Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
56 Capítulo 55 – Greyback
Notas iniciais
– MANSÃO MALFOY, 1 DE MAIO DE 1998 –
– Por que vocês vão embora mamãe? – perguntou Lizzie com os olhos úmidos enquanto Lúcio observava a interação entre as duas.
– Nós temos que resolver alguns assuntos querida, assuntos perigosos que só os adultos conseguem resolver... – respondeu enxugando as lágrimas da pequena. – Lá fora é muito perigoso e você precisa ficar aqui, quietinha... Vai fazer isso? Ficará aqui segura enquanto mamãe e papai resolvem esse assunto?
– Sim mamãe... Mas vocês vão voltar não é?
– Sempre estaremos com você... – remediou para logo em seguida encarar Lúcio pesarosamente. Ele viu que a esposa não aguentaria aquilo por muito tempo.
– Precisamos ir Ellizabeth, você vai se comportar? – perguntou ele abaixando-se ao lado da mulher e segurando a mãozinha da garota, que assentiu.
– Mamãe, a senhora não pode me contar uma historinha antes de ir? Por favor? – pediu aconchegando-se no colo da mãe, que logo a abraçou.
– E qual história você quer ouvir?
– Aquela que a senhora contou ontem, sobre o casal...
– Ah Lizzie, tem tantas histórias mais legais... – tentou, sentindo os olhos acinzentados do marido sobre si. – E eu nem lembro onde parei.
– A senhora parou quando o primeiro bebê deles nasceu.
– Ah sim... Bem, quando o menino nasceu o casal ficou muito feliz... Era uma pequena luzinha iluminando a vida deles. – sorriu. – O papai ficou tão orgulhoso de ter um menino, e eles eram muito parecidos! Os mesmos olhinhos claros, os fiozinhos dourados, o rosto incrivelmente belo... Quando a mamãe olhava para aquele rostinho, ela lembrava do quanto amava o marido e agradecia por ter lhe dado um presente tão maravilhoso...
– Mas a senhora disse que eles não conversavam... – perguntou inocentemente, porém, Lúcio começou a perceber semelhanças na história e encarou Narcissa com uma pergunta implícita nos olhos.
– E não conversavam, mas isso não significa que a mamãe não amasse o papai e o bebê... Ela os amava muito, muito mesmo, eram os homens de sua vida... – disse ignorando Lucio — Depois que o bebê nasceu eles começaram a se relacionar melhor, passaram a conversar mais e a cada descoberta do bebê eles sorriam. O homem se tornou um incrível pai babão que só brincava com o filho escondido da mulher por acreditar que ela o acharia um homem fraco... Então todas as noites, quando eles deveriam supostamente estar dormindo, a mamãe ia até o quarto do bebê e assistia escondida os homens de sua vida brincarem no tapete, com a vassourinha de brinquedo e os ursos de pelúcia... – sorriu.
– Eles tiveram um final feliz?
– Ah não, a história não acabou ainda... – disse ela tocando levemente o nariz da menina – Quanto mais o menino crescia, mais se tornava igual ao pai. A mamãe ficava sempre orgulhosa, até que um dia... Ela ficou grávida de novo!
– Outro menino? – perguntou ansiosa.
– Bem, eles pensavam que sim... O papai estava ansioso para conhecer seu segundo filho homem, mas quando o bebê nasceu e descobriu que era uma menina, ficou um pouco decepcionado...
– Por quê? – perguntou triste.
– Porque ele era um homem muito orgulhoso e queria filhos homens, mas mesmo que ele não admitisse, a mamãe sabia que ele tinha se apaixonado pela menininha de olhos claros e fios dourados...
– A mamãe também espionava ele a noite?
– Menina esperta! – sorriu – Sim, todas as noites ela levantava para dar leite à menininha, mas uma em especial percebeu que a bebê não chorou... Quando levantou, teve uma surpresa incrível!
