Notas iniciais
A guerra finalmente começou, quase não acredito... Que emoção! :’( Vocês provavelmente me desarão morta daqui para frente, mas não cedam à tentação (por favorzinho)! Que a força esteja com vocês...


“Fogomaldito”

– NARRAÇÃO – HOGWARTS, 1 DE MAIO DE 1998 —

– Você-Sabe-Quem está vindo.

– O quê?! – surpreendeu-se Flitwick – M-mas... Mas você sabe que não podemos para-lo, não sabe Minerva?

– Mas podemos atrasá-lo o suficiente. – respondeu Sprout. – Feitiços de proteção no castelo devem ajudar.

– Sim, concordo Pomona. – disse Shacklebolt. – O que aconteceu exatamente?

– Eles voltaram, Snape fugiu, os Carrow estão presos e Voldemort está vindo. – resumiu Sprout — Os alunos mais novos foram mandados para casa e os demais estão se organizando.

– Vamos lutar. – completou Minerva.

Logo toda a Ordem e os professores se dividiram para melhor defenderem o castelo. As torres da Corvinal, Grifinória e Astronomia eram as mais altas e as que ofertavam maior visão, portanto Sprout, Madame Hooch e Firenze levariam os grupos com bruxos especialistas em feitiços para cada uma das três.

Shacklebolt, Remo e George cuidariam do primeiro andar com outro grupo e os gêmeos Weasley ficariam com as entradas e passagens secretas do castelo. Minerva, Flitwick e Slughorn, por sua vez, acompanharam inúmeros outros bruxos para fora da escola e lançaram feitiços de proteção que envolveram a área rapidamente, um escudo protetor que dizimaria qualquer um que ousasse ultrapassá-lo. Minerva, entretanto, parou em frente à entrada e, erguendo sua varinha...

Piertotum Locomotor! – exclamou.

Molly Weasley observou surpresa quando as estátuas de pedra incrustadas nas paredes passaram a se mexer e deixar seus postos, assumindo formação de exército.

– O castelo está em perigo! Protejam os portões, cumpram com seu dever com a escola! – continuou McGonagall enquanto as estátuas se separavam para bloquear a estrada principal protetoramente. – Eu sempre quis usar esse feitiço... – comentou animada à ruiva, que a encarou questionadoramente.

Enquanto isso, dentro do castelo, Violet, Harry, Rony, Hermione, Mary, Luna, Alessa e Blás conversavam sobre os próximos passos.

– Onde vamos encontrar o diadema? – perguntou Rony. – Vocês ouviram, não há uma pessoa viva que o tenha visto... Está perdido.

– Ora, não é óbvio? – comentou Luna. – Precisamos conversar com alguém que morreu.

– E como você espera que façamos isso? – ironizou Rony.

– Helena Ravenclaw, a filha de Rowena. – respondeu Luna. – Ela é o fantasma da Torre da Corvinal agora, a Dama Cinzenta.

– Ótimo, então a Vi pode ir falar com ela e...

– Não me levem a mal mas... A Helena é muito tímida e não se dá bem com a Sonserina, o ex noivo dela era o Barão Sangrento e foi ele que a matou. – explicou Luna – Se a Violet for ela pode não ajudar...

– Então é melhor você ir Harry. – concordou Violet. – Se eu for ela vai se assustar. Luna e Harry vão falar com ela e pegar o diadema. Eu fico aqui e ajudo a proteger o castelo. Voldemort acha que eu estou atrás das Horcruxes, então se perceber que estou na proteção da escola, vai se acalmar um pouco.

– Não vai adiantar nada eles conseguirem o diadema, não temos como destruí-lo. A Violet consegue, mas não sei o que poderia acontecer com ela... Da última vez não foi nada agradável. – comentou Mary.

– Basilisco... – comentou Rony. – Vocês disseram que apenas algo indestrutível e raro poderia destruir Horcruxes... Harry, você destruiu o diário de Tom Riddle com uma das presas do basilisco!

