Notas iniciais
Há sei lá quanto tempo, eu prometi que escreveria uma fanfic Alliam (Allegra e William), e mesmo demorando, eu cumpri minha promessa com essa one-shot. Espero que todos que leram Worse Than Nicotine e amaram o casalsinho mais fofo e inocente de lá gostem dessa história que escrevi com todo amor e carinho! Aproveitem! Obs.: as partes em itálico do primeiro POV do Will correspondem ao poeminha que ele escreveu para a Allegra quando ela ficou em coma!

P. O. V Will:

Jovens! Era o que nos definia em todos os sentidos. Éramos jovens de idade, julgamentos e sentimentos.

Eu era tão jovem, que não sabia ao certo o que sentia ou por quem sentia. Eu pensava que por ela sentia apenas amizade e admiração, e que amor eu sentiria por aqueles iguais a mim.

Eu pensava isso até aquela noite.

Sim, já sabia que nossos pais estavam juntos, embora eu jamais aprovasse tal coisa: ela falava do pai com tanto carinho, que eu achava simplesmente errado o fato de minha mãe estar com ele... Minha madrasta, na verdade, não era a melhor mulher no mundo: ela suga tudo de bom, toda a vida de alguém. Obriga-te a fazer o que ela quer, quando quer, e até quando ela quiser.

Ela me obrigara a dançar, e não sei se deveria agradecer por tal coisa, ou não: de início eu odiava o balé, mas depois que a alegria passou a me acompanhar, não sei mais o que sinto.

Naquela noite, minha alegria fugira. Correra noite adentro, tentando escapar de seus demônios, de sua tristeza, de sua raiva e de tudo que julgara errado. Quando soube disso, me desesperei: ajudei nas buscas, e quando soube que estava bem... Padeci no paraíso!

Nem sabia o que estava falando quando, no dia seguinte, encontrei-me com minha alegria e fui tirar satisfação sobre sua fuga. Tentei soar sério, talvez até a tenha assustado, mas no fim eu estava alegre por tê-la de volta.

Mas durou tão pouco! No mesmo dia ela se foi! Ou melhor, foi tirada de mim, arrancada de seus demônios, suas tristezas, sua raiva e tudo o que julgara errado.

Foi como ter sido morto. Ela dormia, e eu morria a cada dia que passava. Apenas a memória dela me mantinha vivo: suas risadas, seus dramas desnecessários, suas músicas favoritas, seus poemas prediletos.

Mas nada era o suficiente. De nós nunca haveria o suficiente: sem ela era vazio, com ela... Eu ainda não tinha certeza, mas queria tudo aquilo de volta. As brigas, as risadas, conversas e dramas. Queria, desesperadamente, seus sonhos sendo sussurrados para mim enquanto ela fechava os olhos ao som de alguma música que gostava.

Como na sua canção favorita, eu vivia em um holograma naquele tempo: ela estava ali, mas não de verdade. Estava em mim, mas eu não podia tocá-la como de costume. Mas ficava feliz: era melhor tê-la em pensamentos a não tê-la.

― Você sabe que pode ir vê-la! ― me dissera seu “criador”

Porque se ela era uma obra prima, ele era seu criador.

E eu fui. Como num ato, ela estava bela adormecida. Fiquei tentado a beijá-la para trazê-la de volta, mas não queria, de forma alguma, macular aquela imagem. Nada em nós tinha mácula. E isso era o melhor.

― Você tem planos de voltar? ― lembro-me de perguntar ― Porque, você sabe, é legal estar por perto dos que se amam.

Porque eu a amava, notei então. A amei quando vi pela primeira vez, a amei cada vez que vi, e a amaria para sempre.

E agora, quase um ano e meio depois, eu ainda tentava ter coragem o suficiente para lhe contar tal coisa.

― Você está estranho, Solace... ― ela murmura, sentada ao meu lado no metrô

Podíamos estar em um ônibus, ou em um táxi, ou até mesmo no carro que eu ganhara de presente no meu décimo sexto aniversário, mas Allegra Grace era uma pessoa preocupada demais com o meio ambiente para usar qualquer meio de transporte que lançasse dióxido de carbono. Então, lá estávamos nós, sentados num banco vermelho de metrô, com os joelhos encostados, e os pés no assento a nossa frente.

