Depois de toda a bagunça desde quinta, voltei a minha casa domingo à tarde, eu precisava de um belo sono para descansar. Abri a porta com muita precisão para que minha mãe não me matasse, mas tudo foi em vão... Ela estava sentada ereta no sofá com grandes círculos roxos ao redor dos seus olhos e com um taco de baseball.

- Mãe o que é isso?

- Isso? Ah é só o começo do seu fim garota ingrata! – Ela veio meio que correndo em minha direção, arregalei os olhos e ela começou a bater em minhas pernas que não demoraram a ficar roxas...

BRINCADEIRA! Mas quando vi minha mãe com aquela cara de poucos amigos, sentada no sofá, pensei que ela ia fazer surgir um taco e começar a me espancar.

- Ham... Oi mãe.

- OI? Quantos dias?

- Quantos dias o que?

- Quantos dias a mais você precisaria ter para lembrar que você não é adulta ainda?

- Mãe eu estava com os meninos...

- ‘Mãe eu estava com os meninos’ – Ela imitou minha voz. – Só isso que você tem a dizer?

- O que mais posso dizer mãe?

- Quer saber? Nada! Mas vai ter muito tempo para dizer ao seu pai.

- Como assim muito tempo para dizer ao meu pai, que tempo, qual tempo? — Entrei em pavor não quero de forma alguma ter que morar com ele e com aquela megera que ele chama de mulher.

- Casa do seu pai ou só volte a pisar nessa casa quando arranjar um emprego! Cai fora Taylor. – Ela falou mais calma, porém com a voz rígida.

- Você está me mandando sair de casa? – Eu falei perplexa.

- Não és tu que queres ser a adulta? Vai lá, parte pro mundo minha filha.

- Mas mãe... – Apelei pela última vez.

- Não tem, mas! Olha, vou subir porque eu fiz a questão de ficar acordada até mais tarde para lhe informar da minha decisão, mas aí você não deu noticias, eu já tinha perdido o sono mesmo e resolvi te esperar logo.

Fiquei sem palavras, melhor dizendo, estarrecida ali no meio da sala. Por um ponto mamãe estava certa, eu não tinha o que discutir e me achar à sabichona, não tinha como.

Minha mãe logo subiu a escada e eu fiquei ali olhando pro nada. Não sei como iria me sustentar, não podia contar com a banda, porque eu só os ajudava uma vez ou outra, não fazia parte dela! E onde eu iria morar? E minha faculdade? Ah sim... Essa meu pai pagava. Por falar nele eu estava rezando para que mamãe não contasse nada a ele, se não o tempo ia fechar mais ainda para o meu lado.

Não tive coragem de subir para pegar minhas coisas e olhar para minha mãe, não agora. Então, ainda com minha mochila de onça nas costas, fui para fora da casa, sentei na escadinha e comecei a pensar em minhas opções. Eu era orgulhosa, não tanto, mas era então não pediria ajuda para nenhum dos meninos. Primeiramente Matt, ele era meu vizinho, e se mamãe soubesse que eu estava lá, ela iria brigar mais ainda, sei que ia. E além disso, por enquanto eu não pretendia compartilhar essa humilhação com ele. Johnny, eu nem cogitei a possibilidade de falar com ele, eu podia estar em desespero agora, mas me lembrava muito bem da pisada de bola dele. Jimmy não, ele tem mal a casa dele... Synyster nem pensar, ele ainda mora na casa dos pais e Zacky também não... Lembrei da Michelle, mas eu liguei para sua casa, que deu na caixa postal. Tentei puxar da memória se eu possuía algum amigo na faculdade, lembrei apenas de dois, mas eu não tinha tanta intimidade com eles para chegar ‘Hey posso ficar na sua casa?’ Bom, eu estava muito ferrada.

Saí andando sem rumo, em alguns minutos eu estava no centro da cidade, perto da praia onde se localizavam muitas lojas, bares... Verifiquei no meu bolso e achei ainda alguns trocados. Se eles não pedissem minha carteira de identidade, quem sabe eu conseguiria algo alcoólico para beber. Entrei em um bar, que mais parecia uma espelunca, onde tinha pessoas muito estranhas, em sua grande maioria homens. Fui ao balcão e pedi para que a mulher me desse uma bebida forte. Ela estava tão inebriada com um homem qualquer que estava bebendo ao meu lado, que nem pediu minha carteira, apenas me serviu. Eu agradeci mentalmente por isso e comecei a beber.