– Tem razão Rony, isso é brilhante! – comentou Hermione.

– Sempre o tom de surpresa... – ironizou ele.

– Aqui... – disse Harry tirando o mapa do maroto da bolsa e entregando ao ruivo. — Fica com o mapa, assim você me encontra depois...

Antes que qualquer um falasse algo, ouviram um grande estrondo fora do castelo e logo o escudo protetor caiu. A discussão foi encerrada quando sombras negras quebraram o vidro do salão e Violet envolveu-se num duelo.

Rony e Hermione não perderam tempo e foram em direção ao banheiro feminino enquanto Harry e Luna corriam pelas escadas até a Torre da Corvinal. Alessa atraiu alguns comensais pelos corredores e Blás não saiu um momento sequer do lado de Violet, que tentava controlar-se ao mesmo tempo em que lançava feitiços. Mary, por outro lado, simplesmente desapareceu.

Harry e Luna conseguiram encontrar Helena, mas o fantasma não estava muito propicio à conversas e ainda duvidava das intenções do garoto.

– Nós precisamos destruí-lo! É isso que quer, não é?

Após alguns minutos de argumentos e um sorriso de Luna, Helena finalmente cedeu e entregou a localização do diadema. Estava em Hogwarts! Harry ficou eufórico quando desceu as escadas rapidamente, com a loira ao seu lado, até Violet, que estava apoiada em uma das paredes.

– Vi? – chamou e, assim que ouviu sua voz, Violet abriu os olhos negros para o irmão. – Seus olhos...

– Está perto... – sussurrou – Eu posso sentir a energia da Horcrux nesse castelo e está quase insuportável ficar aqui, parada. Quase me derrubaram num duelo por isso... Conseguiram?

– Sala Precisa. – afirmou ele. – Vem com a gente, Rony e Hermione não voltaram com as presas e você precisa disso, não é?

– Eu fico do lado de fora. – concordou.

– Zabini! – gritou Harry enquanto Luna e Violet iam na frente. – Consegue proteger minha irmã por alguns minutos?

– Claro! – assentiu seguindo-o logo em seguida.

Felizmente não havia comensais no caminho até o segundo andar, onde os quatro pararam em frente à parede e uma grande porta surgiu. Violet fechou os olhos rapidamente e não conseguiu evitar dar um passo à frente. A energia era tão forte!

– Violet?

– Não consigo, desculpa. – murmurou ignorando os demais e adentrando o enorme salão que aparecera.

– Zabini, vai com ela... – pediu Potter enquanto a irmã se aventurava entre os móveis e objetos perdidos dentro da sala. – Eu não posso ficar perto dela, depois explico. Aconteça o que acontecer, cuide dela, ouviu?

– Claro Potter. – disse zangado pela desconfiança e seguiu a amiga pela porta que rapidamente foi fechada. – Esse lugar é uma bagunça hein? Violet?

Apesar de quase gritar, o moreno não obteve resposta. Estava começando a se preocupar quando ouviu passos ao longe e percebeu que não eram os da amiga. Correu na direção que achou a ter visto e, segundos depois, aliviado viu-a abrir uma caixa totalmente alheia ao redor.

– Violet?

Novamente a garota não ouviu. Violet estava extremamente eufórica quando sentiu todo o poder emanando do diadema e estava prestes a tocá-lo quando um feitiço fechou a caixa.

– É melhor se afastar Black.

– Parkinson. – rosnou virando-se na direção da garota com varinha empunhada, acompanhada por dois sonserinos e Blás, que fora rendido. Por Draco Malfoy. – Se você não sair daqui agora eu juro que não viverá para ver o dia nascer! – ameaçou virando-se novamente para a caixa, porém Pansy a tirou de suas mãos com um feitiço de levitação e segurou-a contra o peito.

– Sério? – debochou.

