Secrets

10 Capítulo 9 - Almoço e proposta


O moreno ficou esperando na recepção por um pouco mais de meia hora, até que os três executivos aparecessem novamente e foram embora. Dois minutos depois foi a vez de Katherine chegar a recepção, ela parecia bem cansada.

- Você está bem? — se levantou para poder ficar bem enfrente a ela e parecendo ligeiramente preocupado.

- Estou sim, foi somente um reunião cansativa – explicou, enquanto suspirava pesadamente – Nada que um bom almoço não resolva.

- Então vamos logo – começaram a caminhar em direção a porta da rua – Espero que tenha alguma sugestão de onde podemos ir. Vim algumas vezes a Atlanta visitar o meu irmão, mas não conheço muita coisa da cidade.

- Tem um restaurante há duas ruas daqui – respondeu – Ele não é muito grande, mas a comida é ima delícia, vou almoçar lá quase todos os dias.

- Vamos até lá – completou – Você parece ser uma pessoa que tem um bom gosto para comida, então vou confiar.

- Prometo que não vai se arrepender — garantiu – Rose, estou indo almoçar e devo voltar em uma hora, mais ou menos. Se quiser ir agora também pode ir – disse para a sua secretária.

- Está bem, senhorita Pierce – acenou com a cabeça.

Os dois foram para o restaurante a pé, já que não ficava muito longe. Ela estava bem certa, o lugar era pequeno, mas parecia bem confortável. Sentaram em uma cadeira bem perto da janela.

- Boa tarde! — o garçom surgiu, já trazendo o bloco de notas e a caneta na mão – Posso anotar os seu pedidos.

Eles, então, escolheram seus pratos. O homem voltou um tempo depois trazendo as bebidas e disse que a comida não demoraria muito para chegar.

- Aqueles homens com quem você fez a reunião pareciam executivos importantes – Damon começou a falar, puxando assunto – Que tipo de reunião teve com eles?

- Como eu disse, ninguém mais na minha família parece interessado nessa agência de modelos, estão ocupados com outras coisas – fez uma careta – Sou uma só e não posso cuidar disso tudo sozinha, então decidi arrumar sócios que me ajudem com isso.

- E procurou uma empresa de administração para isso? — observou – Isso faz com que as coisas pareçam tão informal, não parece o mais recomendado para uma agência de modas.

- Foi a melhor opção que encontrei – deu de ombros – Morei na Inglaterra desde os meus cinco anos, fora meus parentes, não conheço mais ninguém nos Estados Unidos.

- Sei como é isso – concordou – Acho que me sentiria da mesma maneira se voltasse a morar na Itália, depois de tantos anos vivendo aqui.

- Então você é Italiano? — pareceu surpresa – Não tinha ideia, você não tem nenhum sotaque. Mas também, deve ter saído de lá há muito tempo.

- Meu sobrenome é Salvatore – lembrou – Meu pai arranjou um emprego em Los Angeles quando eu e meu irmão eramos bem pequenos. Íamos muito para lá durante as férias, mas depois de terminar o Ensino Médio e ir embora de casa, isso ficou mais difícil.

- Entendo – balançou a cabeça afirmativamente – De qualquer forma eles ficaram interessados na agência, disseram que não é o tipo de investimento que estão procurando.

- Sinto muito – disse – Mas tenho certeza de que logo vai achar alguém que esteja disposto em ser seu sócio na agência.

- Principalmente depois da sua campanha, que será um enorme sucesso – concordou – Acredite, mal posso esperar para ver tudo pronto. Estou muito ansiosa com essas fotos.

- Também estou ansioso – admitiu – Será mesmo que um catálogo com várias todos minhas vai mesmo fazer sucesso.

- Acredite em mim, vai ser um enorme sucesso – garantiu – As mulheres vão enlouquecer quando te virem naquelas roupas e vão imediatamente para a loja.

- Pensei que fosse uma loja de roupas masculinas? — lembrou – Por que seria bom as mulheres gostarem das fotos, não são roupas para elas.

- Mas quem você acha que compra as roupas para os homens? — perguntou – Mães, irmãs, namoradas, esposas. Admita, vocês não vivem sem a gente.

Damon perdeu a mãe ainda muito pequeno e não a teve para comprar suas roupas, mas sempre que sua avó ia visitá-los sempre fazia questão de comprar roupas para ele, para o pai e para Stefan.

