Notas iniciais
Sabem, esse capítulo foi difícil e demorei bastante para escrever, mas acabei trombando em algumas músicas e minha inspiração foi à mil! Em especial “Save the hero – Beyoncé” e “Lies – Evanescence”. Prontos?

“Sacrifício”

– NARRAÇÃO —

– Parece que tomou sua decisão afinal. Não foi tão difícil, foi? – debochou, porém, Violet não o deixou terminar.

Abriu suas mãos e, por elas, um brilho negro prateado incrivelmente luminoso começou a fumegar, como fogo em brasas. Um sorriso diabólico preencheu seu rosto e, no momento seguinte, o de Voldemort desaparecera. Mas ele não desistiria tão fácil... Ela poderia não ser sua, mas iria destruí-la de todas as formas que pudesse antes de usar a Maldição da Morte.

– Você é o soldado deles Violet, a esperança... Mas quem será a sua? – debochou andando em círculos, ambos se encarando mortalmente. – Todos aqui estão apoiados nos seus ombros não é? Mas diga, em quem você pode apoiar? Eles não te acham boa o suficiente, ou forte o bastante... Diferente do seu irmão, é claro, que foi concebido no amor... Você está lutando para ser enganada de novo! Diga-me Violet, quando o Profeta Diário afirmou que você era minha seguidora, quantos acreditaram que era mentira?

Violet não queria acreditar em uma só palavra, sabia que Voldemort dizia aquilo apenas para derrubá-la mas... Não era verdade? Neville confirmou que apenas Blás e Gemma a defenderam dos rumores... No fim das contas, Violet era a arma do lado das luzes, uma arma na qual todos se apoiavam para a batalha, mas... Quem deles se ofereceria para fazer o mesmo por ela?

Não, pensou ela, tinha muitas pessoas ali por ela, certo?

– Eles nunca verão o que você pode ser, pois estão mais preocupados com o seu irmão! – jogou-lhe na cara – Harry Potter é da Grifinória e entrou para a história quando Lillian Evans se sacrificou por ele... Alguém fez o mesmo por você? Quem acredita que Sonserina pode ter bruxos melhores que a Grifinória? Lembra o que aconteceu no Torneio não é? Todos te apedrejaram, para no final engolirem uma sonserina como vencedora. Você é tão talentosa Violet, tão especial! Vai mesmo lutar pelas pessoas que não a reconhecem como tal? Tem uma fome aí dentro, queimando, implorando para ser saciada...

– Você fala demais! – rebateu ela lançando um jato de energia na direção de Voldemort, que ergueu um escudo protetor rapidamente.

No fundo ela não queria acreditar em nada, sabia o quanto era errado! Mas ao mesmo tempo, sabia que tudo aquilo, ou grande parte, era verdade. Harry era reconhecido e possuía a confiança de qualquer um simplesmente por ser um Potter na Grifinória.

– Você colocou toda a sua dor para dentro não é? Ignorando tudo... Está vivendo uma mentira...

Violet então usou a outra mão e, com ambas, aumentou a carga de energia lançada. Ela não podia ceder... Não depois de tudo que fez para chegar ali. Voldemort, dessa vez, não ergueu escudo algum, mas sim revidou com sua própria magia, ainda mais poderosa por ter a Varinha das Varinhas.

– E aí dentro... A cada dia... você morre. – continuou, percebendo o efeito de suas palavras –Você deu muito de si mesma e agora isso está te enlouquecendo não é? Está perdida por dentro e não encontra a saída...

– Chega!

– Você está clamando por ajuda! – rebateu no mesmo nível.

Logo a colisão de feitiços tornou-se ainda mais intensa e faíscas voavam por todos os lados. Os que estavam ao redor, como se petrificados, passaram a observar o “duelo de gigantes” e aqueles que ousaram interferir foram rapidamente impedidos pela barreira impenetrável de fogo erguida ao redor dos dois.

Ao lançar a Maldição Cruciatus Voldemort conseguiu derrubar Violet por alguns segundos, a garota, entretanto, estava com uma raiva inimaginável que fervia dentro de si e corroia-lhe a alma lentamente. Aquelas palavras estavam mexendo com ela, não poderia negar... Mas a necessidade sobrepunha-se. Voldemort era a última Horcrux, e assim como o ser humano precisa de oxigênio, Violet precisava do Lord das Trevas.