– Qual?
– O papai estava com a menininha no colo, dando mamadeira e a distraindo com um ursinho vermelho... Foi o primeiro presente dele para ela.
Lúcio não acreditava no que estava ouvindo. Narcissa sempre soube! Sempre soube de tudo e mesmo assim deixou que ele acreditasse que ela não sabia...
– Ele começou a cuidar da princesinha dele todas as noites e a mamãe, como sempre, observava tudo escondida com um sorriso enorme... E desde então, mesmo com todos os problemas que uma família tem, a menininha e o menininho são os maiores raios de luz da mamãe e, ainda que não assuma, no papai também...
– É um final diferente... – disse ela bocejando.
– Uma boa história nunca terá um final... – sussurrou beijando-a ternamente – Agora você vai dormir mocinha...
– Boa noite mamãe... – disse ela deitando-se na cama enquanto a mulher a cobria e, não aguentando mais, saia do quarto para poder chorar sem que a menina a visse. – Papai?
– Sim?
– O senhor também gosta de mim? Como o homem da história?
– Não... Mais que o homem da história. – disse beijando sua testa e levantando-se, gravando em sua mente o sorriso que a garota lhe dirigiu antes de fechar os olhos e dormir.
Ao fechar a porta do quarto e trancar, viu a mulher encostada na parede ao lado com os olhos fechados, enquanto lágrimas corriam-lhe pela face. Aproximou-se lentamente e, assim que parou em frente a ela, viu os dois olhos verdes abrindo-se.
– Eu não gosto quando chora. – murmurou limpando as lágrimas do rosto da mulher, que surpreendeu-se com a atitude. – É verdade? O que disse lá dentro.
– Cada palavra.
– Por que nunca me disse?
– Porque você fazia questão de se afastar dos nossos filhos, não queria que eu soubesse o quanto podia amá-los porque pensava que isso o tornava menos homem. – explicou levantando a mão para os ombros dele, onde uma delas acariciou os fios loiros que caiam sobre a face severa do marido. – Por isso me escondia... Porque sabia que, se você me visse ali, não voltaria mais e aí sim, nossos filhos não conheceriam o carinho do pai.
– E você não acha que isso é uma fraqueza? – perguntou aproximando-se, deixando os rostos a centímetros de distância.
– Não Lúcio, não acho... – rebateu calmamente. – Lá fora pode até ser, mas não vejo problema nenhum em demonstrar para a sua família que se importa com eles, mesmo que só dentro de casa... Você não faz ideia do quanto eu gostava de ver você brincando com o Draco e aquela vassourinha estúpida e com a Lizzie e aquele urso vermelho... Sabe que ela o tem até hoje e é o favorito dela. – sorriu tristemente – É uma pena que não aproveitou o tempo que tinha com nossos filhos, nós nem sabemos se voltaremos para casa hoje... Se os veremos novamente...
– Você os ama não é?
– Sou a mãe deles, é claro que os amo. – respondeu – E mesmo sendo um idiota às vezes, a você também...
– Idiota? – repetiu rodeando a cintura da mulher com um braço enquanto o outro subia para os cabelos bicolores.
– O que está fazendo? – perguntou surpresa ao sentir o aperto firme em sua cintura, que logo aproximou os corpos e deixou os rostos a centímetros de distância.
– O que eu deveria ter feito a muito tempo. – respondeu antes de atacar os lábios da esposa, que correspondeu imediatamente.
Narcissa não pensou em nada naquele momento, apenas aproveitou o máximo de demonstração de carinho que obteria do marido, sentindo como mesmo depois de anos de casados Lucio ainda tinha o poder sobre ela...
Ela o amava como no primeiro dia e, ainda que a relação estivesse desgastada, ficou extasiada em sentir aqueles lábios frios e dominadores novamente, percorrendo seu rosto e logo em seguida seu pescoço.