Eu já estava no 5º copo e nem percebi quando um homem aproximou-se de mim.

- Oi. – Ele disse. – Posso? – Ele apontou para o banco vazio que estava à minha esquerda. Concordei com a cabeça não dando muita atenção ao cara.

- Hum... Me chamo Black. Sirius Black. – O homem falou e eu pensei COMO? Olhei pela primeira fez para o homem, que parecia ser bem mais maduro que eu, usava calças jeans escura, botas, camisa preta e um sobretudo cor de vinho.

- Sirius... Black? – Olhei pra ele confusa. Ele exibiu um sorriso, que parecia desgastado pelo fumo, mas ainda sim era um sorriso bonito e confirmou. – Cara... Você saiu dos livros da J.K. Rowling? – Eu ri da minha piada fail e tomei mais um gole da minha bebida. – Meu nome é Taylor... Seward. – Eu podia estar ‘alta’, mas eu não estava burra de falar meu nome e sobrenome para um cara que acabei de conhecer. Não me perguntem por que usei o sobrenome do Johnatah. – E se você veio aqui achando que sou uma garota de programa, vai tomar no rabo e dá o fora coroa.

Pensei que ele ia me olhar com cara de espanto e cair fora. Mas não, o homem sorriu, ou melhor, gargalhou.

- Não, eu não estava pensando que você era uma prostituta garota. – Estava sim. – Só vim puxar papo porque não tinha com quem conversar e vi que estava só. – Ele pediu uma bebida para a mulher que me atendeu.

- Aham. – Falei olhando cética para ele.

- Mas então... – Ele começou enquanto pegava a bebida que a mulher lhe entregou. – O que veio fazer aqui nessa espelunca?

- Não estou dizendo que você estava pensando que eu era uma! – ele sorriu de novo.

- Ok, admito... Eu errei! Mas eu estava tentando a sorte, qual é? Desculpe de qualquer forma. – Agora foi minha vez de rir.

- Eu vim aqui beber algo forte e pensar em o que vou fazer da vida. – Ele me olhou interrogativo. – Minha mãe me expulsou de casa.

- Você está grávida?

- Não! Estás louco? – Ele riu aliviado e eu sorri dele. – Eu saí por alguns dias e não falei pra ela, e também faltei faculdade...

Fiquei lá contando minha vida para um desconhecido e gastando o dinheiro que me restava com álcool, que idiotice. Quando fiquei sem um tostão ele pagou mais alguns drinks para mim... E ficamos por horas conversando e bebendo... Conversando e bebendo... Bebendo e conversando...

(...)

- Taylor, Taylor! Acorda. – Alguém me chacoalhava.

Abri os meus olhos com dificuldade, eles ardiam, levei minhas mãos até eles e esfreguei-os, eu estava sentindo uma mão tocar nas minhas costas, mas o meu corpo estava dolorido demais para virar eu não sei onde estava, aliás, nem sei o que fiz hoje, ontem... Mas o cansaço era tamanho que retornei a fechar os olhos.

(...)

- Valary?

What the fuck? WHAT THE FUCK? Foi exatamente o que eu queria gritar, mas não o fiz.

- Oi para você também. – Ela deu um sorriso meigo. — Está se sentindo melhor Tay?

Perguntou ela com um leve sorriso.

- Sim, eu acho. Como eu...

-Você quer saber agora mesmo? Não quer comer um pouco e tomar um banho?

-E-Eu não tenho roupa. As que têm estão sujas — Falei confusa.

- Não se preocupe eu te empresto uma roupa minha.

- O que aconteceu comigo porque estou aqui? E sim eu quero saber a história agora.

Falei lembrando vagamente de conversa com o... Sirius? Acho que eu sonhei.

- Bom você ligou para minha casa e deixou um recado para a Michelle que precisava de ajuda. Mas a Michi teve que viajar para cuidar de seus futuros negócios. Então procurei seu número em minha lista de contatos e liguei para seu celular... Um tal de Sirius atendeu e me deu a sua localização, fui até ela e você estava dormindo, do lado de fora do bar do Dock’s, no colo do homem que atendeu. Perguntei a ele o que estava acontecendo e ele me informou que você bebeu de mais, fumou, tentou subir na mesa para fazer stripper, mas ele impediu, e então ele saiu de lá com você depois que liguei e ficou me esperando.