Voldemort percebeu que a garota não seria facilmente vencida e irritou-se profundamente por não conseguir destruí-la com a Varinha das Varinhas, a mais forte! Sua atenção foi redobrada e suas forças foram requeridas totalmente enquanto Violet desviava dos feitiços e lançava outros... Precisava destruí-la!

– Você pode salvá-los Violet, mas quem estará lá para salvar a heroína? – perguntou retoricamente.

Logo ambos estavam com força total em um duelo brutal e mortal. Todos ali tinham a certeza de que um deles não sairia vivo e Alastor desejava ardentemente que sua afilhada não entrasse para a lista de perdas.

Violet olhou ao redor rapidamente e, assim que viu a avó ali, observando-a atentamente, lembrou-se do duelo entre Eileen e Myrddhin. Nunca sequer pensou em um feitiço como o que matou o comensal, mas a garota não tinha nada a perder certo? Seus amigos e sua família estavam mortos...

– Quem salvará a garota depois de ela salvar o mundo?!

Mas Alastor, Minerva e Eileen permaneciam de pé, com esperança!

Ela deveria ter também, não é?

Expecto Slave! – exclamou erguendo os braços e invocando sua magia.

Voldemort não demonstrou sua surpresa, mas pela primeira vez viu o poderoso potencial da garota, que agora levitava com os braços abertos formando uma cruz logo à sua frente. Eileen, por outro lado, não escondeu seu orgulho da neta.

O Lord das Trevas poderia estar certo sobre cada palavra, mas ela não queria que todos confiassem nela. Tinha tudo que precisava nos padrinhos e em Eileen, que milagrosamente havia voltado dos mortos... Ela era amada por poucos, em sua concepção, mas eram esses poucos que faziam toda a diferença.

– Eu não preciso ser salva Voldemort! – exclamou, a voz grave quase como a de um espectro. Uma crescente sombra percorreu o corpo da menina suspendida no ar e lentamente despregou-se das mãos adquirindo a forma de um pássaro incrivelmente grande.

Uma versão assustadoramente sombria da águia que nascia no feitiço do Patrono apareceu envolta em sombras e, ao comando da menina de olhos negros, avançou em Voldemort. A surpresa preencheu o ambiente e, assim que a ave atacou o Lord das Trevas, grande parte dos presentes arfou.

– Você destruiu tudo que amamos, matou as pessoas mais importantes para cada um de nós... – continuava ela, manipulando perfeitamente a criatura de sombras.

As veias estavam saltadas, uma tênue linha negra corria por toda a extensão de sua pele e das mãos a poderosa corrente de energia intensificava-se cada vez mais. Com um sorriso debochado no rosto, entretanto, Riddle ergueu a varinha e agiu, mas a ave não recuou um centímetro sequer. Segundos depois foi desarmado... E odiou-se internamente por não conseguir executar o feitiço que a pararia simplesmente pelo fato de não a magia necessária no sangue. Com a Varinha das Varinhas caída ao chão, Violet sorriu e aproximou-se de onde o homem estava, com olhos em chamas, esperando-a. Faltava pouco, tão pouco!

– Você acha que depois de tudo o que aconteceu eu perderia?! – exclamou furiosamente – Fui treinada para ser uma de vocês não é? Para ser forte!

Ela podia sentir o sangue dele correr rapidamente e ansiava mais que tudo destruir aquela carcaça que tanto a fez sofrer... O poder que emanava dele era tão grande, tão tentador... Não poderia mais esperar, sem chances! Violet ergueu uma das mãos e, assim como fez com Draco Malfoy, passou a sufocar o Lord das Trevas apenas com o pensamento... As mãos apertando... Apertando... Matando... Sem remorsos.

Eu sou o poder, Voldemort! E junto com você, a guerra acaba agora.

A garota então abriu os braços, encarou-o profundamente e então uma fina camada de magia começou a despregar-se de Voldemort, que evitava gritar ou render-se. Os presentes observaram assustados quando aquela magia tomou rumo e, enquanto soltava-se do Lord das Trevas, penetrava nas mãos da garota. A águia ficava cada vez maior e mais forte, e Violet já não conseguia ficar com os pés em terra firme. Seu corpo levitou, a ligação entre os dois perigosamente fatal...

