Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
27 Capítulo 26 - Hurt
Notas iniciais
CAPÍTULO 26 – HURT
“Ferida”
– NARRAÇÃO – MAIO DE 1997 –
Na manhã seguinte, Violet acordou perfeitamente bem e decidiu voltar para o seu dormitório. Não via a hora de finalmente reencontrar Alessa, Sophie e Mary, mas apenas quando chegou ao Salão Comunal da Sonserina que percebeu que todos os alunos estavam no campo de quadribol para um dos jogos entre Lufa-Lufa e Corvinal. Logo, decidiu ficar no dormitório até as meninas voltarem, assim pensaria melhor em tudo que aconteceu. Quando abriu a gaveta de um dos armários, encontrou uma pequena caixa de veludo negro e lembrou-se imediatamente do que se tratava.
“É seu por direito — NB”
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– Andrômeda, onde você conseguiu esse anel?
– É de família... Todo Black tem um...
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– Normalmente o símbolo dos Black é passado para os filhos mais velhos, sendo que apenas os homens são enterrados com o anel. – explicou – Quando minha mãe morrer, seu anel será passado para Bellatrix, que consequentemente deve passar para seu primogênito, e eu posso apostar que é você. Os outros filhos ganham anéis mais simples quando nascem, como o meu...
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Narcissa Black! NB!
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– Se era da mãe da Bellatrix, e ela é minha mãe... Então o anel pertence à mim. – concluí – Mas não faz sentido! Ela nem me considera sua filha! E duvido muito que Narcissa Malfoy vá contra a ideologia do marido para ajudar uma suposta sobrinha... Deve ter outra explicação...
– Deve ter outra explicação... — repetiu levantando-se rapidamente e deixando as masmorras.
Tinha uma pessoa que certamente saberia o que aconteceu e que devia explicações à Violet e ela estava determinada a descobrir a verdade. Dumbledore descansava em sua sala quando Violet entrou sem bater, com a expressão preocupada e nervosa.
– Srta Snape... Aconteceu algo?
– Sim. – respondeu colocando a caixinha sobre a mesa de Dumbledore.
O diretor então pegou a caixa e abriu, observando calmamente o anel de opala negra.
– É o símbolo dos Black, passado de geração em geração para os filhos mais velhos. – continuou – Eu recebi no meu aniversário com o bilhete que está aí dentro.
– “É seu por direito. Feliz aniversário. – N.B.” – leu o diretor. – NB?
– Narcissa Black. Ou pelo menos é o mais provável, mas também improvável.
– E porque acha que a Sra. Malfoy te enviou esse anel?
– Porque esse anel pertenceu à Druella Black, que passou à filha mais velha: Bellatrix Black. Apenas um Black poderia ter esse anel e o único que se encaixa à NB é Narcissa Black.
– Por que está me mostrando esse anel agora Srta Snape?
– Porque eu quero respostas, eu preciso da verdade e sei que o senhor a tem.
– De qual verdade se refere?
– Monstro é o elfo doméstico da família Black, mas mesmo assim me atende sem reclamar e praticamente me venera. O anel da família que teoricamente deveria ser passado para o primogênito de Bellatrix Lestrange foi entregue a mim. – começou – Quando eu peguei o anel dos Gaunt no passado, precisei abrir um cofre parecido com o método dos trouxas chamado identificação de digital, que teoricamente seria aberto apenas para Bellatrix. Eu não precisei arrombar o cofre porque ele se abriu assim que encostei nele... Sem contar que o senhor poderia mandar qualquer professor para pegar o anel no passado, mas mandou a mim. Meu pai, por exemplo, poderia ter ido, entrado facilmente no quarto da sonserina e pegado o anel sem levantar suspeita.
– A Srta tem razão. – suspirou – Venha comigo, preciso que veja uma coisa... – disse levantando-se e estendendo a mão.
– Aonde vamos? – perguntou Violet segurando a mão do diretor.
– Já vai ver... – disse antes de aparatar com a garota.
– VIOLET –
Um puxão em meu umbigo foi a única coisa que me fez perceber que estávamos aparatando, e quando olhei ao redor, vi que estávamos na sede da Ordem.