– É culpa minha não é? – perguntou ele entre o beijo – Se eu tivesse cumprido a promessa que fiz, não estaríamos nessa situação agora. E mesmo assim... Mesmo assim você diz que me ama.
– Eu sou uma idiota não é? – ironizou – Mesmo sabendo de tudo isso, e sabendo que nunca nutriu por mim mais que afeição e desejo, seus beijos ainda têm um controle impressionante sobre minha pele... – respondeu enquanto Lucio contornava seus lábios com o indicador tentadoramente – Você é um cafajeste sem vergonha, mas ainda tem a capacidade de me derrubar só com um toque... Um mísero toque... – o loiro descia a mão para seu pescoço lentamente em direção ao ombro coberto pelo vestido. – Mas você é meu também, e sei que consigo provocar as mesmas sensações. – completou abrindo os olhos e encarando os acinzentados logo em frente, as mãos puxando levemente alguns fios loiros caídos no ombro dele.
– De fato, consegue... – concordou antes de puxá-la para um último beijo antes da fatídica guerra. Um beijo que, se não estivessem prestes a sair, terminaria no quarto do casal. — É melhor irmos. – avisou finalizando o beijo e afastando-se da esposa, que suspirou e o acompanhou. – Onde está o Draco?
– No quarto. Me espere lá em baixo que já desço. – disse dirigindo-se à porta trancada enquanto o homem descia as escadas rapidamente. – Draco, está na hora.
– Já? – perguntou com a expressão cansada.
– Sim, e ao menos que queria uma discussão com o seu pai, é melhor se apressar e colocar uma roupa! – disse autoritária fechando a porta – Mas antes quero que faça uma coisa, e ninguém pode saber...
– O que é? – perguntou levantando-se para abotoar a camisa e calçar os sapatos.
– Quero que solte um prisioneiro... Um prisioneiro especial... – começou em voz baixa – Ele está na última cela do calabouço, trancado. A chave está atrás do quadro sobre a mesa do calabouço. Quero que pegue a chave, solte o prisioneiro e o tire em segurança da casa.
– Espera, que prisioneiro é esse? E porque a senhora quer que eu solte? O Lord das Trevas não vão gostar e...
– Ele não sabe. – rebateu – Ninguém sabe que ele está lá em baixo. Espere uns minutos até que eu saia com o seu pai, os outros comensais virão conosco e a Lizzie ficou no quarto dela. Se possível, peça para o prisioneiro levá-la junto em segurança.
– O quê?! Quem está lá em baixo mãe? Quem é tão importante a ponto de deixar a Lizzie com ele?
– Não discuta comigo, apenas faça o que mandei! – exclamou nervosa.
– Certo, como quiser...
– Por favor Draco, sobreviva à isso tudo sim? – pediu aproximando-se. – Fique vivo!
– Amo você também. – ironizou rolando os olhos.
– Estou falando sério Draco! E na próxima ironia eu te faço engolir cada palavra, ouviu? – avisou abrindo a porta novamente. – Não se esqueça do que eu pedi, ninguém deve saber.
Assim que fechou a porta Draco jogou-se sobre a cama e fechou os olhos. A data tão aguardada por todos havia chegado e ele teria que enfrentar seus amigos em uma guerra onde apenas um lado sairia vivo. Obviamente manteria-se longe de Violet e Sophie, mas e se elas o encontrassem e ele fosse obrigado a entrar em um duelo? Teria coragem de atacá-las?
Espantando esses pensamentos de sua mente, Draco levantou-se e esperou até que ouvisse o som dos comensais aparatando. Segundos depois ouviu sua mãe dar uma desculpa para a ausência do filho e logo percebeu o silêncio dentro da mansão. Saiu do quarto cuidadosamente e, quando viu que já não tinha ninguém em casa, correu para o porão e procurou o tal quadro. Assim como a mãe havia dito, tinha uma chave ali atrás. Pensando na estupidez que estava fazendo dirigiu-se à última cela e a destrancou.