Sentiu seu sangue ferver intensamente quando uma energia a mais percorreu seu corpo, mas assim como um copo transbordando, não havia espaço suficiente para ela e a magia no mesmo recipiente... E gritou. Gritou quando sentiu a terrível dor em seu peito, a mente explodindo em tamanho vigor... Era muito poder, muita magia!

A pele pálida de Voldemort começou a despedaçar-se lenta e dolorosamente... Os braços, pernas, abdômen e, por fim, o rosto... Tudo desaparecendo até que um urro de dor rompeu sua garganta e logo em seguida apenas os ossos velhos restaram... O esqueleto da face contorcido em uma expressão de horror...

Comensais da Morte aparatavam por todos os lados e logo os aurores os seguiam avidamente, o campo de batalha esvaziando-se aos poucos enquanto toda a essência do Lord das Trevas pregava-se à garota. A águia negra rondava o antigo salão aberto de Hogwarts, repentinos gritos ecoavam ao redor e logo um lhe escapou a garganta. Ao olhar para frente, sentiu aqueles dois olhos negros sobre si e algo lhe sendo tirado.

A Marca Negra em seu pulso craquelava como vidro e um denso pó enegrecido escapava por seus dedos e alimentava a ave, que rapidamente ergueu voo e avançou até a garota ainda suspendida. Seu braço sangrou levemente e uma sensação horrível a preenchia, mas não deixou de ver, assustada, a grande águia negra preencher Violet possessivamente e desaparecer logo em seguida, um grito desesperado preencheu o ambiente e a garota despencou do céu como um pássaro de asas quebradas... O que aproximou muitas pessoas. Alastor, entretanto, estava a ponto de tocá-la quando Eileen o impediu.

– Não! Se tocá-la você morre. – avisou tentando ignorar a enorme ventania que se ergueu no horizonte arrastando os rastros da batalha. – Ela está absorvendo tudo... O poder que existia em Voldemort agora pertence a ela... – concluiu surpresa — Violet é pura magia negra...

– Isso... Isso vai mata-la... – disse Vitor preocupado – Não vai?

– Vai. – confirmou encarando os olhos negros da neta, que suplicavam por socorro em silêncio. – É muito poder para uma pessoa só... Não tem como ela aguentar tudo isso.

– Não, não, não, não... Ela não pode morrer! – exclamou Alastor vendo a afilhada gritar ao absorver a última migalha de fumaça negra do ar.

Com lágrimas furtivamente escorrendo de seus olhos, foi obrigado a presenciar o corpo pequeno contorcer-se e um grito de pânico romper-lhe a garganta. Assim como Voldemort, sua pele rasgava-se como tinta velha... Pedaços despregando-se... Queimando...

– Não! Não pode terminar assim!

Eileen mantinha os olhos astutos sobre a neta. A mulher sabia exatamente o que deveria ser feito... Um grande preço a se pagar, certamente, e um bom modo de recompensar...

– Violet, você sabe o que acontece agora não sabe? – disse ajoelhando-se ao seu lado – Entende o que temos que fazer, certo?

Você também não, por favor... – sussurrou a garota sentindo suas forças se esvaírem aos poucos, a dor sumindo vagarosamente... A morte lhe parecia tão palpável! Violet sabia o que Eileen dizia... Se quisesse viver, alguém teria que ir em seu lugar.

– Do que estão falando? – perguntou Alastor, chorando como uma criança.

– Ela precisa liberar o excedente em alguém forte o bastante para aguentar e deixa-la viva. – explicou encarando-a intensamente, azul no negro. – Você é mais importante que eu Violet.

– Você tem Magia Negra... – murmurou Minerva, percebendo o que a bruxa falava.

– É melhor se afastarem. Agora! – avisou a mulher e, assim que Harry afastou-se contra a vontade, voltou-se à Violet sorrindo – Me dê sua mão...

– Não... Não posso fazer isso com você... – sussurrou reprimindo um grito de dor quando seu abdômen começou a crepitar, subindo marcas lentamente.

– Quando chegar ao coração você morre! – gritou exasperada, a pele da pequena desfragmentando-se lentamente. – Vamos Violet, erga a mão... Vai ficar tudo bem, você vai ficar bem... Precisa voltar para eles! – insistiu com lágrimas fluindo pela face. – Foi um grande prazer te conhecer e eu já a amo, tanto quanto ao meu filho. – sorriu – Mas esse não é o meu lugar...

