Notas iniciais
Esse capítulo ficou enorme, mas também muito triste! Eu até chorei escrevendo certas partes e já peço para que quem for muito sensível prepare uma caixinha de lenços de papel...

CAPÍTULO 28 – BROKEN

“Quebrada”

– NARRAÇÃO -

Assim como Bellatrix havia dito, Violet já havia chegado ao castelo há cerca de meia hora.

Apesar de estar um pouco confusa com o sonho, não se deixou abalar e abriu um sorriso enorme ao reencontrar as meninas sonserinas. Sophie, Mary e Alessa a abraçaram demonstrando toda falta que a morena fez e a colocou por dentro de tudo que aconteceu nos últimos meses.

– Eu posso jurar que ouvi a voz da Jullie na floresta... – disse Alessa sobre o incidente em Hogsmead – Eu estava com as meninas conversando quando ouvi minha irmã, então fui atrás... Quando cheguei dei de cara com o Greyback, que ria da minha “tolice” e apontava a varinha para mim... – explicou – Ele queria saber onde estavam você e o Harry, mas eu obviamente não disse nada. Ele ficou furioso e então lançou o cruciatus... Eu nunca senti tanta dor em toda a minha vida, era como se eu estivesse em um quarto em chamas e o fogo já estivesse queimando minha pele lentamente...

– Quando ela desapareceu nós começamos a procurar pelas lojas, mas não tinha nenhum sinal dela... – completou Mary – Rony e Hermione estavam por perto e nos ajudaram também...

– Eu não sei quanto tempo fiquei naquele lugar, só me lembro que de repente Hermione apareceu e começou a duelar com ele. – continuou Alessa — Eu já não aguentava ficar de olhos abertos e a última coisa que eu vi foi a Hermione caindo no chão e o seu pai aparecer. Pelo que Dumbledore me contou, o professor Snape duelou com o Greyback e, quando a Prof McGonagall apareceu com o Vitor, ele aparatou.

– Foram necessários três professores para derrotá-lo? – surpreendeu-se Violet – O quão forte ele é?

– Muito...

– Mas o importante é que agora você está bem. – sorriu Sophie abraçando Alessa pelos ombros.

As notícias não acabavam aí. Mary, pasmem, substituiu Violet no time de quadribol e, embora Sonserina tivesse ganhado da Lufa-Lufa no último jogo, estava perdendo na contagem dos pontos.

Violet descobriu que Luna já havia voltado e estava mais saudável do que nunca. A loirinha garantiu que não fazia ideia de como conseguiu o colar e muito menos o que aconteceu aquele dia. Sua última lembrança foi a de ir ao banheiro, então tudo escureceu e só acordou meses depois no St Mungus.

Se a notícia de que Luna estava de volta deixou Violet extremamente feliz, Sophie acabou com qualquer resquício dessa alegria.

– Draco e eu terminamos.

– O quê?! – surpreendeu-se a morena. – Mas... Mas eu pensei... O que aconteceu?

– Desde o começo do ano ele estava diferente... – começou a loirinha tristemente – Não brincava como antes, estava mais distante e um pouco indiferente, mas nos últimos três meses tudo ficou pior. Ele quase não conversava, estava sempre isolado e até mesmo Blás e Theo se afastaram dele... Ele já não dormia direito e, quando não estava atrasado, nem aparecia para as aulas. – falou – Nós não nos falávamos, não ficávamos juntos um minuto sequer e quando ficávamos, não era a mesma coisa... Ele se tornou frio, indiferente e impaciente. Em abril nós conversamos e decidimos por um ponto final nessa história, ele me disse coisas horríveis...

– Eu... Eu sinto muito... – murmurou Violet abraçando-a de lado. – Eu percebi que ele mudou nesse ano, mas não pensei que fosse tanto...

– Ele até me disse que eu não sirvo para ser uma Malfoy, que nunca daríamos certo...

– Ele é um idiota! – completou Alessa – Eu já disse que se ela quiser eu dou um jeito nele, mas ela não deixa!

– Vingança não vai me ajudar em nada Alessa. Eu só quero esquecer o que aconteceu e seguir em frente. Se ele pensa que vou ficar chorando pelos cantos e reclamando, está muito enganado. – disse altivamente.

– Você não faz ideia do quanto se parece com a sua mãe nesse momento... – riu Violet.

– Onde você esteve todo esse tempo afinal? – perguntou Mary.

– Vocês prometem que não contam para ninguém? – perguntou e, após concordarem, continuou — Dumbledore mandou Harry e eu para uma missão no passado.

– Com “passado” você quis dizer...?

