Second Chances
4 Milk
Notas iniciais
Novamente, Melinda não fazia idéia de quanto tempo se passara desde que entrara na banheira com Lucy, e nem se havia ou não caído no sono. Só o que sabia é que agora a menina dormia pacificamente contra seu peito. “Talvez eu deva sair agora”, pensou e levantou-se, sentindo o peso absurdo de sua camiseta molhada. Ótimo. Colocou novamente Lucy em cima da bancada de pia, sobre várias toalhas e tirou o restante de sua roupa. Secou-se com uma toalha e com uma das que estavam em baixo da bebê, secou-a. Verificando se não havia ninguem no corredor, saiu rapidamente no banheiro, enrolada em uma toalha com Lucy a tira colo. Somente quando chegou no próprio quarto que deu-se conta que não tinha roupas para vestir na menina, e nem fraldas para substituír a que jogara fora. Bufando, vestiu uma de suas camisetas na bebê para esquentá-la e em si, vestiu uma roupa qualquer.
–Fica aí — pediu para Lucy e saiu em direção a cozinha. Mack e Skye conversavam animadamente sobre algo quando ela chegou.
– Fiz leite para ela — a mais nova disse com orgulho.
– Ótimo, mas eu preciso que vocês comprem fraldas e roupas para as meninas — pediu, e recebeu olhares confusos em resposta.
– Nós estamos no céu, a 3 horas da base — Mack lembrou-a e a chinesa fez uma careta.
– Vou arranjar um lugar pra pousarmos. Vocês saem, compram o que precisamos e voltam em menos de uma hora — planejou e os dois assentiram — Ótimo, que bom que vocês concordaram.
Em meia hora, o Zephyr One estava parado no meio de um estacionamento de uma loja de departamento (no modo invisível, obviamente). Devido a hora, tudo estava vazio. Com pressa, Skye e Mack correram para dentro da loja, e Melinda foi até o próprio beliche, onde Lucy revirava-se na cama.
– Ei mocinha, eles já voltam — disse para a pequena e foi até o outro beliche, onde Zero ainda dormir devido à anestesia para a perna machucada. 40 minutos depois, os agentes retornaram com diversas sacolas.
– Temos fraldas, roupas de bebê e criança, mamadeiras, chocalhos e chupetas — Mack listou, enquanto colocava cada item sobre a mesa da cozinha.
– Tem também um urso para cada uma, um carrinho de bebê e uma coisa que serve pra segurar o bebê sem usar as mãos — Skye complementou, mostrando a caixa de um produto que consistia em uma pano longo de argolas — Não sei como funciona.
– Eu aprendo depois — May respondeu, surpresa com a quantidade de coisas que eles haviam comprado — Coloca tudo no laboratório, só me dá um saco de fraldas e roupas — pediu e a mais jovem entregou o que ela pedira.
– Precisa de ajuda? Eu sei colocar fralda — Skye se ofereceu e a chinesa agradeceu mentalmente.
– Essa é a melhor coisa que eu escutei hoje — respondeu e foi seguida pela garota até o beliche onde dormia a bebê — Deve ter alguma coisa errada, ela já tá aqui há 5 horas e ainda não fez xixi e nada — comentou e a hacker riu.
– Deixa que a Simmons vê isso quando chegarmos na base — garantiu e começou a ensinar Melinda a colocar a fralda na bebê. Quando terminaram, a chinesa sorriu satisfeita.
– Onde você aprendeu isso? — perguntou curiosa enquanto colocava um body em Lucy.
– No orfanato. Eu cuidava de crianças menores que eu — explicou e deu de ombros — A propósito, já pensou em um nome pra elas?
– Eu pensei em Lucy para ela — disse apontando para a bebê que agora segurava os pezinhos na cama — E talvez Zero queira escolher o nome dela.
– Lucy in the sky with diamonds? — brincou e recebeu um sorriso em resposta.
– É a música favorita do Phil — comentou inconscientemente e só percebeu o que havia dito quando a Skye parou de rir e encarou-a.
– É por isso que o nome dela é Lucy? — questionou sugestivamente.
