Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
58 Capítulo 57 – Surprises
Notas iniciais
“Surpresas”
Violet tinha acabado de ver seu irmão desaparecer pela escadaria quando Yaxley laçou-lhe a maldição da morte sem que a garota visse, e se não fosse por Vitor perceber a tempo de protegê-la, a garota seria eliminada sem chance de revidar.
– Você está bem? – perguntou ele enquanto lançava feitiços pelo ar e defendia-se de outros.
– Vou ficar. – respondeu, na mesma situação que o namorado.
– Sabe, eu preciso te perguntar uma coisa. – disse antes de estuporar um dos comensais. – Agora.
– Tudo bem, eu... Protego! – exclamou assim que o comensal lançou-lhe uma maldição.
– Expelliarmus! Casa comigo. – pediu encarando-a firmemente.
Violet o encarava fixamente quando Yaxley avançou novamente e Vitor a puxou pelo braço a tempo de um feitiço passar raspando.
– É uma péssima hora, sabe disso não é? – perguntou ainda surpresa, mas logo outros raios esverdeados voaram pelo salão e Violet estendeu as mãos a fim de protegê-los.
– Pode ser a única hora. – rebateu assim que ficaram de costas um para o outro e envolveram-se em duelos diferentes.
– Vamos vencer Vitor!
– Eu amo você Violet... – disse ao estuporar seu inimigo e virar-se para a garota, que havia feito o mesmo. – E quero passar o resto da vida ao seu lado.
– Você é louco... – murmurou sorrindo.
Vitor então tirou rapidamente um anel do bolso e, assim que colocou no dedo anelar da garota, viu Yaxley retornando.
– Estupefaça! – outro feitiço — Casa comigo Violet.
Violet estava prestes a responder quando o teto do grande salão desabou e Vitor a abraçou aparatando. Ao abrir os olhos, estavam no topo da escada. Nenhum comensal à vista.
– Considere-se noivo então. – sorriu a garota antes de puxá-lo pelo colarinho e colar seus lábios num beijo rápido e urgente.
– Alguém viu... Ah não, é sério isso?! Não é uma boa hora para namorar! – gritou Tonks subindo as escadas e estuporando outro comensal logo em seguida. – Expelliarmus!
– Ele... O que você faz aqui?! Acabou de ter um filho! Nosso afilhado, caso não saiba.
– Ele está bem. – garantiu – Preciso encontrar o Remo... E parem de se beijar no meio da guerra! – mandou afastando-se para um dos corredores.
– Precisamos de ajuda. – comentou Vitor. – Meus pais, Durmstrang... Eles não sabem ainda.
– Ótimo, traga Durmstrang. – pediu Violet beijando-o novamente – Eu vou para Beauxbatons – avisou para logo aparatar.
Não foi difícil convencer Durmstrang e Beauxbatons a ajudarem e, em cerca de dez minutos, Vitor havia voltado com Saoirse, James e Vyola liderando as centenas de alunos do Instituto, assim como Violet, que chegou poucos minutos depois com as moças da academia francesa.
Ao voltar, entretanto, Violet não encontrou os comensais que esperava estarem espalhados pelo castelo ou os duelos e feitiços que voavam pelos ares. Estava tudo silencioso quando entrou ao lado das moças no salão principal e encontrou pessoas sentadas pelos cantos, feridas, Madame Ponfrey cuidava de alguns alunos e, ao longe, viu os Weasley...chorando?
– O que aconteceu? – perguntou ao se aproximar de Régulus, que apenas apontou para o lugar onde os Weasley choravam. — Rég?
– Voldemort parou a guerra e deu uma hora para cuidarmos dos que não sobreviveram...
– E desde quando ele é tão bom?
– Ele deu uma hora para o seu irmão ir até ele e... – começou, porém, foi interrompido quando uma dor aguda rompeu a garganta da menina, que curvou-se com falta de ar e caiu de joelhos enquanto ele tentava segurá-la. — Violet?
– Eu... Eu não entendo! Eu... Ahhh! – gritou novamente e, dessa vez, muitos se aproximaram. — Algo... Algo aconteceu...
– Eu sinto muito Violet, mas não tinha nada que eu pudesse fazer... – disse Hermione aproximando-se ao pensar que o grito da garota era por saber do irmão.