– Eu não sei quem é você ou o que fez com a minha mãe, mas ela mandou que o soltasse e... – começou impaciente, porém, parou assim que viu a figura loira aproximar-se. – Você?
– Malfoy. – respondeu ela saindo da cela.
– Você... Você estava aqui o tempo todo?– surpreendeu-se enquanto encarava o rosto delicado e pálido que tantas vezes beijou, os olhos verdes brilhantes e os cabelos dourados que o faziam ter vontade de mergulhar as mãos nos fios macios. — Presa?!
– Por que me soltou agora? O que aconteceu? – ignorou a pergunta.
– A guerra... Começou. – respondeu empurrando os pensamentos sentimentais de sua cabeça. – Você precisa sair daqui em segurança, agora. – disse agarrando seu punho e puxando-a para fora, porém, uma voz os parou.
– Então era verdade... Tinha mesmo alguém nessa cela imunda!
– Greyback... O que faz aqui?
– Ahh, eu pergunto a mesma coisa Malfoy. O que você faz aqui? – rebateu ameaçadoramente – Quer dizer que a filha da Ministra morta estava aqui esse tempo todo e ninguém sabia? Ah Malfoy, você assinou sua sentença quando resolveu esconder essa garota!
– Sai da frente Greyback, isso não diz respeito a você. – avisou Draco puxando sua varinha discretamente e empurrando Sophie para trás.
– Imagine o que o Milorde vai fazer quando descobrir que outro Malfoy traiu sua confiança? – debochou aproximando-se – Que você escondeu um tesouro dele e agora está fugindo com a namoradinha?
– Eu já disse para se afastar Greyback!
– Ou o quê? Vai me matar como fez com o velho? Ora, vamos Malfoy... Eu não mordo... – sorriu maliciosamente – Só trucido! – avançou.
Draco empurrou Sophie contra a parede e logo um duelo começou entre os homens. Greyback usava toda a sua experiência contra o Malfoy, que podia contar apenas com a força de vontade. Sophie, por outro lado, assistia a cena assustada e preocupada.
– Bombarda! – exclamou Greyback para o lugar onde Sophie estava, derrubando o concreto do teto.
Draco não pensou duas vezes e logo agarrou-a pelos ombros e abaixou-se sobre ela enquanto o teto desabava e uma fumaça de pó preenchia o lugar, o calabouço em ruínas e Greyback saindo à salvo. Ele sentiu suas costas arderem, provavelmente algum pedaço de concreto havia perfurado sua pele, mas tudo que pensou foi na loira em seus braços.
– Você está bem? – perguntou enquanto ela tossia fortemente.
– Minha perna... – sussurrou franzindo a testa – Está doendo!
– Calma, vou te tirar daqui Sophie. Lumus! – garantiu pegando a varinha e observando atentamente o lugar escuro. – Escuta, tem uma porta de madeira debaixo do tapete da cozinha que leva a um túnel subterrâneo. Ele dá na floresta atrás da casa, onde é seguro aparatar. Enquanto eu distraio o Greyback você corre até lá, ouviu?
– Não dá. – respondeu gemendo – Minha perna está machucada Draco, e não consigo correr!
– Isso complica as coisas. – praguejou. – Então é bom que eu seja muito bom em duelos ou que tenha uma bela sorte... Você está com a sua varinha?
– Não, Greyback pegou quando me capturou.
– Espera, foi ele?
– Longa história, pode ser depois? – ironizou aceitando as mãos dele para levantar. – Você é bom em duelos Draco, só não perca o foco...
– Claro... Seremos eu e um lobisomem gigante sanguinário... – ironizou enquanto Sophie apoiava um dos braços sobre seu pescoço.
– Por que está me ajudando?