Violet então abandonou qualquer pensamento racional e deixou-se levar pela emoção. Abriu as mãos e uma luz enegrecida saiu das palmas e atingiu a garota, que colidiu com um amontoado de coisas velhas atrás de si. A caixa ainda em seus braços.

Logo que os móveis antigos começaram a despencar, Draco soltou Blás e tentou atacar Crabbe, mas este fora mais rápido e conjurou o fogomaldito. Entretanto, não era habilidoso o bastante para controlar o dragão de fogo e logo a sala começou a pegar fogo.

– Ah fala sério, é o segundo incêndio no mesmo dia! – reclamou Draco estuporando Crabbe.

– Isso fica comigo Pansy. – rosnou Violet tirando a caixa dos braços da morena, que mesmo machucada não desistiu e a atingiu com um feitiço rápido.

Violet foi lançada para o outro lado e caiu sobre um emaranhado de chamas que a fizeram gritar de dor, as costas queimadas ardiam e sua raiva estava ainda maior. Draco aproximou-se rapidamente para tirá-la dalí, mas antes que o fizesse Violet estendeu a mão direita e as chamas mais próximas foram sugadas por suas palmas. Blás presenciou assustado a pequena mostra do enorme poder contido na garota quando ela domou as chamas e abriu passagem pelas chamas. Suas mãos pálidas estavam consumidas por labaredas, as veias pareciam absorver o calor e seu braço descoberto estava vermelho amarelado...

Draco segurou a caixa firmemente e, arrastando Blás junto, correu em direção à porta enquanto Violet abria o caminho, logo atrás. Harry estava prestes a entrar na sala quando Hermione e Rony apareceram e, segundos depois, viu sua irmã domando o fogo.

Assim que os garotos chegaram, Blás entregou a caixa ao grifinório, que não perdeu tempo e, após receber uma das presas do basilisco de Hermione, cravou-a no diamante azul da tiara de Ravenclaw. Uma densa fumaça libertou-se do objeto simultaneamente a um tenebroso grito de dor vindo da sonserina, que caiu de joelhos em frente a porta. As chamas presas em suas mãos pareceram libertar-se e ergueram uma perigosa cortina de fogo enquanto a garota sentia como se sua alma houvesse sido rasgada e dilacerada.

Ela não viu quando Draco deu um passo a frente involuntariamente e Blás o afastou, mas sentiu algo terrível tomar conta de seu corpo. Harry sentiu em Voldemort a mesma sensação e viu imagens desconexas do bruxo das trevas deixando o campo de batalha e desaparecendo.

Hermione, em mais um acesso de astúcia, jogou a tiara de Ravenclaw por entre a porta e fechou-as rapidamente, porém não sem antes ver a face de Voldemort entalhada nas chamas ardentes e descontroladas. A horcrux fora destruída e Violet finalmente conseguiu respirar melhor, a dor desaparecendo e lhe restando apenas um leve desconforto.

– Você está bem? – perguntou Luna ajoelhando-se ao lado da morena, que apenas assentiu.

– Draco? – perguntou ela e, como se ele tivesse entendido a pergunta...

– Eu nunca deixaria que a Parkinson machucasse vocês dois. – admitiu colocando as mãos no bolso. – Sem sermões Potter.

– Eu não ia...

– Depois vocês conversam! Harry, você precisa entrar na mente dele... – começou Rony – Precisamos da cobra... Descubra onde ele vai que ela estará junto.

Enquanto Violet encarava o sonserino com claras dúvidas em seus olhos, Harry sentiu um enorme desconforto ao invadir a mente de seu inimigo e vê-lo fugir... Nagini ao seu lado.

– Casa dos barcos. – respondeu Harry minutos depois – Ele está lá com a Nagini e o pai do Draco e... – hesitou encarando a irmã — Mandou chamar o Snape.