― Ultimamente é só isso que tenho sido para você, não é mesmo? ― suspiro, olhando para as janelas.

― Will... ― ela suspira ― É que... É confuso...

Ela estava irritantemente certa, como sempre! A situação em que estávamos era mesmo confusa: imagine-se acreditando que seu melhor amigo é gay, e então você descobre que ele tem uma queda brusca por você! É de acabar com o cérebro de qualquer um... Principalmente o dela, que já sofrera bastante.

E tudo só piorava porque, com o passar do tempo, ela começou a corresponder meus sentimentos, mas ela ainda achava que tudo era um erro. Que aquilo era apenas coisa da minha mente, que eu não a amava de verdade... Ela tinha medo!

Como algo pode ser errado, quando não é verdade?

― Eu gosto de você! ― ela sussurra em meu ouvido, segurando minha mão ― Gosto demais, o suficiente, para não querer que faça as coisas erradas, William! Você me contou todos os seus medos, paixões, segredos... Eles me dão base o suficiente para saber que tudo isso entre nós é um erro!

― Como você pode acreditar que tudo é um erro, se nada é de verdade? ― digo, ainda encarando o vazio dos túneis. ― Nenhuma das minhas paixões foram reais, nem correspondidas... Segredos e medos todos temos, e na adolescência mais ainda... Você sabe que eu estou certo nisso, afinal, olha só onde estamos.

― Toda paixão é uma marca, Will! ― ela diz sabiamente

― Então a sua foi marcada a ferro em mim! ― suspiro, olhando em seus escuros olhos azuis ― Não estou pedindo nada demais, apenas uma chance!

Ela poderia ter me dado uma resposta positiva ― ou até mesmo uma negativa ―, mas foi salva pelo celular tocando. Como ela conseguia um bom sinal sob a rede de túneis eu não sei, mas Allegra era uma Grace no fim das contas: o mundo parecia sorrir para eles.

― Oi, pai! ― ela atende ao telefone, e eu deslizo mais um pouco no banco. Aquela seria uma longa conversa ― O QUE? Tá bom... Eu vou pra lá...

― O que foi? ― pergunto preocupado

― Tia Thalia... Parece que quase descobriu o projeto do Tio Nico... Temos que mudar tudo de lugar rapidamente! ― ela suspira angustiada

Ah sim, o tal projeto de seu tio... Era uma iniciativa ótima, e certamente ajudaria Allie caso ela quisesse se tornar atriz ― ela tinha todo o potencial para tanto ―, o problema era o fato de ela interpretar Thalia, e ter que contracenar com o sujeitinho que interpretava Nico...

― Eu conheço essa cara... Vai ficar com ciúmes agora, William?

― Eu? Ciúmes? Não sei por que teria ciúmes de algo que não é meu... ― o trem para na estação que ela teria de descer e eu ouço sua risada antes de ganhar um beijo na bochecha.

― Tem certeza de que não é seu? ― sussurra em meu ouvido e corre porta fora.

Tentei segui-la pela estação, mas era Nova York: ninguém consegue ser seguido por ali. Allegra me daria um pouco mais de trabalho.

Contudo, eu estava disposto a ir até o fim por ela.

P. O. V Allegra:

Eu costumava debochar do meu pai e da minha tia por ambos terem se apaixonado por seus respectivos melhores amigos, e sempre me diziam que quem com ferro fere, com ferro será ferido...

Eu estava sendo ferida pelo ferro que era estar me apaixonando por William Solace!

― Eu nunca te vi tão agitada na minha vida! ― Hazel, cunhada de minha tia Thalia, afirma, me observando tomar a terceira taça de sorvete.

Havia um tempo que eu não fazia esse tipo de coisa: eu vivia de contar calorias, tudo por conta do balé, mas depois de quase morrer ― longa história, esperem pelo filme, que está mesmo sendo gravado ―, notei que a vida era curta demais para contar algo além de estrelas... Ou vantagens de ser de determinada família.

Mas ser uma Grace parecia ser uma maldição.

― Eu fui pega, Haz! A Maldição dos Grace me pegou antes do que eu imaginava. ― confessei energicamente.

― Ei, diminui a marcha, Allie! ― ela pede, tomando o sorvete de minhas mãos. ― O que está acontecendo?

