Secrets
4 Let's party
Notas iniciais
Ele parecia bem perturbado e andava de um lado para o outro com a mão na nuca, murmurava algumas palavras mas nada que eu conseguisse entender, decidi que não valeria a pena esperar que ele voltasse ao normal então me levantei lentamente e comecei subir as escadas. O segundo andar da biblioteca era o local que mais me fascinava naquela casa, tinha um teto de vidro abobadado, as paredes foram pintadas de amarelo para representar o sol, várias prateleiras de madeira envernizada ficava nas paredes e em suas lacunas haviam itens dos mais váriados tipos. Meu pai era colecionador de coisas raras, o segundo andar era dividido entre os itens raros e discos de vinil. Estava procurando um disco para tocar quando uma voz chamou minha atenção, Peter estava parado na beira da escada com um sorriso no rosto.
– Então Peter, ainda não sei porque esta aqui. É algum tipo de perseguidor? – perguntei voltando a atenção para os discos
– Acho que ainda não atingi esse patamar – soltou um riso fraco – Eu vim me desculpar por hoje na hora do almoço, percebi que minha atitude te chateoou de certo modo.
– Não precisava de tudo isso – falei fazendo um gesto de descaso com a mão – Poderia esperar até a amanhã para me falar isso e...
– Acho que não seria correto – me interrompeu – Eu fiz aquilo porque queria te conhecer, assim que nos esbarramos fiquei impressionado com sua beleza e então fiz de tudo pra tentar te impressionar.
Fiquei sem palavras diante de seu testemunho mas se ele tinha algum plano fajuto de tentar me conquistar com aquilo já poderia ponderar desistir da ideia, me apaixonei uma vez e foi muito doloroso então decidi que só abriria meu coração a quem fizesse jus a ele. Peter parecia um cara legal mas é aquele tipo de cara que vai te levar a muitos lugares lindos pra depois te meter em muita encrenca, então estava dicidindo se jogaria o jogo que ele estava propondo silenciosamente ou se apenas o despensaria sem mais nem menos. Ele ainda estava ali, me observando esperando alguma reação ou até pensando que seu plano estava funcionando mas era agora que eu entrava em ação usando os truques dele contra o mesmo.
– Peter vou te propor uma coisa – anunciei – Quero que escolha um lugar para me levar esta noite, um lugar que você ache que irei gostar. Se eu gostar do local poderá me conhecer melhor caso contrário irá me deixar em paz. Topa?
Ele não contava com a minha jogada estratégica pois me encarava com olhos inespressivos como se não tivesse resposta para aquilo.
– É uma jogada arriscada pra mim mas vejo que você gosta de jogar com as pessoas. Então sim, eu topo seu desafio – falou abrindo um sorriso torto — Quer trocar de roupa ou podemos sair?
Assim como imaginei, ele gosta de jogar e se acha o melhor em tudo por isso foi fácil atraílo pro meu jogo. Agora ele me levará a um restaurante refinada achando que sou como qualquer outra garota que adora um ato de romantismo e poderei me livrar dele, simples assim. Levei apenas 20 minutos para tomar uma ducha e trocar de roupa, coloquei algo simples e uma das minhas roupas favoritas um jeans, uma camiseta de uma banda qualquer, uma bota de cano alto e uma jaqueta de couro. Passei um rímel apenas para não ir de cara limpa e um batom rosado para dar uma cor nos lábios e deixei o cabelo solto caindo em ondas pelos ombros.
Peter me esperava na sala e assim que me viu abriu um sorriso, vitorioso talvez, não sei exatamente, o que me assustou um pouco porque sempre cosigo ler as expressões de qualquer um. Beth apareceu na sala com um largo sorriso costumeiro, ela conhecia muito bem a minha tática afinal foi ela quem me ensinou.
– Beth, peça para Jorge tirar o carro, nós...
– Não será necessário, iremos no meu carro – Peter me cortou mais uma vez
Dei de ombros e me despedi de Beth, acompanhando Peter até o carro. Um mustang V6 estava parado bem a frente da minha porta, fiquei imaginando como aquele carro passara despercebido aos meus olhos, sempre gostei muito de carros e motos uma paixão que adqueri com meu pai quando ainda era pequena. Ele abriu a porta do carro para mim, assim que ocupei o acento fiquei imaginando o que os pais dele faziam da vida porque aquele carro não era nem um pouco barato, era um lançamento de primeira linha nem minha mãe poderia bancar um daquele.
– Pronta para aventura? – perguntou dando partida no carro – Sem querer me gabar mas esse desafio já esta ganho.
