Second Chance
49 Capítulo 48 – Preocupação real
Notas iniciais
Stefan
— Senhores passageiros do voo 655 com destino a Los Angeles, convidamos a todos para o início do nosso procedimento de embarque — uma voz surgiu no alto-falante do aeroporto – Por favor, dirijam-se ao portão 7.
— Bom, esse é o meu voo – meu irmão virou-se para mim – Chegou a minha hora de ir embora.
— Sim, eu percebi – concordei – Foi bom ter você essa semana aqui em Washington, Damon.
— E você pode parar com essa cara – pediu – Não é como eu fosse demorar meses, anos ou até mesmo nunca mais voltar a Washington. Quando você menos esperar, irmãozinho, eu estou aqui novamente.
Essa era uma das milhares de coisas que eu precisava agradecer ao Alaric. Meu irmão até vinha algumas vezes aqui, principalmente depois que eu me casei com a Elena e a Lyn nasceu, mas agora que está namorando o meu assessor, Damon vem a Washington com muito mas frequência que antes.
— E enquanto eu não volto – continuou – Quero que você me mande notícias sobre os meus sobrinhos, todos os dias.
— Pode ficar tranquilo, irmão – garanti – Eu te mandarei notícias da Caroline e dos bebês, sempre que possível.
— E é bom você cuidar muito bem dela – pediu – Tenho certeza de que a Caroline não vai te dar uma terceira chance caso você pise na bola novamente.
— Acredite, eu não pretendo “pisar na bola” novamente – respondi – Quero ser o melhor pai do mundo para a Lyn e os bebês que vão nascer, o melhor padrasto do mundo para a Libby e, é claro, o melhor marido do mundo para a Caroline. Exatamente como deveria ter sido há cinco anos.
— “O melhor marido do mundo para a Caroline” — repetiu as minhas palavras – Será que isso significa que teremos um pedido de casamento em breve?
— Talvez… — dei de ombros – Não posso responder nada ainda sem conversar com duas pessoas antes.
— Senhores passageiros do voo 655 com destino a Los Angeles – a voz no alto-falante voltou a chamar – Essa é a última chamada para o embarque no portão 7.
— Agora eu preciso ir mesmo, cara – colocou a mão sob o meu ombro – Só quero te dizer o quanto eu estou orgulhoso por finalmente fazer a coisa certa e ter corrido atrás da felicidade com a mulher que ama.
— Eu também estou orgulhoso de mim, Damon – afirmei – E também desejo, de todo o coração, que você o Alaric sejam tão felizes quanto eu e a Caroline.
— Nós seremos – garantiu – Nós seremos…
Meu irmão ainda deu um tapa nas minhas cotas antes de caminhar na direção a área de embarque. Fiquei observando até que não pudesse mais vê-lo no meio da fila da segurança.
***
— Eu não sei que horas ele irá chega, o senhor Salvatore não me disse nada – antes mesmo de entrar na sala, consegui escutar a voz da minha secretária – Se quiser deixar um recado, assim que ele chegar eu aviso que o senhor ligou.
Entrei no local a tempo de ver Nora com um cotovelo apoiado na mesa e apoiando o rosto, enquanto que com a outra mão ela segurava o aparelho telefônico. Não tinha ideia de quem estava do outro lado da linha, mas dava para ver que ela não estava muito feliz com aquela ligação.
— Está tudo bem? — sussurrei. Seja lá com quem ela está falando, está procurando por mim e dependendo da pessoa eu não vou querer que descubra que eu já cheguei.
— É o seu pai… — movimentou os lábios sem produzir som algum, mesmo assim, consegui entender perfeitamente o que ela estava “falando” — Ele quer falar com você o mais rápido possível e não parece muito feliz.
Revirei os olhos. Que bela maneira de começar aquela manhã de sexta-feira…
— Tudo bem, eu falo com ele – respondi, por fim – Transfira a ligação para a minha sala.
— Senhor Salvatore, o seu filho acabou de chegar – Nora voltou a falar com o meu pai – Vou passar a ligação para ele em um minuto.