– Dumbledore! Violet! – cumprimentou Sirius surpreso levantando-se do sofá – O que fazem aqui? Aconteceu alguma coisa?
– Onde estão os outros?
– Moody e Tonks estão no Ministério e Jullie e Lupin em Hogwarts... Por quê?
– Abra o quarto da tapeçaria Sirius...
– O quê? Tem... Tem certeza?
– Está na hora de contar a verdade.
– De que verdade estão falando?! – exclamei impaciente.
– Já vai entender Srta Snape... Sirius, por favor.
Sirius encarou Dumbledore com a expressão preocupada, porém, não o contrariou e pediu para que o acompanhássemos escada acima, sendo que cada degrau me lembrava fortemente do sonho que tive no natal. Quando finalmente chegamos ao tal quarto, Sirius abriu a porta e entrou.
– Então... O que está acontecendo?
– Mostre o anel à ele Violet...
Assim como o diretor sugeriu, tirei a caixinha com o anel e o bilhete e entreguei à Sirius, que abriu a mesma com espanto nos olhos.
– Reconhece? – perguntei.
– Sim... Ele... Ele é da minha família... – respondeu. – Era da minha tia... Mas o bilhete não é dela, é a letra da minha prima...
– Tem certeza? – perguntei.
– “É seu por direito”... Essa é com certeza a letra da Cissa. Mas por que este anel está com você?
– Porque Narcissa mandou no meu aniversário. Me fala a verdade Sirius, por favor... – pedi.
Sirius encarou-me por longos segundos e suspirou, apontando para o quarto distraidamente.
– Sabe, esse quarto foi enfeitiçado há séculos atrás por um bruxo da família para que todos os Black que nascessem jamais fossem esquecidos. Quando o filho legítimo de algum Black nasce, ele é automaticamente adicionado à árvore, mas não pense que alguém escreve o nome aqui, ele é feito magicamente e, mesmo que os pais não queiram, a criança vai aparecer. Essa é a primeira forma de ingressar na árvore. – começou.
– Primeira forma? Pensei que apenas entrasse através de casamentos e filhos legítimos.
– Sim, muitos pensam assim... – concordou – Mas não é verdade. Há muito tempo, uns...80 anos, acho, uma garota entrou na família Black mesmo não sendo filha legítima ou esposa de algum Black.
– Adoção?
– Não. – falou procurando alguma coisa no teto do quarto. – Está vendo aquele desenho, Marion Black?
As paredes era uma árvore genealógica enorme. Vi ali alguns que conhecia por nome, vi até mesmo Harry e, logo depois, finalmente encontrei Marion Black.
– Sim, mas ela não deveria estar ligada ao casal? – perguntei ao perceber que Marion estava ligada por um fio apenas à mãe.
– Dahnyph Black a encontrou um dia na rua, a levou para casa e cuidou dela. Um tempo depois descobriu que a garota era órfã e a adotou legalmente. – começou – Anos se passaram e Marion nunca esteve na árvore, porém, depois de um acidente que a deixou entre a vida e a morte, Dahnyph percebeu que a amava como uma verdadeira mãe e as duas criaram uma conexão tão forte que Marion acabou sendo gravada magicamente à genealogia dos Black. Infelizmente ela morreu um tempo depois num acidente. Essa é a segunda forma, laços afetivos.
– Mas... E o marido de Dahnyph Black? – perguntei confusa — Ele não gostava da menina?
– Gostava, mas é aí que entra outra “regra”. Ao longo dos séculos os Black foram percebendo que apenas as mulheres incluíam crianças à árvore. Até mesmo estudos trouxas comprovam que a ligação entre mãe e filha é muito mais forte que entre pai e filho.
– E o que isso tem a ver comigo?
Sirius então caminhou até um dos galhos desenhados na árvore e retirou uma espécie de placa de mesmo tom, que eu poderia jurar que fazia parte do desenho. Logo em seguida fez sinal para que eu me aproximasse e visse o que estava por baixo, porém, quase não acreditei no que vi.
Logo abaixo de Bellatrix Rosier Black Lestrange havia um fio que a ligava, e apenas ela, ao desenho de uma garota e um nome. Violet Eileen Prince Snape Black.
– Isso... Isso é uma brincadeira, certo? – perguntei vacilante. – O que meu nome está fazendo aí com Black no final?