– Ele não vai lutar? – ultrajou-se Hermione. – Voldemort, ele ficará lá enquanto seus seguidores fazem o trabalho sujo?!

– Não, ele pensa que eu e a Violet vamos até ele... Precisamos da cobra, então ele está certo.

– Esse é um bom motivo para não ir. – disse Rony — Escute, eu vou e...

– Não! – recusou Hermione — É melhor eu pegar a capa e...

– Chega! – gritou Violet. – Harry está certo, mas eu não posso ir junto. Se eu me aproximar da Nagini e Voldemort estiver ao meu lado, não vou me controlar e posso fazer uma besteira. Vocês vão.

– Tem certeza? Se você for pode se livrar da dor... Nós vimos como...

– Não Harry, eu não posso perder o controle perto dele! – rebateu enquanto caminhavam até a entrada da escola rapidamente – Destruam Nagini e não se importem comigo. Apenas sejam rápidos, quanto mais tempo ela sobreviver ao veneno, mais dor eu sentirei. Eu posso proteger o castelo e... Droga. – ralhou assim que viu enormes aranhas peludas pularem da floresta em direção ao castelo. Rony ficou repentinamente mais pálido e deixou bem claro seu pavor por aranhas. – Eu e a Luna vamos abrir caminho para vocês, corram o máximo que puder e não olhem para trás! Blás, nos dá cobertura, Draco... Draco? – chamou ao não receber uma resposta e, após olhar ao redor, não encontrou nenhum sinal do loiro. – Esquece... Vão! – gritou avançando com Luna e afastando as aranhas.

Harry, Rony e Hermione correram logo atrás e conseguiram passar pelas criaturas peludas, porém, dezenas de dementadores apareceram e um deles avançou em Harry, que não teve tempo para revidar e começou a ser sugado. Ron, Hermione e Luna conjuraram seus patronos rapidamente, mas não pareciam dar conta quando mais dementadores apareciam. Blás ainda estava chegando quando Violet conjurou seu próprio patrono e uma enorme águia ergueu-se na madrugada escura, crescendo por entre os seres das trevas.

O escudo foi aumentado pela garota ainda mais e deixou o caminho livre para o trio de ouro, que não perdeu tempo e desceu as escadas até a casa onde os barcos que levavam novos alunos ficavam. Harry olhou para trás e, antes de cair nos túneis sujos, viu a irmã mais velha criando um escudo incrivelmente poderoso que protegia toda a escola dos velhos dementadores.

Rony e Hermione acompanharam os passos rápidos do garoto de óculos através dos degraus, que pareciam nunca acabar e, quando finalmente chegaram à casa dos barcos, ouviram Voldemort conversando com Snape. Harry escondeu-se atrás de uma das paredes sem janelas e observou quando Voldemort caminhou ao redor de Severo Snape.

– Não estou entendendo Milorde, essa varinha é a mais poderosa... – dizia o professor com os braços cruzados nas costas — E responde ao senhor.

– Será mesmo Severo? – contradisse Voldemort aproximando-se – Essa varinha ainda resiste a mim, e sabe por quê? Porque eu não sou seu verdadeiro mestre. Ela pertence a quem derrotou seu ultimo dono, Dumbledore.

Harry viu Snape apertar as mãos em punho, porém, concentrou-se apenas em Nagini, que permanecia ao lado de Voldemort fielmente. Ele não teria chances de atacá-la tão cedo.

– E foi você quem matou Dumbledore. – completou ele – Você foi um bom servo Severo e merece grande parte das honrarias pela vitória dos comensais, mas para que eu possa controlar a varinha das varinhas e destruir Harry Potter, preciso derrotar seu novo dono.

– Milorde...

– Não se preocupe Severo, Violet virá para o nosso lado e certamente honrará o nome Comensal Snape tanto quanto você. – garantiu erguendo a varinha e lançando-o contra a parede fortemente. – Nagini, mate.

