Secrets

3 Capítulo II


Notas iniciais
Olá! Então, aqui está o segundo capítulo... as coisas estão começando a esquentar 'hehe. Espero que gostem!

Isabelle POV:

Acordei desnorteada, sem ter a menor ideia de onde me encontrava. Gemi e senti o colchão mexer-se embaixo de mim. Estranho. Jurava que colchões não se mexiam, especialmente o meu, que não era um dos mais macios... Oh. Antes que eu pudesse ter mais um pensamento incoerente, meu cérebro refrescou minha memória com lembranças da noite anterior. Eu havia tido pesadelos novamente e, como a menininha assustada que era, correra para o quarto de meu irmão e adormecera em cima do mesmo.

Agora levemente mais lúcida, podia sentir o movimento de sua respiração embaixo de mim. Suspirei e, lentamente, tentando não acordá-lo, rolei para o lado e sentei na cama. Arrisquei uma olhada rápida para Frank e, decepcionada, vi que seus olhos estavam abertos, encarando-me em confusão.

– Huuum, — disse sonolento – dormiu bem?

Sorri involuntariamente.

– Sim, — respondi sussurrando – você é incrivelmente confortável.

Ele arqueou as sobrancelhas e sorriu para mim.

– Eu sou ... confortável? – perguntou, parecendo achar meu elogio muitíssimo divertido – Ta aí uma coisa da qual nunca me chamaram.

Dei de ombros, enquanto inclinava-me sobre o criado mudo para conseguir ver as horas no relógio que jazia sobre a mesinha.

– Bem, — respondi, deitando novamente – sempre há uma primeira vez para tudo. Desculpe ter te acordado, Frank, ainda são seis horas da manhã, volte a dormir.

Ele riu e eu, inconscientemente, me virei para olhá-lo. O riso sacudia seu corpo e, mesmo não sabendo o motivo, comecei a rir junto. Parei, entretanto, quando meu olhar, sem querer, focou-se em partes do corpo de meu irmão que eu tentava não reparar. Corei.

Frank, que agora secava as lágrimas consequentes de seu súbito ataque de risos, se virou para mim, com um sorriso de 32 dentes.

– Que foi? – sussurrei, tendo consciência de que meu rosto devia estar parecendo um tomate.

– Eu achei que você não corasse, maninha – respondeu ele, ingenuamente.

Revirei os olhos e respondi, com as sobrancelhas arqueadas:

– Não estou corando. É só que eu ri demais. – sorri de lado, sabendo que minha desculpa estava além dos limites da ‘esfarrapação’ – Sua risada é hilária, Frank.

Meu irmão olhou-me com cara de “minta a vontade, você não me engana” e disse:

– De qualquer maneira, é sua culpa. Você devia usar camisolas mais justas, sabe, por que assim eu jamais teria visto a tatuagem que você disse que ia fazer... aos seis anos de idade.

Arregalei os olhos e sentei rapidamente na cama, olhando para meu próprio corpo. Fiquei ainda mais vermelha ao constatar que minha camisola estava com as alças muito frouxas o que fizera com que a mesma descesse muito mais do que deveria, deixando meu busto muito exposto, juntamente com a tatuagem que eu fizera – escondido – aos treze anos. Graças a deus eu dormia de sutiã, mas, ainda assim, eu ficara constrangida, já que um sutiã meia taça não é exatamente usado para esconder muita coisa.

Fiz menção de puxar minha – maldita – camisola para cima, porém, para meu espanto, meu irmão pegou minha mão antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Arregalei os olhos para ele. Sua mão estava muito fria – estaria ele nervoso? Olhei o garoto ultrajada e vi que ele sorria.

– De que vai adiantar você puxar a camisola agora, Maninha? Eu já vi o que tinha que ver – falou, soltando minha mão, enquanto se sentava bem na minha frente, bem perto de mim, perto demais.

Bufei, tentando ignorar as reações estranhas de meu corpo, que parecia ter enlouquecido.

– Idiota. – resmunguei, olhando em seus olhos, que estavam a menos de um palmo de distância de mim – Você... você não vai contar a ninguém, vai? A vovó... a vovó... me deu de... ahn... presente... ani... aniversário – gaguejei, debilmente.

