Secrets...
1 Prólogo.
Notas iniciais
Eu estava dentro do táxi havia quase meia hora, e o taxímetro mostravam 75,25 reais. Eu suspirei e comecei a desenhar no vidro embaçado do carro. Lá fora estava caindo uma chuva incrivelmente forte, uma daquelas típicas do inverno. Eu só conseguia ver um borrão das luzes do lado de fora, por isso não fazia a mínima ideia de onde eu estava, muito menos se faltava muito para chegar. Para o meu alívio, eu vi uma enorme placa com os escritos: Edifício Snow.
–É aqui- Eu falei para o taxista que parou logo na entrada do edifício. Por meio segundo eu cogitei pedir para ele subir na calçada (Poucos segundos nessa chuva bastariam para ensopar qualquer pessoa), mas eu sabia que ele não faria e isso, e de qualquer jeito seriam necessário alguns passos para ficar debaixo da enorme cobertura da entrada do prédio.
–Deu 75,50 — ele falou enquanto virava-se para mim com um ar de suspeita. Muito provavelmente ele não estava acreditando que eu iria pagar tudo aquilo.
Eu retirei a minha mochila das costas, e depois de alguns segundos procurando eu achei a minha carteira. Eu peguei uma nota de cinquenta, uma de vinte, e uma de dez.
–Pode ficar com o troco- Eu falei enquanto entregava para ele o dinheiro, e logo em seguida colocava a minha mochila nas costas.
–Obrigado- Ele agradeceu sorridente.
–Imagina- Eu falei enquanto começava a pegar a minha mala, que eu insistira para trazer no banco de trás comigo.
–A senhorita não quer ajuda com a mala?- ele perguntou enquanto começava a abria a porta.
–Não precisa.- Eu falei sorrindo levemente, e já começava a abrir a minha porta.- Tenha uma boa tarde- Eu falei enquanto pulava do carro para a calçada, e logo em seguida puxava a minha mala e saia correndo para debaixo da cobertura.
A resposta dele foi abafada pelo som de um enorme trovão. Eu apertei o interfone e pude ouvir a voz do porteiro:
–Edifício Snow, boa tarde.- Uma voz masculina respondeu.
–Oi, eu sou a nova morado do apartamento 101, Clarissa Castellmary.
–Pode entrar- A voz falou, e no mesmo instante o portão foi aberto.
Eu arrastei a minha mala preta média, pela rampa e depois de pagar mais um pouco de chuva eu entrei em um confortável saguão (A decoração assim como o nome do prédio era baseado na neve).
– O síndico já vai descer para te mostrar o prédio, Srta. Castellmary- Falou uma voz atrás de mim e eu me virei para ver quem era.
Era um homem com uns quarenta anos, muito provavelmente o porteiro. Aliás, eu acho que obviamente.
–Pode me chamar de Clary- Eu falei sorrindo.
–Como quiser- Ele retribuiu o sorriso e depois voltou para a portaria.
–Vejo que acabo de conhecer a minha nova morada- Falou uma voz jovem e animada.
Eu olhei para o lado oposto ao qual eu havia entrado e vi uma mulher jovem aproximando-se. Ela deveria ter uns trinta anos, tinha cabelos loiros naturais e curtos, olhos castanhos escuros, era alta, e tinha um corpo com belas curvas e seios com grandes chances de terem silicone, ela estava usando uma blusa regata justissíma num tom de vermelho sangue, uma calça jeans igualmente justa, e por fim uma jaqueta de couro preta.
–Prazer, Clary- Eu falei enquanto sorria e começava a estender a mão.
–Sou Meredith — Ela falou enquanto apertava a minha mão e depois me abraçava. — Fui eleita a nova síndica ontem — Ela completou sorridente.
–Parabéns- Eu falei sorrindo, apesar de eu saber que ela não havia ganhado o posto pela competência...
–Bom, eu iria te mostrar o lado de fora do prédio, mas com essa chuva...- Ela falou enquanto gesticulava para as janelas.