E eu contei ― na verdade, despejei ― para ela tudo o que vinha acontecendo entre Will e eu há cerca de um ano e meio. Desde o selinho no hospital, ao beijo na escola antes da véspera de Natal, até os vários encontros inusitados que tínhamos.

― E eu não sei quando comecei a gostar dele. Quer dizer, sempre fomos amigos, apesar das aparências, mas isso...

― Allie, você está apaixonada por ele há muito tempo, só nunca confessou! ― Hazel diz, confirmando o que eu mais temia ― Eu notei isso desde que trabalhamos juntos no esquete de The Hanging Tree, só não falei nada... Vocês gravitavam um ao redor do outro de forma protetora: era tão bonitinho de se ver! ― ela sorri saudosa, e eu tenho certeza de que estou corando.

Claro que eu me lembrava de nosso esquete, em que nós dois tivemos a ideia para o tema enquanto víamos a parte 1 de A Esperança; ambos acabamos enforcados no fim da peça ― ou seja, tudo acabou bem: estávamos mortos, como deveria ser ―, mas durante os ensaios acabávamos levando tudo na brincadeira: dançávamos, conversávamos, e observávamos os ensaios de outros esquetes; no dia, no entanto, jamais estivemos tão focados um no outro, e foi aí que tivemos certeza de que éramos o par perfeito. Não apenas o pas de deux, mas para qualquer dança ou apresentação.

― Nunca entendi porque discutiam... ― Hazel me trás de volta a conversa.

― Ego: os nossos são bem inflados! ― rio ― Sou uma Grace afinal, e ele é o foda do William Solace: melhor bailarino da Loyola! Tem todo o direito de se achar o maioral. Mas confesso: ele anda meio insuportável desde que começamos a filmar esse maldito filme do tio Nico! ― suspiro.

Talvez fosse culpa minha, mas eu tinha bastante dificuldade em fazer amizades com pessoas da minha idade. Hazel era a amiga mais nova que eu tinha, e mesmo assim ela era quatro anos mais velha. Mas era a única que não faria piadas sobre meu atual... Estado!

― Allie, Will ta participando de algo nesse filme? ― ela questiona seriamente, e eu nego. ― Então largue agora mesmo esse sorvete e vá procurar pelo loirinho.

― O quê? Por quê?

― Allegra, ele deve estar morrendo de ciúmes! Ele nem é seu namorado, mas já tem que te dividir com... Sei lá quem está fazendo o papel do Nico!

Alguém precisava me bater desesperadamente: ciúmes é algo tão comum, e eu não entendo do que se tratava.

― Will com ciúmes do Sean? Meu Deus, se ele soubesse que Sean queria ser eu...

― Ta me dizendo que... ― Hazel nem precisa terminar a pergunta. ― Ora, ora Will Sol... ACE? Hey o que faz aqui?

Porque comigo, Deus? Por que aquele loiro estava ali naquela hora?

Tive que me controlar com todas as forças para não bater com a cabeça na mesa até morrer ou sumir, mas considerando que já tive uma experiência de quase morte relacionada a bater a cabeça, preferi não fazer.

― Eu gosto de tomar sorvete... E eu moro bem ali! ― ele aponta para o outro lado da rua, onde seu prédio ficava. ― O que vocês estão fazendo aqui?

― Trouxemos as coisas do... ― mas quisera eu ter terminado de falar...

― É o seguinte! ― Hazel se levanta, e eu imediatamente arregalo meus olhos: sendo parente do tio Nico, o brilho em seus olhos só poderia significar um plano maluco ― Estava contando para a Allie aqui sobre dois amigos que se gostam, mas não têm coragem de assumir.

― Acho que já vi essa história antes, Haz! ― Will murmura, sentando-se entre nós duas. ― Continue!

― Bom, eles não têm coragem de falar propriamente, mas reparei uma coisa curiosa sobre eles! ― ela sorri, lançando-me um olhar malicioso ― Eles têm sua própria linguagem!

― O quê? ― pergunto completamente confusa.

― Sim! Veja bem: eles não precisam de palavras para se comunicar, porque utilizam a linguagem da dança e da música. ― ela esclarece, e as coisas começam a fazer sentido para mim. ― Eles têm sintonia, sabem dos gostos e temores do outro, só não sabem como dizer que se gostam, e é aí que ta o erro.