– 1974. – respondeu surpreendendo-as – Eu precisava pegar uma coisa que iria nos ajudar na guerra, mas estava com Bellatrix, então me passei por uma aluna do último ano.

– Que incrível! – exclamou Mary – E você encontrou com alguém que conhecemos?

– Catherine Jones, Meryl String, Lucio Malfoy, Régulus, Bellatrix, Andrômeda e Narcissa Black. – respondi.

– Eu não acredito! Você conheceu minha mãe quando era jovem? – surpreendeu-se Mary.

– Sim, mas a surpresa foi realmente Sirius Black me perseguindo todas as manhãs com alguma cantada idiota.

– Como é? – repetiu Alessa.

– Ele realmente tinha a fama de conquistador da escola... Chegou até a pedir minha mão em casamento para a Bellatrix!

– Bellatrix? – repetiu Sophie.

– Vocês não fazem ideia do que aconteceu nos últimos meses...

Violet então contou de sua “recepção”, das pessoas que encontrou e como descobriram que seria a filha de Bellatrix Black. Falou também de como se sentiu em família e como progrediu em seu relacionamento com a mãe, as tias e os primos. Contou sobre Régulus, Narcissa e Andrômeda, mas também do encontro desastroso que teve com Lillian e Alastor, em como tudo era diferente e em como a afetou.

Quando começou a falar sobre a tapeçaria, entretanto, as meninas quase não acreditaram, mas então mostrou o anel dos Black e contou a mesma história que Andrômeda e Sirius haviam lhe dito.

– Então... Você é oficialmente uma Black? – perguntou Alessa – A herdeira de todo o império que a família construiu?

– Sim... – suspirou, continuando a história.

Pelo resto da tarde Violet ficou trancada no quarto com as meninas e atualizou-se de tudo que aconteceu nos últimos dois meses. Ela sentia falta da família que teve no passado, mas o sorriso que recebeu das meninas compensou cada lágrima de saudade.

Era quase o horário do jantar quando as quatro finalmente foram para o Salão Principal, dando uma nova rodada de perguntas para Violet. Gemma e Theo pareciam mais unidos que nunca, e Blás estava claramente chateado com Draco, que nem apareceu. Violet prometeu que falaria com ele e Sophie teve certeza que o garoto acabaria contando a verdade para ela, machucando-a também.

Vitor, por sua vez, sorriu largamente assim que viu a namorada entre os alunos e foi correspondido. No dia seguinte daria um jeito de encontrá-la.

– Onde está Dumbledore? – perguntou Violet ao perceber o assento do diretor vago.

– Ele não aparece há dias! – respondeu Mary. – E quando aparece está cansado...

– Eu acho que ele está doente. – comentou Sophie.

O restante do jantar foi tranquilo e, entre conversas e risos, Violet percebeu que Harry também não apareceu e que Hermione mantinha uma expressão preocupada. Ela não era cega, sabia que Harry estava aprontando alguma e, assim que acabou o jantar, encurralou Ron e Hermione e perguntou onde estava o irmão.

Rony não queria dizer, mas Hermione sabia que era o certo a se fazer e estava cansada das mentiras e encrencas que os dois amigos arranjavam e contou à Violet sobre Harry, que fora em uma missão com Dumbledore e não havia voltado ainda.

Hermione, porém, não contou tudo. Harry estava certo de que Draco Malfoy estava aprontando alguma coisa para aquela noite e afirmava que Snape era cúmplice. Dumbledore garantiu que quando estava fora deixava proteção extra no castelo, mas segundo Harry, Snape era suficientemente capaz de burlar essa proteção de dentro do castelo.

Algo ia acontecer e Harry estava certo disso. As últimas gotas de Felix Felicis que ainda tinha dividiu entre Rony e Hermione e pediu que entregassem à Luna também. Violet tinha sua própria poção da sorte, e mesmo não acreditando muito, Harry ainda tinha a esperança de que Snape não faria mal à própria filha. Embora discordasse, Hermione aceitou ficar preparada com o galeão usado para as reuniões do AD e Rony a ajudou em algumas rondas, assim como Luna, Gina e Neville.

Violet sabia muito bem a que tipo de missão seu irmão havia ido e ficou preocupada. Mesmo com a noite caindo lentamente, estava inquieta e sentia um pressentimento muito ruim. Quando não aguentou mais esperar, decidiu ir até o único lugar onde se sentia um pouco melhor: a Torre de Astronomia.

