Second Chances
24 School
— Diretor, posso falar com você um minuto? – Simmons disse, após dar duas batidinhas na porta do escritório.
— Claro que sim, entra – ele respondeu rapidamente e ela abriu a porta, dando um passo para dentro do escritório – Algum problema Simmons? – perguntou com preocupação e retirou os óculos de leitura que usava.
— Problema nenhum senhor, é só um assunto que Fitz e eu estávamos discutindo e achamos melhor falar com o senhor – explicou-se e respirou fundo antes de continuar – Nós achamos que talvez seja a hora da Eleanor frequentar uma escola de verdade – declarou com firmeza e ele a observou.
— E você acredita que seja seguro para ela? – questionou sinceramente, sem nenhum traço de julgamento em sua voz, e Simmons sentou-se em uma das cadeiras em frente a mesa antes de responder:
— Acredito que sim senhor. Agora com Mikail morto e a gangue dele desmantelada, talvez seja hora dela interagir com pessoas da idade dela – argumentou e aguardou que o diretor dissesse alguma coisa. Como ele não o fez, continuou: – Eu conversei com uma amiga da minha mãe, psicóloga, e ela disse que é necessário que a criança tenha contato com outras crianças, para desenvolver o comportamento social delas.
— É uma boa ideia Jemma – admitiu após alguns minutos considerando – Peça a Skye para fazer uma busca de escolas na região, por favor – pediu logo em seguida e ela assentiu com empolgação.
— Pode deixar comigo senhor, eu aviso ela assim que sair daqui – garantiu, e agradeceu ao chefe por ouvi-la, antes de sair em disparada para encontrar a hacker.
— Phil, que bom que você apareceu, preciso da sua ajuda – May disse com alívio, após jogar dez peças de roupa dentro da máquina de lavar.
— Claro, o que você precisa? – ele perguntou, arregaçando as mangas da camisa, pronto para ajudá-la.
— Pega aquele amaciante, na prateleira de cima – respondeu imediatamente e ele deu uma risada.
— Talvez eu deva mandar colocar prateleiras mais baixas em todos os cômodas da base e dos aviões – provocou enquanto erguia o braço para pegar o vidro que ela pedira.
— Talvez você deva parar me encher o saco pela minha altura, eu não sou tão pequena assim – rebateu com um tom de desagrado, e isso só o fez rir mais.
— Você tem 1,63, são doze centímetros a menos que eu, dez centímetros a menos que Fitz, e trinta centímetros a menor que Mack – ele fez as contas e ela bufou – E você precisa de ajuda pra pegar as coisas das prateleiras altas, isso significa que você é bem pequena.
— Eu posso ser pequena mas eu posso chutar você daqui até a sala de estar, então pode parar com isso – ameaçou com maldade e ele fez uma careta infantil – Mas não foi porque você pressentiu que eu precisava de ajuda que você desceu três andares de escada até a lavanderia, o que foi? – perguntou logo em seguida, enquanto configurava a máquina de lavar.
— Eu acho que é hora da Eleanor ir pra escola – disse rapidamente, pronto para ouvir um não, que foi o que aconteceu logo em seguida.
— De jeito nenhum – negou de imediato, sem nem considerar o assunto.
— Mel, me escuta, você ouviu o que ela disse, ela tem quase seis anos, é hora de ir pra escola – argumentou, e ela disse não novamente – Para de ser teimosa, ela não pode passar o resto da vida presa dentro dessa base.
—Presa dentro dessa base? – repetiu parecendo realmente ofendida – Ela tem tudo aqui, e tem quem ensine tudo o que ela precisa saber, ela não precisa ir lá fora. É perigoso demais pra ela, sendo quem ela é.
— Eu sei que nós podemos dar tudo a ela, mas nossa filha precisa realmente de contato com crianças, não só com adultos – insistiu e a chinesa bufou.
— Phil, é muito cedo pra colocar ela lá fora e outra, nós não somos nem mesmo pessoas existentes – retrucou com a voz um pouco alterada – Nós não temos documentação, nem registro nenhum de nós já existimos, muito menos as meninas.
