Second dimension
3 Capítulo 2 - Amigo ou inimigo?
Notas iniciais
Acordei, levantei, tomei café, como faço todos os dias, e agora estou na escola chata de sempre, pra fazer a mesma coisa de sempre: ver o professor falar, fazer tarefas e trabalhos, copiar a agenda.
Bom, era o que eu achava que ia fazer quando cheguei a escola, mas assim que eu entrei na sala, vi um menino, bonitinho sentado meio no fundo da sala, lendo um livro que eu amava, tive vontade de falar com ele, então fui andando na sua direção só que a Alessa (a minha melhor e única amiga) me chamou.
– Lê! Lê! Vem aqui, a quanto tempo!
– Nossa que tempo enorme, faz quanto tempo mesmo? Umas 7 horas, porque você passou ontem o dia na minha casa.
Nós começamos a rir, por causa da ironia. Depois ficamos só conversando sobre o dia anterior e como foi engraçado.
Ela tinha chegado na minha casa tão cedo que o sol nem tinha nascido, ai ficamos assistindo até ele nascer. Depois chamei umas vizinhas minhas e fomos tomar banho de piscina, ficamos brincado de jogar água na cara das outras e até a minha cachorra entrou na brincadeira e caiu na piscina.
Depois que o sinal tocou e o professor chegou fiquei lendo, mas enquanto lia senti que tivesse sendo observada, olhei para o lado para saber quem era, aquele mesmo menino que eu estava com vontade de falar. E eu, como uma retardada, em vez de perguntar por que ele estava olhando afundei na cadeira. Ele sorriu e começou a prestar atenção no professor.
O sinal tocou para começar a outra aula, queria falar com ele mas achei melhor esperar um pouco para ele não achar que eu estava afim dele, como eu percebi que muitas outras meninas estavam fazendo, e acho que ele percebeu isso também pois se virou pra mim e perguntou:
– Você está gostando desse livro? Comecei a ler hoje, e estou gostando muito.
– Ei essa era a minha pergunta. Mas sim estou adorando, não vejo a hora de começar a gerra.
– Nossa que coincidência, também não vejo a hora.
O professor chegou bem na hora que ele terminou de falar. Como eu queria poder controlar o tempo pra fazer aquela conversa durar para sempre. Mas não estamos no futuro não é mesmo? Então fiquei escutando o professor falar seu nome sua matéria e aquele blá blá blá todo do primeiro dia de aula.
Na outra aula não deu tempo de falar com ele, porque várias meninas foram primeiro, mas não só com ele, também com outro menino que eu acho que é amigo dele. E todos os outros meninos ficaram morrendo de inveja.
Ele ficou meio desorientado, sem saber o que fazer, mas o outro ficou bem a vontade, como se já estivesse acostumado.
Tocou sinal para começar o recreio, já ia saindo quando alguém segurou meu braço, era ele:
– A gente nem se apresentou, sou o Jake. Qual o seu nome?
– Letícia.
– Vai lanchar a onde? Posso ir junto? — vou ter um ataque do coração, é a primeira vez na minha vida que um menino pergunta se pode ficar comigo.
– Eu... Vou comprar... — fala logo sua retardada, diz sim pode ficar – o lanche e ficar no refeitório.
– Posso ir com você? Ainda não conheço a escola e preciso comprar o meu também.
– Pode.
E ficamos mudos por um tempo, só nos olhando, quer dizer ele olhando pra mim e eu pro meu pé. Isso não é legal? Até a Alessa chegar:
– Oi miga, já tá arranjando namorado? Nossa, não to mas te conhecendo. O que ouve com você nas férias?
Não, ela não fez isso...
– Alessa!
– Que foi? Ta bom vou deixar os dois em paz.
E ela foi embora, me deixando super constrangida. Mas continuou ouvindo a conversa
– Vamos logo?
– A sim, desculpa minha amiga, as vezes ela é, insuportável! – falei pra ela escutar mesmo.
E fomos andando té o refeitório, sem falar nada, ele deve tá achando o maior tédio ficar comigo.
Compramos o lanche, e quando estávamos indo para uma mesa, escorreguei em um guardanapo que estava no chão, bom, mas eu não escorreguei e cai, pois o Jake me segurou antes, fazendo com que que um monte de “haaans” surgisse pelo refeitório. Sem saber o que fazer, e muito constrangida, sai andando o mais depressa possível e os “haaans” deram lugar a risadas.
Depois disso não falei mais com ele até o final da aula.
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