A noite estava particularmente mais escura que o normal, o céu não ostentava suas estrelas e aparentemente até a Lua estava escondida. Violet não conseguia eliminar a sensação ruim e andava de um lado para outro com o pingente de sua avó nas mãos. Foi então que ouviu o barulho de uma aparatação e, sabendo que apenas uma pessoa poderia fazer isso dentro de Hogwarts, seguiu o som das vozes e finalmente encontrou Harry, que carregava um diretor debilitado e fraco.

– Professor Dumbledore! – exclamou surpreendendo-os – O que aconteceu?

– Você está bem? – perguntou Harry correndo até a irmã e analisando seu rosto, braços, pernas... – Quem está aqui? Você está machucada...?

– O que você está fazendo? – exclamou desvencilhando os braços interrogativamente. — Harry!!

– Violet, acorde seu pai e o mande aqui... – pediu Dumbledore com a voz falha e com o rosto pálido.

– Mas...

– Vá, agora! – repetiu o diretor, porém, nesse exato momento um estampido foi ouvido por e a porta foi violentamente aberta.

Com movimento da varinha, Dumbledore afastou os irmãos rapidamente e ambos caíram na escadaria que levava a um pavimento inferior, porém, com visão para tudo que acontecesse ali em cima. Harry ficou imediatamente preocupado e tentou voltar, porém, Violet o segurou ali com um olhar repreensivo.

– Boa noite Draco. – disse Dumbledore logo após ser desarmado, chamando a atenção da garota.

– Tem alguém aqui? – perguntou Draco dando passos à frente e deixando o rosto pálido visível.

– Apenas nós dois... Mas acho que devo te fazer a mesma pergunta não é? Ou você está sozinho nessa missão?

– Não, eles estão comigo... Há comensais no castelo lutando com os seus. – respondeu Draco levantando a varinha.

O quê?! – surpreendeu-se Violet, porém, Harry tampou sua boca com as mãos a fim de que Draco não percebesse os dois ali.

– Eu vim na frente... Eu... Eu tenho um trabalho a fazer. – continuou Draco, porém, a varinha apontada para o diretor tremia em suas mãos.

– Sim, sim, eu sei... – concordou Dumbledore – Mas você não é um assassino Draco...

– Como pode saber?

– Eu estou desarmado, mais inofensivo do que você poderia pedir e mesmo assim ainda não me matou... – sorriu Dumbledore gentilmente – Mesmo tendo tentado bastante ao longo do ano, devo acrescentar.

Violet não conseguia acreditar e esperava que aquilo não passasse de um sonho. Draco era um Comensal e havia tentado matar Dumbledore o ano todo?

– Você... Você sabia? – surpreendeu-se Draco.

– Sim, eu sempre soube... – respondeu. – O colar enfeitiçado e o hidromel foram ideias muito inteligentes, mas não acredito que tenha feito tudo sozinho... Alguém de Hogsmead o ajudou não é? Quem poderia... Oh, claro, Rosmerta? – adivinhou o diretor, porém, apesar de seu sorriso ser confiante, ele estava cansado e lutando com todas as forças para permanecer em pé. – Há quanto tempo ela está sob a Maldição Imperius?

– Tempo suficiente.

– Imagino que tenha sido ela a entregar o colar para o primeiro aluno a entrar desacompanhado no banheiro... – continuou Dumbledore – Mas você não imaginava que daria errado e duas alunas inocentes sairiam feridas, entre elas sua melhor amiga...

– Não era para a Violet ser atingida... – disse com remorso – Foi um acidente e eu consegui evitar algo pior.

– Sim, você conseguiu. – concordou Dumbledore – Você a salvou várias vezes, Draco...

– Ela nunca foi meu alvo! – exclamou o garoto soltando lágrimas desesperadas, não muito diferente de Violet ao ouvir a conversa – Eu nunca a machucaria!

– Eu tenho certeza que não. Como eu disse, você não é um assassino... Só está do lado errado.

– Não existe lado errado. Para você a Ordem está do lado certo, para o Milorde, são os Comensais.

– E para você? Os comensais estão matando pessoas, querem tomar o mundo bruxo e farão de tudo para eliminar ameaças, como sua amiga. A Ordem não faz outra coisa senão protegê-la, assegurar que o mundo não sofra as consequências das ações de Lord Voldemort. – disse Dumbledore calmamente – Quem está certo para você Draco?

– Não importa! – rebateu Draco ainda chorando – Se eu não fizer isso ele mata minha família! Minha irmã só tem seis anos...

– Mais um ser inocente no meio de uma guerra. Draco, não faça isso... Não acabe com sua vida! Eu posso mandar a Ordem ir à sua casa para levar sua mãe e sua irmã à um lugar seguro, seu pai está protegido em Azkaban por enquanto e posso dar um jeito de salvá-lo também...