Acenei com a cabeça antes de passar para o meu escritório. Sentei na minha mesa e antes de fazer qualquer coisa, retirei o telefone do gancho.
— Pai… — já fui falando, assim que atendi – A que devo a honra dessa sua ligação a essa hora da manhã? Ainda mais no meu trabalho?
— Ora, Stefan, não se faça de desentendido — disse – Estou tentando falar com você há uma semana. Ligo no hotel, que você disse que estava hospedado apenas por causa de uma votação importante, e dizem que você não está, então eu ligo no seu celular e você também não entende. Minha última opção é ligar para o seu escritório.
Isso era verdade, eu estava mesmo evitando o meu pai. Sei que uma hora eu precisarei contar a ele sobre todos os últimos acontecimentos, mas ainda não sei qual será a sua reação e por isso prefiro esperar mais um pouco antes de ter essa conversa tão importante.
— As coisas estão bem atarefadas por aqui – tentei me explicar.
— Conversei com Grayson Gilbert, há uma semana— continuou, parecendo ignorar as minhas últimas palavras – Ele veio falar comigo, muito preocupado, sobre o fato de você e da Elena estarem se separando. O que você tem para me dizer a respeito disso, Stefan?
— O que você quer que eu te diga, pai? — dei de ombros, mesmo sabendo que ele não podia ver – Sim, é verdade, eu e a Elena estamos nos divorciando, ou melhor, já oficializamos o nosso divórcio.
— Como você pode fazer uma coisa dessas, meu filho?— seu tom de voz era de decepção – Grayson Gilbert tem sido ótimo para você todos esses anos, tem apoiou na sua candidatura e depois quando foi eleito. E você retribui tudo isso dessa maneira?
— Grayson Gilbert só me “ajudou” porque fizemos um acordo, uma troca de favores, você sabe muito bem disso – lembrei – A verdade é que eu e a Elena nunca nos amamos, então nós conversamos e percebemos que esse era o melhor para nós dois.
— E quanto a Evelyn?— insistiu – Você não vai mesmo pensar nem um pouco na sua filha?
— A Lyn está muito bem com toda essa situação – garanti – É muito melhor ter os pais separados do que vê-los infelizes e talvez até brigando.
— Você tem uma amante?— a pergunta dele me pegou de surpresa – Não que Grayson Gilbert tenha insinuado alguma coisa, mas se você já está infeliz ao lado da Elena há cinco anos, como disse, e só decidiu tomar uma atitude agora, é porque deve ter uma outra mulher no meio dessa história.
— Tudo bem, o nome dela é Caroline, mas ela não é minha amante, como você disse, estamos juntos para valer – me defendi – Para ser bem claro, nós nos conhecemos há cinco anos, antes mesmo de eu ficar noivo da Elena; mas eu precisava honrar o acordo que fizemos quando eu vim para Washington e por isso não pudemos ficar juntos, só que agora…
— Só que agora você decidiu jogar tudo para o alto para viver esse romance adolescente bobo – me interrompeu, seu tom de voz era um sinal de decepção – É isso mesmo?
— O que há entre mim e Caroline não é apenas um “romance adolescente” — avisei – Nós nos amamos e, para você saber, vamos ter dois bebês, que nascem daqui há sete meses, para ser mais específico.
— Filho com a sua amamente…— continuou – Você não precisava se divorciar da sua esposa por causa disso. Vários políticos têm amantes, até mesmo duas famílias, você não seria o primeiro.
— Vou fingir que não estou ouvindo esse absurdo… — lamentei – Pensei que você fosse me apoiar. Eu sou seu filho…, você apoiou a escolhas do Damon, pensei que fosse apoiar as minhas também.
— Claro que eu apoio as suas escolhas, exatamente como apoio as do Damon; só quero vê-los feliz— garantiu – Justamente por isso que tenho medo que você esteja tomando uma decisão precipitada.
— Acredite em mim, pai, eu pensei muito, e acho que nunca tomei uma decisão tão racional quanto agora – respondi – O senhor é mais que bem-vindo a vir a Washington conhecer a Caroline e os seus netos, mas eu só peço que primeiro perceba que esse é o melhor para mim.