– Do que está falando? – perguntou entre gemidos quando uma lágrima escorreu por seu rosto.
– Harry... – respondeu, e a essa altura já havia percebido que Violet não sabia — Ele era a última Horcrux. Por isso você perdia o controle perto dele e...
– Harry é... Uma horcrux?! – repetiu, a dor em seu peito aumentando e suas mãos formigando. Sentia sua alma se rasgar arduamente, e isso só poderia significar uma coisa. – Não, não, não, não... Isso não pode... Ahhh! – gritou novamente, a dor cada vez mais insuportável.
– O que aconteceu? – indagou Minerva aproximando-se rapidamente e tomando o lugar de Régulus ao lado da sonserina.
– Uma horcrux foi destruída. – respondeu sentindo o ar de seus pulmões esmagá-la por dentro.
– Harry... – sussurrou Hermione com lágrimas nos olhos.
Violet não pensou em nada e, assim que sentiu o desconforto substituir a dor, levantou-se rapidamente e correu para fora do castelo. Minerva, porém, não a deixaria ir.
– Você não vai sair daqui Violet, me recuso a perder mais alguém hoje... Especialmente você.
– Não vou perder meu irmão! – rebateu descendo as escadas da entrada, uma pequena multidão logo atrás, quando um grande grupo de comensais surgiu no pátio da escola.
Um grito ecoou da garganta de Hermione Granger e um sentimento de pânico invadiu os presentes. Violet olhou na direção do som e arrependeu-se instantaneamente. Ali, nos braços acorrentados do meio gigante Hagrid, estava um corpo.
– Harry Potter, o salvador de vocês, está morto! – anunciou Voldemort satisfeito enquanto Narcissa e Lucio Malfoy lançavam olhares à multidão a procura do filho.
Se o chão se abrisse naquele momento e a engolisse, seria muito mais fácil do que presenciar o corpo do seu irmão desfalecido à sua frente. O buraco em seu peito apertou-se ainda mais e sua respiração saía com dificuldade, quase não vencendo as barreiras da garganta. Ela sabia que a Horcrux havia sido destruída, sentiu! Mas também queria acreditar que algum milagre havia acontecido e Harry estava apenas dormindo... Tranquilo. Todos olharam para Violet à espera de alguma reação, porém, a garota de olhos azuis não o fez.
– Esta é a hora para mudarem de lado. Rendam-se e serão aceitos entre nós, aceitem que perderam e juntem-se aos Comensais... – disse Voldemort.
– Se você é louco a ponto de pensar que alguém aqui faria isso, é melhor se tratar Tom! – exclamou uma voz extremamente conhecida que causou um espanto instantâneo entre os comensais, que observaram uma figura altiva passar pelas grandes portas de madeira com uma varinha em punho. A determinação estampada em seu rosto.
– Meryl Seyfried... – murmurou Voldemort surpreso e até mesmo um tanto amedrontado. Como ela sobrevivera?! – Pensei que estivesse morta.
– Foi um plano muito bom o de vocês, pena que eu soube de tudo quase um mês antes. – ironizou com um sorriso debochado.
– Interessante escolha de vestuário, de volta aos velhos hábitos Ministra? – perguntou indicando os cabelos dourados presos num coque e as roupas que costumava usar quando ocupava o maior cargo do Ministério. – Você não fala por todos Seyfried. Que tal dar a oportunidade de eles se entregarem a mim? – disse indicando para que alguém desse um passo a frente, entretanto, apenas o silêncio parecia presente — Ninguém? – debochou – Uma pena... E quanto à nossa Escolhida?
Minerva apertou Violet em seus braços ainda mais protetoramente, porém, a garota não correspondeu, estava estática e presa num mundo onde a dor e a mágoa reinavam.
– Violet Eileen, eu reafirmo minha proposta... Torne-se uma Comensal e será lembrada para a eternidade, você reinará sobre os traidores e poderá fazer o que quiser... Evoluirá de tal forma que será invencível!
Nesse momento Violet finalmente tirou os olhos do corpo de seu irmão e passou para o Lorde das Trevas, que sorria tentadoramente.
– Seu pai está morto, seu irmão, sua avó e sua mãe também... Sua família se foi e em breve todos aqui seguirão o mesmo caminho. – disse o Lorde novamente – Venha comigo Violet...
