Já era por volta das três da madrugada e nenhum dos que se divertiam na festa improvisada da área externa do hotel pensavam em ir embora. E nem sequer cogitavam a possibilidade. A turma mandou buscar mais alguns fardos de cerveja com um conhecido na região, devido ao horário. Eles também pediram mais alguns quitutes para continuar com a algazarra.

Nathalia não tinha mais se aproximado de Thiago, apesar de trocarem olhares durante todas aquelas horas após o ocorrido no corredor. Mas o motivo disso não tinha nada a ver com querer ou não aquilo: o fato era que Chandelly não parava de encarar ou vigiar os dois. Era notória sua expressão quando os viu naquele estado no corredor, e não precisaria ser muito inteligente para saber o que se passava em sua cabeça.

Nathalia, que já tinha outra latinha vazia na mão, involuntariamente levantou e foi até o freezer pegar outra cerveja. Sua mente já viajava e, quando uma mão apertou levemente sua cintura enquanto ela estava de costas, suspeitou por um milésimo de segundo, que fosse uma produção de sua embriaguez.

— Vai ali atrás. – de forma rápida, Thiago sussurrou a frase no ouvido de Nathalia e saiu em direção aos fundos da pousada.

Nathalia suspirou, virando-se novamente e reparando em todas as pessoas a sua frente, elas pareciam totalmente alheias àquele momento dos dois. Mordeu o lábio e procurou Chandelly, que conversava distraidamente com um dos seus amigos. Era a oportunidade perfeita para... bom, para encontrar Thiago. Riu com os seus próprios pensamentos, não queria expor as sensações que sentiu nem pra si mesmo.

Nathalia seguiu por o mesmo caminho que Thiago havia percorrido, era escuro e vazio. Todos os que estavam acordados encontravam-se juntos na parte central da pousada. Quando virou a esquina de um dos edifícios, avistou Thiago parado, encostado na parede, ele mantinha uma perna dobrada. Não passou despercebido por ela a vibração do seu corpo com o que seu olhar captou.

Ela se aproximou dele, recebendo um sorriso largo de volta. Thiago suspirou, e não esperou nem um segundo para puxar Nathalia pela cintura, fazendo o corpo dos dois se encontrarem por outra vez naquela noite. Ela passou a mão em volta do pescoço de Thiago, relaxando seu corpo sobre o dele. Ele encaixou uma de suas pernas entre as pernas dela.

— Isso é tão errado! – ela exclamou quando a boca de Thiago já provocava a sua. De súbito, voltou sua cabeça um pouco pra trás, fugindo na boca dele.

— Eu acho incrivelmente certo. – respondeu, tentando capturar a boca dela. E obteve sucesso ao conseguir pegar o lábio de Nathalia. Mordeu de forma sensual, arrancando um sorriso dela.

— Thiago, isso é uma loucura. – Nathalia riu com a boca encostada na de Thiago. — Eu não acredito que estou fazendo isso.

Ele selou os lábios de Nathalia demoradamente.

— Não pensa. Não devemos nos culpar quando fazemos aquilo que nos da prazer.

— Eu te dou prazer? – perguntou, roçando seus lábios nos lábios de Thiago. Sua respiração era pesada quando Thiago passou as mãos por toda a altura de suas costas em uma caricia constante.

— Você não tem ideia do que me faz sentir, garota! – Nathalia estremeceu ao ouvir Thiago sussurras aquelas palavras.

Suas mãos pareciam inquietas, exploravam o corpo de Nathalia livremente. Era deliciosa a sensação de tê-las nos braços e perceber todas as suas terminações nervosas serem ativadas por suas mãos. Sem demorar mais, Thiago se apossou dos lábios de Nathalia novamente em um beijo possessivo. Sua língua parecia querer domar a língua de Nathalia, que roçava impacientemente nele. Era extraordinário como o beijo parecia encaixar mais que qualquer outro beijo que já provaram.

Nathalia, por sua vez, queria aninhar-se cada vez mais a Thiago. Ela apertava-se no corpo dele contra a parede, parecia querer fundir-se a ele. A noite não parecia mais fria, já que as mãos de Thiago deixavam rastro de fogo por onde passavam. E ela queria mais. Thiago percebeu isso ao senti-la roçar sua intimidade na sua perna, involuntariamente, apertou um pouco mais. A ouviu gemer.

Thiago sabia que o corpo de Nathalia estava na mesma temperatura que o dele. Ele segurou o cabelo dela atrás da cabeça, e murmurando entre o beijo:

— Nathalia. – tentou dizer, os lábios dela estavam ainda sobre os deles.

— Hm? – ela respondeu enquanto continuava a beija-lo. Ele riu baixo, sem deixar de parar totalmente o beijo. As palavras apareciam entre um beijo e outro.