Então eu desliguei o telefone antes que ele falasse qualquer outra coisa, aquela conversa já tinha tomado muito tempo da minha manhã. Sei que logo ele perceberia que eu estava certo e apoiaria a minha decisão, mas não espero convencê-lo ainda hoje.
***
— Eu quero comer um hambúrguer – Lyn já foi falando, sem nem ao menos olhar para o cardápio – Um hambúrguer bem grande!
— Eu também! — Libby diz logo em seguida – Quero a mesma coisa que a Lyn.
Assim que deu a hora certa, fui buscar a minha filha no colégio e, em seguida, foi a vez de buscar a minha enteada. A lanchonete que decidi levá-las, não ficava muito longe do meu escritório e já tinha ido até lá uma ou duas vezes, parecia um lugar agradável para lanchar com duas crianças pequenas.
— Tem certeza de que preferem um hambúrguer menor? — sugeri – As mães de vocês vão querer me matar caso vocês cheguem em casa sem fome porque comeram demais na hora do lanche.
— Não… — elas responderam ao mesmo tempo, rindo.
— A gente quem um hambúrguer bem grande, papai – Evelyn voltou a explicar – Mamãe sempre diz que eu estou em fase de crescimento e que preciso me alimentar muito bem.
Bom, mas ela estava falando sobre se alimentar bem no café da manhã, almoço e jantar, as refeições principais – tentei explicar – E não que você precise comer muito em todas as refeições, ou as duas ficarão gordinhas.
Elas voltaram a rir e, em seguida, voltaram a falar, mas agora entre si. Podia ouvi-las cochichar, mas não o que estavam falando.
— Tudo bem, papai, a gente concorda – Lyn voltou a se virar para mim – A gente concorda em comer um hambúrguer pequeno.
— Mas a gente quer tomar sorvete também – Libby completou – De sobremesa.
— Tudo bem, eu concordo – respondi – Mas antes, vocês precisam terminar o hambúrguer todo, não pode sobrar nenhuma migalha…
Elas apenas acenaram com a cabeça. Nesse mesmo instante uma garçonete estava passando pela nossa mesa e eu a chamei.
— Com licença – disse – Estamos prontos para fazermos os nossos pedidos.
— Ah sim… — pegou o bloco de notas dentro do bolso do avental.
— Queremos dois hambúrgueres, um misto quente e três refrigerantes – nomeei – Depois pediremos sorvete, mas faremos isso depois.
— Está bem, senhor – anotou tudo que eu tinha falado – Eu já venho trazer os seus pedidos.
Ela então se afastou e eu voltei a me virar para as meninas, que continuavam a conversar e rir.
— Será que eu posso saber o que as duas tanto conversam? — decidi questioná-las – Parece ser algo bem engraçado…
— Eu estava falando para a Libby o quanto eu gostei dela ter vindo conosco hoje – minha filha explicou – E que eu adoro conversar com ela…
— Isso quer dizer que você não gosta das tradicionais tardes de pai e filha? — me fingi de magoado – Saiba que isso me deixa triste…
Desde que eu e Elena decidimos nos separar, além dos finais de semana que passa comigo, tenho feito questão de buscar Lyn e então íamos ao cinema, lanchávamos e até para andar de bicicleta. Eram tardes muito divertidas ao lado da minha princesinha.
— É claro que eu gosto das nossas tardes de pai e filha, papai – apressou-se em dizer – Mas agora a Libby também é da nossa família e é legal que também venha para as nossas tardes de pai e filha.
—E eu gosto de participar dessas tardes de pai e filha – Libby avisou – Só não contem para o meu pai, ele pode achar que estou querendo substituir ele vai ficar chateado.
— Pode dizer que eu não vou falar nada para ele – respondi.
— Também não vou dizer nada – Evelyn levantou as duas mãos – Eu prometo.
— Bom agora quero falar uma coisa muito séria com as duas – avisei – Quero fazer uma pergunta muito importante e preciso saber o que vocês acham.
Elas não falaram nada, apenas ficaram esperando que eu continuasse. Então mexi no bolso do paletó e tirei a caixinha de veludo lá de dentro, mostrando aquele anel que eu conhecia muito bem: ouro branco, ornamentado de pedrinhas brilhantes e uma pedra azul em cima.
