fugindo”
– NARRAÇÃO – 27 DE JULHO DE 1997 —
Violet tivera pesadelos a noite toda e acordara cansada, sentido-se derrotada e fragilizada. Não sabia explicar o motivo, apenas sentia. Ficou em seu quarto a tarde toda, encarando a janela e observando o pouco movimento na rua. Estava pensativa e até mesmo um pouco melancólica, sem ânimo para nada.
– Hey... – chamou Alessa entrando no quarto e fechando a porta. – Você está bem? – sorriu sentando-se ao lado de Violet.
– Não sei... – respondeu sinceramente – Eu estava pensando sobre a matéria... Antes eu estava até conformada em ser uma Black, afinal ninguém precisava saber. Mas agora... Bem, agora todo o mundo bruxo já sabe e obviamente vai me julgar... Vão dizer que eu sou um filhote de comensal, que sou das trevas e que vou trair todos... – sorriu amargamente – Talvez eu devesse fazer isso mesmo... Como disse Voldemort, ser comensal está no meu passado, presente e futuro. É o meu “destino”...
– Não existe essa história de destino, cada um faz o seu. Você pode sim ser a Escolhida, mas cabe a você decidir qual lado seguir... – rebateu — E só porque seus pais são comensais, não significa que você também tenha que ser!
– Ninguém acredita nisso... Todos são julgados pela pureza de sangue e por quem dizem ser... Se é Prince, é a princesinha mestiça, se é Snape, é a filha do professor de poções, se é Black é uma comensal! – deu de ombros — Eu nem sei qual é pior! Evans vem da Lillian, que me abandonou. Prince Snape me lembra diretamente o homem que mentiu para mim, e Black me leva à mulher que me treinou para ser como ela.
– Olha, eu sei tudo que você sofreu e sei também o que eles fizeram, mas... – começou a ruiva – Violet, não existem pessoas inteiramente boas ou ruins, é um equilíbrio! Voldemort é uma exceção, então não vale. Fora isso, todos temos trevas e luz dentro de nós, mas cabe a cada um decidir qual lado seguir...
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que você ainda está muito machucada, dá para ver em seus olhos! Mesmo se fazendo de forte, você guarda uma mágoa enorme dessas pessoas e resolveu excluir qualquer coisa boa que eles tenham feito e concentrar apenas o lado ruim...
– Isso é algo que eu esperaria de Dumbledore, não de você... – sorriu tentando mudar de assunto.
– Está vendo? Isso prova que ainda está machucada...
– Você está vendo coisas Alessa, o que eu disse não prova coisa alguma!
– Prova sim! Você não percebeu que sempre que alguém começa a falar em Snape, Bellatrix ou Lillian você faz de tudo para mudar de assunto? – perguntou – Sabe o que eu acho? Que você diz para todo mundo que já esqueceu e superou essa história, mas no fundo não quer esquecer... – sorriu compreensiva – Você quer lembrar das coisas boas, mas automaticamente converte essas boas lembranças em memórias ruins. Está em conflito entre o que acha que é certo e o que realmente sente. Acha que se dizer para todo mundo o que se passa aí dentro, vão te julgar e dizer que é um filhote de comensal.
– Eu não ligo para o que as pessoas digam Alessa, sabe disso.
– Sim, eu sei... Mas ultimamente não é isso que estou vendo. – discordou – Violet, você mudou... Você...
– É impossível não mudar depois de tudo que aconteceu!
– Essa não é a questão! – rebateu – Violet, você não chorou uma única vez, não fez nada e... Não demonstrou sentir nada!
– Não chorei? – riu ironicamente, já perdendo a paciência com a melhor amiga – Eu fiquei a noite toda chorando no ombro do Alastor! Eu sofri muito Alessa, e ainda sofro! Mas isso não significa que tenho que mostrar para todo mundo em quantos pedaços está o meu coração!
– Eu não disse que você tem que mostrar para todo mundo, disse que você tem que se permitir sentir! – insistiu – Você simplesmente se recusa a falar qualquer coisa relacionada aos seus pais e finge total indiferença! Está guardando tudo para si mesma Violet, acumulando cada vez mais raiva e tristeza no seu coração... Uma hora você não vai aguentar, todos têm um limite Violet...
– Eu já passei do meu limite há muito tempo! – exclamou nervosa – Eu não aguento mais o desprezo que as pessoas que eu amo sentem por mim, isso me destroça por dentro! Eu não quero reviver tudo que a Lillian e o Snape fizeram comigo, assim como também não quero lembrar da Bellatrix! Eles são parte do meu passado mais doloroso, e você não faz ideia da destruição que me causa relembrar do meu pai dizendo que me amava e minha mãe me consolando nos sonhos impossíveis que tive! Eu não quero isso!