Harry prendeu a respiração ao ver a grossa cobra avançar rapidamente e atacar o pescoço do comensal repetidas vezes. Suas presas cravavam na pele de Snape sem dó ou piedade. O garoto tinha certeza que Severo poderia evitar aquilo e fugir, mas observou que o ex-professor não gritou ou sequer impediu qualquer coisa... Ele havia se rendido.

– Não ela... – pediu num sussurro. – Por favor, não minha filha...

– Ah Severo, ela irá triunfar ao meu lado. — sorriu Voldemort – Eu serei o pai que ela merece, não se preocupe. Vamos Nagini. – disse antes que a cobra se juntasse à ele e ambos aparatassem.

Harry não pensou muito e logo aproximou-se do professor, tentando estancar o sangue do pescoço com as mãos. Como se um simples toque fosse devolver o líquido vermelho às veias do homem de preto e trazê-lo de volta. Ron e Hermione não falaram nada, apenas observaram.

O garoto viu com pesar quando lágrimas escorreram pelos olhos negros à sua frente e, pela primeira vez, não sabia o que fazer.

– Pegue-as... – pediu Snape – Violet precisa saber, você precisa...saber...

Harry rapidamente pegou um frasco de vidro com Hermione de sua bolsa extensível e, quando voltou-se para o professor, recolheu preciosas lágrimas cristalinas em seu interior.

– V-Violet... – sussurrou – Não deixe que ela ceda Potter, não...permita...não...

– Ela não vai. – garantiu Harry encarando-o profundamente.

– Você tem os olhos da sua mãe... – murmurou antes de fechar os negros portais de seu rosto e entregar-se definitivamente.

– Harry, temos que ir... – avisou Rony, porém, uma sensação fria e ruim tomou conta do lugar e uma voz rouca e perigosa foi ouvida em todo o terreno de Hogwarts.

Vocês lutaram bravamente, reconheço... Mas foi em vão. Se continuarem a resistir derrubarei um a um, e não quero fazer isso. Todo derramamento de sangue é um desperdício. Lord das Trevas é misericordioso, portanto ordeno que minhas tropas voltem. Vocês têm uma hora para cuidar de seus mortos e feridos com dignidade. – anunciou Voldemort — Agora falo diretamente com Harry Potter. Você deixou seus amigos morrerem por você, e não há desonra maior para um bruxo. Vamos acabar com isso Potter. Encontre-me na Floresta Proibida até o prazo de uma hora e enfrente-me pessoalmente. Caso não apareça, a batalha recomeçará e lutarei. Violet será minha e não pouparei nenhum homem, mulher ou criança que ousar te ajudar. Uma hora Potter. Uma hora.

– Não dê ouvidos à ele Harry, vamos, precisamos voltar! – disse Rony novamente e, dessa vez, os demais o escutaram.

Harry afastou-se do ex-professor e, após guardar o frasco com lágrimas no bolso do casaco, deu as costas e desapareceu com os amigos pela porta ao olhar uma ultima vez o pai de sua irmã. Entretanto, não viu quando outra pessoa saiu detrás de um dos cômodos e ajoelhou-se ao lado de Severo Snape.

O garoto ficou em silêncio por todo o caminho, imaginando como iria contar para sua irmã que o pai estava morto e que pediu para que ela não cedesse... E foi com esses pensamentos que entrou no castelo destruído e percebeu inúmeros feridos deitados sobre macas improvisadas e Madame Ponfrey correndo de um paciente para o outro.

Ele não conseguiu ver mais nada, apenas apertou o frasco em seu bolso e seguiu até a sala de Dumbledore, onde uma penseira o esperava. Jogou as lágrimas do professor no líquido pastoso e mergulhou nas memórias de Severo Snape.