— Eu conheço esse anel! — minha enteada finalmente disse – Já vi várias vezes na caixa de joias da minha mãe, ela até me prometeu que me daria o anel de presente quando eu fosse mais velha.
— Esse anel foi da minha mãe – expliquei – Eu o dei de presente para a Caroline há muitos anos, antes de vocês duas nascerem. Ela o guardou por todos esses anos e decidiu me devolver, só que agora chegou a hora de devolvê-lo, mas com um outro significado.
— Você vai pedir a tia Care em casamento? — Lyn tinha entendido onde eu queria chegar e decidiu me questionar – É isso, papai?
— Sim, é isso mesmo – dei um sorriso bobo depois de responder – Claro que eu queria pedir a opinião de vocês duas, antes de qualquer outra coisa.
Apesar da pouco idade, minha filha tem aceitado com muita maturidade toda essa situação: meu divórcio da mãe dela, meu novo relacionamento com a Caroline e até mesmo a breve chegada de dois novos irmãozinhos, e Libby também parece muito bem com tudo isso. Claro que quando o assunto chega a um pedido de casamento, essa situação pode mudar completamente.
— E então… — perguntei novamente – O que vocês acham?
— É uma ideia perfeita, papai! — Lyn foi a primeira a falar – Você pede a tia Care em casamento e poderemos ser uma família de verdade. Não é mesmo, Libby?
— Sim – a outra concordou, balançando a cabeça afirmativamente – E você já sabe como vai pedir a mamãe em casamento, tio Stefan?
— Para ser sincero, ainda não sei – disse – Mas quero fazer isso o mais rápido possível, quem sabe a gente não consegue oficializar tudo antes dos bebês nascerem?
— A gente pode te dar umas ideias – Libby continuou – O meu pai pediu a minha mãe em casamento no dia da inauguração da exposição e ela parece que achou tudo muito romântico.
— Parece uma ideia interessante – falei – Mas eu não tenho talentos para pintar quadros e por isso não posso fazer nenhuma exposição, então não tem como…
— A mamãe sempre comenta que você pediu ela em casamento em um jantar lá na casa do vovô e da vovó – Lyn lembrou – Você pode fazer um jantar para pedir a tia Care também…
Sei que as intenções delas eram as melhores, mas ficarem me lembrando de pedidos de casamento antigos, principalmente pedidos que não foram tão bem-sucedidos assim, não me parece uma ideia.
— Tenho certeza de que pensarei em uma maneira legal para fazer esse pedido – conclui – Mas eu garanto que, quando eu tiver uma boa ideia, vou pedir a opinião de vocês novamente.
***
Não demorou muito para a garçonete trazer os nossos pedidos. Começamos a comer tranquilamente e falando uma coisa ou outra ocasionalmente.
Então o som do meu celular ecoou pelo ambiente. Era uma ligação e o nome de Elena piscava sem parar no identificador de chamadas.
— É a sua mãe – disse para Lyn – Ela, provavelmente, está querendo saber se estou cuidando bem de você.
Ela riu e eu revirei os olhos em respostas antes e apertar o botão para atender o telefone.
— Oi, Lena! — disse assim que coloquei o aparelho no ouvido – Não se preocupe, nossa princesinha está ótima e se divertindo muito também.
— Stefan…— sua voz era chorosa e imediatamente fiquei preocupado – Preciso que você mantenha a calma, principalmente porque as meninas estão ai com você.
Respirei fundo… Ela me pedir para manter a calma, era uma tarefa difícil…, principalmente porque eu nem sabia ainda o que estava acontecendo.
— Certo, espera um minuto – pedi antes de afastar o telefone e me virar para Lyn e Libby – Meninas, eu já volto, fiquem bem aqui.
Elas concordaram, então eu me levantei e fui para perto da entrada da lanchonete, de onde eu podia observá-las, mas ainda estava longe o suficiente para que não me escutassem.
— Tudo bem, Lena – voltei a falar com minha ex-esposa – Agora você pode me contar o que está acontecendo.