Meu irmão, que continuava me encarando de uma distância desconcertante, sorriu de lado e – finalmente – quebrando o contato visual, chegou ainda mais perto e sussurrou em meu ouvido:

– Eu jamais contaria.

Suspirei, aliviada.

O garoto, voltando à posição anterior, apenas sorriu e olhou para os meus seios... oh, não, não, ele estava olhando para minha tatuagem, que ficava entre os seios. É.

– Frank, você está me deixando desconcertada.

Seus olhos se focaram em meu rosto e, então, ele abaixou a cabeça, parecendo envergonhado.

– Desculpe, Belle, é só que... de todas as tatuagens... – ele sorriu amarelo e se afastou, para meu alívio. – Nunca pensei que realmente a faria.

Eu sorri para ele, que agora estava sentado em posição de índio, como eu.

– Eu disse que faria. – dei de ombros, mordendo os lábios – Vovó... ela me acompanhou, disse que, mesmo que não gostasse muito da ideia, não ia me deixar encarar uma agulha sozinha.

Frank riu, mas não me encarava mais. Parecia interessado nas dobras dos lençóis embaixo de seu corpo.

– A Dona Sofia vivia surpreendendo. Ela me ajudou muito durante uma fase difícil, sabe – falou, suspirando

Franzi as sobrancelhas.

– Fase difícil? O que você quer dizer? – perguntei, preocupada

Ele ergueu o olhar para mim e sorriu, dizendo:

– Nada, Belle, nada. É melhor voltarmos a dormir.

Seu sorriso era lindo, notei. Entretanto, aquele sorriso que, encantadoramente, estampava-se em sua face, não era, nem de longe, real.

Sorri de volta, sabia que ele não falaria nada, mesmo que eu perguntasse.

Naquele momento, enquanto meu irmão se ajeitava na cama, eu percebi algo que fez meu estômago revirar : ele era o melhor mentiroso que eu já havia conhecido.

Com o pensamento a mil, voltei a me deitar, de costas para ele, sem a menor intenção de dormir.

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Frank POV:

Mesmo deitado de costas para Isabelle, eu podia dizer que ela não estava dormindo. Sua respiração estava calma, mas sua pulsação parecia mais as asas de um beija-flor. Engoli em seco, reprimindo a vontade de dar um tapa em minha própria testa. Não fazia ideia do que havia dado em mim, eu só podia ter enlouquecido ou, pior, estar me tornando o monstro que eu tanto lutava para deixar trancafiado dentro de mim.

Como que para zombar de mim, as imagens do busto de minha irmã voltaram a minha mente. A rosa tatuada fora o que chamara minha atenção, é verdade, mas depois... eu podia sentir a vida que ela emanava. Logo abaixo de sua pele, finas linhas vermelhas e roxas me lembravam o quão perigoso viver com elas passara a ser. E o rubor em sua costumeira pele alva. Ah, o rubor! Tudo nela era tão convidativo!

Suspirei audivelmente e Belle se mexeu ao meu lado. Mordi o lábio e fiz o possível para tirar minha irmã da cabeça, entretanto, depois de meros dois minutos, eu desisti. Era simplesmente impossível esquecer-se de algo que estava logo ao seu lado. Algo pulsante, humano, lindo e...

– Frank? – sussurrou ela levemente

Senti meus olhos se dilatarem. Merda. Merda. Merda.

– Huum? – arrastei minha voz, tentando parecer o mais sonolento possível.

A senti recuar.

– Nada, esqueça.

Em dias normais, eu teria insistido, entretanto, eu sentia que em não muito tempo eu não seria capaz de me comportar como Frank, o certinho, se continuasse ao lado dela.

O mais lentamente que pude, levantei da cama e coloquei os óculos, que estavam em cima do criado mudo, em meu rosto. Eu detestava aquele “acessório”. Eu não precisava, realmente, usá-lo, mas... bem, o útil nem sempre é agradável.

– Vou tomar banho, Belle, depois vou dar um passeio com o Ozzy. Volte a dormir – disse, enquanto recolhia algumas peças de roupa e rumava até o banheiro.

Ela não iria dormir, eu sabia, mas eu também não iria levar nosso cachorro, Ozzy, para passear, logo...