A primeira imagem que viu era a de uma incrível campina no verão, flores desabrochando e o sol se pondo. Debaixo de uma das árvores, duas crianças conversavam alegremente. A menina ruiva de olhos verdes e o garoto de cabelos negros como a noite escura que Harry reconheceu como Lilly e Snape. Aquelas duas crianças se davam tão bem! Riam, brincavam, faziam magia... Eram obviamente grandes amigos, e então Harry entendeu porque sua mãe um dia deitou-se com o ex-professor, pois eram bons e velhos amigos.

Em seguida sombras apareceram e mostraram os corredores de Hogwarts e seus alunos. Ao longe viu seu pai, Tiago Potter, maltratar Snape, que não revidou um momento sequer. Harry percebeu que o pai de sua irmã sofria todos os dias calado, e Lilly sempre o protegia... Até o dia em que ele acidentalmente a chamou de sangue-ruim e tudo acabou.

Viu os dois discutindo por causa da inclinação do sonserino à magia das trevas. Viu as constantes brigas e então, por fim, os dois rompendo a amizade e Severo tendo de observá-la ao lado do Potter nos próximos anos.

Logo em seguida uma Lilly adulta corria pelas ruas de Londres e, segundos depois de bater em uma porta, Severo a abriu e foi atacado por um forte abraço. Viu quando Lilly e ele conversaram e em como a ruiva chorava nos braços do amigo. Harry sabia o que viria a seguir e desejou que “aquela” memória não estivesse ali... Felizmente para ele a próxima imagem era a de um penhasco escuro e sombrio, e no topo estavam Snape, ajoelhado, e Dumbledore, em pé.

– Eu não sabia... Não sabia que o garoto da profecia era filho dela! Por favor Dumbledore, ajude-a... Proteja a Lilly, a todos eles!

– E o que eu ganho com isso Severo?

– O que quiser... Faço qualquer coisa Dumbledore, por favor...

E então a imagem mudou, Harry estava agora na sala de Dumbledore e Snape, novamente, estava com uma aparência terrível e um sofrimento palpável.

– Por que não os ajudou? – sussurrou – Eu pensei que tivéssemos um acordo, já que eu me arrisco todos os dias fazendo-me de bom comensal para te trazer as informações no fim do dia...

– E temos, mas Lilian e Tiago Potter confiaram na pessoa errada... – lamentou o diretor – O garoto sobreviveu Severo.

– O garoto está seguro! Lord das Trevas se foi... – respondeu fechando os olhos.

– Sim, mas um dia retornará. E então todos nós estaremos em perigo, especialmente o garoto, Harry. – avisou – Se algum dia você a amou, proteja seu filho! Faça isso em memória de Lillian Evans.

– Ninguém... – começou — ...deve saber.

Harry quis ouvir mais, mas as sombras da sala ficaram maiores e novamente uma memória diferente apareceu. Dessa vez viu Snape e Minerva conversando algo serio, devido à expressão fechada do professor e as lágrimas nas da mulher.

– Qual o nome? — perguntava ele – Meu filho, qual seu nome?

– Violet. Ela se chama Violet...

Aquela era a primeira vez que Snape descobria algo sobre a filha, e Harry viu o quão mexido o velho professor ficou... Percebeu que ele se continha para não chorar ou sorrir, mas que aparentava estar feliz.

Viu onze anos em poucos segundos, acompanhou como Severo se acabava a cada ano por não encontrar a filha e em como Minerva se sentia culpada por separar pai e filha por tanto tempo... Viu também a frustração do mestre em poções quando Harry foi para Hogwarts, mas nenhuma Violet Prince chegara. Severo Snape havia desistido e o garoto não pode imaginar como uma pessoa poderia sentir tanto medo e raiva.

– Eu a encontrei Severo! Sua filha... Está em Hogwarts, está viva! – exclamou Minerva entrando na sala do professor, que Harry percebeu ser em seu terceiro ano.