— Foi a minha mãe…— começou – Tinha percebido que ela estava agindo estranha desde que contei sobre o nosso divórcio, mas achei que não fosse nada demais… Então meu pai me ligou mais cedo, todo preocupado dizendo que minha mãe saiu de casa dizendo que daria um fim em tudo e resolveria o problema do fim do nosso casamento.
— Essa não… — fiquei mais preocupado ainda – Ela pegou a Caroline não foi? Por favor, me diga logo, Elena: ela faz alguma coisa contra a Care e os bebês?
— Ela chegou a porta do hotel e em um momento de distração e conseguiu levá-la— prosseguiu – Os seguranças não estavam por perto e não conseguiram impedir, mas ligaram para a polícia. Não sei de todos os detalhes, mas houve uma perseguição e acabou acontecendo um acidente, a minha mãe perdeu o controle do carro e acabou capotando.
— Um capotamento? — disse um pouco mais alto do que estava planejando, por sorte, Lyn e Libby pareciam distraídas conversando e não prestavam atenção em mim – Como está a Caroline? E os bebês? Por favor, Elena, fala tudo de uma vez!
— Minha mãe não sofreu nada e foi levada para a delegacia imediatamente…— soltou um longo suspiro antes de continuar, sabia que não vinha notícia boa por ai – Mas a Care… Parece que ela estava sem cinto e ficou muito machucada. Estou aqui no Hospital Central de Washington, com o Enzo, aguardando notícias.
— Hospital Central e Washington, estou indo para aí imediatamente – avisei sem nem menos pensar duas vezes.
— Espera, Stefan, você não pode falar nada para as meninas, principalmente para a Libby – Elena voltou a chamar a minha atenção – A Katherine está no apartamento da Care, invente alguma desculpa e leve-as para lá e, por favor não as deixe desconfiadas.
— Pode deixar, eu farei o meu melhor… — garanti – E daqui a pouco eu estou ai.
Assim que desliguei, esperei alguns minutos para me acalmar antes de retornar a mesa. Foi realmente uma boa ideia, pois as meninas se viraram imediatamente para mim quando cheguei perto o suficiente.
— Muito bem, surgiu um pequeno problema no meu trabalho – inventei a primeira desculpa que veio na minha cabeça – Vou deixar vocês duas na casa da Libby, a Katherine está lá esperando por vocês.
— Não que eu não queira ficar mais um pouco brincando com a Libby, mas porque eu tenho que ir para lá também? — minha filha perguntou – Onde está a mamãe?
— Sua mãe não está em casa agora, ela está com o Enzo – disse – Prometi te devolver para ela a noite, mas como surgiu esse problema, vou te deixar na casa Care, tenho certeza de que a Elena não vai se importar.
— E onde é que está a minha mãe? — foi a vez de Libby questionar – Por que ela também não está em casa com a tia Kath?
— Sua mãe está presa em uma reunião muito importante no hotel… — não sei como estava conseguindo inventar essas desculpas tão rápidas, elas são mesmo muito espertas – Bom, como vocês podem ver, estão todos ocupados hoje. Agora, vamos, estou devendo um sorvete para vocês, mas hoje, realmente, não dá.
Pedi a conta para a mesma garçonete que tinha nos atendido anteriormente. Depois de pagar, já estávamos prontos para ir embora.
— Só teve uma coisa que eu não entendi… — foi Lyn quem voltou a falar – Você disse que era a minha mãe no telefone. Como é que ficou sabendo que tinha uma emergência no trabalho?
Perfeito… As coisas só estavam piorando cada vez mais…
— Bem, acontece que a Nora não estava conseguindo falar comigo, então ligou para o celular da Elena – passei a mão pelo meu cabelo, sem conseguir encarar a minha filha nos olhos – Então ela me ligou e disse o que estava acontecendo.
— Entendo… — para a minha sorte, ela parecia ter acreditado.
— Perfeito – me levantei e as duas imitaram o meu gesto – Agora precisamos ir.
***
Assim que deixei Lyn e Libby com a Katherine, finalmente pude seguir para o hospital. Por sorte consegui encontrar minha ex-esposa assim que entrei no prédio.