Por um momento ela realmente considerou aceitar a proposta, mas a dor que sentia naquele momento sobrepunha-se a qualquer outro pensamento racional. As palavras “seu pai está morto” ecoavam em sua mente com a mesma intensidade com que as que determinaram o fim de Harry.
– Vamos Violet, não precisa ter medo... Eu lhe ajudarei! Posso ser o pai que nunca teve... Severo mentiu para você, te enganou e traiu todos aqui... Por que se preocupar com ele? Snape mereceu!
– Não... – sussurrou Violet fechando os olhos com força, quase não acreditando naquelas palavras. O Morcego das Masmorras não poderia estar morto!
– Ele implorou que eu te deixasse viva, que eu te poupasse... É o que estou fazendo agora. – falou — Eu comentei que Severo Snape gritou quando as presas da Nagini perfuraram seu pescoço? – debochou. – Venha comigo!
– NÃO! – exclamou raivosamente, porém, antes que Violet abrisse os olhos novamente, Harry caiu do colo de Hadrig e lançou um feitiço à Nagini, que por pouco não foi atingida pelo fogo. Voldemort gritou de ódio e avançou no garoto, que o atraiu para longe da irmã enquanto a guerra recomeçava. Ele sabia que Violet saberia do pai alguma hora, mas não poderia deixá-la ouvir do Lord das Trevas sem antes explicar o que realmente aconteceu.
Minerva apertou a afilhada ainda mais e tentou tirá-la dali, mas logo foi atingida por um feitiço e colidiu com a parede logo atrás. Quando a garota olhou para cima, viu que Greyback a encarava com um sorriso esfomeado de lobo e avançava rapidamente. Quando finalmente despertou do transe para acabar o que havia começado no Gringotes, o lupino foi atingido por um feitiço estuporante e caiu. Com a varinha empunhada e uma raiva palpável nos olhos, Meryl Seyfried se aproximava.
– Vai. — mandou a mulher para Violet, avançando na direção do homem que se levantava – Temos contas a acertar Greyback!
– Sério? – debochou – Não me recordo Miranda. Sabe, você ficou maravilhosa com esse cabelo, como nos velhos tempos... Sua menina tem um igual não é? Embora estivesse um pouco apavorada quando a peguei de surpresa...
– Você vai se arrepender por ter cruzado o caminho da minha filha seu bastardo! Crucius! – exclamou fazendo um jato de luz verde sair de sua varinha e atingir o lupino, que recuou poucos centímetros.
– Isso não é nada para mim Miranda! – gargalhou – Um bruxo de verdade pode fazer mais que isso... Crucius!
Meryl quase foi atingida, porém, utilizou seus bons reflexos ao seu favor e ergueu um poderoso escudo que barrou a maldição cruciatus.
– Aquele dia você me escapou Miranda, mas hoje não terá a mesma sorte! – exclamou lançando um novo feitiço à loira, que novamente desviou e rebateu. Estavam duelando para matar.
Violet estava aliviada por seu irmão estar vivo, mas não pode deixar de sorrir quando percebeu a cobra de Voldemort desprotegida. Ao longe viu Harry duelando contra o Lord das Trevas com aparentes chances de vencer ou, no mínimo, atrasá-lo até que ela acabasse com tudo. Nagini estava tão acessível que chegava a duvidar que Riddle não tivesse percebido.
Ignorando todos os instintos que diziam para se afastar, Violet avançou na direção de Nagini o mais rápido que pode, desviando dos feitiços de Molly, que duelava contra Dolohov, e de Arthur, que não aparentava estar bem. Quase ao lado da cobra, porém, sentiu um impacto nas costas e uma sensação nova tomar conta de seu corpo.
Subitamente viu imagens desconexas em sua cabeça. Uma garota de cabelos negros correndo pelas escadas e uma mulher sorrindo logo atrás. Outra mulher, dessa vez loira, surpreendê-la na porta e pegá-la no colo distribuindo beijos por seu rosto.
Atordoada, Violet virou seu corpo e encontrou Bellatrix à sua frente, a varinha abaixada e uma expressão culpada no rosto. Os olhos negros a encarando profundamente, como se esperasse algo. Um passo à frente... Outra lembrança em sua mente. Bellatrix deitada numa cama, uma versão menor da própria Violet ao seu lado e as duas rindo.