― Eles só precisam demonstrar, não falar! ― Will completa o raciocínio e vejo um sorrisinho brincando em seus lábios. ― O papo tá ótimo, mas eu tenho que ir! Sempre bom te ver, Hazel! ― ele se despede de nossa “guru”. ― E você eu vejo todo dia, então até amanhã! ― e se despede de mim com um beijo na bochecha. O suficiente para que eu corasse.

Sempre havia dito a tio Jason que eu era ótima com conselhos amorosos, mas que quando fosse minha vez de ficar confuso, nada daquilo iria adiantar.

Estava odiando o fato de estar certa!

P. O. V Will:

Mesmo estando no ensino médio, eu sempre passava tempo demais no prédio do ensino fundamental. Não só porque era ali que Allegra se encontrava, mas porque eu começara a dar aulas de dança para as crianças mais novas. Era um hobby: meu foco era estudar medicina, mas enquanto os SAT’s não estavam próximos para mim, eu me dedicava à dança.

― O recital está próximo! ― comento com os alunos, que deviam ter entre 10 à 12 anos ― Dakota, que também é meu professor de teatro, me pediu que o ajudasse a escolher alguns alunos mais novos para participarem do coro da peça.

― Vai ser o protagonista de novo, Will? ― uma das alunas, Lacey, me pergunta.

― Não sei, Lacey! Estou concorrendo contra outros dois alunos, mas tudo depende da minha parceira de dança: ela anda meio ocupada, e eu não quero dançar essa peça com outra... ― suspiro, checando o relógio antes de tirá-lo e guardá-lo em minha bolsa.

― Então já pode ficar feliz, Solace: nós vamos pegar esse solo! ― e de fato fiquei feliz ao ver Allegra passando por entre os alunos, completamente vestida para um ensaio. ― O que Dakota quer?

― Sonho De Uma Noite de Verão! ― sorrio, quando ela para ao meu lado. ― Tem certeza disso?

― É Shakespeare: eu nunca digo não a Shakespeare! ― isso era um fato que eu não podia negar ― Começo quando quiser!

― Alongamentos antes! ― digo sério, já começando a série de pequenos exercícios para preparar meu corpo para o longo dia de ensaios.

Sonho de Uma Noite de Verão era um balé de repertório com muitos personagens, e pas de deux. Era preciso confiar em todo o elenco para que fosse um espetáculo bem executado. Dakota era louco por querer algo assim, mas sabia bem escolher elenco. De tempos em tempos ele passa pelo estúdio em que eu estava para observar nosso trabalho, e era quase nítido em seus olhos quem ele queria na peça, e quem ele não queria. Mais tarde, quando assistíssemos as gravações juntos, ele certamente já saberia quem queria.

― Eu quero essa peça no meu repertório antes dos 18 anos! ― Allegra comenta eufórica ao fim da aula.

― Você tem quatro anos para conquistar isso! Eu só tenho mais dois! ― reflito, ajeitando as coisas, deitando-me de costas no chão.

O rádio ainda tocava, porém não mais clássicos do balé, apenas músicas comuns, que eu tentava criar coreografias quando não tinha nada para fazer. E eu tinha bastante tempo livre, então a playlist era enorme.

― Fique feliz: daqui a dois anos você se livra dessa escola, faculdade, e todo o seu futuro decido por você mesmo! ― ela suspira, sentando-se de costas para mim ― Nem sei ao certo o que quero da vida, só sei que vai ser horrível ficar nessa escola sozinha!

Aproximo-me o suficiente para sentar e encostar minhas costas nas dela, sentindo-a encostar sua cabeça em meu ombro.

― Eu vou embora, mas não vou para longe: Columbia ainda é em Nova York. ― murmuro, calmamente, quase seguindo o ritmo da música que tocava.

― Mas não será mais meu pas de deux! ― ela dá uma risadinha triste.

― Muitos alunos continuam participando dos espetáculos mesmo depois que saem da escola! ― começo a me movimentar de acordo com a coreografia de Thinking Out Loud que já havíamos ensaiado, e ela segue a deixa ― Se sou mesmo o melhor bailarino como dizem, tenho quase certeza que vão me permitir voltar para participar dos espetáculos. Aí eu exigirei que você seja minha parceira, porque sempre foi assim!

