Secreto

3 Capítulo 3 - John


Notas iniciais
Oi gente! Esse cap ficou bem grande, mas valeu a pena pq finalmente o John apareceu. Resolvi mudar a letra da historia pra ficar um pouco diferente.
Espero que gostem.

Me perguntava quanto by Text-Enhance\">tempo poderia ficar naquele lugar sem enlouquecer. O dia sempre ficava na mesma rotina: o sol tentava, sem sucesso, sair de trás das nuvens, o dia começava sem chuva, mas logo a tarde já caia agua do céu. Lucy me ajudava da maneira que podia: sempre me perguntava quais eram as minhas comidas favoritas, ajudava a escolher minha roupa, penteava meu cabelo, e ficava um tempo no meu quarto, tentando, em vão, me deixar menos sozinha.

Não havia nada que aquela casa pudesse me proporciona que pudesse me deixar mais alegre. Embora tentasse me concentrar na leitura de alguns livros que pegava na biblioteca da casa, não conseguia, minha mente se distanciava a quilômetros de onde estava, sempre me lembrando de como era minha vida.

A casa como um todo parecia ser muito estranha, era tudo muito escuro, mesmo com diversas serviçais pela casa, ela continuava com poeira na maioria do moveis. Mas sem dúvida o mais estranho de tudo eram os gritos que escutava quase todas as noites. Eram gritos de agonia, às vezes pareciam até de tortura, eles eram os principais causadores de minha insônia persistente. Contudo não requisitei a resposta de ninguém, já era cômodo o bastante me deixarem ficar ali.

Até aquele momento meu tio não retornará para casa. Às vezes me vinha em mente que não quisesse me ver, talvez tivesse sido empurrado para esse terrível destino de cuidar de sua sobrinha por ser seu único parente ainda vivo.

Thomas Woodhouse tinha se casado com a irmã de minha mãe há muito tempo atrás. Nas poucas vezes que minha mãe tocou no assunto, disse que eles pareciam muito apaixonados um pelo outro, compraram a casa com o by Text-Enhance\">dinheiro que minha tia tinha herdado de meus avós, mas a maior parte vinha do dinheiro ganhado de seu trabalho. Sr. Woodhouse era um grande vendedor de terras, que viajava mais do que tudo na vida. Lucy me disse que apesar de ser um bom patrão e de nunca chamar atenção de ninguém, Thomas tinha sido mais feliz na época que minha tia ainda vivia, ela, que segundo minha mãe era a pessoa mais doce que se podia conhecer em toda sua vida, morrerá nova, com apenas 27 anos de idade adoeceu e em poucos dias faleceu. Sem familiares vivos Sr. Woodhouse ficou sozinho no mundo. Lucy ainda disse que quando voltava para casa, o que fazia em vagas exceções, ficava todo o tempo em seu quarto ou escritório e nunca entrava no quarto que um dia fora de minha tia.

Nunca tinha visto meu tio em toda minha vida, meu pai e ele eram desafetos, e isso acabou separando a família, mas esperava que ele não me culpasse por isso.

Uma semana após chegar à propriedade me vi crente de que tudo melhoraria se desse uma caminhada. Após me certificar de que estava quente, ficando assim com três casacos grossos, além do vestido que ia até os pés, resolvi descer até a cozinha para que Lucy me desse meu café da manhã.

-Bom dia – disse como sempre. Lucy me olhou sorridente, mas era sempre assim, parecia ser a pessoa mais pessimista de todas. Lucy não tinha apenas qualidades em sua personalidade, era também muito bonita, tinha os cabelos castanhos escuros cacheados e olhos avelã, e sua expressão tão sorridente fazia com que parecesse mais nova, embora houvesse me contado que já passara dos 35 e tinha dois filhos.

-O que vai querer hoje querida? – perguntou ela.

-Apenas uma fruta. – Lucy pegou uma maça e colocou em cima da mesa. – Resolvi caminhar pela propriedade hoje. – Lucy me fitou um pouco insegura.

-Quer que eu lhe acompanhe?

-Não Lucy, não quero que a Sra. Williams fique brava com você. Apenas conhecerei o terreno.

-Pois bem, mas não vá chegar muito tarde, lembre-se que o dia escurece muito cedo por aqui, sim?

Agradeci pela preocupação e sai da casa. Os jardins vistos de mais perto e por mais tempo eram ainda mais feios do que vistos de relance, as plantas estavam em suas maiorias mortas, o gramado era seco. Apenas as arvores pareciam sobreviver ao tempo frio. Ao invés de seguir para frente fui para trás da casa, onde ainda não tinha visto como era. Quando olhei fiquei pasma, se tudo aquilo era realmente um terreno só, então era um completo exagero, ele contava com plantações diversas, e várias casas pequenas, as quais eu tinha certeza que eram dos trabalhadores, também havia um lago enorme, onde se encontrava alguns patos. Várias pessoas cuidavam da terra, algumas davam de comer aos porcos que ficava em um pequeno curral, outras tiravam leite das vacas, algumas jogavam milho aos patos, uma ou duas tentavam pescar peixes. Ao todo, pelo menos 10 pessoas se estendiam pelo terreno, todas fazendo seus afazeres, ninguém ao menos olhou pra mim, todos pareciam estar sendo monitorados para fazerem seus serviços e não reclamarem, o que eu achei até possível por parte de uma Sra. Willams requisitar.