Outro passo... E um garoto loiro de pouco mais de oito anos correndo ao seu lado pela casa com a mesma mulher loira, Narcissa, gritando para que parassem de brincadeira e fossem para o quarto. Bellatrix estava a centímetros de distância quando Violet a viu deitada num telhado ao seu lado, abraçadas, encarando as estrelas.
– Você estava lá... – sussurrou rouca ao lembrar de quando estiveram juntas na casa dos gritos antes da invasão, das palavras de amor e do abraço carinhoso que compartilharam. – Sempre esteve...
– O tempo todo. – concordou Bellatrix rompendo a distância e tomando-a nos braços rapidamente.
Violet via milhares de memórias em sua cabeça, lembranças esquecidas de um passado distante onde Bellatrix era sua mãe e Narcissa sua tia, quando se amavam e se importavam umas com as outras. Bella apertava seus braços cada vez mais ao redor da menina, que chorava emocionada e com saudades daquele tempo. Ela sabia que estavam numa guerra e que logo teria que se afastar da mulher de preto, mas decidiu ignorar esse fato e aproveitar o máximo que pudesse daquele abraço aconchegante que esqueceu o quanto fazia falta. Nagini já estava fora de seus pensamentos.
– Eu sei que tem motivos para me recriminar, e não nego nenhum deles, mas você precisa acreditar que eu realmente me afeiçoei à garotinha de cabelos negros que me acordava todas as manhãs! – sussurrou em seu ouvido — À menininha que corria pelo jardim daquele colégio e pulava nos meus braços com algum desenho ridículo nas mãos, mas que para mim eram os mais bonitos do mundo. – sorriu com a lembrança — Eu os escondi debaixo do assoalho da casa dos Black, todos eles, quando Sirius estava em Azkaban... A nossa casa. – apertou-a mais – Nunca se esqueça que eu realmente gosto de você Estrelinha. Eu costumava te chamar assim quando era criança... Lembra por quê?
– Meus olhos. – respondeu com pequenas lágrimas presas em sua retina. – Você dizia que eles eram como duas estrelas brilhantes e cintilantes... Que podia ver o universo neles...
– E eu ainda posso. – disse afastando o abraço e encarando-a profundamente — Seus olhos sempre me disseram o que sua boca se negava... Eles ficam tão claros quando chora... – comentou passando a mão sobre sua bochecha... Um carinho suave...
– Bellatrix! – gritou Molly aproximando-se.
A comensal rapidamente puxou a garota na sua frente e passou um dos braços em seu pescoço, apontando sua varinha com a outra mão para a mulher de cabelos ruivos.
– Eu sinto muito pelo que aconteceu Estrelinha... – sussurrou em seu ouvido. – Gostaria que as coisas tivessem sido diferentes...
– Não ouse fazer mal a ela, Bella... – exclamou Meryl firmemente aproximando-se também logo após derrotar Greyback.
Violet queria, mais que tudo, acreditar que Bellatrix realmente gostava dela, que a amava tanto quanto ela e a queria segura, como nas memórias que haviam voltado, mas ao mesmo tempo se recusava a cair em outro golpe. Estava cansada de sofrer e sabia que apenas um dos lados sairia vivo ao fim do dia...
– Bellatrix! – exclamou Molly novamente.
– Obviamente minha palavra não tem crédito nenhum, então terá que acreditar na mulher que cuidou de você. Lembre-se de tudo que já passamos e, principalmente, dos momentos que a fiz esquecer... – pediu – Recordare, quod nulla oblivione delebitur...
Era outono. As folhas já secas balançavam conforme o vento passava por elas e amaciando o rosto das duas mulheres que brincavam alegremente. A garotinha de olhos safiras e cabelos negros corria rapidamente entre as árvores do enorme jardim.
– Você não me pega mamãe! – gritou a garotinha.
– Ah eu pego sim! – respondeu a mulher.
Logo ao lado, num dos bancos de madeira, uma mulher de cabelos loiros permanecia sentada e seguia as mulheres com os olhos. Elas se davam tão bem! Quem não as conhecesse, diria facilmente que eram mãe e filha.