– Eu não tenho escolha! – exclamou o garoto, porém, sua mão declinou poucos centímetros e Violet percebeu – Estou fazendo o que é melhor para minha família...

– Sua mãe certamente não quer um filho assassino... Sei que Narcissa não aprova as ações do marido e muito menos as suas...

– Como pode saber?

– Eu já fui seu professor. Narcissa Black foi o ser mais puro que já passou por Hogwarts, mas creio que o destino foi cruel com ela...

Nesse ponto Violet tinha que concordar. O pouco tempo que passou em 1974 serviu para provar o quão pura era Narcissa Black, sempre procurando o melhor em tudo, apaziguando as irmãs e evitando as confusões que a mais velha arranjava.

– Esse é o destino de qualquer Malfoy... Lizzie tem sorte de ser uma criança. – respondeu Draco amargurado. – Mas eu vim aqui para matá-lo e é isso que vou fazer.

– Eu me pergunto como conseguiu infiltrar Comensais no castelo debaixo do meu nariz... Certamente Rosmerta o informou que eu havia deixado Hogwarts não?

– Sim, e está certo... Fiz tudo debaixo do seu nariz! – gabou-se Draco, quebrando ainda mais o coração de Violet. – Concertei o Armário Sumidouro que estava guardado há anos na Sala Precisa, ninguém percebeu, nem mesmo você!

– Sim, sim... Mas eu tenho estado de olho em você Draco... Severo tem feito isso para mim.

Violet ficou surpresa dessa vez. Então seu pai estava vigiando Draco o tempo todo? Sempre soube que ele era um comensal e mesmo assim nunca contou?

– Ele é um agente duplo seu velho idiota! – exclamou Draco – Ele tentou me ajudar sim, ganhar a glória para o Milorde, mas eu não o deixei participar... Eu fiz tudo sozinho, e amanhã quando ele acordar, perderá o posto de preferido do Lorde das Trevas!

Aquilo foi uma bomba para Violet, que ficou ainda mais confusa. Draco estava afirmando que Snape era um comensal também!

– Não... – sussurrou ela.

– Sim, sim... Mas eu confio plenamente em Severo. – respondeu Dumbledore, recostando-se ainda mais na parede, parecendo desabar a qualquer momento.

– Pois não deveria! Aliás, ninguém deveria! – exclamou – Violet é a pessoa mais azarada da historia, não merecia um pai como aquele!

– Do que ele está falando? – sussurrou Violet, lágrimas manchando silenciosamente seu rosto.

Shhh! – rebateu Harry, porém, nesse momento gritos foram ouvidos na escada.

– Parece que seus companheiros não estão em boas condições... – comentou Dumbledore. – A Ordem já deve estar no castelo... Abaixe a varinha Draco...

– Ora, ora, ora... Olhem só quem temos aqui! – exclamou uma voz masculina aparecendo subitamente atrás de Draco – Dumbledore acuado? Muito bom Draco, bom mesmo...

Fenrir... Quanto tempo não? – sorriu Dumbledore – Parece que sua sede lupina já não se contenta com as noites de lua cheia não é? Não sabia que Draco o traria para o mesmo lugar que seus amigos estão...

– Eu não trouxe, não sabia que ele vinha...

– Eu não perderia uma festa dessas Dumbledore. – respondeu Greyback aproximando-se de Draco enquanto um riso feminino doentio preencheu o lugar.

Foi então que Violet finalmente pode ver os “convidados”. Fenrir Greyback estava logo à frente, seus pelos lupinos desgrenhados e seu queixo manchado de sangue. Só a ideia de ele ter encontrado alguém no caminho que pudesse ter deixado aquele sangue a enjoava.

Logo ao lado estavam outros dois homens a quem Harry reconheceu de cartazes de procurados em Hogsmead. Avery e Yaxley. Atrás de ambos, para desespero de Violet, estava Bellatrix, com um sorriso maléfico e até mesmo sádico no rosto.

– Você conseguiu afinal Draco... – disse ela aproximando-se do garoto. – Agora faça... Mate-o!

Draco apontou a varinha para o coração do diretor, mas ele não conseguiria fazer aquilo.

– Deixe de embolação, eu faço! – exclamou Greyback dando um passo á frente, porém, Yaxley o impediu.

– Não! Esta missão é do garoto! – rebateu ele – Vamos logo Draco, faça!

– Não... – sussurrou Violet pegando sua varinha, porém, antes de fazer qualquer coisa, uma sombra negra aproximou-se dela e fez sinal para que os irmãos ficassem em silêncio.