– Eu vou tentar te levar até a sala, você consegue andar nem que seja um pouco? – disse ignorando a pergunta. Sophie assentiu. – Certo, então quando chegarmos à sala eu distraio o Greyback e você vai o mais rápido que puder para a cozinha e me espera. Vou dar um jeito de prender aquele cara...
Assim que Sophie assentiu Draco ajudou-a a subir as escadas do porão, porém, logo que o primeiro passo foi dado para fora, Greyback atingiu o garoto com um feitiço e o lançou escada abaixo.
– Não! – gritou Sophie desequilibrando-se e caindo.
– Agora somos eu e você loirinha. – sorriu ele aproximando-se.
Sophie ficou desesperada e, por um momento, pensou que tudo acabaria ali. Ela recusava-se a acreditar nisso. Olhou disfarçadamente ao redor e logo viu a porta da tal cozinha. Era longe, mas se ela conseguisse distrair Greyback o suficiente ela conseguiria. Engoliu em seco e tentou se afastar, mas logo o lupino avançou e com uma mão rodeou seu pescoço e a ergueu do chão.
– Qual será o gosto do seu sangue? – sussurrou ele lambendo os lábios. – Sua pele é tão macia quanto das crianças que costumo sugar... E estou com tanta fome... Tanta...
– Estupefaça! – gritou Draco aproximando-se.
Com o impacto nas costas, Greyback rugiu, largou Sophie e a jogou para frente, fazendo-a cair de costas no chão e bater a cabeça na parede. Sophie gemeu de dor e, levando as mãos à cabeça, percebeu que sangrava.
– Draco? O que está acontecendo? – perguntou uma voz infantil chorosa no topo da escada.
– Lizzie! – surpreendeu-se ele ao perceber que a irmã mais nova estava assustada e Greyback a encarava sorrindo. – Lizzie, preciso que venha até aqui, ouviu? Não pare!!
– Ahh, tenho certeza que o Milorde não se importará se eu fizer um lanchinho... Vem cá vem menina, vem comigo... – disse ele tentando levantar.
– Estupefaça! – exclamou Draco atingindo Greyback novamente, jogando-o do lado oposto ao que a menina estava. – Lizzie! – chamou enquanto Sophie escorava-se na porta da cozinha.
Logo a garota desceu as escadas assustada correndo o mais rápido que pode até o irmão, porém, assim que jogou-se em seus braços Greyback atingiu o rapaz com outro feitiço. Ellizabeth caiu junto com ele e gritou enquanto o lupino levantava-se e se aproximava.
– Lizzie, vem comigo... – pediu Sophie estendendo o braço na direção da menina, que encarou o irmão em dúvida. – Agora! – exclamou antes que Draco a empurrasse na direção da loira e Greyback lançasse outro feitiço para o menino.
– Draco! – gritou Lizzie assustada, porém, Sophie agarrou-a pela cintura e arrastou-a até a cozinha. – O que aconteceu com ele Sophie?
– Ele está com alguns problemas com o Greyback, mas já vai resolver Lizzie, eu prometo... – sorriu Sophie enquanto a perna latejava.
Greyback e Draco continuavam a duelar na sala e logo o ambiente estava todo destroçado. As escadas quebradas, o chão destruído e as peças de decoração transformadas em entulho. Narcissa certamente ficaria furiosa se visse aquilo, pensou Draco.
– Trevus! – exclamou Draco lançando um lampejo negro de sua varinha e atingindo o oponente, que caiu no chão gemendo de dor pelas queimaduras recém-espalhadas pelo tórax. Draco logo correu dalí e entrou na cozinha, trancando-a em seguida. – Lizzie, você está bem? – perguntou preocupado analisando-a.
A menina apenas assentiu e escondeu o rosto no ursinho vermelho enquanto Draco levou sua atenção à garota ao lado. Sophie estava com a perna sangrando e algumas manchas de sangue no rosto e nas mãos. A roupa estava suja de poeira e os cabelos dourados também.
– Sophie?