– Como eu disse, apenas a conexão entre mãe e filha é forte o suficiente para que alguém que não tenha nenhum laço sanguíneo entre oficialmente para a Casa dos Black e...
– Sim, eu já entendi essa parte! – exclamei nervosa – Por que meu nome está na árvore dos Black?! Quem me adotou legalmente foi Bella Lestry, nós nunca nos demos bem e discutimos quase que a vida inteira!
– Sim Violet, mas algo aconteceu no último ano que mudou tudo! – rebateu Sirius – Eu nunca imaginei que pudesse acontecer, mas Bellatrix desenvolveu uma conexão com você no último ano e, por ser correspondida, te incluiu magicamente à árvore!
– Não, eu não sou uma Black, não pode ser! – neguei com os olhos úmidos. – Ela... Nós... Nós nem ao menos estávamos por perto para que essa conexão acontecesse! Nós... Quando isso aconteceu?
– No fim das aulas do quinto ano. – respondeu Dumbledore — No mesmo dia em que Bellatrix matou Morgana Pendragon.
– Ela estava assassinando alguém, como poderia sequer pensar em conexões afetivas comigo?!
– Morgana tentou te matar duas vezes e te manipulou o máximo que pode. – começou Dumbledore – Uma mãe não pode suportar a ideia de ver o filho sofrer, ela o defende. Foi isso que Bellatrix fez, te defendeu e te vingou. Ela poderia lançar uma simples maldição da morte, mas escolheu usar adagas... Um medibruxo confirmou que Morgana foi torturada antes de finalmente morrer.
– Ela certamente falou algo sobre tentar te matar novamente ou se vingar... – sugeriu Sirius — Bella nunca foi paciente e controlada, quando ouviu algo assim partiu para cima da Morgana e a trucidou, literalmente.
– Então ela... Ela me ama? – perguntei com um nó na garganta.
– Ao que tudo indica, sim.
As lágrimas que contive todo aquele tempo finalmente venceram e escorreram por meus olhos. Eu não conseguia acreditar que Bellatrix realmente me amasse como uma mãe deveria e não queria me enganar novamente e sofrer por isso depois.
– Talvez nunca tenha admitido para ninguém, nem a si mesma... Talvez nunca tenha demonstrado...
– Espera, vocês... – interrompi ao lembrar de algo — Vocês souberam sobre isso no início das férias do ano passado?
– Sim.
– E por que não me contaram?! Eu tinha o direito de saber! Eu merecia saber que minha mãe me ama!
– Não contamos pois inicialmente ficamos confusos, não sabíamos o que significava ainda... – respondeu Sirius – E também porque sabíamos que, se a informação caísse nas mãos erradas, poderiam usar isso contra você.
– Se Lord Voldemort descobre a conexão afetiva entre vocês duas, vai usá-la como artifício para te atrair até ele. Atingirá seu ponto fraco Violet: amor fraternal.
– Mas ele já faz isso!! – gritei, surpreendendo os dois – O pesadelo que tive no natal... Eu vi meu pai e Bellatrix juntos aqui nessa casa, os dois eram comensais e estavam cuidando de mim, dava até para ver o amor que sentiam por mim! Bellatrix me chamava de filha e dizia que finalmente meus desejos se concretizaram... Éramos uma família... – falei choramingando, porém, ainda furiosa – Eu vi meus padrinhos, você e a Jullie morrerem no quarto em frente e vi a Marca Negra no meu braço...
– Por que não contou antes? – perguntou Sirius preocupado.
– Porque era apenas um sonho! – exclamei – É claro que eu fiquei abalada com o que vi! Tudo que eu sempre quis foi ter uma família, ter pais que me amassem e que cuidassem de mim. Nunca deixei de amar Bellatrix e depois da viagem ao passado eu percebi o quanto senti falta de uma mãe... Da minha mãe! – choraminguei – Mas eu tenho noção da realidade e sei que nunca terei uma relação saudável entre mãe e filha com Bellatrix Lestrange. Eu não sou idiota. Por mais atrativo que seja a ideia de eu ter uma família entre os comensais, eu nunca vou aceitar... Tenho princípios professor, mas também tenho uma família aqui, me esperando.