Quando a de cabelos negros finalmente alcançou a garota, segurou-a em seu braço e acabou caindo. Violet caiu sobre ela e ambas riram no chão repleto por folhas secas alaranjadas.
– Te peguei estrelinha!! – falou a mulher enquanto fazia cócegas na garota, que contorcia-se de rir
– Muito bem vocês duas, sei que sou chata mas está ficando tarde... – disse a outra mulher em pé ao lado das duas.
– Tem razão, você é chata... – riu Bella olhando conspiratoriamente para Violet, que sorriu marota.
– Ahhh tia Cissa... Só mais um pouco... – pediu a garota com os olhinhos pidões.
Assim que a loira estendeu a mão para ajudar a irmã a levantar, Bella puxou-a rapidamente para o chão, onde Violet e ela fizeram cócegas na mesma.
– Vocês duas se merecem! – riu Cissa — São duas pragas!
– AFASTE-SE BELLATRIX! – ordenou Minerva apontando sua varinha ameaçadoramente e tirando-a de seus devaneios. Violet estava com os olhos embaçados pelas lágrimas que desciam furtivamente, e lembrar tudo aquilo a estava dilacerando.
– Essa é a minha deixa... – sussurrou — Estupefaça! – gritou Bella apontando para Meryl, que desviou-se rapidamente. – Só mais uma coisa... – tornou a sussurrar – Ele está vivo, ouça o que tem a dizer.
– Quem? – perguntou com lágrimas nos olhos e um aperto em seu peito. Não podia deixá-la ir, queria abraçá-la e dizer que a amava, que era sua mãe!
– Seu pai. – respondeu – Adeus Estrelinha... – falou beijando-lhe a face carinhosamente e logo e seguida jogando-a bruscamente contra o chão.
– Avada Kedavra! – exclamaram Meryl e Minerva no mesmo instante.
– Eu amo você... – sussurrou com um último sorriso direcionado a garota antes de dois raios atingirem seu coração.
A varinha escorregou por seus dedos e a mulher desabou no chão, os olhos outrora negros estavam fechados e a expressão fria, pacífica. Violet, por sua vez, sentiu um buraco abrir-se em seu peito com as lembranças e as últimas palavras de Bellatrix... De sua mãe.
Ainda respirando com dificuldade e incapaz de mover-se do chão duro e úmido, sentiu as lágrimas querendo cair por seus olhos.
– Mamãe, conta uma historinha para eu dormir? – pediu a garotinha de seis anos deitada em sua cama na casa Black.
– Só se você prometer dormir logo em seguida. – respondeu a mulher fechando as cortinas.
– Eu prometo.
Bella sorriu e sentou-se na cama ao lado da garotinha, aconchegando-a nas cobertas.
– Vou contar a história de um mundo onde existem elfos, gigantes, animais fantásticos, unicórnios...
– Tem fada?
– Hmm... Não, fadas não...
– E bruxas?
– Oh, bruxas com certeza têm... – riu acolhendo a menina em seus braços num abraço maternal – Nesse mundo existem muitos bruxos e bruxas, mas nem todas são boas ou más.
– Se tem bruxa é porque tem magia, não é?
– É sim – riu – Tem muita magia!
Feitiços eram lançados ao seu redor e uma varinha estava abandonada à frente. Mas nada importava.
– Violet, você está bem? – perguntou Minerva ao seu lado.
– Merlin, o que aconteceu aqui?!
– Estamos fazendo biscoitos Tia Cissa... – respondeu Violet.
Narcissa olhou boquiaberta ao redor e descobriu a cozinha repleta de farinha e chocolate em pó, Bella e Violet estavam com o rosto sujo de massa e açúcar, os cabelos negros da garota quase brancos e o delicado vestido vermelho manchado de suco de abóbora.
– Estão fazendo biscoitos ou são os biscoitos? – riu Cissa – Violet olha o seu vestido!
– Eu... Eu não sei... – respondeu Violet confusa.
– Venha, você precisa sair daqui agora... – falou segurando-a para levantá-la. – Você está chorando?!