Snape parecia atordoado, mas ao mesmo tempo uma onda de reconhecimento passou por seu rosto, seguida por medo e raiva. Harry ouviu McGonagall dizendo que Violet era a filha perdida de Lilly e Severo, mas também viu a culpa que assolou o rosto do homem por ter maltratado tanto a garota na escola. Em seguida milhares de imagens entre Snape e a filha correram pelos olhos de Harry, que emocionou-se com o tamanho do amor que viu entre eles... Amor que ele mesmo nunca teve a oportunidade de receber, mas que a irmã sim. Repentinamente ficou feliz, pois estava comprovado que Snape realmente amou a filha.

– Você sabe o que isso significa Severo... – começou Dumbledore estendendo a mão enegrecida para o bruxo à frente. – Violet é a única que poderá derrotar o Lord das Trevas, e ambos sabemos como.

– Essa magia negra... Não é por acaso, é?

– Não, não é, e com o tempo verá que sua filha tem muito mais em comum com Eileen do que pensa. – respondeu.

– Deveria ter me procurado mais cedo velho, não posso fazer muita coisa por isso... – disse Snape entregando-lhe um cálice com um líquido transparente enquanto analisava a mão enfeitiçada de Dumbledore. – O máximo que consigo é tardar os efeitos...

– E isso já me basta filho... – sorriu o mais velho após tomar o conteúdo do cálice – Quanto tempo?

– Um pouco mais de um ano. – respondeu levantando-se bruscamente – Não deveria ter feito isso Alvo, Violet e o Potter precisam de você ainda, precisam...

– Não filho, não precisam... Pois você estará aqui. – rebateu serenamente.

– O que quer dizer?

– Severo, nós dois sabemos que Tom mandou Draco Malfoy para me matar, e também sabemos que eu morrerei de qualquer forma em um ano. – começou – Mas eu tenho esperanças de que você não me fará sofrer lentamente com essa maldição até definhar, ou me deixará ser morto pelas mãos de uma criança inocente...

– Alvo...

– Quero que você faça isso filho...

– Ora por Merlin, você está dizendo loucuras!

– Não Severo, não estou... Prefiro padecer por suas mãos confiando que será rápido e indolor, do que estar à mercê de Bellatrix ou Greyback, sabe que gostam de brincar com a comida antes... Por favor Severo, quando chegar a hora... Quando chegar a hora quero que faça isso, por mim.

– Não... – repetiu ligeiramente perturbado. – Sabe que minha filha nunca me perdoará por isso...

– E você sabe que ela sofrerá de qualquer forma quando descobrir seus segredos. – rebateu – Severo, enquanto eu estiver vivo serei um empecilho para que Tom comece a guerra... E Violet e Harry ainda se sentem seguros comigo por perto, não entendem ainda a gravidade da situação.

– Não quero que ela se decepcione dessa forma... Que ela...sofra...tanto! – dizia Severo com a voz fraca, porém, Harry viu que ele estava cedendo. – Ela é tudo que eu tenho...

– Então faça isso por ela! Acabe com o meu sofrimento e dê uma oportunidade para que sua filha cresça e faça o que foi destinada... Salvar o mundo bruxo! Mate-me antes que o Sr. Malfoy chegue primeiro...

– Alvo está certo Severo... – disse Meryl, que Harry ainda não havia visto na sala – Fazendo isso o Lord das Trevas vai confiar inteiramente em você, e então continuaremos tendo as informações que nos passa...

Harry não conseguia acreditar naquelas palavras, palavras tão calmas sobre um assunto tão complicado. Snape matou Dumbledore porque ele mandou!

– Escute Severo, você deve guiar o Harry quando eu for embora... – dizia Alvo, e pela roupa Harry diria que era outra memória – Ele deve saber disso quando estiver preparado.

– Qual a maluquice escondida por trás da mente brilhante dessa vez?