Logo após o lago havia uma pequena floresta verde, ela era completamente fechada pelas enormes arvores que se erguiam, o tempo parecia ainda mais úmido naquela parte, adentrei-a bem até encontrar por ocasião do destino um tronco caído, que serviria bem como um banco. Encostei-me na outra extremidade de uma arvore, e comecei a ler um livro que tinha trazido comigo. Foi a primeira vez que fiquei entretida naquele lugar, não tinha os olhos de ninguém pairados sob mim, me vigiando. Gostava de ficar sozinha, sempre gostei, no instante que comecei a ler esqueci de meus problemas e só o que me interessava era a história.

Não sei por quanto tempo li, e também não sei por quanto tempo depois disso adormeci exausta no tronco, só sei que acordei graças a um pingo de agua gelada que tinha caído sobre meu rosto. Levei um susto, pois quando olhei para os lados tudo o que vi foi escuridão. Fiquei paralisada, tudo parecia muito assustador e talvez eu estivesse perdida em uma floresta. Respirei fundo e comecei a andar na direção que achava a certa, depois de 10 minutos de tormento, finalmente cheguei à frente de uma rústica casa de madeira, na sua frente tinha alguns animais soltos, mas tudo era muito simples. Suspirei aliviada, embora não tenha sido o caminho que fiz primeiramente, localizei rapidamente a grande propriedade a certa distancia de onde me encontrava.

Quando, porém comecei a andar ouvi um grito de desespero. Lucy abriu a porta da casa e com a mão na boca começou a vir na minha direção.

-Emma! Você enlouqueceu? – perguntou ela, gritando, e embora fosse em um tom serio, percebi sua preocupação por trás e seu alivio por me ver viva. – Eu te disse que aqui o dia escurecia rapidamente! Onde é que estava?

-Desculpe Sra. Smith, fui ler na floresta – quando disse isso ela levou a mão na boca novamente, completamente pasma, mas mesmo assim eu continuei – Acabei adormecendo, e quando acordei já estava escuro, então comecei a procurar o caminho da volta e vim parar aqui.

-Emma, nunca mais faça isso! Eu fiquei tão preocupada, mandei meu marido ir te procurar! – fiquei cabisbaixa o tempo todo, demostrando arrependimento – Ouça querida, quero que volte para casa imediatamente, aqui é muito perigoso à noite, ainda mais na floresta. John! – ela gritou para alguém dentro da casa. De repente apareceu na porta um menino. – John, quero que leve a Sra. Thorpe até a mansão, sim? Depois volte direto pra casa. – o menino concordou com a cabeça e veio para o meu lado. Primeiramente fiquei com medo de que somente um menino pudesse me proteger de qualquer mal, porém quando se postou ao meu lado John se mostrou mais alto do que pudesse imaginar, chegava, acredito há 1,80 de altura. –Durma bem Emma, até amanhã. – despediu-se Lucy, voltando para casa.

-Vamos? – perguntou John olhando para mim. Eu concordei com a cabeça. Começamos a caminhar, não era uma caminhada devagar, mas com passos largos e longos, com certeza Lucy não era a única a ter medo da noite. –Está gostando de se hospedar na mansão? – perguntou ele sorrindo, porque com certeza já sabia minha resposta, também sorri.

-Bem, — comecei a dizer – a casa não é exatamente acolhedora, mas é bom ter um lar para viver.

Ele sorriu mais ainda. John aparentava ter uns 20 anos, seus cabelos eram de um loiro meio mel, e seus olhos eram de um azul claro. Não parecia nada com sua mãe, só poderia prever então que se parecia com seu pai.

-Tenho certeza que as coisas não são muito movimentadas por lá. – disse ele.

-Não, não são. Na verdade só converso com a sua mãe. Mais ninguém tem coragem de falar comigo, e tenho medo demais para tentar dialogar com a Sra. Williams. – ele fez uma careta quando eu disse o nome.

-Acho que todo mundo tem. Seu tio já voltou de viagem? –perguntou ele, mudando de assunto.

-Não, ainda não, Lucy disse que ele é um homem muito ocupado, e acho que isso é verdade.

-Sim, quase nunca está em casa. O melhor é quando a Sra. Williams viaja com ele, assim a casa fica livre. Minha mãe até deixa eu ficar um pouco lá.

-Não tem permissão? – perguntei pasma.

-Na verdade tenho, mas a Sra. Williams me dá calafrios, então prefiro não ir. E também não tem muito que se fazer. – ele olhou para mim com um sorriso torto, aquele que revela que estava pensando em merda. Não pude deixar de sorrir também, não seria nada mau se ele achasse algo para fazer na mansão. -Aqui, está entregue. – disse ele.

-Obrigada senhor. – fiz uma reverencia com o vestido, ele abaixou a cabeça, num gesto de reverencia também. –Tenha uma boa noite. –abri aporta da frente da mansão e subi as escadas, tentando ao máximo não fazer nenhum barulho.

Por muita sorte consegui chegar ao meu quarto sem que a Sra. Williams me visse, puis uma camisola e deitei de baixo das cobertas, tentando ao máximo ser pessimista de que aquela noite eu iria finalmente poder dormir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.