- Só espero que a sua namorada não implique com as fotos – continuou – Não vai ser legal temos problemas com ciúmes logo na primeira grande campanha da agência.

- Quanto a isso, não precisa se preocupar – avisou – Estou totalmente solteiro e descompromissado.

Confesso que, quando te vi entrando pela porta da minha sala, pensei que você tinha todos as mulheres aos seus pés – admitiu – E também que fosse um pouco metido por causa disso.

- Eu até tenho as minhas admiradoras – deu de ombros – Mas não tenho muita sorte com relacionamentos.

- Pelo jeito temos isso em comum, também não tenho muita sorte no amor – tinha um sorriso ligeiramente triste nesse momento – Sabe, eu já fui noiva.

- Sério? — ficou bem surpresa, ela parecia ser tão nova para ter tido um noivo – E o que foi que aconteceu?

- O nome dele era Niklaus, nossas famílias são vizinhas desde que chegamos a Inglaterra. Ele é três anos mais velho que eu e sempre fez questão de me proteger – começou a explicar – Ele era o meu melhor amigo, fomos o primeiro um do outro em tudo: foi o primeiro cara que eu segurei a mão, demos nosso primeiro beijo, perdemos a virgindade juntos... Quando ele me pediu em casamento, foi o dia mais feliz da minha vida, eu só tinha 18 anos, mas sabia que estava pronta para isso, mesmo assim, ele concordou em me esperar terminar a faculdade – ficou olhando para a toalha branca da mesa – Nossas mães estavam tão empolgada, estavam planejando o casamento como se fosse delas, seria o maior evento que Londres já viu. Foi quando, de tepente, tudo acabou , confesso que foi muito estranho, um dia estávamos juntos e apaixonados e no outro não.

- Eu sinto muito – segurou a mão da mulher, sabia que ela não tinha contado toda a história, mas não iria forçá-la a dizer mais nada – Nem consigo imaginar como isso tudo deve ter sido difícil.

- Obrigada – ela limpou uma lágrima que caiu dos seus olhos – Agora eu me abri, o que acha de me contar sobre os seus relacionamentos mal sucedido?

- Não são relacionamentos, no plural – explicou – Digamos que é um caso de amor não correspondido.

- Acho que não deveria ter perguntado, então – estava bem arrependida nesse momento.

- Não tem problema – garantiu – Isso é uma coisa que eu sei que preciso superar e estou fazendo isso, um pouco a cada dia.

- E a quanto tempo você decidiu que precisa superar? — quis saber.

- Cinco anos – não pode deixar de sorrir com a cara de surpresa da morena – Por mais que você esteja disposto a isso, não é nada fácil.

- Nada que tenha a ver com o coração é fácil – ela completou – Mas, se quer saber a minha opinião, ela deve ser uma idiota por ter escolhido outro ao invés de você.

- Ela é casada com o meu irmão – decidiu se abrir com ela – Eles tem uma bela casa aqui em Atlanta, uma filha linda e parecem cada dia mais felizes. Já eu, não consigo sair com uma mulher por mais de três meses, pois logo começo a compará-las com ela.

- Eu, realmente, sinto muito – continuou – Mas, acredite em mim, as coisas sempre podem ser piores do que já são .

- Você só está me falando isso para eu me sinta melhor – revirou os olhos – Como é que as coisas poderiam está piores?

- Quer saber, qual foi o motivo para o meu noivado ter acabado? — Damon balançou a cabeça afirmativamente – Ele estava me traindo e eu descobri.

- Parafraseando o que você me disse agora pouco – falou – Ele deve ser um completo idiota por ter procurado outra quando tinha você bem do lado.

- Quem me dera tivesse sido com uma mulher, acho que não teria ficado tão chocada – explicou – Ele estava com um outro homem.

- Como é que é? — gritou um pouco mais alto do que estava planejando, fazendo com que algumas pessoas no restaurante os olhassem – Quer dizer que o seu namorado da vida toda era gay.

- Na exatamente, segundo ele – deu de ombros – Isso foi em novembro do ano passado, faltavam menos de dois meses para o casamento. Sei que já faz quase um ano, ainda me lembro como se fosse hoje.

*Flash Back*

Katherine desceu correndo as escadas da casa da família Mikaelson tentando apagar a imagem de seu noivo na cama com outro homem. Algumas lágrimas começaram a escapar dos seus olhos, mas as limpou imediatamente, não iria chorar agora, ele não merecia isso.