Antes que ela pudesse responder, entretanto, sentiu um puxão em seu peito e uma ardência na mente. Logo ouviu um urro de dor saindo de Voldemort e, ao olhar ao redor, Nagini se esvoaçava contra o vento e Neville empunhava bravamente a espada de Godric Gryffindor logo ao lado. Aquilo pareceu despertá-la, finalmente percebeu que só restava uma Horcrux para acabar com a guerra: Voldemort, que duelava com Harry Potter.
Forçou sua mente a ignorar a dor em seu peito e concentrou-se no Lord das Trevas. Não pensou mais em Bellatrix ou em Snape, tudo que existia naquele momento era o homem de negro mais à frente.
– Violet... – chamou Minerva novamente, porém, a garota não deu ouvidos.
Soltou-se dos braços da madrinha e caminhou na direção de Voldemort, que lançava feitiços furiosamente na direção do menino. Violet percebeu que o irmão estava fraco e provavelmente não aguentaria por muito tempo, logo, estava na sua hora.
– Adeus, Harry Potter... – sussurrou Voldemort ao desarmar o garoto à sua frente e derrubá-lo. Um homem desconhecido estava ao seu lado e sorria em expectativa. A varinha das varinhas tinha um novo dono e dessa vez nada poderia impedir a morte do “garoto que sobreviveu”.
Nada, a não ser Violet, que avançava rapidamente e empurrou o irmão para longe no exato momento que o raio verde mortal saiu da varinha de sabugueiro.
– Você não vai tocar nele nunca mais.
– Ah Violet, que bom que se juntou a nós... – sorriu, porém, ele não tinha intenção de matá-la ou duelar contra a garota tão cedo. – Gostaria de apresenta-la a um de meus mais poderosos seguidores... – apontou o homem ao seu lado – Myrddhin Pendragon.
– Pendragon? – repetiu surpresa.
– Deve ter conhecido minha irmã gêmea... Morgana. – manifestou-se o homem alto com feições duras e belas, olhos tão claros quanto os da falecida irmã e expressão tão bela quanto o do mais bonito ser humano.
– Faça Myrddhin, e terá sua irmã de volta. – atiçou Voldemort.
Não foi preciso nenhuma outra palavra, pois o bruxo rapidamente ergueu sua mão e soltou um jato de magia na direção da garota, que apesar de surpresa, revidou.
– Ele está mentindo! – disse Violet tentando manter o duelo, era óbvio que Myrddhin era muito mais forte que ela, então, sua única chance seria apelar para palavras enquanto aguentava o máximo possível. – Não se pode trazer os mortos de volta a vida, sabe disso não sabe? É uma das leis da magia!
– Você é esperta Violet, mas não sabe tudo. – respondeu Voldemort observando maravilhado os dois bruxos à sua frente duelarem com magia negra – Existe um jeito, um único jeito, de quebrar as leis da magia... E qual foi minha surpresa quando descobri que tinha todos os ingredientes bem a minha frente? – debochou. – Acabe com o serviço Myrddhin.
– Não! – rebateu Violet quando o Pendragon lançou um novo jato de luz negra em sua direção.
Reunindo todas as suas forças, revidou na mesma intensidade e Voldemort aproveitou a situação e jogou uma pedra entre eles no exato momento em que os feitiços colidiram. Foi criada uma singular reação e Violet reconheceu a pedra como a do anel dos Gaunt.
– O quê... – começou, não entendendo o porque de ela resistir à tanta magia negra, porém, no momento seguinte viu uma fina linha prateada sair da pedra e envolver a energia dos dois lados para logo uma sombra negra pular do centro dela e cair do chão, como uma massa pastosa, levantando-se lentamente até tomar a forma de um adulto.
Foi com terror e pânico que a garota viu à sua frente Morgana Pendragon erguer o rosto e abrir os olhos amarelados em sua direção. Myrddhin então forçou sua magia na menina e a derrubou no chão pra dirigir-se à mulher que observava o lugar atentamente.
– Bem vinda de volta irmã... – murmurou ele aproximando-se com um enorme sorriso que logo foi retribuído.
– Myrddhin... – sussurrou maravilhada analisando lentamente as mãos pálidas e logo em seguida o rosto do homem à sua frente. — Milorde?
– Ela está pronta. – avisou ele apontando a garota que levantava-se lentamente — Faça!
– Como... Como você... – tentou Violet confusa, porém, não entendia o que havia acontecido.