– Você é muito forte Srta Snape...
– O senhor não pensou assim quando soube sobre a conexão. – respondi ressentida – Vocês não tinham o direito de me esconder isso!! É sobre a minha vida que estamos falando!
– Entenda Violet, é...
– Eu já entendi que é perigoso! – interrompi nervosa – Eu sei que Voldemort usaria isso a seu favor se soubesse, mas eu não sou Voldemort! Não precisava avisar a meio mundo e colocar a notícia no Profeta Diário! Bastava dizer “Violet, sua mãe te ama. A propósito, você é uma Black agora, bem vinda à família”.
– Sinto muito Violet...
– E como fica agora? Aqui nessa tapeçaria o Black é claramente meu último nome...
– Sim, o correto seria Srta Black de agora em diante. – começou Dumbledore – Essa é, talvez, a única família onde os registros do ministério são alterados magicamente com a tapeçaria.
– Então sou oficialmente Violet Black? – perguntei incrédula. – Perante o Ministério?
– Quando alguma alteração desse nível é feita magicamente, seus documentos vão para a mesa do supervisor geral do Ministério, que vai conferir e arquivar. Felizmente consegui conversar com a Sra Seyfried e evitamos que qualquer outra pessoa visse seus registros. Lá consta que seu nome é Violet Eileen Prince Snape Black, a primogênita e herdeira do Império Black.
– E quanto ao Evans?
– Seu pai sabe de sua reserva quanto à Lilly, então decidiu tirar o Evans para que você não tenha que se lembrar dela sempre com raiva ou rancor... – explicou Dumbledore.
– Ele fez mesmo isso? – perguntei um pouco mais calma, porém, logo outra palavra veio à minha mente. — Eu... Espera, herdeira? Que história é essa?
– Há apenas cinco herdeiros atualmente. Os Weasley, os Crouch, os Potter, os Longbottom e os últimos Black. Mas os Weasley não terão direito à nada, já que Arthur é considerado um “traidor de sangue”. Os Crouch estão mortos e a parte do Tiago já foi passada para o Harry. Os Longbottom também não terão direito pois a “pureza” dos Black foi perdida de geração em geração, logo, os últimos herdeiros são Régulus e eu, da parte de Orion Black, e Bellatrix, Andrômeda e Narcissa, da parte de Cygnus Black. – começou Sirius — Reg está morto e eu fui deserdado, então nossa parte passou para nossas primas, e quando morrerem, toda a fortuna da família será herdada pelo filho de uma delas, o mais velho.
– Dora é a mais velha. – pensei racionalmente.
– Mas Andrômeda foi deserdada da família antes que a Tonks nascesse, então diante do Ministério ela não tem direito algum sobre a fortuna dos Black, assim como eu e os Weasley. – começou Sirius – Os únicos herdeiros seriam Bellatrix e Narcissa, e como Bella aparentemente nunca teve filhos, Draco ficaria com tudo. Mas agora a história mudou. Você é oficialmente filha da Bella e, por ser meses mais velha que o Malfoy, é a primeira e única herdeira da Mui Antiga Casa dos Black.
– Eu... O quê? – repeti incrédula. – Mas... Mas não são os homens que costumam herdar?
– Há tempos atrás sim, mas a Bella continua a mais velha, então indiscutivelmente os filhos dela que herdariam tudo.
– Por isso que o Monstro me obedece de bom grado? Porque eu sou oficialmente uma Black e também a única herdeira? Filha de Bellatrix?
– Sim. – concordou Sirius, aparentemente satisfeito por eu entender.
– E vocês pretendiam me contar isso quando?! – explodi, surpreendendo-o.
– No momento certo nós...
– Não existe essa história de momento certo! – gritei – Vocês iam protelar o máximo que pudessem, assim como o fizeram com o Harry sobre sua conexão com Voldemort! Será que ninguém percebe que mentir só piora a situação? – exclamei passando as mãos sobre o cabelo numa tentativa de me controlar – Quem mais sabe sobre isso?
– Tonks, Lupin, Moody e Meryl. – respondeu Sirius – Seus documentos já foram arquivados e Dumbledore conseguiu esconder os que foram para Hogwarts. Nem o Ranhoso sabe.