– Não, mas vou ficar. – garantiu enquanto Draco puxava o tapete do chão e abria a porta de madeira, que dava para uma escada num túnel.
– Vamos Lizzie, você primeiro.
– Mas é muito escuro Draco, eu tenho medo... – choramingou ela.
Sophie pegou-a no colo e abraçou-a ternamente, sussurrando algo em seu ouvido e sorrindo logo em seguida. Lizzie encarou-a em dúvida e, após Sophie assentir novamente, levantou-se e foi até a porta.
– É melhor que você não me derrube Draco. – disse autoritária, fazendo-o rir fracamente.
Draco segurou-a pelos bracinhos e, meio minuto depois, a garota já estava no túnel. Quando o loiro voltou-se para Sophie, perguntou o que ela havia dito que logo acalmou a irmã.
– Disse que ficará tudo bem e que ela deveria ser corajosa como a mãe... – respondeu, porém, ele percebeu que ela estava escondendo alguma coisa. – Por que está me ajudando Draco? É só para que eu a salve?
Encarando-a profundamente, Draco não pensou duas vezes e tomou seus lábios rapidamente para um beijo carinhoso e repleto de saudades. Como ele sentiu falta da loira! Sophie não esperava aquilo e por poucos segundos ficou sem reação, porém, logo correspondeu e levou suas mãos ao ombro dele, apertando levemente.
Foi um beijo urgente e avassalador com gosto de despedida. Draco sabia que aquilo nunca mais se repetiria e aproveitou para deixar claro tudo que sentia em um último beijo...
– Porque eu amo você e não vou suportar se algo acontecer. – respondeu em um sussurro antes de encará-la novamente. Ah, os olhos verdes brilhantes... Quantas noites ele já havia sonhado em vê-los novamente? – Essa varinha é de um dos prisioneiros, acho que vai servir até chegar em casa. – disse entregando-lhe a varinha. — Agora precisa ir, vamos...
Sophie não respondeu ao que ele disse, apenas aceitou a ajuda para descer a escada para o túnel e guardou a varinha em sua roupa. Lizzie estava impaciente e, assim que os viu, brigou com o irmão por terem demorado, exatamente como a mãe fazia.
– Lizzie, escuta bem... – pediu ele abaixando até ficar na altura da menina – Você e a Sophie precisam sair daqui o mais rápido possível. Esse túnel vai dar na floresta atrás da mansão, então quero que você a ajude a chegar lá e obedeça a Sophie, tudo bem? Ela vai cuidar de você até a mamãe voltar.
– E você?
– Eu preciso cuidar de algumas coisas em casa e depois vou avisar a mamãe onde você está, ouviu? Obedeça a Sophie... – disse abraçando-a rapidamente e beijando sua testa.
– Até depois Draco... – disse ela, porém, Draco e Sophie sabiam que as chances de isso acontecer eram extremamente pequenas.
– Obrigada... – murmurou Sophie antes que Draco subisse pela escada e fechasse a portinhola. – Vamos Lizzie, temos que sair daqui... – disse segurando a mão da menina e arrastando a perna machucada pelo caminho. – Lumus.
O túnel estava escuro, e Sophie não saberia dizer quanto tempo passou, mas logo viu uma tocha acesa e, ao lado, outra portinhola. Suspirou aliviada e, após empurrar com as mãos, abriu-a e viu a luz da lua banhar seu rosto. Finalmente estava livre! Após Lizzie subir as escadas, Sophie forçou-se a fazer o mesmo e, assim que subiu, percebeu que algo estava pegando fogo e assustou-se.
Antes que Lizzie percebesse, Sophie viu a Mansão Malfoy em chamas.
– Esteja bem... – sussurrou derramando lágrimas ao pensar que Draco estava lá dentro ainda.
– Que cheiro é esse? – perguntou apertando o ursinho com uma cara de sono.