Estavam salvos! Ou ao menos era isso que Violet pensava enquanto o pai aproximava-se rapidamente dela com uma dor imensa em seu peito.

– Eu sinto muito princesa... — sussurrou segurando o rosto da menina em suas mãos e beijando sua testa carinhosamente, fechando os olhos para sentir uma última vez o quanto amava ser pai daquela garota com olhos de safiras.

Violet não entendeu o porquê de o pai ter feito aquilo, já Harry percebeu que o sonserino estava se despedindo da filha sutilmente, o que o deixou com mais raiva. No fundo, bem lá no fundo, Harry ainda esperava que uma luz aparecesse na cabeça do professor e ele salvasse Dumbledore.

Snape então subiu as escadas sem olhar para trás e colocou a máscara de indiferença que sempre usou em seu rosto, aproximando-se de Bellatrix com a varinha em punho.

– Ah, você está aí... – comentou Yaxley – Veja, o garoto não consegue fazer uma simples missão!

Ao encarar os olhos azuis de Dumbledore, Severo pensou em sua filha a poucos metros dalí, presenciando tudo. Ele não queria que ela visse o que estava prestes a acontecer, mas sabia que era necessário e havia prometido à Dumbledore, que o encarava em súplica.

É isso, não tem mais volta...”, pensou ele, “Ela nunca vai me perdoar”.

– VIOLET —

[Link]

Por que ele não fez nada ainda? Vamos pai, por favor...

– Severo, por favor... – disse o diretor, implorando pela primeira vez naquela noite.

– Avada Kedavra!

E então um raio verde esmeralda saiu da varinha de meu pai e atingiu Dumbledore no peito. Um grito ficou preso em minha garganta e senti Harry tampar minha boca para impedir qualquer som. Mesmo vendo o corpo do diretor cair na imensidão do céu, não consegui acreditar no que tinha acabado de acontecer.

Meus olhos se encheram de lágrimas e então passaram a cair freneticamente. Harry apertou-me em seus braços enquanto a dor em meu peito ficava maior a ponto de eu quase não conseguir ficar em pé. Bellatrix então foi até a varanda pela qual Dumbledore tinha acabado de cair e exclamou “Morsmordre”, lançando a Marca Negra no céu. Meu pai deu uma última olhada em minha direção e então agarrou o colarinho do Draco, empurrando-o para as escadas. Logo os demais comensais os seguiram e Harry e eu ficamos sozinhos ali.

– Ele... Ele é um comensal? – perguntei soluçando – E-esse tempo todo... Ele... Eles m-mentiram esse tempo todo? Os do-dois?!

– Seu pai sempre foi comensal, mas Dumbledore dizia que ele passava informações para a Ordem... Como um espião! Mas foi ele quem causou a morte na nossa mãe e do meu pai e mesmo assim Dumbledore confiou nele! Foi o Snape que ouviu a profecia sobre mim e contou à Voldemort! – disse nervoso – Dumbledore confiou no Malfoy mesmo eu dizendo sempre que ele era um comensal e que estava aprontando alguma coisa!

– Você também sabia? – falei incrédula – Você sabia que meu pai e meu melhor amigo eram comensais e não me disse nada?!

– Eu queria evitar que você sofresse! Dumbledore dizia que...

– Acabei de ver meu pai matar Dumbledore! – exclamei ainda soluçando – O que acha que estou sentindo?

– Prometo que te explico tudo depois, mas antes temos que avisar os outros... Vamos Violet, precisamos ir...

– Eu não...

– Violet! – exclamou Harry chamando minha atenção – Os comensais estão em Hogwarts! Nossos amigos estão em perigo! Precisamos ajudá-los, agora! – disse segurando meu braço e arrastando-me pela escada onde minutos atrás meu pai passara.

Enquanto descíamos tentei ao máximo me concentrar em meus amigos, mas não consegui. Meu pai mentiu, meu melhor amigo mentiu e ambos tentaram matar Dumbledore. Meu pai sabia que eu estava ali e mesmo assim não se importou...

Ele se despediu.

Eu ainda tinha lágrimas nos olhos e soluçava, e mesmo vendo Minerva, Dora, Lupin e inúmeros alunos e professores duelando contra comensais, não deixei de pensar em como fui enganada nos últimos anos. Harry já havia desaparecido à essa altura.

Precisava encontrar meu pai e confrontá-lo, precisava saber a verdade e iria arrancá-la de qualquer forma... Nunca estive tão confusa e amedrontada quanto naquele momento, me sentia imponente e me sentia vazia, traída. Vi alunos feridos e vi também comensais matando. Desejei que as meninas estivessem em seus quartos, seguras, dormindo.