— Como ela está? — perguntei assim que Elena se aproximou.
— Ainda está em cirurgia – disse – A enfermeira disse que um médico virá aqui dar notícias assim que acabar.
— Certo… — acenei com a cabeça.
Tudo que nós tínhamos a fazer no momento era esperar, então era o que faríamos. Fomos até onde Enzo estava e nos sentamos junto a ele.
— Isso tudo é culpa minha… — Lena voltou a falar.
— Claro que não é sua culpa, meu amor – ela foi confortada pelo namorado, que colocou o braço em volta dos seus ombros – Você não tinha como prever isso, ninguém tinha como prever.
— Eu desabafei tudo com a minha mãe, achando que ela estava do meu lado e que queria apenas me ajudar – lamentou – Mas, na verdade, tudo que ela queria era forçar a me casar com o Stefan e ainda era capaz de qualquer coisa para isso.
— O Enzo tem razão, Lena, nada disso foi sua culpa – passei a mão rapidamente pela sua, um gesto totalmente fraternal – A Miranda é sua mãe, claro que você confiaria nela. A culpa não é sua que ela não tinha boas intenções.
— Agora meu pai está lá na delegacia com ela – continuou – Tenho certeza de que ele vai arranjar um jeito de tirá-la de lá o mais rápido possível.
Isso era realmente uma coisa que causa indignação. Seja lá o que tenha acontecido com a Caroline hoje, quero que a Miranda pague por tudo que está me fazendo sofrer.
— Você falou com os pais da Caroline? — decidi mudar de assunto – Eu posso até ligar para a Liz quando tivermos mais notícias, mas não tenho certeza se o Bill vai ficar muito feliz em ouvir a minha voz, ainda mais para falar uma coisa dessas.
— Eu consegui ligar para o Steven no restaurante e ele disse que falaria com o Bill e a Liz – respondeu – E não acho que ele vá ficar com raiva de você, pelo que a Caroline me disse, o pai dela aceitou que vocês dois reataram.
— Mas isso, com certeza, não o impedirá de me culpar por esse acidente – dei de ombros – Se nós não tivéssemos voltado a namorar, a Miranda não estaria atrás dela e isso tudo não aconteceria.
— Stefan, o Bill percebe o quanto você faz a filha dele feliz e ainda será o pai dos netos dela – lembrou – Isso que aconteceu foi um risco que vocês decidiram correr, por amor. Ele precisa aceitar essa escolha.
— Espero mesmo que você esteja certa – murmurei.
***
— Por favor, Ric, apenas diga que não darei nenhuma declaração sobre o sequestro ou sobre o acidente nesse momento – as notícias realmente correm rápido, não demorou muito para Alaric me ligar e dizer que vários jornalistas estão entrando em contato com ele, querendo saber o que eu tenho a dizer sobre os últimos acontecimentos – Estou em um hospital, esperando notícias da minha namorada grávida é que acabou de sofrer um acidente, espero que a imprensa possa respeitar a minha privacidade.
Ainda não tinha soltado nenhum comunicado oficial aos jornalistas a respeito do fim do meu casamento, mas isso não significa que os boatos não corram pela internet; principalmente depois que, há dois dias, saiu uma foto minha ao lado de Caroline e especulando se estamos um relacionamento.
— E quanto ao fato de sua ex-sogra ter causa o acidente?— continuou – Uma hora você vai ter que falar sobre isso.
— Preciso conversar com a Elena e com o senhor Gilbert antes de qualquer coisa – dei uma rápida olhada na minha ex-esposa, que estava sentada encostada na parede oposta a mim e com a cabeça deitada no ombro de Enzo – É da família dele que estamos falando e não quero expô-los dessa maneira.
— Como o senhor quiser— completou – Então apenas vou dizer que o senhor está enfrentando um momento delicado e que logo soltará uma nota sobre isso, mas que no momento você precisa de privacidade.
Foi nesse momento que um médico, usando roupas cirúrgicas, saiu da área restrita e veio se aproximando de onde estávamos.