– Nada, não é nada Lizzie... Vamos. – disse pegando sua mão e caminhando com dificuldade, porém, sentiu um forte empurrão nas costas e viu-se colidindo fortemente de frente com uma árvore e Lizzie gritar assustada ao seu lado.
– Pensou que fugiria tão fácil Seyfried? – rosnou Greyback aparecendo detrás de uma das árvores enquanto se aproximava. – Chega de jogos. Sua mãe me escapou uma vez, mas você não vai a lugar algum.
E avançou. Sophie sentia as costas arderem com as queimaduras que sabia que existiam, porém, agarrou a varinha e forçou-se a entrar num duelo com o lupino, que defendia todas. Quando conseguiu se levantar, quase não aguentava mais de dor e canseira. Escorou-se na árvore, tentando ignorar as queimaduras, e percebeu que Greyback estava debaixo de uma árvore repleta de galhos retorcidos e provavelmente pesados.
– Cansada? – debochou ele.
– Bombarda! – exclamou apontando para a árvore atrás dele.
Antes que ele debochasse da péssima mira, os galhos caíram como cascata sobre ele e, pela segunda vez, Sophie atingiu a árvore novamente e toda a madeira pesada amontoou sobre o lupino, que finalmente foi vencido.
– Lizzie vem! – gritou antes que perdesse as forças e, aí sim, estariam perdidas.
Lizzie, ainda chorando, correu até a loira e a abraçou. Assim que a mais velha agarrou-a fortemente, pensou no Largo Grimmauld, 12, e aparatou. No segundo seguinte sentiu-se caindo no chão frio e úmido da rua londrina com um peso sobre si.
– Sophie? – chamou a menina, preocupada quando Sophie fechou os olhos e começou a chorar novamente. – Sophie? Sophie!
Sophie não conseguia mais se mover, as costas queimadas estavam no chão úmido e aquilo parecia trucida-la de fora para dentro. Suas pernas estavam fracas e, assim como a cabeça, ainda sangravam. Ela não aguentaria por muito tempo e só pode desejar que alguém da Ordem saísse da casa e a visse ali.
– Sophie, por favor, fala comigo... – pediu Lizzie chorando e tentando acordá-la. – Você está me assustando Sophie...
Assim que a porta da casa abriu-se, Lizzie balançou Sophie para acordá-la, porém, o movimento fez com que as costas da loira raspassem no chão e ela soltou um grito agudo de dor.
– Sophie! – gritou alguém ao longe, uma voz extremamente conhecida que fez com que a loira abrisse os olhos assustada.
Da porta aberta logo saíram três pessoas e se aproximaram rapidamente.
– Oh Merlin, Sophie... – sussurrou a mulher ajoelhando-se ao lado da garota e percebendo assustada todos os cortes e machucados.
– Mãe? – respondeu surpresa assim que os olhos verdes encontraram os seus. – Você... Você está... Eu morri?
– Não, não meu amor, nós estamos vivas! – sorriu aliviada enquanto beijava a testa da menina.
– Mas eu pensei... Eu... – repetiu confusa quando viu seu pai também se abaixar. – Loira?
– Sophie, o que aconteceu? – perguntou vendo o quanto ela demonstrava dor. – Onde dói?
– Tudo... – respondeu fechando os olhos, porém, sentiu uma mão pequena apertando a sua e abriu novamente, percebendo que a menina estava assustada.
– Você vai ficar bem não vai? – perguntou chorosa e os demais finalmente perceberam que ela estava ali.
– Quem é ela? – perguntou Catherine.
– Ellizabeth Malfoy. – respondeu a menina orgulhosamente.
– Malfoy? – surpreendeu-se Pierce.
– Muito bem Ellizabeth, meu nome é Catherine, vamos entrar? Deve estar com fome... – sorriu ternamente.
– Sophie... – choramingou a criança olhando para a loira.