– Eu não sei — confessou — Eu só queria que ela parasse de chorar e chamei ela de Lucy, foi sem querer. E parece que ela gostou — completou e colocou o dedo indicador na palma da mão da bebê, que levou-a até a boca e quis mordê-lo mesmo sem ter dentes.
– É um nome lindo, e combina com o meu — comentou com sinceridade, e ambas sorriram juntas, sentindo por fim, um momento de paz.
– Finalmente vocês chegaram — Simmons disse aliviada quando Melinda e Skye entraram no laboratório, cada uma carregando uma das meninas no colo. Skye por ser mais fraca, carregava Lucy, que brincava com um de seus cachos. Zero ainda dormir no ombro de May — Então são elas.
– São, e precisam de atenção — May respondeu — A mais velha tem um machucado feio na perna, e eu não sei se está ou não quebrada — explicou e colocou a menina em um das macas — A mais nova aparentemente está bem, eu não sei se tem alguma coisa errada.
– Eu vou cuidar da mais velha primeiro — a doutora respondeu e levantou a saia da menina na altura da coxa, para avaliar os machucados na perna — Se vocês quiserem podem ir, chamo quando terminar.
– Ótimo, eu vou tomar um banho de verdade — a chinesa disse e foi até a porta — E Skye …- parou quando chegou na saída — Pede pro Mack acordar o Coulson, senão ele vai ficar desorientado de acordar sozinho no laboratório do avião — pediu com preocupação e saiu rapidamente.
– Ela parece outra pessoa totalmente diferente da May que saiu daqui hoje cedo — Skye comentou com a amiga que assentiu.
– Por acaso ela reclamou das dores? — perguntou ao começar a separar materiais para cuidar de Zero.
– Nenhuma vez, ela socou o cara do galpão, carregou as duas no colo e ainda pilotou o avião — relatou e a médica olhou-a com desconfiança.
– Ela carregou duas meninas no colo e não reclamou de dores? — repetiu pasma — Ela quebrou quatro costelas não faz nem um mês. Ela não deveria nem ter pilotado o avião.
– Fazer o que, ninguem pode controlar Melinda May — Skye brincou e as duas riram.
– Que lugar é esse? — Zero perguntou ao acordar subitamente.
– Zero, é a Skye, nós conversamos no avião — a garota acalmou-a — Você está na minha casa. Essa é a Jemma, minha amiga — apresentou apontando para a cientista — Ela vai cuidar de você.
– Olá — cumprimentou timidamente e Jemma sorriu para ela.
– Posso cuidar de você? — perguntou com educação e a menininha assentiu.
– Pode sim, você parece ser legal — ela respondeu e sorriu ao olhar profundamente para Jemma.
– Vou deixar vocês duas se entenderem e escapar pro avião. Preciso acordar o chefe — Skye disse com uma careta falsa e saiu do laboratório.
– AC, acorda — chamou em um tom mais alto do que esperava — ACORDA.
– Melinda? — ele disse em voz baixa, porém o suficiente para que Skye escutasse.
– Não, é a Skye — respondeu e o homem abriu os olhos.
– O que aconteceu? — perguntou enquanto fazia força para sentar-se. Sua cabeça girou por alguns segundos antes de estabilizar-se.
– Você levou uma surra. May salvou todo mundo, cuidou de você e te nocauteou para você ficar melhor — resumiu e ele fechou os olhos, em busca de tais lembranças.
– Ótimo — suspirou e apertou os lábios em uma linha fina — Eu preciso conversar seriamente sobre procedimentos médicos com a May.
– Ela fez pra você não sentir dor — Skye defendeu e o diretor balançou a cabeça.
– Parece que um caminhão passou por cima de mim — comentou e fechou os olhos com força — Onde ela tá agora?
– Provavelmente no banho — especulou e ele colocou-se pé — Ei, volta aqui, você não pode sair andando, você acabou de levar uma surra.
– Skye, eu estou bem, e preciso conversar com ela — respondeu seriamente, e ignorando todos os protestos da garota, saiu andando para fora do avião.
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