– Não adianta tentar esquecer porque cada lembrança faz parte de você! Todo esse sofrimento contribuiu para a construção do ser humano que você é agora! Tirando tudo isso, não é nada... – disse – Violet, você precisa perdoar o passado de coração, só assim conseguirá seguir em frente e realmente ser feliz!
– Perdoar?! – repetiu incrédula – Acha que devo perdoar a mulher que me abandonou quando eu nasci? Ou o homem que me enganou esse tempo todo para no fim matar Dumbledore na minha frente?! Eles simplesmente destruíram minha vida como a onda derruba um castelo de areia na praia! – exclamou.
– Perdoar não significa esquecer. – respondeu – Perdoar, é entender que eles tiveram seus motivos e aceitar que não tem como mudar isso... É perdoar a si mesma e se libertar dessa corrente de ódio que te prende à Severo Snape, Lillian Potter e Bellatrix Black! Eles erraram sim, e muito! Mas você não tem culpa e não pode sofrer por causa disso... Perdoar é o melhor caminho...
– Eles não merecem meu perdão, assim como não merecem que eu chore ou entre em depressão!
– Por que você insiste tanto em lembrar apenas dos momentos ruins e apaga da memória os bons? – perguntou retoricamente – Violet, só está mentindo para si mesma. Eu sei que aí dentro você ainda ama seus pais e quer mais que tudo tê-los ao seu lado! Mas então vê os jornais e ouve as pessoas dizendo o quanto eles são ruins. Você está tentando se convencer de que todos estão certos e quer excluir esse sentimento bom dentro de você...
– Alessa...
– Eu não quero defender ninguém e eu sei que a Lillian te abandonou... – interrompeu – Mas por algum motivo ela escolheu ter a criança! Sei que Bellatrix te treinou e manipulou todos esses anos para que fosse uma comensal, mas ela também foi sua mãe e te criou! Deu princípios e um caráter invejável. E eu também sei que Snape mentiu e enganou, mas eu vi o amor que ele sentia! Tenho certeza que te amou um dia... E o Draco, apesar de tudo, foi o seu melhor amigo, seu companheiro e sua dupla, um irmão!
– Se eles me amassem tanto não teriam feito tudo que fizeram...
– Para Violet, você sabe que eles te amavam! – interrompeu novamente – Se quer realmente ser feliz, não pode ficar remoendo tudo que já aconteceu. E perdoar é o primeiro passo para conseguir seguir em frente e finalmente esquecer o que te machuca... Eu acho que você deveria parar de culpar a si mesma por tudo que está acontecendo e pensar um pouco... Se deixe sentir Violet! Liberte-se dessas correntes de ódio e mágoa que ainda te prendem e perdoe! – insistiu — Não tem problema nenhum amar seus pais... Vergonha é esconder esse sentimento com medo do que as pessoas vão pensar. Não importa se é Srta Prince, Srta Snape ou Srta Black, o que importa é quem você é de verdade! – sorriu – Uma amiga fiel que faria de tudo para proteger quem ama, uma sonserina rebelde que adora quebrar as regras e uma adversária à altura, teimosa, com gênio forte e com um namorado maravilhoso de dar inveja... – brincou – Seu passado pode ser trágico sim, mas também é maravilhoso... E faz parte da sua essência. – disse levantando-se – Sophie vai pegar as poções para a missão hoje, está tudo pronto para o casamento no final de semana e o Vitor já sabe para onde vamos. Agora preciso distrair o Sirius até a Mary pegar os livros da sala dele... Temos que aproveitar que o Moody não está... – sorriu antes de deixar Violet sozinha no quarto, perdida em seus pensamentos.
Violet ainda não sabia muito bem o que pensar, mas de certa forma, Alessa estava certa. A quem ela queria enganar? Bellatrix e Snape eram seus pais e ela os amava imensamente...
– 29 DE JULHO DE 1997 —
Tudo estava pronto quando Violet e as meninas deixaram a casa dos Black acompanhadas por Catherine e George e foram para a Toca. A Sra Weasley se desdobrava em duas para arrumar tudo que faltava para o casamento e Apolline Delacour, mãe de Fleur, ajudava a filha a se preparar.
