Second Chance
44 Capítulo 43 – Pai outra vez
Notas iniciais
Stefan
*Flashback*
Depois de mais alguns minutos, decidi ir me encontrar com a Elena, afinal, não quero chegar atrasado na formatura da Caroline.
— Muito bem, Stefan… — disse no momento em que fiquei de pé – Só mais um dia e toda essa farsa acabará…. Você vai ser feliz ao lado da mulher que você ama e do filho de vocês.
Minha intenção é contar para a Care o meu plano hoje a noite quando estivermos sozinhos, antes de ter qualquer conversa com o senhor Gilbert. Certamente será um grande presente de formatura para ela, e eu não poderia estar mais ansioso para isso.
Então, antes que pudesse abrir a porta do quarto, alguém já tinha feito isso por mim. Era Miranda Gilbert, a mãe de Elena.
— Senhora Gilbert… — meu tom de voz era totalmente surpreso.
— Ora, Stefan, por favor, me chame de Miranda, afinal, somos praticamente da mesma família – pediu – Será que nos podemos conversar por um minuto?
Aquele pedido era muito estranho, eu já estava morando com os Gilberts há vários meses e nós dois mal tínhamos trocado quatro ou cinco palavras. O que será ela quer conversar comigo de tão urgente?
— Claro… — apesar de tudo, eu dei espaço para que ela entrasse no cômodo – Mas espero que não demore muito, estou com um pouco de pressa agora.
— Oh sim, eu sei, a Elena está lá na sala esperando por você – disse – Vocês estão indo para a formatura da Caroline, não é mesmo?
— Exatamente – afirmei – Talvez não faça sentindo agora, mas isso é algo muito importante e eu não quero me atrasar nenhum minuto sequer.
— Não se preocupe, serei breve – garantiu – E por isso eu vou direto ao assunto… Você pode não saber, mas a Elena tem desabafado muito comigo nos últimos meses.
Aquilo não era exatamente uma surpresa; afinal, quem melhor para a Elena desabafar do que a sua mãe? Afinal, ela não parecia saber nada sobre os planos do marido de casar a única filha deles com alguém que ela não ama e certamente não compactuaria com isso caso soubesse.
— Ela me contou sobre o namoro dela com o Enzo e também sobre o seu casinho com Caroline Forbes – continuou – Nada muito sério, imagino eu, afinal, você e a Elena estão praticamente de casamento marcado.
Como eu tinha imaginado, Lena não tinha realmente contato TUDO para ela…
— Na verdade as coisas não são bem assim…- decidi eu mesmo explicar – Eu queria ter essa conversa com mais calma, com a senhora e o senador Gilbert, em um outro dia. A verdade é que eu e a Elena estamos apaixonados por outras pessoas e não queremos nos casar, pelo menos não um com o outro.
— Sim, eu sei disso – afirmou – A Elena quer ter uma vida de contos de fadas ao lado do namoradinho de faculdade e você quer ficar com a Caroline e o bebezinho de vocês. Pena que as coisas nem sempre são como a gente quer, não é mesmo?
— Como é? — não conseguia acreditar no que estava ouvindo naquele momento
— Stefan… eu conheço muito bem a minha filha – continuou – Já perdi as contas de todos os “namorados” que ela já nos apresentou e nenhum deles durou mais do que um mês. Meu marido estar certo em ter arranjado esse casamento, se a deixarmos ficar com esse Enzo, como ela quer, vai acabar se arrependendo e só estamos querendo evitar isso.
Eu estava enganado. Miranda Gilbert não só sabia o que o marido estava fazendo, parece que o ajudou em todo o plano. E a pobre Elena não sabe de nada disso.
— Tudo bem, vocês querem controlar a vida da sua filha – continuei – Mas eu não tenho nada a ver com isso.
— Sim, você tem – me corrigiu – Ou já se esqueceu que você e o seu pai concordaram com isso quando vieram pedir apoio para a sua candidatura ao congresso?
Respirei fundo enquanto me sentava na ponta da cama. Aquilo só podia ser um pesadelo…
— Certo, eu admito que concordei em namorar e, futuramente, até mesmo casar com a Elena – continuei – Mas isso foi antes de eu vir aqui para Washington, antes de conhecer a Caroline. Não pensei que isso fosse possível, mas realmente gosto dela e estou disposto a quebrar o meu acordo com o senador Gilbert por causa dela.
— Para ficar ao lado do amor da sua vida e do filho de vocês que ela está esperando – revirou os olhos com desprezo – Oh sim, Elena me contou sobre isso também. Usou o argumento de que o bebê merece o pai e a mãe por perto e que deseja que você, a Caroline e essa criança merecem toda a felicidade. Como eu disse, uma sonhadora...
— E justamente sobre isso que eu desejo falar com o senhor Gilbert – avisei – Ele não sabe sobre a gravidez e quando souber, tenho certeza de que ele vai pensar da mesma maneira que a sua filha. E como foi com ele que eu fiz o acordo, é com ele que eu preciso conversar sobre desfazê-lo.