— Ric, eu preciso desligar agora – avisei enquanto me levantava – Mas diga a imprensa exatamente isso o que você falou – então desliguei o telefone antes que ele respondesse qualquer outra coisa.
— Sou doutor Wes, emergencialista de plantão – esticou o braço para me cumprimentar – Vocês que estão esperando notícias da paciente Caroline Forbes?
— Sim, estamos… afirmei – Eu sou Stefan Salvatore, namorado dela; como ela está?
— Foi um acidente bem feio e a senhorita Forbes estava sem o cinto de segurança, o que agravou, ainda mais, a situação – explicou – Por sorte ela chegou aqui sem qualquer sinal de hemorragia interna, o que significa que nenhum órgão interno foi atingido. A senhorita Forbes teve duas costelas quebradas, que imobilizamos imediatamente, para não ter perigo de perfurar o pulmão, e ela também fraturou o fêmur e por isso precisou passar por uma cirurgia. Além disso, ela também sofreu algumas escoriações leves nos braços e no rosto, também precisou levar cinco pontos acima da sobrancelha direita. Caroline ainda tem uma longa recuperação pela frente, mas posso afirmar que ela já está fora de perigo.
Foi impossível não suspirar aliviado depois de ouvir isso. Era como tirar um peso, que estava nas minhas costas, desde que recebi a ligação de Elena.
— Está vendo, Stef, ela vai ficar bem – só percebi que Lena estava ao meu lado quando ela falou e colocou a mão sob o meu ombro.
— E os bebês? — lembrei-me de perguntar — Como é que estão os nossos bebês?
— A equipe de ginecologia e obstetrícia está fazendo um exame mais detalhado nesse momento, para ver se os fetos sofreram algum problema mais grave – respondeu – Mas já verificamos ainda no centro cirúrgico e os corações estão batendo.
Isso não era exatamente um sinal de que ficaria tudo bem, mas, pelo menos, os bebês estão vivos e é isso que importa no momento.
— Será que eu posso vê-la? — pedi.
— Claro, ela já está no quarto – respondeu – Mas só pode entrar um por vez.
— Tudo bem, você pode ir primeiro – Elena avisou – Fico aqui esperando por notícias.
— Certo, então siga-me – o médico pediu.
***
Assim como o doutor Wes já tinha dito, quando cheguei ao quarto, a médica e uma enfermeira estavam lá dentro com Caroline fazendo um exame de ultrassonografia. O barulho dos corações dos bebês ecoava pelo ambiente, alto e forte…
— Stefan! — a voz de Care estava fraca, mesmo assim ela abriu um grande sorriso assim que me viu.
— Você deve ser o pai, imagino? — a mulher, que imaginei ser a médica, já veio perguntando.
— Sim, eu sou o pai – foi impossível não abrir um sorriso cheio de orgulho ao dizer isso.
— Você chegou na hora certa – me puxou para a perto da enfermeira, que nesse momento passava o aparelho por toda a extensão da barriga da minha namorada, sem retirar os olhos da tela do computador – Ai estão, os seus bebês.
E ali estão, duas manchinhas azuladas e quase disformes. Apesar disso, já era possível distinguir os troncos das cabeças e até mesmo os braços e pernas, aquilo era mesmo uma imagem muito emocionante.
— E está mesmo tudo bem? — decidi perguntar – O doutor Wes disse que ainda precisavam fazer alguns exames.
— Os corações estão batendo normalmente, as ondas cerebrais estão em pronta atividade e os órgão em formação também estão intactos – garantiu – Resumindo, seus bebês estão perfeitos e em breve estarão aqui fora dando muito trabalho para a mamãe e o papai.
— Isso é muito bom… — procurei a mão de Caroline e entrelacei meus dedos no dela – Não tem ideia do quanto isso é bom.
— Acredite, eu imagino – ela sorriu – Bom, vamos deixar vocês dois sozinhos, imagino que tenham muita coisa para conversar.
Então as duas saíram do quarto e assim que ficamos sozinhos, eu me aproximei e dei um beijo na testa da minha namorada.
—Você não tem ideia do quanto me matou de preocupação hoje – finalmente falei – Por favor, não faça mais isso.