Um dos comensais duelava com Dora e, se não fosse por Lupin intervir, um momento de distração dela causaria sua morte. Me assustei ainda mais com a possibilidade e afastei-me alguns passos, porém, assim que virei-me de costas deparei-me com Bellatrix à minha frente. Seu sorriso sádico de minutos atrás permanecia em minha cabeça e recuei um passo, com medo do que a Comensal à minha frente poderia fazer.

– Não vou te machucar... – garantiu assim que percebeu que eu estava assustada – Você vai ficar bem...

Bellatrix então avançou alguns passos e, quando pensei que faria algo comigo, sorriu levemente e passou direto por mim. Novamente não entendi o que tinha acabado de acontecer, mas decidi deixar os pensamentos para depois.

Corri o mais que pude e, assim que sai do castelo, vi vultos negros caminhando em direção à Floresta. A cabana de Hagrid estava em chamas e Bellatrix pulava como uma criança em dia de festa. Empenhei-me ainda mais em correr e, quando finalmente fiquei a poucos metros de distância, agarrei minha varinha fortemente.

– NARRAÇÃO —

– Pai! – gritou ela, chamando a atenção dos comensais mais próximos.

Snape parou imediatamente e, após dispensar os demais, virou-se para encarar a filha. Vê-la naquela situação quebrou seu coração, mas se quisesse protegê-la, teria que fazê-la odiá-lo e se afastar definitivamente.

– Por que fez aquilo? – perguntou empunhando a varinha – Ele confiou em você! Eu confiei em você! Eu confiei em você e esse tempo todo mentiu para mim!

– Foi preciso... – respondeu controlando-se.

– Você vivia me dizendo que eu não deveria ceder e aqui está! É um comensal! – exclamou ela novamente, queimando de raiva. – Você matou Dumbledore, o homem que mais confiava em você, o único que te defendia de tudo e todos!

– A traição vem daqueles que mais confiamos... Pensei que soubesse disso.

– Pensei que fosse uma pessoa boa. – rebateu – Incompreendida, mas boa! Você, de todas, era a que eu tinha certeza de que nunca iria me enganar...

As palavras de Violet eram duras e repletas de dor, o que afetou em cheio o peito do professor. Snape amava a filha incondicionalmente e nunca desejaria ou faria mal à garota, queria vê-la feliz e segura, viva! Aqueles olhos azuis marejados o estavam despedaçando e, pouco a pouco, o matando.

Sinto muito princesa”, pensou ele.

– Você é igual à sua mãe. – começou fechando as mãos em punho discretamente – Ama demais as pessoas e espera que todas elas te amem da mesma forma. — completou dando as costas. — O mundo não é assim Violet, e você tem que entender isso de uma vez por todas...

Aquilo caiu como um raio em Violet. Ela nunca pensou que um dia veria o próprio pai dizendo aquelas palavras e muito menos sequer o imaginou matando alguém. O fato de ele lhe dar as costas a deixou ainda mais furiosa e irritada, um trampolim para que levantasse a varinha e avançasse.

Sectumsempra! – exclamou, porém, antes que o raio esverdeado de sua varinha atingisse o pai, Snape revidou com um Protego e lançou Expelliarmus, desarmando-a.

– Acha que pode me parar com um feitiço que eu mesmo criei? – perguntou aproximando-se rapidamente – Usando a criação contra o criador?! Onde aprendeu esse feitiço? Foi o Potter que te deu o livro do Príncipe Mestiço?

– Do quê está falando?!

Responda! Quem te ensinou isso?! – exclamou segurando um dos braços da filha.

– Bellatrix! – rebateu Violet furiosamente. – Vocês sempre foram próximos não?! Aliás, foi você quem disse à Voldemort a localização dos Potter e por sua causa ele matou Lillian e Thiago?!

– Eu amava a Lillian! – gritou fora de si, apertando o braço da filha.

– Mas mesmo assim a entregou de bandeja para Voldemort! – rebateu furiosamente – Você mentiu, aceitou a Marca Negra, enganou a todos no castelo! A Ordem confiava em você e por sua culpa Lillian está morta! Por sua culpa Harry quase morreu também e por sua culpa Dumbledore está morto! – exclamou elevando a voz — Você nunca me amou não é? – perguntou com os olhos azuis marejados.

Snape a encarou profundamente e, com os olhos cheios de dor e vergonha, respondeu da maneira mais convincente que pode, egolindo o próprio caráter.

– Não. – mentiu da pior forma possível, quebrando o coração de ambos. — Você tem razão, por minha culpa sua mãe está morta. Eu matei Dumbledore porque era necessário, e um dia vai entender... – continuou com um aperto no peito – Você não é parecida comigo Violet, e espero que nunca seja.