Suspirei e entrei em baixo do chuveiro, sentindo a água bater contra meu corpo de forma relaxante. Não me demorei muito, entretanto, já que eu sabia que de nada adiantaria eu me sentir relaxado se estivesse parecendo Damon Salvatore, eca, não. Eu tinha uma reputação e eu precisava mantê-la, não só para meu próprio bem, mas também pela segurança das pessoas que não tinham culpa em me amar. Sai do banho e coloquei um suéter, juntamente com uma calça jeans e uma camisa branca. Quase ia esquecendo dos óculos,quanto olhei-me no espelho e vi meus olhos refletindo uma cor que, a dois anos atrás eu jamais havia visto. Sacudi a cabeça, penteei os cabelos o mais para baixo possível e recoloquei os malditos óculos.

Respirei fundo várias vezes e sai a caça de meu café da manhã.

*

Ozzy não estava feliz comigo, o que era realmente uma coincidência, já que eu também não estava nada feliz com ele. Quando voltei para casa, menos de quinze minutos após ter saído, esperava encontrar o cachorro dormindo, como de costume, escondido em algum canto da casa, o que me daria tempo de pegá-lo e ir dar uma volta, para sustentar a desculpa que eu dera a minha irmã. Ozzy, contrariando todas as expectativas, não permanecera dormindo, na verdade, ele estava bem acordado quando eu voltei.

Isabelle segurava o minúsculo Yorkshire em seu colo, bem, tentava segurá-lo, já que o mesmo estava arduamente tentando morder um botão da blusa que minha irmã vestia. Aquela sala realmente não me dava sorte, pensei, relembrando momentos passados. Quando me viu, a garota olhou-me de cima a baixo, com um leve ar de desconfiança e, então, perguntou, sorrindo levemente:

– Passear com o cachorro, né?

Sorri inocentemente.

– Não pude achar a guia, então resolvi apenas dar uma caminhada mesmo. – menti – Achei que você fosse continuar dormindo.

Ozzy, então, deu um latido extremamente agudo e virou a cabeça para mim, como quem perguntava “você vai me levar passear?”. Revirei os olhos e ele ganiu, deitando-se comportadamente nas pernas de minha irmã.

Belle ergueu as sobrancelhas e olhou para o lado da televisão. Segui seu olhar e vi, do lado da caminha onde Ozzy – supostamente – deveria dormir, a sua guia azul–cheguei. Sorri amarelo e disse:

– Talvez eu tenha que aumentar o grau da minha lente.

Ela se virou para a televisão, que exibia “as meninas superpoderosas”, e murmurou algo extremamente baixo, algo que eu não deveria ser capaz de ouvir:

– É, ou talvez devesse começar a ser mais sincero.

*

Passei o resto da manhã arrumando meu quarto, colocando minhas roupas em ordem e ajeitando o material escolar que eu só viria a usar dali a três meses. De qualquer maneira, o comentário de Isabelle não saia de minha cabeça. Ela tinha razão, é claro, mas era perigoso demais para ela própria saber que tinha razão.

Ao meio dia, Stela voltou do trabalho – ela era policial – com cara de quem havia dormido apenas duas horas e fora forçada a correr uma maratona. Sentou-se a mesa e pediu se havíamos dormido bem. Concordei e disse que iria pedir uma pizza. Ela começou a argumentar, dizendo que não se importava em cozinhar, mas Isabelle, com uma voz de mórbido desinteresse, a cortou:

– Prefiro a pizza.

Assim, chamei o entregador e, em poucos minutos, ele trouxe nosso almoço. A refeição transcorreu em silêncio e, logo que acabamos de comer, cada um foi para seu quarto, Stela acompanhada de Ozzy.

O resto do dia foi tranquilo – monótono — mas eu poderia me acostumar com aquilo. Paz, para variar um pouquinho. Ter vizinhos que não me olhassem com cara feia e até mesmo um cachorro que pulasse em mim quando eu chegasse em casa. É. O típico sonho americano. Porém, logo após as seis horas da tarde, minha mãe recebeu uma ligação e teve de sair às pressas, dando um rápido abraço em mim e um aceno – tímido – para minha irmã que, com certeza, interpretou o gesto erroneamente.

Logo que Stela saiu pela porta, Isabelle perguntou:

– Será que alguém morreu?