Era quase hora do almoço quando os garotos saíram para lavar o quintal. Como sempre, alguém começou com a brincadeira e logo todos os adolescentes, grifinória e sonserina, estavam se divertindo na água fria. Enquanto isso, no quarto, Apolline ensinava à Violet quesitos básicos de como se tornar uma Delacour boa o suficiente para enganar por uma noite.
– Você deve andar com a coluna ereta, barriga para dentro, ombro para fora, queixo erguido... – dizia a mulher, perto dos cinquenta anos, enquanto Violet fazia exatamente o que era pedido – Altivez Violet... Escute, Fleur, eu e meu marido melhoramos muito com a convivência com os Weasley, mas os demais Delacour são altivos, mostram superioridade com apenas um olhar... E se você será minha sobrinha, tem que aprender isso... Deve mostrar que se acha melhor que todos os outros, criticar alguma coisa na decoração ou nos modos dos convidados...
– E qual será meu nome?
– Uma de minhas sobrinhas está doente e não poderá vir, já conversei com ela e expliquei a situação rapidamente... – disse Apolline retirando de sua bolsa um pequeno frasco escuro prateado e entregando à Violet — A partir de agora você será Cosette Delacour, prima preferida da Fleur e protegida do meu marido. Suas roupas estão no banheiro, o vestido para a festa e o que ficará até lá... Só aviso que Cosette tem um gosto diferente para roupas e acessórios...
– Ah, não deve ser tão... – começou Violet, porém, ao ver as roupas separadas, parou. — ...ruim... Eu tenho que usar isso?! Não é que eu não goste da cor, mas é um pouco demais...
– Você é Cosette Delacour, e Cosette se veste assim... – rebateu.
– Agora entendo a Alessa... – sussurrou Violet virando o conteúdo do frasco em sua boca para logo sentir o gosto ruim e o incômodo em seu estômago, que parecia tentado a colocar para fora o café da manhã. Logo sentiu seu corpo formigar, as mãos ficaram ainda mais macias e claras e o pesado cabelo negro tornou-se mais leve.
Violet olhou para o espelho com uma mulher totalmente estranha encarando-a, a pele como a de uma boneca de porcelana, os olhos azuis como o céu e as madeixas douradas caindo sobre o ombro.
– Ficou perfeito... – comentou Apolline colocando suas mãos sobre os ombros da loira. — Cosette.
– É tão...estranho... – respondeu Violet, confusa com a própria voz.
– Você se acostuma. – sorriu – Agora fique aqui e pratique o que lhe ensinei, vou ajudar a Fleur com o vestido e quando der o horário, você irá para a festa comigo e meu marido... Entendeu?
– Sim Sra.
– Tia Apolline... – corrigiu a loira mais velha, dando-lhe um leve tapinha das costas e logo saindo do quarto.
– Certo... Não é tão ruim assim... – comentou Violet/Cosette em frente ao espelho. – Estou mais alta... E a visão de uma veela é realmente incrível!
Horas se passaram e Violet continuou no quarto, reunindo tudo que precisaria em uma bolsa e tomando periodicamente a poção que Apolline lhe dera. Estava calçando a sandália rosa quando a porta do quarto se abriu e por ela entrou Alastor, encarando-a surpreso.
– VIOLET —
– Desde quando gosta de tanto rosa? – perguntou.
– Cosette Delacour AMA rosa... – respondi rolando os olhos enquanto ele sentava-se ao meu lado. – Essa foi uma má ideia. Seria melhor ser uma Weasley...
– Eles estão fazendo uma bela bagunça lá fora, e falam muito alto. – reclamou. – Sua amiga ruiva está vermelha de vergonha e quase bateu no Weasley mais novo.
– Quer saber? Foi uma ótima ideia. – ri – Por que não está lá com os outros?
– Porque todos os Weasley que existem estão juntos, e eu odeio tumultos.
– Bem vindo ao silencio... – sorri encarando o chão.
Vários minutos se passaram e continuamos ali, quietos. Eu não estava muito animada para a festa, mas não aguentava de ansiedade. Eu estava a minutos de fugir com as meninas e me sentia culpada por deixar Alastor... Eu havia prometido que não iria mais fugir e quebraria essa promessa.
Eu precisava me despedir, mas ele não podia saber meus planos.
– Obrigada Alastor...
– Pelo quê? – perguntou confuso.
– Por estar aqui... Por... Ficar comigo... Não o aqui “agora”, mas sim esse tempo todo. Você tem sido como um pai para mim, um pai rabugento, mas mesmo assim, nunca vou me esquecer... – falei aproximando-me e abraçando-o pelo pescoço.
Alastor ficou confuso, é claro, mas logo retribuiu o abraço e apertou-me em seus braços.