― Isso foi meio presunçoso de sua parte, Will! ― ela ri, abraçando-me por um momento durante a coreografia, antes de se afastar e levantar.

― Aprendi com você, senhorita Grace! ― sorrio, tocando em sua mão e cotovelo, antes de a virar de costas para mim e erguê-la.

Logo depois de sofrer o acidente em que quase a fez parar de dançar, Allegra temia cair ao fazer tais movimentos, e foi preciso muita paciência e inúmeras sessões de fisioterapia/ensaio para que ela voltasse a confiar em si mesma e em mim. Esse era um dos motivos de eu nunca querer dançar com outra bailarina: eu jamais me sentiria confortável, sabendo que Allie pensava que poderia cair.

― Claro: porque ser o melhor em tudo não aumenta o ego de ninguém! ― ela debocha rindo ― Essa parte é a minha favorita da coreografia! ― comenta, se referindo ao ponto em que simplesmente ficamos frente a frente, balançando a cabeça em direções opostas.

― Pois essa é a minha favorita! ― e mais uma vez eu tinha que erguê-la lentamente, segurando-a pela coxa enquanto encarava seus olhos escuros.

O mundo parou ali, quando Allegra Grace pôs seu braço ao redor de meu pescoço e, ao invés de continuar a coreografia, atacou meus lábios com graciosidade e ferocidade. Por um momento quase perdi o equilíbrio, mas o recuperei rápido o suficiente para sentá-la sobre as barras e me lançar ao beijo também, sentindo o sabor de amoras em seus lábios, sentindo sua língua passeando em minha boca.

― Você não precisa da luz de mil estrelas para me beijar! ― ela murmura ―Acho mesmo que encontramos amor bem onde estávamos! ― ela ergue seus olhos para os meus. ― Morro de medo de você porque me faz esquecer coisas básicas, como respirar, mas me faz lembrar de coisas difíceis como cada passo de cada coreografia que dançamos juntos.

― Desculpa? ― rio, um pouco nervoso pelo que estava acontecendo. ― Eu não tenho medo do que sinto por você, Allie: eu sei que te contei coisas no passado, mas também sei que nada daquilo foi real como é o que temos agora. Entrei em desespero quando pensei que ia te perder, e embora isso seja estranho para nossa idade, foi ali que percebi que te amava. E tentei transpor para cada coreografia, dueto, ou qualquer outra coisa que tínhamos que fazer juntos, inclusive os cookies para a aula de economia doméstica.

― Que ficaram horríveis, aliás! ― ela também ri, quebrando o clima. ― Desculpe-me por ter sido tão cega ao ponto de não entender o que estávamos falando um ao outro: acho que também tentei deixar claro o que sentia, só nunca entendi o que estava fazendo.

― Fico feliz que tenha entendido hoje, então! ― lanço-me em mais um beijo, sabendo que a partir dali as coisas iriam ser diferentes.

Não precisávamos pronunciar o que sentíamos, o quanto nos amávamos; só precisávamos sentir e enxergar em cada coisa que fazíamos um pelo outro. Era nosso jeito secreto de nos comunicarmos, de nos sentirmos.

― Mas sabe qual o único problema disso tudo? ― ela me pergunta, horas depois, quando já estávamos longe da escola, caminhando e dançando pelas ruas de Nova York.

― Contar para seu pai? ― pergunto o que me parece o óbvio.

― Saber que perdemos uma aposta para ele: vamos ter que comprar ingressos para o show do Arctic Monkeys para ele e a mamãe! ― ela resmunga, voltando para o meu lado e me dando a mão.

― Nós?

― Você não acha que vou perder essa aposta sozinha, né? Pelo que entendi lá trás, somo namorados, não somos, senhor Solace? ― para na minha frente, me enlaçando pela cintura, encarando-me com ferocidade e certa malícia em seus olhos.

― Pode ter certeza que sim, senhorita Grace! ― sorrio, inclinando-me para beijá-la de novo.

O jeito como nos comunicávamos podia ser um segredo, talvez até mesmo para nós, mas eu jamais deixaria ser secreta a maneira como demonstraria o quanto amava.

Notas finais
E então, o que acharam? Quero muito, muito, muitoo saber a opinião de vocês! Bateu super saudade de Worse Than Nicotine Espero que tenha gostado! Beijoos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!