Soltei um riso debochado em resposta e afivelei o cinto para que ele pudesse prosseguir. Ele costurava entre os carros na rua em alta velocidade e eu adorei aquilo, sei que é imprudente mas do que adianta uma máquina daquelas se não podemos acelerar? Eu faria tudo pra estar na direção daquele carro mas creio que Peter não entregaria aquela preciosidade nas minhas mãos, ele começou a sair da cidade o que me levou a repensar sobre o restaurante.
Em menos de 15 minutos ele estava estacionando atrás de um galpão velho, o local parecia totalmente abandonado mas então precebi um feixe de luz colorida passando por debaixo da porta e logo entendi do que se tratava. Era uma daquelas festas proíbidas que rolava de tudo, eu adoro esse tipo de festas mas não iria deixar ele perceber logo de cara, não poderia entregar os pontos assim de uma vez, tenho que fazer um charme antes. Peter não valia a pena mas seria uma ótima diversão, me arrependeria disso na semana seguinte mas preciso viver o momento.
Peter deu duas batidas na porta de ferro e um cara alto e mal encarado apareceu, ele comprimentou Peter e olhou desconfiado para mim mas nada que a minha carteira de identidade não resolvesse. Logo estava dentro, ao lado esquerdo havia um balcão que se extendia até o final do gualpão, homens e mulheres atendiam a multidão de pessoas que ali estavam, em linha reta bem lá no fundo havia alguns sofás, pelo menos era isso que parecia, o DJ ficava em uma plataforma elevada bem no meio da pista de dança que ocupava mais da metade do lugar. A musica que tocava era agitada e dava vontade de dançar, estava pronta para me jogar na pista quando Peter me pegou pela mão e me conduziu até o balcão de bebidas.
– Vamos deixar as coisas mais interessantes – ele tinha um brilho sombrio nos olhos – Vamos ver quem fica com mais pessoas dentro de uma hora e meia, topa?
– O que eu ganho com isso?
– O prêmio pode ser combinado depois, a questão é, você aceita ou não?
Olhei para o barman, era um homem moreno e alto com cabelo cortado rente a cabeça e olhos castanhos claros, ele sorriu pra mim e pedi uma bebida qualquer. Assim que ele trouxe o meu drinque subi no balcão e o beijei.
– Já tenho um! – falei olhando para Peter e seguindo para pista
Uma batida alta tocava e todos os corpos na pista balançavam, tentei ir cada vez mais para o meio onde sabia que conseguiria presas fáceis. Dito e feito, assim que comecei a balançar os quadris no ritmo da musica um cara se aproximou por trás e acompanhou meus movimentos, ficamos apenas alguns segundos assim então me virei e ele atacou meu lábios com voracidade, depois que ele me soltou fomos até o bar e ele me pagou uma cerveja não fiz questão de perguntar seu nome, assim que o barman me entregou a garrafa guardei a tampa no bolso da minha jaqueta e voltei pra pista.
[...]
Assim que meu tempo acabou eu já estava meio tonta mas completamente consiênte de meus atos, sentei em uma das banquetas dispostas a frente do balcão e fiquei esperando Peter aparecer, quatro doses de tequila depois ele apareceu com uma garrafa de uísque na mão e a boca suja de batom. Ele caiu sentado na banqueta ao lado e continuou a beber sua bebida despreocupadamente.
– E então? – perguntei quebrando o silêncio entre nós, o que era irônico já que estavamos em uma festa – Quantas?
– Três, elas deixaram suas marcas na minha camisa – respondeu mostrando a gola da camisa, onde continha três formas de beijos um de cada cor – E você?
– Quatro! – tirei as tampas do bolso e joguei no balcão – E com o barman são cinco, acho que ganhei!
Ele sorriu de lado me pegou pelo pulso e me levou até a pista. Dançamos por algumas horas e quando eu estava trocando as pernas Peter resolveu que era hora de irmos embora, durante o trajeto comecei a rir sem parar e ele me acompanhava fazendo comentários aleatórios. Assim que o carro parou na frente de minha casa o sorriso em meu rosto desapareceu, Peter também parou de gargalhar abriu a porta do carro pra mim e me ajudou a subir a escada da entrada.
– E então como foi a noite? – perguntou
– Foi boa, mas vai precisar de mais se quiser me impressionar. Passa aqui a amanhã para combinarmos o que será meu prêmio pela aposta – falei enrolando a língua
Eu já estava rindo novamente e Peter me acompanhou com um sorriso, estava apoiada na porta com ele bem a minha frente com o tempo fui parando de rir e ele se aproximava cada vez mais, quando senti sua respiração contra meu rosto desviei e abri a porta.
– Boa noite, Peter!
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