– Meu pai tem nome! – corrigi irritada.
– Olha, eu sei que está magoada, mas não é o fim do mundo! – comentou Sirius — Você acabou de descobrir que é a herdeira de duas das mais antigas e ricas famílias do mundo bruxo, os Black e os Prince... E apesar dos pesares, agora tem a confirmação de que sua mãe realmente te ama!
– E você acha que eu me importo com essa maldita herança?! – rebati – Não me interessa quanto vou ganhar do Gringotes e muito menos meu nome! Por mais que tenha provas de que Bellatrix me ame, eu nunca terei certeza! Essa tapeçaria não diz nada... Sua mãe te odiava e mesmo assim você continua aí.
– Meu caso é diferente. Estou por laços de sangue, e uma vez na tapeçaria é impossível sair...
– O que mais me magoa é saber que esse tempo todo vocês mentiram para mim! Eu fui criada para que sempre contasse a verdade, por pior que fosse... Mesmo Bellatrix me enganando desde os meus cinco anos, ela sempre me disse que eu deveria ser verdadeira, que a honestidade e fidelidade são as melhores qualidades que se pode encontrar em uma pessoa... – falei ainda chorando – Agora tudo faz sentido... O senhor sabia que eu sempre amei minha mãe, sabia também que a ideia de uma família completa me afeta e sabia que Bellatrix guardava o anel dentro de um cofre que apenas eu poderia abrir! – disse à Dumbledore, magoada – Mesmo assim me mandou para o passado unicamente com a missão de pegar o anel e voltar, mas não se importou com o que aconteceria comigo nesse meio tempo...
– Está enganada Srta Snape...
– O senhor me avisou sim que as pessoas mudam, mas nunca pensei que essa viagem me afetaria tanto! Nos últimos dois meses eu fui realmente uma Black! Todos eles me aceitaram, cuidaram de mim e eu finalmente tive o que sempre sonhei: uma família! Mas agora eu não sei o que pensar... – disse confusa – Esse tempo todo fui chamada de Violet Black, e sempre que Rég me chamava de priminha eu me sentia uma intrusa. Mesmo sabendo que muitos deles eram ou seriam comensais, me senti mal por enganá-los dizendo ser da família... Quando na verdade sempre fui uma Black legalmente.
– Me desculpa... Eu não deveria ter falado aquilo... – começou Sirius com a expressão culpada.
– Podemos ir professor? Estou cansada... – pedi calmamente, porém, ainda estava nervosa e confusa, precisava sair daquele lugar imediatamente.
– Claro... – respondeu ele abrindo passagem pela porta e fazendo-me segui-lo em seguida. – Sirius, avise Tonks, Moody e Meryl sobre o que aconteceu, por favor. Depois conversamos.
– Tudo bem... – respondeu ele – E... Desculpa Violet, eu...
– Agora não, por favor... – pedi fechando os olhos e segurando a mão que Dumbledore me estendeu. Logo que a sensação ruim de aparatar passou, abri os olhos e percebi que estava novamente na sala do diretor.
– Espero que possa compreender que tudo que fizemos foi para a sua segurança Srta Snape, nunca pretendemos magoá-la...
– Com licença professor... – respondi ignorando seu comentário e saindo de sua sala.
Assim que fechei a porta, desci as escadas da gárgula rapidamente e passei a caminhar pelos corredores sem rumo.
O jogo certamente já tinha acabado e, por mais que eu confiasse nas meninas e sentisse a falta delas, não queria ouvir mais ninguém naquele momento, precisava ficar sozinha. Olhei para o jardim e percebi que, apesar de pouco, chovia. O único lugar aonde ninguém iria era para o jardim, então logo deixei a cobertura do corredor e passei a andar na chuva, abraçando meus braços fortemente.
Cada passo se mostrava insuficiente e logo comecei a correr sem rumo através da chuva. A caixinha com o anel continuava em minha mão, mas tudo que eu conseguia pensar naquele momento era correr o máximo que pudesse para o mais longe que conseguisse.