— Eu realmente preciso te pedir desculpas – comentou – Se eu não tivesse subestimado a ameaça que a Miranda representava, se tivesse feito exatamente o que você me pediu, isso não tinha acontecido.
— Você não precisa se desculpar, meu amor – mexi levemente no seu cabelo – O importante é que você e os nossos bebês estão bem e a Miranda não poderá mais fazer nada contra vocês.
— Depois do acidente, eu só recuperei a consciência, já estava dentro da ambulância – continuou – A primeira coisa que eu perguntei foi sobre os bebês, naquele momento tudo que eu temia era que sofresse um outro aborto espontâneo.
— Não…, Care, não fique pensando no que podia ter acontecido – pedi – Os bebês estão bem, nós os perdemos e é isso que importa, não é mesmo?
— Nós já perdemos a Emma e isso foi tão doloroso – imediatamente limpei as lágrimas que escorriam pelo seu rosto – Sinceramente, não sei o que faria se tivesse perdido os nossos bebês outra vez, acho que nunca iria me perdoar.
— Você não precisa chorar, meu amor… — insisti – Tudo que você precisa se preocupar é em ficar boa logo.
— Tem razão… — soltou um longo suspiro depois de falar.
— Bom, agora eu vou deixar a Elena entrar pra falar com você – avisei – Eu já volto e prometo que vou passar a noite aqui no hospital com você.
Voltei a beijá-la, dessa vez nos lábios e então voltei a sair do quarto. Agora bem mais aliviado do que quando fui vê-la.
***
— Lena, a Care já está te esperando para você vê-la – avisei quando cheguei a recepção e encontrei minha ex-esposa e seu atual namorado – Só não demore muito, ela precisa descansar.
— Claro, pode ficar tranquilo que eu não demorarei… — garantiu antes de seguir pelo mesmo caminho que eu tinha seguido vindo até aqui.
Eu voltei a me sentar para esperar Elena retornar e então decidi dar uma olhada no meu celular para ver se tinha algum novo e-mail de Alaric ou até mesmo de Nora.
— Eu imagino que já esteja tudo bem com a Caroline e os bebês – para a minha grande surpresa, Enzo começou a falar comigo – Imagino o quanto você deve estar aliviado com isso.
— Pode ter certeza… — afirmei – Elena, esses bebês, a Lyn, é claro, e até mesmo a Libby, são as pessoas mais importantes da minha vida e garanto vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para protegê-las.
— Sei que o você quer dizer, sinto o mesmo em relação a Elena – comentou – E também sinto que tenho um dever de proteger a Lyn, é claro.
— Por falar nisso, eu ainda não te agradeci por isso – disse – Por estar ai pela Elena e também por cuidar da Lyn quando eu não posso estar perto dela.
— Eu amo a Elena desde a primeira vez que eu a vi ainda na faculdade e por alguma razão, ela também pareceu gostar de mim – deu um sorriso bobo – E a Lyn é a filha dela e por isso eu também a amo.
— Acredite, eu desejo que vocês dois sejam muito felizes – garanti.
— E eu também desejo que vocês também seja muito feliz ao lado da Caroline – ele completou.
***
Não demorou muito para Elena retornar, ela também parecia bem aliviada depois de ver a amiga.
— Bom, nós já estamos indo – me avisou – Vou passar na casa da Care para buscar a Lyn.
— Lena eu ia te pedir um favor – falei – A Libby vai precisar ficar sabendo o que aconteceu com a mãe dela, será que você pode deixar a Lyn dormir lá? Assim ela fica mais animada.
— Acho que pode ser uma boa ideia – concordou – Ou talvez eu possa levar a Libby para o meu apartamento, caso a Kath fique insegura de ficar sozinha tomando conta das duas a noite.
— Também é uma opção – dei de ombros – Bom, você e a Kath resolvam isso, o importante é deixar a Libby confortável e o mais feliz possível.
— Pode deixar que faremos isso – garantiu.
Ela ainda acenou para mim antes de sair do hospital ao lado de Enzo, depois disso eu decidi voltar para o quarto ver como estava Caroline. E pretendo não sair mais de perto dela até que saia do hospital.
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