Já tinha alcançado o primeiro andar da mansão quando sentiu uma mão segurando o seu braço. Klaus deve ter ido atrás dela.

- Espera, Kath – disse, fazendo com que ela parasse e se virasse para ele – Nós precisamos conversar.

- Não temos nada para conversar – puxou o braço, bruscamente – Já vi tudo que eu precisava e o que eu não precisava lá em cima.

- Você está entendendo tudo errado, meu amor – insistiu – Se me deixar te explicar tudo, vai ficar muito claro para você também.

- Está tudo bem claro para mim, Klaus – deu um riso nervoso – Deveria ter conversado comigo, sou sua melhor amiga e teria entendido.

- Eu não sou gay, Katherine – aumentou um pouco o tom de voz para que ela o ouvisse com clareza – Isso que você viu lá em cima é só uma diversão.

- E há quanto tempo você tem essas suas diversõezinhas? -era óbvio que essa não tinha sido a primeira vez.

- Há quatro anos quando você estava na faculdade – respondeu – Era muito difícil ficar sem você por seis meses e achei que seria desleal com você procurar uma outra mulher.

- Essa é a coisa mais nojenta que eu já ouvi na minha vida – fez uma cara de nojo — E você ainda tem coragem de me falar isso com essa naturalidade.

- Eu te amo, Katherine – passou a mão pelo rosto da morena – Nunca duvide disso, nem por um minuto.

- Pois não está parecendo – se esquivou – Eu já estou em casa há meses e você continua fazendo isso. Não sente prazer comigo, é isso?

- Claro que sinto, meu amor – garantiu – E sentiria muito mais se você participasse da minha brincadeira, com certeza apimentaria o nosso relacionamento.

- Não posso acreditar que você está mesmo propondo isso – revirou os olhos – É tão absurdo que prefiro acreditar que estou ouvindo coisas.

- Katherine – foi se aproximando lentamente, seus rostos estavam a centímetros um do outro – Meu amor!

- Sem dizer mais nada, ele a beijou profundamente. Ela ficou sem reação por alguns segundos, até que conseguiu reunir forças para empurrá-lo.

- Nunca mais me chame de meu amor novamente – falou antes de caminhar em direção a saída – Adeus, Klaus.

- Você não vai embora assim, Katherine – segurou a porta para que ela não pudesse sair – Vai mesmo acabar com o nosso casamento por causa de uma besteira dessas?

- Não é uma besteira – falou – E sim, eu vou acabar com o nosso casamento. Não me importo que já esteja tudo pronto e que vai ser um escândalo para toda essa cidade, eu não quero mais olhar para a sua cara.

Assim que colocou os pés na rua ela não aguentou e começou a chorar compulsivamente, limpou o rosto, sem sucesso, antes de caminhar para a sua casa, na porta do lado.

- Katherine, o que aconteceu? — sua mãe apareceu da cozinha, estava terminando o almoço – Aonde está o Klaus? Você não foi chamá-lo para comer conosco.

- Ele não estava em casa – ficou de costas para que ela não visse seu rosto – Deve ter ido até a empresa.

- Você estava chorando, minha filha – colocou a mão sob o ombro dela – O que foi que aconteceu? Parecia bem quando siau há alguns minutos.

- É a neve, fiquei muito tempo exposta ao frio – mentiu – Vou lá para cima descansar um pouco antes do almoço.

- Certo, te chamo quando estive tudo pronto – avisou enquanto Katherine subia as ecadas.

*Fim do Flash Back*

- Ninguém nunca ficou sabendo o motivo de eu ter terminado o meu noivado com Klaus – completou depois de ter terminado e contar a história – A principio por que estava com vergonha, mas depois foi para protegê-lo. A família dele é muito influencia em toda a Inglaterra e também em vários lugares da Europa, seria um grande escândalo.

- Isso é verdade – Damon estava totalmente chocado com o que tinha acabado de ouvir – E você, realmente, nunca mais falou com ele?

- Nem olhei na cara dele – respondeu – Há algumas semanas meu irmão disse que o viu chegando em casa com uma mulher, mas não sei se é só um caso ou alguma coisa mais séria.

- Aposto que ele foi o motivo de você ter se mudado para Atlanta – continuou – Não foi mesmo?