Vou sentir sua falta...
– Eu não sou bom com essas coisas... – murmurou Alastor soltando-me e dando um pequeno sorriso. – Eu nunca te deixaria sozinha pirralha... Ainda terá que me aguentar por um bom tempo...
– Espero que sim... – sorri, porém, nesse exato momento a porta abriu-se novamente e a Sra Delacour, com um elegante vestido azul celeste e um delicado xale de seda por cima, entrou.
– Pronta? – perguntou sem ao menos olhar para a loira.
– Sim tia Apolline. — respondi, finalmente fazendo com que a mulher me olhasse.
– Ah, olá Moody. – cumprimentou — O vestido ficou ótimo... Se colocassem minha verdadeira sobrinha ao seu lado eu não saberia dizer qual é qual... – comentou observando atentamente cada detalhe do corpo da moça. – Agora ouça, quando vir meu marido na festa, terá que mostrar que o idolatra... – disse arrumando o laço em meu cabelo – Ele vai abraçá-la, então retribua com um grande sorriso no rosto.
– Tudo bem... E como eu o chamo?
– Apenas de titio. – respondeu – Lembre-se: Cosette Delacour é minha sobrinha preferida e tem a mim e meu marido como pais, não gosta muito da Fleur e odeia crianças... Você vai ficar comigo até eu apresentá-la para um de seus amigos, provavelmente Saoirse. Alguma dúvida?
– Não.
– Ótimo, então vamos... Fleur está nos esperando... – disse Apolline abrindo a porta e saindo do quarto, porém, enquanto descia as escadas lembrou-se de um detalhe – Ah, quase ia me esquecendo... Meu marido vai entrar com a Fleur, então você vai entrar ao meu lado.
– Eu o quê?! – surpreendi-me parando imediatamente. – Para de rir Alastor!
– Será divertido.
– Eu já avisei aos Weasley que minha sobrinha entraria junto, então não é novidade alguma... – continuou ela aproximando-se do Sr Delacour e a filha. – Está pronta minha querida?
– Sim mamãe... – respondeu Fleur sorrindo – Cosette, sério?
– Pois é... – suspirei.
– Ficou ótimo... – disse observando-a da cabeça aos pés. – Não seja tão gentil, Cosette é uma cobra.
– Que ótimo... – ironizei.
Isso realmente não foi uma boa ideia... Por que eu aceitei?!
– Certo, então vamos... Cosette, ao meu lado. – falou o Sr Delacour, dando o braço para a filha e conduzindo-a para fora da casa ao lado da mulher.
O jardim da Toca estava coberto por uma enorme tenda branca que flutuava no chão, a lua minguante à pino no céu e uma música agitada tocando de fundo. Alastor então abriu uma das entradas e abriu espaço, fazendo-me entrar primeiro.
– Te vejo depois pirralha... – sussurrou Alastor desaparecendo entre os convidados.
Logo Apolline me deu um botão de rosa vermelha e ajeitou meu cabelo, ajeitando minha postura e, enquanto beijava a testa da filha, uma música melosa (até demais) começou a tocar e ela olhou em minha direção.
– Não tropece, não faça nenhuma gracinha e, em hipótese alguma, demonstra que está feliz com esse casamento ou que veio por vontade própria. – disse ela. – Agora segure em meu braço e vamos. Depois os padrinhos entrarão e por último Fleur.
– Eu tenho que ficar ao seu lado a cerimônia toda? – reclamei em um tom infantil.
– Sim, e pare de reclamar como uma criança... – rebateu seriamente, puxando meu braço e logo abrindo a tenda branca, arrastando-me junto pelo caminho até o altar. Inúmeros pares de olhos se viraram na minha direção e, após eu respirar fundo, repeti todos os movimentos que Apolline me ensinou.
Agora entendi a vergonha que a Alessa sentiu sendo a dama de honra... Eu ao menos estou acompanhada!
Assim como a Sra Delacour disse, todos os padrinhos entraram em seguida e logo depois a noiva, com o Sr Delacour. A cerimônia parecia não terminar nunca e, certamente, minha expressão era a de alguém entediada e indiferente.
Talvez Cosette agisse assim também...
Quando Fleur finalmente foi declarada uma Weasley, todos os ruivos que estavam presentes exclamaram felicitações e pularam em cima dos noivos para cumprimentá-los. Eu, é claro, fechei a cara e evitei qualquer contato... E todos pareceram perceber.