— Skye pode cuidar de tudo isso, documentação pra todos nós – disse rapidamente e ela continuou contra argumentando.
— E endereço? Nós não podemos dar o endereço da base.
— Você se esquece que a base é o subterrâneo de casa de verdade, a 8 andares acima das nossas cabeças – rebateu, apontando para cima, e ela viu-se encurralada.
— É perigoso demais – repetiu de forma incoerente e Phil a abraçou.
— Eu sei que você se preocupa com ela, eu também me preocupo, mas nós precisamos deixar que ela conheça pessoa novas – disse em voz baixa, com o queixo apoiado na cabeça da mulher – Não é justo que ela seja uma pessoa tão incrível e só nós podemos viver com ela – brincou e a chinesa riu.
— Você me garante que vai ficar tudo bem? – perguntou em seguida, olhando-o diretamente nos olhos.
— Eu garanto – respondeu com toda a certeza que tinha e só então, a mulher assentiu, finalmente aceitando a ideia.
— Skye, update – Phil pediu assim que chegou à sala de estar, onde a hacker separava alguns papéis em cima da mesa de centro. Melinda vinha logo atrás do diretor, e sentou-se em seu local habitual no sofá.
— Esses são os papéis das cincos escolas da região – disse com um sorriso empolgado.
— Em meia hora você já encontrou as escolas e separou relatórios sobre? – May perguntou incrédula e a mais jovem assentiu orgulhosamente.
— Tem uma que é particularmente boa, e fica a quatro quarteirões da base – a hacker falou, entregando duas folhas para o diretor.
—Mother of Mercy, é colégio de freiras? – ele perguntou após ler o nome da escola e a jovem negou.
— Já foi, mas agora é administrado por empresas e coisas do tipo – respondeu de acordo com o que havia lido no site.
— E como é a educação deles? – Melinda perguntou e a mais jovem disse que era de alta qualidade – Não é isso que eu quero saber, quero saber da política da escola para assunto que podem ser polêmicos – explicou e Skye sorriu ao entender.
— Eles se denominam “abertos a assunto de todos os interesses”, e dizem que “nenhuma tipo de preconceito ou discriminação é tolerada nesse ambiente escolar, e buscamos ensinar nossas crianças a lidarem com todas as diferenças, sempre colocando o respeito em primeiro lugar” – parafraseou o texto que lia no site da escola, e Melinda mostrou-se interessada, inclinando-se na frente para ver a tela do computador.
— E como é o lugar? – Phil questionou, sentando-se ao lado de Skye, que abriu a galeria de fotos do colégio. Era um ambiente bonito, com grande área verde, as salas de aula eram coloridas, cheias de decorações feitas pelas crianças, e havia um playground com diversos brinquedos – É perfeito demais – disse com um suspiros. Estava totalmente encantado pelo lugar, sem nem mesmo conhecê-lo.
— É realmente ótimo – May concordou e tirou o celular do bolso, com alguns cliques, abriu o teclado de discagem e pediu o número do lugar para a jovem. Skye ditou-os rapidamente, e em menos de um minuto, Melinda estava na espera para falar com a secretaria do local. Com uma breve olhada no relógio para saber a hora, a chinesa pigarreou e preparou-se para ser o mais agradável possível ao telefone.
— Mother of Mercy, boa tarde– a voz simpática de uma mulher surgiu no outro lado a linha.
— Bom dia, com quem eu falo? – respondeu em tom ameno e a mulher disse que chama-se Laurie – Laurie, olá, eu sou Melinda.
— Com o que posso ajuda-la senhora? – perguntou com amabilidade.
— Eu sou mãe de uma garotinha de 5 anos, e gostaria de matriculá-la no jardim da infância – respondeu no mesmo tom da secretária que a atendera e Phil segurou-se para não rir.
— Bem senhora, eu posso agendar uma entrevista com a diretora para amanhã mesmo, e um teste para sua filhinha, para determinar se ela está apta a iniciar os estudos na turma desse ano, afinal, já estamos quase no fim do primeiro semestre – a mulher explicou claramente e Melinda concordou, afirmando que uma entrevista para o dia seguinte seria perfeito – Então nós a aguardamos amanhã as 8:00 – disse por fim, antes de despedir-se e a chinesa desligou o telefone.