– Pode ir Lizzie, vou ficar bem... – garantiu ela indicando Catherine – Vai...
Lizzie assentiu e, agarrando seu ursinho vermelho, segurou a mão que Catherine lhe estendeu e logo as duas entraram na casa. Pierce não esperou mais e colocou um dos braços sob as costas da menina para levantá-la, porém, assim que ela gritou em protesto ele parou, preocupado, e Meryl ergueu a blusa, vendo as queimaduras.
– Eu preciso te levantar Sophie, mas vai doer... – avisou Pierce e, assim que ela assentiu, ergueu-a o mais rápido que pode enquanto ela fechava os olhos e gemia de dor.
Pierce entrou rapidamente na casa e a levou direto para um dos quartos no andar de cima, logo Meryl subiu com Jullie e Andrômeda e diversos panos e curativos.
– Você precisa ficar sentada para cuidarmos disso, tudo bem? – disse Pierce antes de coloca-la sobre a cama.
– Dói muito... – reclamou quando a mãe ergueu a blusa e a tirou rapidamente, mostrando as costas queimadas e avermelhadas.
– Desculpe Sophie, mas precisamos limpar isso... – avisou Andrômeda.
– O que aconteceu? – perguntou Meryl segurando sua mão enquanto limpava levemente o rosto sujo de poeira e Jullie as pernas. – Onde estão as meninas? Alessa voltou sozinha e não disse nada...
– Eu não as vejo há meses... – respondeu – Quando saiu nos jornais sobre você estar...morta...eu me afastei delas para voltar para casa, para o papai... Mas o Greyback me capturou no meio do caminho e me levou para a Mansão Malfoy.
– E eles fizeram isso com você? – perguntou segurando a raiva.
– Não... – negou. – A Sra Malfoy e o Snape obliviaram o Greyback, não tinha como eu fugir porque lá era o quartel general dos comensais, então eles me esconderam na última cela para ninguém descobrir. – gemeu novamente, a dor voltando com força – Snape me deu poção polissuco desde então para o caso de alguém querer me interrogar e a Sra Malfoy me trazia comida todos os dias... Hoje o Draco apareceu e me soltou, ele não sabia que eu estava lá e disse que eu tinha que fugir, já que todos os comensais foram para a guerra... Mas o Greyback apareceu, pensou que o Draco estava me escondendo e atacou.
– E o Malfoy?
– Ele me defendeu e conseguiu atrasar o Greyback por um tempo, mas o teto desabou e minha perna ficou machucada, depois ele me pegou e quase me matou, mas por sorte o Draco apareceu e eles começaram a duelar de novo... Acho que eu bati a cabeça na parede, lembro de ver sangue... – murmurou chorando novamente, e dessa vez Meryl abraçou-a o mais cuidadosa que pode, deitando o rosto da filha em seu peito e acariciando seu cabelo. – Então a Lizzie apareceu e o Greyback ameaçou pegá-la... Ela conseguiu correr até nós e, enquanto Draco o atrasava de novo, nós duas fomos para a cozinha. Tinha um túnel lá... Draco nos ajudou a descer e fechou a porta, eu não sei o que aconteceu depois, mas quando nós duas saímos, na floresta atrás da casa, a mansão estava pegando fogo. – estremeceu com a lembrança. – Eu quase não conseguia andar e estava tentando aparatar, mas então Greyback apareceu e me atingiu nas costas... Eu consegui me defender por um tempo, mas estava muito fraca e sabia que não aguentaria muito, então derrubei uma árvore nele, peguei a Lizzie e aparatei aqui...
– Você foi muito corajosa meu anjo... – sorriu Meryl beijando sua testa.
– Onde ela está? Lizzie... Está bem?
– Sim, não se preocupe... Cath está com ela e as crianças... – respondeu Jullie. – Sophie, quem é a menina?
– É a caçula dos Malfoy... – disse antes de perceber a visão embaçada e desmaiar.
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