Fleur e Gui então seguiram para a mesa onde os Weasley estavam e Apolline me arrastou entre os convidados, como se quisesse me expor à todos. Quando finalmente parou de andar pela festa, seguiu até onde o Sr Delacour conversava com... os Krum.
Ah, ótimo! Agora terei que mentir para a família do meu namorado...
– Cosette meu anjo, fico feliz que esteja aqui... – sorriu o Sr Delacour abraçando-me pelos ombros e logo em seguida virando-se para os Krum, que me observavam atentamente. – Senhores, esta é minha sobrinha Cosette Delacour, um anjo em nossa vida, certamente... Querida, estes são James e Vyola Krum, e os filhos Saoirse e Vitor.
– É um prazer conhecê-la Srta Delacour... – disse Vyola gentilmente.
Minha vontade era abraçá-la e retribuir com um enorme sorriso, mas me contive.
– Claro... – disse sem muita entonação.
– Está gostando da festa? – tentou Vyola novamente.
– Já fui em melhores... – falei desdenhosa. – Aliás, eu ainda não acredito que a Fleur virá morar nesse...lugar... Não que eu me importe muito, mas é de se estranhar...
– O amor muda as pessoas. – disse James abraçando Vyola pelos ombros.
– Eu não acredito nisso... – sorri falsamente – Não dou dois meses para a Fleur abandonar tudo isso, ela foi muito bem criada e sempre teve tudo... Será uma grande mudança em seus hábitos...
– Esta é minha sobrinha... – sorriu o Sr Delacour abraçando-me pelos ombros e beijando minha testa enquanto Vyola demonstrava estar decepcionada – Sempre gananciosa não é meu anjo? Você não será como a Fleur e não se casará tão cedo não é? Tem que me visitar mais vezes...
– É claro que sim titio! – sorri animadamente – Fleur perdeu grandes coisas hoje...
– Eu diria que ela ganhou muitas coisas. – repetiu Vitor, encarando-me de um jeito que não consegui decifrar. – Está casada com quem ama.
– Pode ser, mas...
– Cosette! – exclamou alguém, fazendo-me virar. – Eu não acredito... Cosette Delacour aqui?
– Skeeter, não sabia que tinha sido convidada... – interrompeu Apolline, claramente nervosa.
– Não podia perder... – respondeu sorrindo e voltando o olhar para mim. – Pensei que estivesse viajando! O que faz aqui?
– É o casamento da minha prima.
– E está gostando?
Eu não sabia o que responder, então olhei disfarçadamente para Apolline, que negou com a cabeça discretamente.
– Este lugar não combina comigo, é muito...
– Pobre? – completou a loira sorrindo abertamente.
– Fora dos meus padrões. – corrigi com um sorriso falso.
– Sim, eu te entendo... – suspirou – Você chegou a ver a Srta Black?
– Black?
– A celebridade do momento. Preciso encontrá-la, depois nos falamos querida... Foi muito bom te ver, quero uma entrevista completa depois hein! – sorriu abraçando-me e logo depois se afastando.
– Vocês se conhecem? – perguntou Saoirse.
– Somos grandes amigas! Adoro suas matérias e sempre que posso leio algumas.
– E nunca ouviu falar em Violet Black? – perguntou Vitor, claramente desconfiado.
– Não muito... – respondi – Então... Vitor Krum. Tem namorada?
– Sim, eu tenho. – respondeu rapidamente.
– Cosette querida, seja mais discreta... – pediu o Sr Delacour. – Srta Krum, o que acha de apresentá-la aos seus amigos? Divirta-se meu anjo...
– Não acho que vou me divertir, mas se insiste... Saoirse, seremos grandes amigas! Posso sentir isso. – respondi, saltitando como só a Tonks fazia, seguindo Saoirse, que estava obviamente descontente em ter que enturmar uma menina mimada e chata.
– Você provavelmente não vai gostar dos meus amigos, são... abaixo dos seus padrões.
– A filha da Ministra está lá, então não acho que seja tão abaixo assim...
– Filha da Ministra? – repetiu parando e encarando-me – Como sabe?
– Fleur. – respondi rapidamente.
– Sei... – respondeu desconfiada aproximando-se da mesa onde Alessa e as meninas estavam. – Meninas, esta é Cosette Delacour, prima da Fleur... Cosette, estas são Mary Addams, Sophie Seyfried e Luna Lovegood. Desculpem, mas eu preciso falar com o meu irmão… Você ficará bem não é Cosette?
– Eu...
– Ótimo! Te vejo depois então. – sorriu saindo logo em seguida.
– Os franceses são mais discretos... – comentei.