- Fiquei triste durante meses, a psicóloga disse que estava entrando em um quadro de depressão – explicou – E quando surgiu a oportunidade de recomeçar tudo aqui nos Estado Unidos, não pensei duas vezes antes de fazer minhas malas e me mudar. Meus pais já estavam ficando preocupado comigo e deram todo o apoio.

- Sorte sua que você tem eles para te ajudar – estava brincando com os talheres – No meu caso, não posso me abrir, nem com o meu pai, nem com o meu irmão.

- Mas sabe, depois de um tempo, eu até fiquei feliz em ter descoberto isso a tempo – completou – Teria sido muito pior se já estivéssemos casados.

- Você tem toda razão – concordou – Mas sabe de uma coisa? Você ainda vai encontrar alguém que te faça muito feliz e você nem vai mais lembrar desse seu noivo ai.

- Assim eu espero – não pode deixar de sorrir, Damon estava sendo um fofo com ela nesse momento.

Foi nesse momento que a comida deles e puderam comer tranquilamente sem falar sobre os seus relacionamentos mal sucedidos. Depois de terminarem a refeição, pediram a sobremesa.

- Quero dizer que eu adorei o nosso almoço – a morena falou quando pediram a conta – Confesso que não me divirto assim há muito tempo.

- Também gostei muito – ele disse – Quem sabe esse seja o começo de uma grande amizade e que vai durar muito anos.

- Eu também espero – concordou – Sabe, estava querendo te perguntar isso no início do almoço, agora que nos conhecemos melhor me sinto mais a vontade para isso. O que acha de um agência de modas?

- Confesso que nunca pensei sobre isso – admitiu – Quem sabe quando eu ficar mais velho, é uma possibilidade.

- O que você acha de realizar isso agora? — sugeriu – Sendo meu sócio na Petrova's Agency Models?

O moreno ficou em estado de choque encarando a mulher a sua frente se saber o que responder.

- Como eu disse estou procurando um sócio para me ajudar com a agencia, pois não vou conseguir fazer tudo sozinha – continuou calmamente – Tinha mesmo pensado em um empresa de administração, mas você está certo, é muito informal e essa é uma empresa de família.

- Tem certeza de que me quer como seu sócio? — estava bem incerto – Não tem experiencia em administração e nessas coisas burocráticas.

- Mas entende do mundo da moda e dos ensaios fotográficos – lembrou – Cada um cuidaria de uma ala da agência, seriamos um para perfeito.

- Isso significaria que eu teria que mudar para Atlanta – deu de ombros – Tenho certeza de que meu irmão deixaria que eu ficasse na casa dele.

- E você vai precisar ficar morando com a sua cunhada enquanto isso – pareceu arrependida nesse momento – Se quiser, pode ficar lá na minha casa, vai ser bom ter alguém lá, morar sozinha é muito tedioso.

- Será que eu posso te dar essa resposta em alguns dia? — pediu – Essa seria uma grande mudança e preciso pensar muito antes de tomar uma decisão.

- É claro que eu te entendendo – garantiu – Só quero que saiba que será uma honra tê-lo como meu sócio, mal posso esperar.

Saíram do restaurante e foram caminhando em direção a agência. Quando chegaram ao local ficaram parados na porta.

- Eu preciso ir – falou enquanto olhava o relógio de pulso – Preciso ir buscar a Giu no colégio e ela sai daqui a pouco.

- Então está bem – concordou – Sabe, eu adoraria conhecer a sua família, devem ser todos muito simpáticos.

- Podemos combinar de você ir jantar lá um dia – sugeriu – Meu irmão faz a melhor comida de toda a cidade de Atlanta, você vai ver.

- Estou doida para isso – garantiu – Quem sabe eu não vou lá para comemorar a nossa nova sociedade.

- Quem sabe! — concordou antes de voltar a andar.

Damon caminhou até o carro e saiu pelas ruas da cidade em direção ao colégio da sobrinha. Com certeza, tinha muita coisa em que pensar aquela noite, não seria uma decisão tão fácil de tomar.

Notas finais
Ta ai mais um capitulo gente.
O que vocês acharam do almoço entre o Damon e a Katherine? E a história super triste dela?
Será que os dois vão unir as suas tristezas e tentar esquecer aqueles que os fizeram sofrer?
E sobre o Damon ser sócio dela na agência de moda?
Bom gente, é isso, vou ver se consigo postar mais um capítulo ainda essa semana.
Commentem