— É meio perigoso nos beijarmos aqui fora. – mordeu a boca dela, raspando o dente nos lábios propositalmente.

— Eu sei. – Thiago sabia que Nathalia estava respondendo por responder. Ela era inconsequente, e ele sabia. Nathalia desceu seus beijos para o pescoço de Thiago, que não segurou o grunhido baixo que saiu de seus lábios. Mordeu-o forte.

— Nathalia! Nathalia! – Thiago puxou o rosto de Nathalia, obrigando-a a olhar pra ele. Ela não deixou de roçar nele por completo no momento que ele o fez. Ela gargalhou, mordendo o lábio.

— Não seja estraga prazer. – disse, sorrindo abertamente para Thiago.

A menina posicionou as duas mãos no peito de Thiago, sem descolar o corpo do dele. Com Nathalia controlada – pelo menos aparentemente -, ele descansou suas mãos na cintura dela, acariciando levemente.

— Essa foi a mesma Nathalia que fugiu de mim pela manhã? – perguntou, procurando seus olhos no escuro da noite.

Ela apertou os lábios antes de dizer:

— Outros tempos... – brincou. – Bom, falando sério... eu fiquei confusa.

— E agora? – levantou a sobrancelha.

— Ai, quer saber? Já está tudo escrachado, Thiago! O que eu posso fazer? Voltar no tempo não da mais.

— E você voltaria, Nathalia Dill? – O sorriso de Thiago era desconcertante, Nathalia não poderia negar isso nem em um milhão de anos.

— Não faz pergunta difícil. – riu, arrancando uma risada de Thiago. — Nesse momento – ela olhou para baixo, insinuando a proximidade dos dois -, a resposta dessa pergunta é tentadoramente negativa.

Ele abraçou mais o corpo de Nathalia, que aproximou-se do pescoço do homem a sua frente, e fungou, aspirando todo o perfume de Thiago.

— Nunca imaginei que estaríamos assim. – ele analisou.

— Eu já. – ela falou. Thiago arregalou os olhos. – O que? – perguntou devido à expressão deles. – Ah, faça-me o favor! Não se faça de bobo, Thiago Lacerda! Não me diga que as suas mãos inquietas em todas as nossas cenas são parte da atuação.

Ele mordeu a bochecha dela antes de responder:

— Bom, digamos que... metade, metade. – fez uma expressão inocente, Nathalia não conseguia tirar o sorriso do rosto. Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela: — E como ficamos?

— Como ficamos com o que? – franziu a testa.

— Com a gente, com hoje. – segurou o queixo dela, depositando um selinho demorado.

— Você me pediu pra não pensar não tem nem cinco minutos, Thiago! – exclamou, negando com a cabeça.

— Eu sei, eu sei. – defendeu-se, não sem antes rir de si próprio. — E sim, hoje eu quero te aproveitar. – Aquela frase a fez tremer. – Mas passou por a minha cabeça agora, que eu posso querer amanhã também. – Thiago afastou a cabeça de Nathalia para o lado, como ela já estava sem cachecol, o pescoço ficou a mostra. Ele aproximou os lábios dele do pescoço dela, roçando delicadamente. – E posso querer depois de amanhã de novo. – assoprou o pescoço dele, que estremeceu, devido ao frio e o calor que sentiu com o ato.

— E depois? – ela perguntou, rendida. Já tinha os seus olhos fechados.

— Depois de novo, também. – colocou a ponta de sua língua pra fora, fazendo um caminho em toda a extensão de seu pescoço.

— E se eu quiser mais? – ela perguntava, quase sem ter noção do que dizia. Suas palavras saiam entrecortadas.

— Eu te dou tudo, exatamente tudo, que você quiser. – Thiago sussurrava.

— Eu também quero te aproveitar. – confessou, Thiago sentiu uma perturbação tomar conta de seu estômago. Não era normal sentir-se tão rendido a uma mulher, mas nada parecia normal quando estava perto de Nathalia Dill.

— Então a gente... – ele continou, subindo os beijos até o queixo dela, depositou ali algumas mordidas. – A gente poderia aproveitar que estamos aqui...

— Uhum. – ela dizia, sentindo todas as sensações desconhecidas que Thiago estava oferecendo a ela.

— E fazer essa viagem nossa. – completou, chegando a boca dela.

— Só nossa?

— Em Carrancas, eu sou só seu. – ele abriu os olhos e, com a ausência da boca de Thiago, Nathalia abriu também. Ele a olhou profundamente.

— O que acontece em Carrancas, fica em Carrancas. – Nathalia subiu as mãos para o rosto de Thiago, acariciando.

— Eu sou louco por Carrancas. – Thiago jogou a cabeça um pouco pra trás, gargalhando um pouco mais alto. Ela o acompanhou.

