Secret
42 Capítulo 41
Notas iniciais
Capítulo 11
"Eu, Pedro, por graça de Aslam, por eleição e por conquista," — Edmundo calmamente, o que deixava Lena ainda mais nervosa, mas ela não ousava mexer um único músculo. Não enquanto sabia que Edmundo podia estar correndo perigo. Claro que ela corria o mesmo perigo, mas no momento ela não estava muito preocupada consigo mesma. — "O Grande Rei de Nárnia, Senhor de Cair Paravel e Imperador das Ilhas Solitárias, para evitar o abominável derramamento de sangue, por meio desta, desafio o usurpador Miraz a uma única luta no campo de batalha. A luta será até a morte. A recompensa será a total rendição."
Edmundo enrolou o pergaminho, sem olhar diretamente para Miraz, mas Lena o fez. Miraz era um homem rústico, com a barba cobrindo grande parte do queixo e das bochechas, mas seu olhar era tão frio e cruel que Lena não pode evitar sentir um arrepio subindo-lhe à espinha.
– Diga-me, Príncipe Edmundo... — dizia Miraz, com tão fria quanto o olhar, mas foi logo interrompido.
– Rei. — disse Lena, rapidamente, mas logo se arrependeu.
Miraz olhou-a duramente, como se ela fosse uma escrava que não tinha o direito de se pronunciar e Lena sentiu um ódio próprio sobre si, mas ao menos sabia que a atenção do tirano fora desviada de Edmundo. Olhou para o menino, como se pedisse desculpas, mas pela expressão que havia em sua fisionomia, soube que se ela não tivesse interrompido, ele teria o feito. Quando Miraz voltou a falar, não dirigiu-se a Lena, mas sim a Edmundo.
– Tem uma guarda-costas agora?! — ele disse em um tom zombeteiro e Lena praticamente teve que pregar os pés no chão para não abrir as asas e voar até o pescoço dele ali mesmo.
Quem ele pensa que é para dizer algo assim?!
– É, eu sou sim. — ela ouviu as palavras saindo de sua boca automaticamente e de modo tão firme que ela quase se espantou.
Miraz, porém, ignorou-a como se não passasse de uma simples barata.
– Como eu dizia, príncipe... — disse Miraz.
– Rei. — disse Edmundo, de modo quase nervoso.
– Anh? O que disse? — perguntou o tirano, já nem se dando ao trabalho de fingir estar confuso.
– É Rei Edmundo, na verdade. — disse o moreno. — Só Rei. Pedro é o Grande Rei. Eu sei, é confuso.
Miraz trocou olhares com seus assessores. — Por que arriscar tal empreitada se nossos exércitos vão eliminar vocês até o cair da noite?
Lena revirou os olhos. Cara, esse homem tem auto-confiança de sobra, hein?!
– Você já não subestimou demais nossos números? — rebateu Edmundo e Lena disfarçou um sorriso. — Digo, uma semana atrás os narnianos estavam extintos.
– E vão ser extintos de novo. — Miraz disse com convicção.
– Então deve ter pouco a temer. — Edmundo disse, causando uma risada de escárnio vinda de Miraz.
– Não é uma questão de bravura.
– E por bravura se recusa a lutar com um espadachim que tem a metade de sua idade? — Edmundo disse ironicamente, deixando, pela primeira vez, Miraz sem palavras.
– Eu não disse que me recusava. — Miraz apoiou-se na mesa, olhando friamente nos olhos do moreno.
– O senhor terá o nosso apoio, Majestade. — disse um dos assessores ao tirano. — Seja qual for a decisão.
Lena tentou não bufar em desgosto. Aqueles assessores só sabiam bajular Miraz e ela sabia que qualquer um ali, mesmo assim, não daria muitos conselhos contrários. Então por que, para início de conversa, eles estavam ali?!
– Senhor, sozinha nossa vantagem militar já fornece a desculpa perfeita para evitar o que pode ser... — dizia outro assessor, antes de ser interrompido.
Miraz levantou-se bruscamente, desembainhando a espada e controlando-se para não apontá-la para o peito do assessor.
– Eu não vou evitar nada! — ele rosnou.
– Eu só quis assinalar que meu rei está dentro do direito de recusar. — ele defendeu-se, indicando um guarda que poderia ajudá-lo.
– Sua Majestade nunca se recusaria. — este guarda disse, contrariando o assessor. — Ele aprecia a chance de mostrar às pessoas a coragem do novo rei.
Edmundo voltou seu olhar para Miraz, ansioso pela resposta que poderia dar tempo suficiente para as Rainhas e Lena conseguirem chegar até Aslam.
– Você. — disse Miraz, apontando a espada para Edmundo. — Torça para que a espada de seu irmão seja mais afiada que a pena.
Edmundo deu um sorriso de lado.
~*~
Gritos podiam ser ouvidos cada vez mais à medida que Edmundo e Pedro seguiam em direção ao local do combate — uma espécie de rinque feito de mármore e pedras, um pouco mais adiante da fortaleza. Ao se aproximarem, o centauro chefe, que tinha a espada diante do corpo, acenou para os reis e se virou juntamente com eles para encararem Miraz — e três fiéis escudeiro — de frente. Edmundo, que carregava a espada de Pedro em mãos, mas tinha a sua na bainha de seu cinto, percebeu um leve movimento da cabeça do tirano. E seu coração afundou, sabendo que coisa boa não viria daquela mente perversa e cruel.
Ofereceu a espada a Pedro, que a desembainhou destemido, fazendo-se ouvir vários uivos e gritos de incentivo do lado narniano. Miraz colocou seu elmo especial e desembainhou a própria espada, mas ao contrário de Pedro, não recebeu nada do lado telmarino. Ele deu alguns passos à frente, encarando o loiro de maneira desafiadora. Pedro não se deixou vencer facilmente e também se aproximou.
– Ainda há tempo de se render. — Miraz fez sua voz propagar-se.
– É? — Pedro disse sarcasticamente. — Fique à vontade.
– Quantos mais têm que morrer pelo trono? — Miraz fez-se de superior.
– Somente um. — Pedro disse, abaixando sua proteção do elmo e correndo em direção a Miraz.
E, enquanto as espadas colidiam, Lena permanecia fielmente ao lado de Edmundo, observando cada movimento dos soldados de linha de frente de Miraz, esperando por qualquer rebelião ou por qualquer coisa que indicasse a volta de Lúcia e de Susana. E então assustou-se quando sentiu a mão de Edmundo tocando levemente seu ombro.
– Lena, você está bem? — ele perguntou, depois de se afastar um pouco ao ver o estado dela.
– Acho que não. — ela respondeu sinceramente.
Edmundo olhou em volta. O exército narniano de um lado e o exército telmarino de outro, enquanto seus líderes lutavam no patamar central. Ele sabia que Lena não se concentraria enquanto estivesse preocupada com sua outra protegida.
– Pode ir, Anjo. Eu vou ficar bem.
– Tem certeza?
– Absoluta. — ele garantiu, dando-lhe um breve selinho.
Lena liberou suas asas brancas e, antes de voar para as árvores, lançou um olhar a sua irmã Emma que sobrevoava por ali. E a ruiva soube interpretar os pensamentos da caçula quase instantaneamente.
Cuide dele.
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