Dei de ombros, mas, pelo olhar na face de minha mãe, há minutos atrás, eu já sabia a resposta.

*

Já passara da meia noite quando Belle bateu na porta de meu quarto. Stela ainda não retornara e eu estava sem sono, o que me fez começar a reler “Harry Potter”, com uma saudade tremenda dos tempos de infância.Levantei rapidamente de minha cama e abri a porta para minha irmã, que estava parada com um travesseiro em um braço e um urso branco em outro.

Ergui as sobrancelhas.

– Ahn... O que...? – comecei a perguntar

– Se importa se eu dormir com você... novamente?

Reprimi o impulso de engolir em seco e sorri de lado.

– Imagine, mas... o Mr. Bear também dormirá conosco? – perguntei, dando um passo para trás para dar passagem a ela.

A garota riu pelo nariz.

– Não implica – respondeu, rabugenta, colocando seu travesseiro ao lado do meu, e o urso de pelúcia em cima do criado mudo – Você estava lendo Harry Potter?

Dei de ombros, enquanto trancava a porta, por força do hábito.

– Esta...va. O que está fazendo? — perguntei, incapaz de conter a surpresa em minha voz.

– Me preparando para dormir? – perguntou ela novamente, em tom de deboche.

– Mas... – deus, ela não tinha mesmo noção do perigo — bem, tudo bem, mas não está tão calor para você dormir apenas com a roupa de baixo.

Ela revirou os olhos, dobrando a camisola que acabara de tirar. Respirei fundo e voltei a sentar na cama, pegando novamente o livro e focando minha atenção no mesmo.

Isabelle sentou-se ao meu lado e se aproximou de mim, tirando, carinhosamente, meus óculos.

– Belle, assim eu não vou conseguir... ler – quase tive uma parada cardíaca. Ela estava perto, perto demais . O que diabos ela estava fazendo?

A garota sorriu e tirou o livro de minhas mãos. Pude ouvir sua respiração tornar-se levemente mais pesada, e sua pulsação dobrar de velocidade, enquanto ela sentava em meu colo sedutoramente e chegava perto de meu rosto.

– Isa... o que você está fazendo? – perguntei, tentando manter o bom senso. Não, eu não podia machucá-la. Ela era minha irmã! Por que, então, eu estava cada vez mais... excitado? A garota sorriu levemente, a centímetros de minha boca. Podia sentir seu hálito fresco. Seu cheiro. Ah, tão tentador.

– Frank, eu estou com muito calor. – falou minha irmã e, sem esperar nem um segundo, selou nossos lábios, pedindo passagem com sua língua.

A abracei, puxando seu corpo contra o meu e beijando-a.

Merda, ela era... deliciosa.

Gentilmente a ergui e deitei-me por cima da mesma, que enlaçou suas pernas em minhas costas. Continuávamos a nos beijar, ela estava bagunçando meu cabelo, eu passando levemente minhas mãos por seu corpo.

Merda, isso era tão errado.

Afastei-me dela levemente e, incapaz de olhá-la nos olhos, comecei a beijar seu pescoço, dando leves mordidas no mesmo.

Isabelle gemia. Ergui meu rosto e a encarei. Ela estava mordendo o lábio e disse, em uma voz de súplica:

– Continue.

Merda, eu era um monstro.

Sorri, verdadeiramente me divertindo e a ergui novamente, colando seu corpo ao meu e a beijando novamente. Quando notei que ela estava ficando sem ar, voltei minha atenção para seu pescoço. Recomecei a beijá-lo, enquanto passava as mãos pelas costas de Belle, que gemia.

Sobre meus lábios, eu podia sentir sua pulsação, como um bichinho preso querendo fugir. Chupei sua pele com mais força e ela se agarrou a mim, com um “aahr” de prazer. Seu cheiro era tão bom. Sua pele tão macia...

Eu sabia que era errado, que eu era um monstro, mas não pude me controlar. Senti meus dentes crescerem levemente e a mordi, atravessando sua pele. Ela gemeu alto e cravou as unhas em meu couro cabeludo, mas eu já não prestava mais atenção. Seu sangue inundara minha boca. Doce e quente...

Merda. Aquilo era muito bom.

Notas finais
E então, o que acharam? :)