As bocas se encontraram novamente, dessa vez, de maneira mais lenta. Eles queriam saborear um o gosto do outro. Era deliciosa a forma com que se completavam, era deliciosa a forma com que os movimentos de um, acompanhavam os movimentos do outro, em uma sintonia única já sentida por ambos. Thiago, completando o beijo com alguns selinhos, começou a dizer:

— Mas nós precisamos voltar aos nossos amigos. – fez bico.

— Ah não! Eu não quero. Não, não, não. – a voz era manhosa, Nathalia afundou a cabeça no pescoço de Thiago.

— Eu também não, pequena. – Nathalia franziu o cenho, estranhando o apelido. Mas era um estranhamento maravilhosamente gostoso. Seu corpo vibrou em resposta. – Mas vão sentir nossa falta lá. Chandelly parece desconfiada.

— Desconfiada nada. Ela parece completamente certa. – Nathalia mordeu a própria boca. – E, de fato, está.

— Sim. – riu da constatação. – Mas não podemos dar bandeira.

— Tenho certeza que ela vai me abordar sobre o assunto.

— Eu também não tenho dúvidas.

— Mas não consigo ensaiar o que dizer. — sorriu de canto. – E também nem tem como pensar, não com um homem desses na minha frente. — Nathalia se remexeu colada a Thiago.

— Assim não tem como voltamos.

— Eu disse que não vamos.

— Nós temos.

— Há um impasse sobre este assunto. Então vamos ter que decidir de maneira adulta.

— Como? – arqueou a sobrancelha.

— Uni-duni-tê. – Nathalia começou, com a expressão séria.

— O que?

Thiago não aguentou a risada, mas entrou na brincadeira.

— Uni-duni-tê. Salamê-Minguê. O sorvete colorê. O que escolhido foi vo-cê.

Ela apontava com os dedos pras duas possibilidades, entre o que ela queria e o que Thiago dizia. Caiu em Thiago.

— Ah não! – exclamou. – Fui traída por a minha própria ideia. – fez uma expressão derrotada.

— Mesmo infantil, o resultado foi bastante sensato. – Ele afastou um pouco Nathalia de seu corpo. Ambos sentiram o frio se instalar.

Nathalia e Thiago fizeram o caminho de volta a social, abraçados de lado, mas logo se largaram ao chegar. Nathalia foi à frente.

— Miga – Chandelly correu para o lado de Nathalia, estava um pouco mais alterada que o normal. – Eu estava te procurando.

— Eu fui ao banheiro. – mentiu. Era uma ótima atriz, pensou.

— Que desculpinha ruim, Dill. Você ficou mais de meia hora fora. – a voz de Chandelly era um tanto embaralhada. Ela continuou: — Estava com Thiago?

— Claro que não. – Nathalia sentou em um dos bancos. Thiago apareceu logo em seguida. O olhar que Chandelly encontrou o porte do homem.

— Claro que não estava. Vocês dois somem ao mesmo tempo. E depois voltam, um seguido do outro, provavelmente para não levantar suspeitas. – Chandelly riu alto. – Ainda bem que sou esperta.

— Enxerida. – corrigiu.

— Também. Mas não engoli a história do corredor.

Nathalia desviou o olhar inquisitório da amiga.

— Vamos, me conte. Eu sei que está rolando alguma coisa, não sou boba.

— Não seja paranoica.

— Tudo bem, se não vai falar, eu observo. – a amiga voltou a olhar pra Thiago, fazendo Nathalia revirar os olhos.

Chandelly voltou a encarar Nathalia, tentando recuperar um pouco de sobriedade e parecer coerente:

— Se não quiser falar, não fala. Mas amiga, cuidado. Cuidado mesmo. Eu não sei se estou completamente doida, já que digamos, eu não estou muito sã neste momento. – disse como se fosse óbvio. — Mas eu vi a forma com que vocês estavam, eu vi quando saíram juntos daqui depois de ele te chamar. Eu desconfio do que está acontecendo, só quero que você reflita sobre isso. Não é o mais certo a se fazer, mas não sei o que se passa dentro de você para julgar.

Nathalia assentiu, olhando no fundo dos olhos da amiga. Não durou muito, seu olhar logo desviou para a figura de Thiago parada na altura dos olhos de Chandelly a alguns metros atrás. Ela seguiu o olhar da amiga e negou com a cabeça, dizendo:

— Mas como você é Nathalia Dill... – Chandelly, que estava em um sofá ao lado do banco de Nathalia, afundou as costas no acento. – Eu sei que nunca vai seguir os conselhos de ninguém.

Nathalia se limitou a olhar para a amiga e apoiar o cotovelo na própria perna, ela levou o dedo a boca, mordendo a pontinha. A expressão era atrevida. Sabia que estava sendo inconsequente, mas não negava o signo que tinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.