— Temos uma entrevista amanhã as 8 com a diretora da escola – avisou ao parceiro, que concordou imediatamente.
— Então eu tenho até amanhã as 7:30 para colocar vocês quatro no sistema – Skye anunciou, e pediu licença, saindo da sala com notebook.
— E nós precisamos avisar a maior interessada no assunto – Phil advertiu e a mulher assentiu – Eu vou chamar ela.
Dez minutos depois, Phil voltou com Eleanor nos ombros, falando incessantemente sobre o novo filme que assistira com seu tio Hunter.
— E a Sarah Connor é minha personagem favorita papai – dizia com empolgação quando entravam na sala.
— Parece que alguém foi apresentada a Exterminador do Futuro – a chinesa comentou, recebendo a menina no colo e a pequena confirmou.
— Tio Hunter assistiu comigo hoje cedo, e fez pipoca – falou com os olhos brincando e May sorriu.
— É, as vezes o tio Hunter faz umas coisas legais – admitiu e o parceiro riu.
— Papai disse que vocês tem uma coisa pra me dizer – a pequena cobrou.
— Nós dois estivemos discutindo sobre o que é melhor pra você, e queremos saber: o que você acha de ir para a escola? – a mãe perguntou e recebeu um olhar confuso.
— Pra que eu preciso ir pra escola, se todo mundo já me ensina as coisas em casa? – questionou, intrigada com a possibilidade.
— Porque na escola existem professores de verdade, que vão ensinar muito melhor do que nós podemos – Phil respondeu pacientemente e a menina ficou pensativa por alguns segundos – E na escola existem outras crianças, da mesma idade que você – disse após um minuto de silêncio e Eleanor pareceu interessada.
— Quantas crianças? – perguntou curiosamente.
— Várias crianças – May respondeu de forma a intrigar a menina, e por um segundo, sentiu-se negociando com um mafioso, o que a quase fez rir.
— Está bem, eu quero ir – a pequena disse por fim, convencida de que seria divertido.
— Ótimo, amanhã nós vamos até a escola, conversar com a diretora – Phil comemorou e a menina sorriu – E você vai precisar conversar com ela também, e responder algumas perguntas que ela fizer.
— Sem problemas papai – garantiu e apertou a mão do pai.
— Na verdade, há um problema sim – May disse com preocupação, ao lembrar-se de um grande e importante detalhe – Eleanor, preste atenção no que a mamãe vai dizer – pediu, e sentou a menina em sua frente, olhando-a com seriedade – Você nunca pode dizer pra ninguém sobre como nós encontramos vocês, ou sobre a base – explicou e ela assentiu.
— Mas eu posso falar pras pessoas sobre todo mundo daqui? – perguntou calmamente.
— Pode, mas você não pode contar sobre o laboratório da tia Simmons, ou sobre os robôs do tio Fitz, nem sobre as lutas da mamãe com a tia Bobbi e muito menos sobre as armas e os aviões – pediu com uma pontadinha de pânico na voz. – Se você deixar qualquer uma daquelas coisas escapar para a diretora da escola ou para algum dos coleguinhas nós vamos ter que tirar você da escola, porque pode ser perigoso, você entende isso? – perguntou e a pequenina assentiu com firmeza.
— Eu não vou contar nada mamãe, eu prometo – garantiu e estendeu o dedinho mindinho pra mãe, que segurou-o com o próprio mindinho.
— E mais uma coisa: se alguém perguntar onde você mora, você diz que mora numa casa, okay? – Phil esclareceu e ela assentiu, e no minuto seguinte, correu para fora da sala para contar a novidade para o tio Mack e para a “nova titia Yoyo”, como ela chamava carinhosamente a inumana.
— Você ainda tem certeza que vai dar tudo certo Phil? – Melinda perguntou com insegurança e o homem abraçou-a novamente.
— Sem dúvidas, nossa filha é esperta – afirmou, e juntos, subiram para o escritório de Phil, onde ocuparam-se o resto do dia com papeladas de missões menores que aconteceram nos quatro meses em que passaram fora.
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