– Adorei seu vestido... E esse laço no cabelo é incrível! – começou Luna abrindo espaço para eu sentar — Eu queria usar um, mas não combinaria com meu cabelo...
– Tem razão, não combinaria... – falei, porem, não pareceu afetá-la, já que Luna sorria abertamente.
– Foi um prazer conhecê-la, mas eu preciso procurar o meu pai. Até depois! – disse ela sorrindo e logo saindo da mesa.
– Então... Cosette, não é? – disse Mary – Você mora na França?
– Não.
– Então onde?
– Vocês não sabem que sou não é? – perguntei mais baixo.
– O que quer dizer?
– Violet... – sussurrei.
– Eu não acredito! – exclamou Mary finalmente percebendo – Por que a Sra Weasley não disse que você seria uma Delacour?
– Porque ninguém deveria saber... – respondi levantando os ombros pegando um bolinho. – E a Alessa?
– Paquerando Barny Weasley. – respondeu Sophie rindo – Ela é bem convincente...
– Muito engraçado Sophie...
– Alessa! Desistiu de conquistar o ruivinho? – debochou Mary.
– Ele é muito difícil, preciso de um descanso... – brincou, porém, logo ficou séria e abaixou o tom de voz e sentou-se – O bolo será servido em cinco minutos, logo depois vão liberar a pista para dançar e Vitor tirará uma de vocês para dançar.
– Que obviamente será eu.
– Quem é você? – rebateu Alessa, finalmente me percebendo.
– Cosette Delacour. – respondi sorrindo.
– Certo... Cosette. Só para você saber, ele tem namorada. – avisou enquanto Mary segurava-se para não rir.
– E ela está aqui?
– É claro que sim, está olhando para ela agora.
– Você tem muita autoconfiança garota... – disse encarando-me.
– Uma amiga minha disse que eu tenho “um namorado de dar inveja”... Ela está certa Srta Chambers.
– Srta Chambers... Você... – repetiu desconfiada, mas logo abriu uma expressão surpresa –Você!
– Olá Ally. – sorri.
– Uau... A Sra Delacour fez um bom trabalho... – riu. – Espera... Você também foi dama de honra! Ficou rindo de mim no casamento da Jullie mas agora você que entrou como dama... E com vestido rosa e laço no cabelo!
– Só tem uma diferença... A noiva era sua irmã, você a amava e idolatrava. Eu não tenho nada com a noiva e entrei obrigada, só fiquei sabendo quando cheguei na entrada.
– E eu não usei rosa pelo corpo inteiro e muito menos um laço infantil na cabeça... – debochou.
– Sabe, você não precisa me lembrar disso...
– Com licença... – disse Vitor aparecendo ao lado de Alessa. – Vocês a viram?
– Quem? – perguntei mexendo distraidamente no cabelo.
– Por que o interesse? – rebateu, observando-me novamente.
– Curiosidade. – respondi, não conseguindo evitar o sorriso que se espalhou por meu rosto, tentando disfarçá-lo mexendo na pontas do meu cabelo e olhando para os lados.
– Violet?! – surpreendeu-se.
– Como sabe? – perguntou Sophie incrédula enquanto eu o encarava, a mesma pergunta em minha cabeça.
– Eu não acredito, é você! – murmurou. – Por que não disse antes?
– Porque não podia... Como descobriu?
– Você tem mania de mexer no cabelo e olhar para os lados quando está nervosa... Acho que nem você percebe.
– É, acho que não... – concordei rindo. – Então, me disseram que você vai convidar alguém para dançar... – falei pegando o frasco que Apolline me deu e tomando outro gole — Quem é a escolhida?
– Minha escolha sempre será você.
– Ownn... – exclamaram as meninas ao mesmo tempo enquanto minhas bochechas queimavam.
– Sabe, Cosette Delacour não pode corar... – tentei.
– Dança comigo? – pediu ele estendendo a mão.
– Se você prometer não me olhar com segundas intenções, sim. – respondi levantando-me – Violet tem uma reputação à zelar.
– É só uma dança... – disse oferecendo o braço e logo em seguida me conduzindo até a pista de dança — E meus pais me obrigaram.
– É uma ótima desculpa... – sorri.
– Sabe, mesmo estando com outro rosto, o sorriso é o mesmo... – comentou encarando-me profundamente.
– O que está achando da festa? – falei mudando de assunto. Se ele continuasse me elogiando daquele jeito eu o beijaria a qualquer momento.
– Está divertida... – comentou seriamente, trazendo de volta a mesma expressão de quando conheceu “Cosette Delacour.” – Apesar de eu querer desafiar certa pessoa para um duelo, estou bem...