–Não tem problema, para ser honesta eu só queria ir para o meu apartamento mesmo- Eu falei sorrindo e dando de ombros. Eu estava exausta, a viagem de avião haviam demora 10 horas (De São Paulo para Washigton) e depois, mais meia hora até chegar nessa pequena cidade, enfim eu só queria ir para o meu apartamento.
–Bom, então vamos lá- Ela falou enquanto começava a me ajudar a arrastar a mala.- Aqui é o elevador social, você pode utiliza-lo para carregar pequenas quantidades de compras como roupas e essas coisas, mas para alimentos, produtos de limpeza você usa o de serviço, e para pequenas quantidades de bagagem a mesma coisa, e igualmente para grandes quantidades- Ela explicava enquanto esperava o elevador chegar. Quando ele chegou eu ia abrir a porta mas ela me interrompeu gentilmente e completou- As postas são de correr, e são automáticas.
–Oh- Eu falei surpresa. Eu imaginava um prédio muito mais simples pelo valor do condomínio.
Nós entramos num confortável elevador com as paredes beges, com desenhos de neve caindo, e aquelas lindas estrlas de felo.
–O tema do condomínio sempre foi neve?-Eu perguntei quando o elevador começou a subir.
–Há vinte e cinco anos atrás o homem que mandou construir o prédio era simplesmente apaixonado por neve- Ela falou rindo.
–Faz sentido- Eu murmurei sorrindo.
O elevador não demorou mais que dois minutos para chegar ao décimo andar, e eu quase tive um treco (Eu simplesmente odiava esses elevadores silenciosos até demais, parecia que eles estavam parados e eu estava presa lá, por isso eu amava aqueles que faziam mais barulho do que sei lá o que). Quando a porta abriu, eu me deparei com um corredor e uma porta de cada lado (Obviamente o local era decorado com um tema de neve).
–Bom, o seu é o 101- Meredith começou enquanto me entregava uma chave ( E adivinhem? O chaveiro que vinha junto era de boneco de neve!!! Uhuuul) — Os antigos donos te avisaram que eles mudaram alguns cômodos?
–Sim, eles avisaram que juntaram a suite com o outro quarto, o outro dormitório transformaram em um escritório, e aumentaram a cozinha.- Eu falei enquanto acenava com a cabeça.
–E como eles se mudaram para outro país, eles deixaram basicamente todos os móveis, então eles pediram para considerar um presente de boas-vindas deles- Ela falou sorridente. Eu quase sai dando pulinhos de alegria. Eu ia ter que gastar boa parte do meu dinheiro para comprar móveis novos, mas agora não!.
–Eu agradeço muito.- Eu falei tentando não parecer animada demais..
–Bom, agora eu vou te deixar em paz.- Ela falou.
–Ah, na verdade eu queria te dar o pagamento do condomínio- Eu falei enquanto tirava a mochila das costas e abria o bolso da frente.
–Não é necessário, você pode pagar o condomínio no dia 20 mesmo- Ela falou sorrindo tranquilamente.
–Não, eu queria pagar agora mesmo.- Eu falei enquanto dava para ela um envelope gordo- Já tem o pagamento do ano inteiro- Eu falei triunfante. Para mim era muito mais fácil e prático pagar tudo de uma vez só.
–Nossa. -Ela falou claramente surpresa- Esta tudo em dinheiro vivo?
–Sim, mesmo eu sendo emancipada eu ainda não posso ter uma conta bancária- Eu falei dando de ombros.
–Muito obrigada, você não sabe o quanto eu fico feliz quando adiantam o pagamento -Ela falou e dessa vez eu tive a impressão de que não era eu que estava me controlando para sair dando pulinhos.
–Não tem de quer.-Eu falei sorrindo animada.
–Ok, agora eu te deixo em paz mesmo- Eu falou me cumprimentando e logo em seguida entrando no elevador e indo embora.
Eu peguei a minha chave, suspirei pesadamente e abri a porta do meu novo apartamento, começando uma nova vida.
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