– Nem sua filha eu sou... – sussurrou em resposta deixando mais lágrimas caírem – O que está esperando para me entregar à Voldemort também?

– Eu não chegaria a tal ponto... – “eu nunca faria isso com a pessoa que mais amo no mundo”, corrigiu-se mentalmente.

– O que te impede? – continuou com mágoa — É a oportunidade perfeita... Estamos sozinhos e eu estou desarmada. Obviamente sou mais fraca que você e com apenas um pensamento pode me estuporar e me levar até seu mestre. Adeus escolhida.

Violet não viu o remorso ou a dor nos olhos do pai e Severo conteve-se ao máximo para não ceder às lágrimas que insistiam em querer sair.

– Um dia vai entender... – murmurou limpando uma das lágrimas do rosto da filha, que esquivou-se.

– Eu nunca vou te perdoar. – respondeu ela.

– Eu espero que não. – confessou soltando a filha e dando as costas.

Violet estava com o coração destroçado e seu peito ardia. De tudo que já aconteceu em sua vida, aquela traição era certamente a pior delas, a mais devastadora e cruel. Cada passo que ele dava em direção à floresta era uma facada em seu peito.

Pai e filha ficavam passo a passo mais longe um do outro... Mais quebrados, mais destroçados. Como ele poderia caminhar para longe, quando tudo que ela poderia fazer era observá-lo partir? Eles compartilharam risos e dores, até mesmo as lágrimas. E no entanto, havia apenas um espaço vazio entre eles, nada para lembrá-los do amor que sentiam senão a memória de um rosto perdido no tempo. Uma ferida aberta e uma provável cicatriz incurável.

Ele voltar era contra todas as possibilidades, Violet sabia, mas também desejava com toda a sua alma que ele apenas recuasse os olhos negros nos seus e a visse chorar, a abraçasse como costumava fazer e dissesse que tudo não passara de uma brincadeira.

Que a amava e nunca a magoaria.

Apenas um olhar era o suficiente.

Mas isso não iria acontecer e ela sabia disso. Tinha que encarar a dura e cruel realidade de que não voltaria a vê-lo com os mesmos olhos de antes. Ter um pai tornou-se um sonho tão possível quanto ter Bellatrix como mãe. Sonhos inalcançáveis.

Assim que Snape desapareceu na floresta, virou-se para ver a filha uma última vez e presenciou quando a garota finalmente deixou-se chorar e caiu de joelhos na grama seca e sem vida. A cada grito seu coração ficava ainda menor e mais apertado, a cada lágrima desejava não ter nascido e, a cada expressão triste, lutava contra a vontade de correr até ela, pegá-la no colo e abraçá-la o mais forte que conseguisse. Tinha tanta coisa para dizer!

Mas antes que fizesse isso, entretanto, uma mão feminina segurou seu braço e o impediu.

– Era o certo a se fazer. Depois de hoje ela nunca será uma de nós... – disse Bellatrix, sem qualquer resquício do ódio mortal que sempre a acompanhava. – Mas se fizer isso novamente, te mando direto para o inferno. – avisou aparatando e levando-o junto.

Enquanto agarrava-se a cada fragmento da grama seca, Violet esmagava e batia no chão furiosamente, talvez a dor que sentisse fosse embora junto com seus gritos desesperados ou até mesmo seu pai voltasse para acabar com seus 17 anos de uma miserável vida.

*** Por que não poupa tempo e se junta à nós? Seria muito bem recebida, teria seu pai e sua mãe juntos, ambos te amariam sem reservas e seriam felizes... Você seria feliz! Não é mentira e sabe disso. Dumbledore está morto... Nada mais me impede de destruir o mundo bruxo e acabar com a escória dos sangues ruins. Junte-se ao lado vencedor Violet, basta vir até mim! Basta dizer sim! ***

– NÃO! – exclamou em resposta, seus olhos assumindo a coloração negra e suas veias prestes a saltarem.

Encobrir. Não sentir. Encobrir. Não sentir.

*** Então você vai perder ***

– Eu sou a Escolhida lembra? Enquanto eu estiver em pé, a esperança também estará. – respondeu cedendo à Magia Negra que lentamente assumia o controle de seu corpo. — Eu farei o possível e o impossível para acabar com sua raça imunda! – gritou com todas as suas forças, liberando a magia por completo.

Um raio de luz negra prateada saiu de seu peito e percorreu todo o seu redor num raio maior que dez metros, destruindo toda e qualquer árvore ou plantação que estivesse no caminho. A cabana do guarda-caça Hagrid ficou em pedaços e a grama desintegrou sobre os pés de Violet, que mesmo cansada, chorava e soluçava.