Logo senti galhos frios grudarem em minha cintura e me levantarem do chão, olhei para baixo e vi que eram os galhos do Salgueiro Lutador, que balançavam-me para todos os lados possíveis. O movimento estava me deixando tonta e, quando lembrei que poderia usar minha varinha, os galhos me lançaram para o chão. Por conta da água na grama, assim que cai me vi escorregando até um buraco abaixo da árvore e, segundos depois, senti o barro grudar em minhas roupas quando caí no buraco de terra com o cabelo totalmente molhado em minhas costas.
– Droga... – murmurei.
Olhei à minha frente e lembrei-me de que aquela era uma das passagens que davam à Hogsmead, mais especificamente para a Casa dos Gritos.
Um lugar perfeito para ficar sozinha.
Durante os próximos minutos caminhei cuidadosamente através do corredor de terra e logo cheguei à uma portinhola, que após aberta, me deu passagem para o Hall de Entrada da Casa dos Gritos. Entrei sem ao menos pensar no que estava fazendo e só parei quando cheguei à sala, desabando no sofá.
Era algo muito insignificante, mas a ideia de que Dumbledore sabia sobre meu passado aquele tempo todo e escolheu não me contar, manipulando-me para que eu pegasse o anel dos Gaunt sem eu ao menos perceber, me deixava magoada e machucada.
– Sinto sua falta mãe... – sussurrei fechando os olhos.
Eu queria tanto, desejava tanto que ela estivesse ali, ao meu lado! Queria que voltássemos a rir juntas... Gostaria de passar a noite toda conversando com a mulher que deveria estar presente em minha vida, assim como a mãe das minhas amigas fazia.
Bellatrix realmente me amava?
Esse tempo todo eu pensei que a amava como filha e não era correspondida... Será que ela me ama mesmo? Ela realmente se sente como minha mãe?
Eu nunca teria a resposta, é claro. Bellatrix era uma comensal e jamais teríamos um momento para conversarmos abertamente, sem medo ou ameaças. Eu amava minha mãe e ela me amava, mas nunca poderíamos dizer isso uma para a outra e muito menos viver esse sentimento... Eu nunca poderia abraçá-la e chamá-la de mãe. Era impossível.
Levantei-me e então encarei um velho espelho sobre a lareira. Apesar da poeira e das teias de aranha, eu ainda conseguia ver meu reflexo nele. Era a imagem de uma garota de dezessete anos, pele pálida e bochecha rosada, a ponta do nariz avermelhada e os olhos vermelhos de tanto chorar, ou talvez da falta de chorar. Meus cabelos negros caíam sobre os ombros e colavam-se até a minha cintura, e assim como eu, estavam sem vida.
Lembrei-me imediatamente de Eileen, de como éramos realmente iguais e como ela me tratou... Não tivemos exatamente algum tipo de relação, mas ela aceitou que era minha avó e claramente ficou feliz em me conhecer.
– Mais uma pessoa que foi tirada de mim por culpa dele... – murmurei encarando furiosamente o espelho.
Voldemort tirou todas as chances que eu poderia ter de ser completamente feliz...
Eu poderia ter tido uma família se ele não interferisse, poderia ser feliz com Bellatrix se ele também não intervisse e tinha chances de novamente ter uma família com o meu pai e padrinhos, mas Voldemort ainda me prejudicava. Minha avó poderia estar viva e eu até conseguia imaginar uma tarde em que ela me contasse de suas aventuras quando jovem, comparando nossos rostos e especialmente nossos olhos.
Ela me chamaria de princesa também?
O reflexo de Eileen Prince continuava a me encarar, não aguentei e descontei toda a minha raiva através de minhas mãos, que batiam ininterruptamente no espelho, lágrimas caindo freneticamente até que finalmente o vidro cedeu e espatifou-se no chão à minha frente. Olhei para baixo e percebi que havia sangue entre os cacos, provavelmente da minha mão, mas não me importei.
Até quando Voldemort iria interferir em minha vida?
Até quando as pessoas esconderiam coisas de mim na tentativa falha de me proteger?
Eu estava cansada de chorar, cansada de correr e cansada de pensar. Apenas deixei que meus joelhos cedessem e caí no chão, deitada ao lado dos cacos de vidro. Lágrimas silenciosas ainda escorriam de meus olhos, mas eu já não queria proferir som algum.
E foi nesse momento que vi um vulto negro entrar na sala e correr até mim.
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