– O que aconteceu? – perguntei preocupada.
– Conhece aquele homem dançando, não, se “mexendo” ao lado da Luna? – disse apontado discretamente para onde Luna dançava com o pai.
– Claro, é Xenofilius Lovegood, pai dela... Dizem que é muito gentil e idêntico à Luna, mas ainda não tive a oportunidade de conversar com ele. Qual problema?
– Já ouviu falar em Gellert Grindelwald?
– Sim...
– Bem, ele estudou em Durmstrang por anos e, por ser adepto da magia das trevas, pintou por todos os corredores o símbolo das relíquias da morte e seus seguidores também usavam. Esse Xenofilius usa o mesmo símbolo pendurado em seu pescoço.
– Eu não acredito que ele seja adepto da magia das trevas... – comentei observando o homem fazer movimentos estranhos acompanhado pela filha, ambos com roupas amarelas.
– Harry disse o mesmo...
– Você conversou com o Harry?
– Sim, mas dessa vez foi minha mãe que me disse quem era ele... – respondeu. – Ele até fez perguntas estranhas, como se eu conhecia Gregorovitch...
– Quem é Gregorovitch?
– Você não sabe? – perguntou surpreso – Simplesmente o maior fabricante de varinhas, talvez até melhor que o Olivaras. Fiz minha varinha com ele antes de entrar em Durmstrang e a Saoirse também.
– Ah, e por que o Harry queria saber?
– Segundo ele, “curiosidade”.
– Que estranho...
O que o Harry quer com um fabricante de varinhas?
– Precisamos ir, as meninas já foram e a Srta Granger já deu o sinal... Não podemos sair juntos, então vou na frente e te espero lá fora. Não demore... – sussurrou parando a dança e beijando minha mão levemente. – Foi um prazer conhecê-la Srta Delacour.
– Sempre é... – respondi sorrindo e vendo-o sair.
– NARRAÇÃO – MINISTÉRIO –
– Eles estão chegando... – disse Meryl encarando o recente sistema de segurança que havia colocado no Ministério. – Em poucos minutos estarão aqui...
– Acalme-se Meryl, vai dar tudo certo... – disse Pierce tentando acalmá-la, porém, os duelos que aconteciam nos corredores não a deixavam em paz.
– Não, não consigo! Saber que eu poucos minutos estarei morta para o mundo bruxo me deixa nervosa... E se algo der errado? E se eles conseguirem o que querem? E se...
– Meryl! – interrompeu Pierce segurando seu rosto carinhosamente – Eu estou aqui... Não vou deixar nada acontecer com você... Não precisa ter medo...
– Eu não tenho medo de morrer, mas só a possibilidade de nunca mais ver você e a Sophie me assusta... Vocês são tudo que eu amo...
– Estaremos aqui... – disse tentando ignorar o barulho das Maldições da Morte lançadas no corredor. – De acordo com o plano. Confia em mim?
– Completamente. – respondeu.
– Então não se preocupe, vou te proteger... – disse aproximando os rostos – Eu prometo.
– Eu amo você... – sussurrou antes de colar seus lábios nos do marido e beijá-lo avidamente. Se algo desse errado, aquele seria o último beijo deles.
– Vai dar tudo certo... – repetiu ele soltando-a e correndo para se esconder atrás de um dos armários.
Meryl então respirou fundo, fechou os olhos e apertou a varinha em suas mãos. No segundo seguinte um estrondo foi ouvido e a porta explodiu, lançando pequenos pedaços de madeira para a sala toda. A Ministra foi atingida por uma das farpas e, pelo impacto, bateu fortemente na parede logo atrás e cortou o rosto e parte do braço.
– Ora, ora, ora... Olhem quem está encurralada... – debochou uma voz risonha.
– Quem diria que minha antiga melhor amiga viria para me matar... – respondeu Meryl aproximando-se do armário onde Pierce esperava o momento certo. – Não é Bella?
– As coisas mudam... – sorriu apontando sua varinha para o peito da ex-amiga.
– Você tem algo que eu quero Sra Seyfried... – disse Voldemort aparecendo na porta. – E eu estou tomando para mim.
– Que bom para você...
– Mas se quiser, pode se juntar à mim... Sei que está à frente da Ordem agora, seria de grande ajuda...
– Não me alio a seres como você, desculpe. – debochou.
– Crucio! – exclamou Bellatrix, atingindo a mulher de cabelos brancos e levando-a ao chão.