- Docks? Onde é isso? Stripper? Fumando? Sirius? Sirius não foi um sonho? Oh Gosh que horas foi isso? Espera! Eu não falei nenhuma besteira no caminho não é?

- Na verdade não foi nada demais. – Ela deu um suspiro que realmente não gostei.

- O–QUE eu disse? – arregalei os olhos e esperei ela falar.

- Hum... Coisas como “Hey Valary quando o meu salvador Matt vem para poder terminar que nem da ultima vez e... Como o John foi bobo mal sabe ele o que fiz com...

- Tá bom, tá bom realmente era para eu comer algo e tomar banho e Valary me desculpe, mas me desculpe mesmo por essas ofensas e... Pelo trabalho, que aliás você nem deveria ter tido. Eu já vou embora, você não deveria ter escutado isso, nunca.

- Acalma-se Taylor. Você estava bêbada porque eu ficaria chateada? Eu tive que te tirar de lá não podia simplesmente te deixar naquela condição quer dizer, ninguém iria querer. – Só pude sentir os braços pequenos de Val me envolvendo em um abraço, e, confesso, ainda estava assustada demais para correspondê-la, então apenas dei uns tapinhas em suas costas.

- Obrigada. – Agradeci. Ela soltou desfez o abraço e levantou-se, pedindo que eu a acompanhe-se.

Após tomar banho e comer algo, me surpreendi ao saber que já passavam das 10 da manhã de segunda-feira. Droga tinha perdido um turno da faculdade. Enquanto eu terminava de comer a última panqueca, que Valary tinha preparado para mim, ela me observava. Terminei de comer.

- E então Taylor? – E lá estava o olhar maternal dela, que me deixava envergonhada. Senti uma pontada de culpa por ter ficado com Matt.

- Minha mãe me pôs para fora de casa.

- Você ta grávida? – Ela perguntou exasperada. Tive que sorrir.

- Porque todo mundo pensa que é gravidez? – Dei de ombros. – Não, foi por outras coisas...

Contei toda a história a ela que ouvia atentamente, ocultei algumas coisas, ela não precisava ouvi-las, eu me sentiria péssima por isso.

- Taylor... Você pisou na bola feio com a sua mãe, sabe disso não é? – Concordei. – Que ela tem razão e que você errou em ficar esses dias foras sem falar nada para ela, e, além disso, não dar valor a faculdade que seu pai paga.

- Não é que eu não estava dando valor...

- Não?

- Ok. – Suspirei. – Eu estava farreando de mais mesmo, admito, e deixando a faculdade de lado. Agora tenho que arranjar um emprego para não voltar para a França, arranjar um lugar pra ficar, conseguir o perdão e readquirir a confiança da mamãe, para aí sim poder voltar para casa. Simples.

Ela sorriu do meu sarcasmo.

- Bom a parte do lugar pra ficar não se preocupe, você pode ficar aqui...

- Não Valary. – Eu a interrompi. – Sério eu já estou muito grata por tudo, tudo mesmo, mas não posso abusar mais da sua bondade Val. – Eu não mereço nada disso. Completei mentalmente.

- A casa é grande, e só eu e a Michi moramos aqui, não tem problema algum.

- Mas e a despesas? Por enquanto não poderei ajudar...

- Eu sei Tay. Quando arranjares emprego, você colabora, não vai ser incomodo sério, aceite, por favor.

Não que eu tivesse muita opção, mas toda essa hospitalidade de Valary me fazia sentir uma vadia, e ela nem sabia disso. Era basicamente por isso que eu não queria ficar aqui. Mas eu estava de mãos atadas e teria que aceitar. Suspirei pesadamente.

- Tudo bem Val, eu vou abusar da sua bondade por mais um tempo.

Sorri me dando por vencida, e ela me acompanhou.

Notas finais
Amooooores quanto tempo! Estava com saudades de vocês.Muitas surpresinhas neste capítulo não é?Não me perguntem porque Sirius Black apareceu nessa história, porque nem eu (camila) sei como isso surgiu kkk Eu gosto dele, acho o Gary Oldman, que faz o Sirius, um coroa muito seduction oras u_u' Desculpem por qualquer erro. Enfim espero que vocês tenham gostado, conforme a opinião de vocês, é bem provável que hoje mesmo eu poste o próximo capítulo!Um grande abraço Camila B. & Manbah