– Há anos atrás, quando Tom matou os Potter, Harry foi salvo pelo amor de Lilly, que sacrificou-se em nome do filho e garantiu uma proteção tão forte que nunca realmente desapareceu. Naquele momento, quando Voldemort lançou a Maldição da Morte, ela foi ricocheteada e voltou-se contra ele. Sua alma foi rasgada naquele momento e uma parte dela prendeu-se à única pessoa viva do quarto, Harry.

– Isso quer dizer...

– Que uma parte de Lord Voldemort vive dentro de Harry Potter.

– O garoto é uma Horcrux?!

– Sim Severo, e Voldemort só será derrotado quando todas as Horcruxes forem destruídas.

– Então ele deve morrer?

– Creio que sim... Mas apenas pelas mãos de Voldemort, isso é importante.

– Você me fez protege-lo esse tempo todo, salvá-lo dos comensais para no final entrega-lo para a morte?! O criou como um porco no abatedouro!

– Ora Severo, não me diga que se afeiçoou à ele...

Harry esperou alguma negação vinda do professor de poções, mas viu apenas quando ele sacou a varinha e conjurou um patrono. Uma...corça?

– Apenas um grande e doloroso amor modifica o patrono de alguém... – comentou Dumbledore surpreso. – Lillian... Depois de todo esse tempo?

– Sempre.

A imagem mudou novamente e Harry observou quando Snape era diretor e recebia instruções do quadro de Dumbledore. Fora Snape quem criou o plano dos sete Potter e o entregou à Meryl Seyfried. Foi ele quem cuidou para que Harry recebesse em segurança a espada de Gryffindor e fora ele também quem manteve a Ordem sempre um passo à frente dos comensais...

– Aconteceu o que tinha que acontecer Severo, Dumbledore avisou das consequências e você aceitou. — repreendeu-o Meryl – Sabia que teria que abandoná-la...

– Sim, eu sabia, só não imaginava que doeria tanto...

– Trate de aprender a conviver com essa dor, assim como sua filha está fazendo. E não se preocupe com ela, Violet está a salvo com a Ordem.

– Eu sei. Alastor cuidará dela como eu não posso fazer.

Todos aqueles anos... E Severo Snape sempre foi leal à Dumbledore.

Notas finais
Não me matem, não me matem, não me matem (repetindo como um mantra para ver se dá certo... Mentira, eu não quero ver!). Snape... Tem um olho na minha lágrima... Mas antes de me lançarem um Avada, atentem-se à frase: “Entretanto, não viu quando outra pessoa saiu de um dos cômodos e ajoelhou-se ao lado de Severo Snape.” :D Isso dá margem para tantas interpretações... Qual a de vocês? :D Violet domando o Fogomaldito e conjurando um patrono forte o bastante para proteger a escola toda foi demais, não é? Ela se descobrirá muito mais poderosa do que pensava daqui para frente, fará coisas grandiosas! Muita gente ficou preocupada com a vida do nosso querido Draco, mas fico feliz em dizer que ele não morrerá tão cedo... Tenho planos! E agora ele ajudou a Violet, mas fugiu... Decida-se Malfoy! Esse capítulo foi um tanto “calmo”, mas prometo para os próximos três muita ação e muitas surpresas!! *** Fogomaldito - Gera grandes labaredas de fogo que tomam forma das mais diversas criaturas mágicas. Age consciente, decidido de seu objetivo, transformando em fuligem tudo em que toca. =========================== Capítulo 57 – Surprises ===================== (...) Você é esperta Violet, mas não sabe tudo. – respondeu Voldemort observando maravilhado os dois bruxos à sua frente duelarem com magia negra – Existe um jeito, um único jeito, de quebrar as leis da magia... E eu tenho todos os ingredientes bem a minha frente. (...) ================================================================== Por que será que “quebrar as leis da magia” e “Voldemort” não combinam na mesma frase? Sim, ele conseguiu! O Lord das Trevas encontrou um meio de fazer isso e colocará em prática na guerra. O que acham? Só digo uma coisa... O tempo fechou. *o* Até o próximo!!! Beijooss!