Violet sentiu a dor subir por seu peito e logo seu coração pulsou mais forte. Havia chegado, afinal. Vendo-a hesitar, porém, Eileen agarrou as mãos da neta e apertou-as suavemente. Uma corrente elétrica percorreu sua espinha instantaneamente.

– Faça. Agora! – mandou e, no momento seguinte, sentiu algo ser transformado em seu corpo, o sangue parecendo correr com mais intensidade e rompendo seus vasos.

Alastor queria se aproximar novamente, mas Minerva o conteve ao perceber uma onda fria rodear as duas enquanto todos viram, em pânico, um grande fluxo de energia sair do corpo da menor em direção à Eileen, que contorcia-se com a quantidade de energia que invadia seu peito.

Violet chorava como criança e foi obrigada a presenciar sua avó deteriorar-se como papel em chamas. A dor preenchia visivelmente aquelas duas safiras escuras em seu rosto e cada lágrima que escorria parecia desaparecer antes mesmo que tivesse a oportunidade de encontrar os lábios entreabertos, por onde gritos de agonia crepitavam no silêncio perturbador. Eileen sentia-se em chamas e estava satisfeita por fazer algo útil...

Severo Snape foi a última que apareceu em sua mente quando a fraqueza a consumiu e seus olhos fecharam-se em desistência... Violet sentiu-se mais forte no mesmo instante, porém, o coração estava novamente aos pedaços. A guerra havia acabado e Eileen Prince sacrificou-se pela neta que, apesar de desmaiada nos braços do padrinho em lagrimas, estava viva.

Notas finais
Pensaram que a Violet morreria, não é? Bem... Não é tão fácil assim. Já Eileen... Não! Não direi nada sobre isso. Vi seguindo os passos da vovó e conjurando um grande monstro de sombras... Ela realmente “deixou ir” e não resistiu um segundo sequer à magia negra. Mas Voldemort realmente a tentou não é? Por um momento ela quase cedeu, afinal, a maior parte do que ele disse é verdade... A sonserina nunca foi reconhecida como boa, mas sim como lar de comensais da morte. Violet é o diferencial, mas mesmo assim as pessoas olham apenas para o que está à sua frente. Mas então ela colocou o velhote Riddle no seu lugar. Bem feito! Kkkkkkkkk O que acharam da dimensão dos poderes da Vi? Essa garota é realmente poderosa não? E Eileen não fica atrás! A Sra. Snape demonstrou-se extremamente inteligente e ajudou bastante... Ela se sacrificou! Mas a pergunta é: Eileen morreu? Não sei se ficou confusa essa parte, mas sobre a Marca Negra dos comensais: Quando Violet começou a absorver Voldemort, toda a energia e poder que eram ligadas a ele foram para ela, o que inclui a marca. Mas isso não significa que a Vi agora é má ou que possui a mente maligna do Tom... Os Comensais continuam sendo comensais, mas no lugar da Marca Negra agora tem uma espécie de cicatriz, como se tivesse sido recortada da pele de cada um. Sobre o último capítulo... Queria parabenizar minha querida Ludbella18 e seu comentário maravilhoso! Garota, você realmente desvendou toda a história da Mary e o motivo de sua traição! Fiquei tão feliz por ter conseguido passar essas dicas sutis e por você ter percebido... ^^ Parabéns!!! ================================= Capítulo 60 – Always, princess... Always! (...) - Cissa... – sussurrou, a voz tão fraca quanto seu corpo, porém, ao ver a garota de cabelos negros ao lado de sua amiga, chorou. Bella cumprira a promessa, afinal. – Violet? (...) ================================= Foi uma batalha épica, com lutas incríveis e muita loucura, mas esse não é o fim! Preciso mostrar as consequências de tudo isso... Tipo... Alguém sabe onde estão Alessa ou Sophie? Snape! Os Weasley, os Black, os Malfoy... P.S.: Obrigada Min!!!!!! Fiquei tão feliz em ler sua recomendação... Ajudou bastante, já que eu estava com um bloqueio depressivo terrível... Muito obrigada!!!!