– Sentiu saudades Violet querida? Ah, como é bom estar de volta! – debochou Morgana aproximando-se. – Vejo que conheceu meu irmão... Ele é incrível não é?
– Eu não sei como você voltou, mas é melhor ficar longe de mim!
– Ahhh, agora que vamos nos divertir um pouco? – riu enquanto Myrddhin pegava a pedra do chão discretamente. – Você não vai fugir como na última vez... Não mesmo. – avisou antes de mandar um jato de magia com as mãos na direção de Violet, que ergueu um escudo assustada.
Ela não sabia o que fazer, nunca havia visto ou ouvido algo parecido e estava claro que os irmãos Pendragon tinham Magia Negra. Mas como?! Nos livros não tinha qualquer informação sobre Myrddhin Pendragon, se não a que estava morto há séculos atrás e...
Séculos...
– Vocês são imortais! – exclamou enfraquecendo seu escudo.
– Imortais? – debochou Morgana – Oh não querida, ninguém é imortal... Mas sangue de unicórnio combinado à Magia Negra faz milagres, sabia? Vamos acabar logo com isso Violet, tire o escudo e lute como se deve! – gritou forçando a proteção da menina, que percebeu rachaduras ao longo do mesmo. – Acho que alguém está perdendo as forças... Mas eu entendo. O papai já está morto? Seus amigos? Ou aqueles bastardos ainda vivem? – provocou.
Myrddhin observava atentamente a menina, esperando pelo momento perfeito. Morgana era ótima em provocações, e sua última mexeu com a garota que rapidamente desfez o escudo e revidou na mesma moeda que a bruxa. Assim como Voldemort fez minutos atrás, Myrddhin jogou a pedra entre os feitiços no exato momento em que colidiram, a mesma reação voltando a acontecer.
– O que está fazendo? – perguntou Violet ao perceber que não conseguia se desprender do ataque e que a mesma pedra que trouxe Morgana de volta estava girando infinitas vezes entre elas.
Antes que Voldemort falasse algo, entretanto, Myrddhin entrou no duelo e lançou um terceiro jato de magia na pedrinha, que começou a tremer ainda mais criando um feixe de luz dourada e prendendo os três bruxos como se fossem um. Uma grande esfera negra cresceu onde estava a pedra e dela saíram milhares de sombras escuras, desfalecendo-se ao chão e erguendo-se exatamente como Morgana havia feito.
Violet tentou soltar-se, porém, não conseguia sequer sair do lugar. Myrddhin e Morgana sorriam diabolicamente e Voldemort ria maravilhado encarando as centenas de pessoas que erguiam-se do chão e encaravam-no em confusão.
– Sabe Violet, há anos atrás eu descobri que era possível sim trazer os mortos de volta à vida. – começou ele, cada vez mais sombras saindo da esfera negra e pousando no chão. – Mas apenas duas coisas extremamente raras combinadas poderiam fazer isso: a Pedra da Ressurreição e Magia Negra. A pedra seu irmão fez a cortesia de me devolver, mas a magia... Ah Violet, eu precisava exclusivamente dos três bruxos vivos mais poderosos em magia negra para trazer mais de uma pessoa, mas eu só possuía dois: os gêmeos Pendragon. Adivinhe minha surpresa quando descobri que você também tinha! Vocês três eram os últimos com esse tipo de magia no sangue, os mais poderosos e talentosos, e dois eram meus aliados. – riu orgulhosamente quando a esfera finalmente parou de crescer e um pequeno raio esbranquiçado dividiu-se em três, percorrendo cada um dos jatos lançados. — Você foi preparada esses anos todos para que chegasse até aqui...
Violet, Morgana e Myrddhin foram jogados para trás e a conexão rompeu-se instantaneamente. A pedra caiu sobre a terra suja e Voldemort contemplou as centenas de pessoas trazidas de volta.
– Olhe ao seu redor Violet... Todos os comensais que um dia foram abatidos estão de volta para servirem seu mestre. Todos! – garantiu para logo em seguida voltar-se aos seguidores – Meus queridos seguidores... Bem vindos de volta! Honrem o nome do Lord das Trevas e façam com que me sinta orgulhoso de trazê-los. Matem todos e derrubem Hogwarts!
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