– Essa é sua palavra final? – perguntou Voldemort aproximando-se com a varinha apontada para a mulher, que não recuou — Uma pena...
– VIOLET —
O que Vitor me disse acabou confundindo-me. Então Harry estava procurando informações sobre um fabricante de varinhas? Qual o motivo? Enquanto mil possibilidades passavam pela minha mente, caminhei calmamente até a saída, porém, antes que eu saísse completamente, alguém segurou meu braço.
– Violet, preciso falar com você... – sussurrou.
– Sra Tonks? – surpreendi-me – Como sabe que...
– Alastor. E é apenas Andrômeda, já disse. – respondeu aproximando-se e fingindo mexer no meu cabelo – Escute, eu sei o que você vai fazer e sei que vai fugir...
– O quê?
– Não importa como eu soube. – interrompeu sussurrando – Logo vão perceber, então apenas me ouça... Você vai embora porque sabe de alguma coisa que possa derrotá-lo, não é? Vai fugir porque é a Escolhida.
– Andrômeda...
– Eu não vou te impedir. – cortou-me – Pelo contrário. Com Dumbledore longe, você e seu irmão são nossas únicas chances, e eu acredito em seu potencial, sei que pode fazer isso Cosette... Mas não vai conseguir nada presa dentro de casa. Apenas tenha em mente que o que está prestes a fazer é muito perigoso e te colocará na mira direta dele, então por favor, tenha cuidado...
– Eu...terei... – respondi incrédula, nunca imaginei que ela concordaria comigo.
– Quero que fique com isso... – disse entregando-me um pequeno embrulho e colocando discretamente dentro da minha bolsa – É um meio seguro de nos comunicarmos. Eu não vou dizer a ninguém sobre a sua fuga, mas quero que me prometa que manterá contato... Se acontecer alguma coisa, qualquer coisa, me avise... E se precisar de algo, é só me chamar...
– O que é?
– Sophie saberá o que é e vai te explicar, apenas me prometa que entrará em contato comigo em dois dias, pela noite, por favor... – pediu encarando-me profundamente.
– Eu não sei se...
– Violet, estou confiando em você... Por favor, me deixe ajudá-la de alguma forma...
– Tudo bem... Eu falo com a Sophie e em dois dias conversamos. – garanti – Posso te pedir um favor?
– Claro.
– Entrega essa carta ao Alastor quando ele perceber que eu fugi? – perguntei tirando um envelope da bolsa – Eu ia deixar na Toca, mas talvez nunca chegue até ele...
– Pode deixar que eu entrego... – sorriu pegando o envelope. – E ninguém saberá do nosso contato.
Antes que eu pudesse agradecer, uma luz prateada invadiu o lugar e “flutuou” até o meio da pista de dança onde estavam os Addams, logo tomando a forma de um lince e assustando os presentes enquanto uma voz desesperada, que logo percebi ser de Shacklebolt, soava.
– O Ministério caiu. Seyfried está morta. Eles estão chegando...
E então, assim como tinha aparecido, o patrono desapareceu. Todos estavam congelados em seus lugares e os Addams se encararam.
– Sophie... – sussurrei, não acreditando no que ouvi.
E então alguém gritou. As pessoas começaram a correr e muitas desaparataram. Figuras negras encapuzadas apareceram e Catherine logo puxou sua varinha e exclamou um “Protego”. Os comensais estavam atacando e era óbvio que a proteção que envolvia a Toca fora desfeita.
– Você precisa ir agora... – disse Andrômeda também puxando sua varinha e empurrando-me pelo braço para fora da tenda ao mesmo tempo em que se defendia de feitiços aleatórios.
Por um momento fiquei travada e não consegui me mover, vendo meus amigos e as pessoas com quem me importava serem atacadas. Sem contar que as palavras de Shacklebolt ainda estavam na minha cabeça. Meryl não poderia estar morta...
– Cosette! – gritou Vitor correndo em minha direção, porém, foi barrado várias vezes até finalmente me alcançar — Você está bem?
– Eu... Acho que sim... – respondi confusa, minha mente repentinamente pesada.
– O que estão esperando?! – gritou Andrômeda lançando um Protego à nossa frente. – Vão logo!
E então Vitor agarrou o meu braço e puxou-me com ele até a saída, desviando de vários feitiços até chegarmos à fenda na tenda. Quando olhei para trás pela última vez, Andrômeda estava caída no chão e Tonks corria em sua direção enquanto um comensal apontava para a mais velha.
– Não! – tentei sacando a varinha, porém, Vitor apertou minha cintura e aparatou.
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