Minutos, horas... Semanas poderiam ter se passado e ela não iria perceber. Alguém a chamava, mas a garota não deu atenção. Pouco a pouco foram ficando mais constantes e mais próximos e, apenas quando essa pessoa a abraçou Violet percebeu se tratar de Harry.

– Vai ficar tudo bem... – sussurrou ele beijando a testa da irmã carinhosamente e pegando-a no colo. Violet agarrou-se ainda mais no pescoço do irmão numa tentativa de se ver livre da dor, mas não adiantou.

Harry estava assustado, e ver a irmã tão devastada e destruída apertou seu coração e despertou seu lado protetor. A cada passo que dava na direção do castelo uma palavra ofensiva aparecia em sua mente direcionada à Snape e Malfoy por decepcionarem-na.

Todos os comensais já haviam fugido, mas o castelo mantinha as marcas do duelo recém travado. As janelas estavam despedaçadas, os móveis quebrados e inúmeros alunos machucados. A Marca Negra estava gravada no céu e o único bruxo que já foi temido por Voldemort estava morto, estirado no jardim e com os olhos azuis abertos.

Minerva ficou extremamente abalada, é claro, quando viu o grande e velho amigo morto, mas conteve-se a fim de ajudar os alunos e protegê-los. “É o que Alvo faria”, pensou ela.

Sirius não ficou parado e foi a Hogwarts em busca do afilhado, porém, desesperou-se quando descobriu que Harry não estava em lugar nenhum do castelo. Moody ficou um pouco pior ao saber que Violet também havia sumido e que Snape provavelmente a deixou para bajular os comensais imundos que estava espionando para a Ordem.

Ambos conversavam com Meryl, que acabara de chegar, nos jardins quando o ex-auror ouviu um choro muito conhecido. Procurou imediatamente pela fonte e, quando viu Harry Potter carregando Violet Snape para o castelo, ficou desesperado.

– Violet! — exclamou aproximou-se imediatamente e, soltando sua bengala, tirou Violet dos braços do irmão e passou-a para os seus, abraçando-a ternamente enquanto ajoelhava-se ao seu lado.

– Graças a Merlin! O que aconteceu Harry? – perguntou Sirius abraçando o afilhado – Onde estavam? Vocês estão bem?

– Violet? – chamou Alastor, porém, a garota não respondeu, apenas chorava. – O que aconteceu com ela Potter?

– Foi o Snape... Snape matou Dumbledore! Ela... Nós vimos tudo. – respondeu Harry. – Snape não hesitou um momento sequer e lançou a Maldição da Morte no professor Dumbledore mesmo sabendo que nós dois estávamos lá...

Sirius nunca gostou do “Morcego das Masmorras”, mas tinha que admitir que, de todos os bruxos no mundo, Snape era o que Dumbledore mais confiava. O grande defeito do diretor. Moody, por sua vez, ficou extremamente irritado enquanto Meryl limitou-se ao silêncio.

– Juro que eu mato aquele desgraçado, mas antes vou levá-la para a Sede. – avisou Moody.

– Deixa que eu a carrego, você não... – começou Sirius, porém, foi interrompido imediatamente por um Alastor furioso.

– Eu consigo muito bem carregar minha afilhada cachorro. – rebateu pegando sua bengala e aparatando com a garota em seus braços.

Notas finais
Snape foi muito cruel, mas ao mesmo tempo fez o certo. Se Violet o odiar nunca cederá às ofertas de Voldemort e nunca aceitará a Marca Negra. É a maneira do nosso Batman de proteger sua batprincesa... A música “Against All Odds (Take a Look at Me Now)”, Mariah Carey ft. Westlife, me inspirou bastante para escrever uma parte do capítulo, acho que combinou com o momento. Quem tiver curiosidade: http://www.youtube.com/watch?v=Kz4VNmzTFQo. É muito linda! “Mas se fizer isso novamente, te mando direto para o inferno”. Eu particularmente adorei essa frase... rsrsrs “Você sabia que meu pai e meu melhor amigo eram comensais e não me disse nada?!” É Harry, espere passar a depressão da Violet que você vai ver! Meryl é a Ministra e sucessora do diretor na Ordem, por que será que não disse nada sobre Snape ter matado Dumbledore? --------------- Capítulo 29 - All You Have is an Empty Heart (...) Deveria se sentir orgulhosa da grande capacidade de amar que tem, de ver o lado bom das pessoas e perdoa-las... (...) --------------- Quem será que disse isso?? Vejo vocês depois!!