— Mas infelizmente essa conversa não acontecerá, você resolver isso comigo – mexeu no bolso da calça e retirou um papel lá de dentro – Não queria fazer isso, mas você não me deixa escolha.
— O que é isso? — questionei quando ela me entregou o objeto.
— Por que você mesmo não olha e descobre – sugeriu – Acredito que esse é um assunto do seu interesse.
E foi um que eu fiz, desdobrei a folha nas minhas mãos. Era uma cópia de um boletim de ocorrência da polícia de Atlanta e meu nome estava bem no topo. “Invasão de domicílio”, “porta de drogas”, “lesão corporal”, “furto”… todas aquelas palavras saltaram aos meus olhos, palavras que pensei que nunca mais veria e que meu pai pagou muito bem para que ninguém mais visse ligadas a Stefan Salvatore.
— Como… como você conseguiu isso? — cheguei até mesmo a gaguejar de tão nervoso.
— Tenho os meus contados – foi tudo que ela respondeu – Tudo que você precisa saber é que, caso realmente decida desfazer o acordo, mesmo que meu marido concorde, vou fazer com quem esse papel chegue as pessoas certas. E acho que você sabe tão bem quanto eu que isso pode destruir qualquer pretensão política que você possa ter.
— Por que você está fazendo isso? — elevei um pouco meu tom de voz enquanto me levantava – Diz que está fazendo isso pelo bem da Elena, mas, na verdade, só está obrigando ela se casar com alguém que ela não ama. E isso sim irá fazê-la infeliz.
— Ela acha que não pode ser capaz de amá-lo, mas isso é uma questão de convivência – deu de ombros – Vocês dois ainda irão me agradecer muito um dia.
— Pois eu duvido muito disso – neguei – Como eu disse, amo a Caroline e vou ter um bebê com ela. Não me importo que você esteja ameaçando acabar com a minha carreira na política, estou disposta a abrir mão disso por ela, por eles.
Há alguns meses eu achava que minha eleição para o congresso era a coisa mais importante que eu poderia ter, mas tudo isso mudou… Caroline e o nosso filho ou filha, eles sim são as coisas mais importantes para mim agora.
— Caroline Forbes já atrapalhou demais a vida da minha filha todos esses anos e não vou deixá-la fazer isso outra vez – seu olhar estava tão carregado de ódio que eu até mesmo me assustei – E vou saber me livrar dela se for possíveis. Por tanto, se você quer mesmo bem dela, vai fazer exatamente o que eu quero.
Em todo esse tempo que estamos juntos, Caroline sempre fez elogios a senhora Gilbert e disse que sempre a considerou a sua segunda mãe. Mas pelo jeito a senhora Gilbert não pensa da mesma maneira.
— Não sei como você vai fazer isso, resolva essa situação logo e é bom você convencê-la de que não quer mesmo ficar com ela – completou – Você ficará sem a Caroline e sem esse bebê de qualquer maneira, te resta apenas decidir como será isso.
Assim que ela saiu do quarto me joguei novamente na cama e passei a mão pelo cabelo. Eu estava tão feliz há alguns minutos, pensando que finalmente poderia ser feliz ao lado da mulher que eu amo, e agora me vem essa nova bomba.
E o pior é que agora eu vou precisar partir o coração da Caroline para que ela e nosso bebê fiquem bem. Sei exatamente como fazer isso e posso garantir que doerá muito mais em mim do que nela.
*Fim do Flashback*
***
Dois meses, dois meses desde que Caroline me pediu para ficar longe e eu estou cumprindo a minha promessa, nem mesmo estou procurando saber notícias dela. Espero que, pelo menos, esteja feliz ao lado do noivo e da filha deles, isso é tudo que eu peço para ela.
Claro que tudo teria sido diferente se eu tivesse sido sincero com ela a respeito dos meus motivos para ter feito o que eu fiz, era tudo que estava pedindo, a minha sinceridade. Mas não posso fazer isso, ainda é muito arriscado e dá mesma maneira que não podia há cinco anos, não posso oferecer perigo a mulher que eu amo, já basta o que aconteceu com a nossa Emma.
— Care… — murmurei enquanto encarava o teto do quarto do hotel em que estou hospedada – O que será que você está fazendo agora?
O som do meu celular ecoou pelo ambiente, cortando os meus pensamentos. Quando peguei o aparelho, vi o nome e o número de Elena brilhando na tela.
— Oi, Lena! — atendi imediatamente – O que houve? Está tudo bem com você e com a Lyn.
— Está tudo bem, Stefan, nós duas estamos ótimas— garantiu – Eu estou te ligando porque o advogado acabou de me ligar, os papéis do divórcio chegaram e só estão esperando pela nossa assinatura.
Eu e Elena entramos com o pedido de divórcio há dois meses, logo depois da nossa definitiva conversa sobre isso ser melhor para ambos. Fomos ao advogado, que prometeu fazer tudo nos mais absoluto segredo, e ele afirmou como estávamos fazendo isso de comum acordo não teríamos maiores problemas, tudo que precisávamos resolver alguns problemas a respeito da Lyn e já dar entrada na papelada.
— Pensei em irmos até lá hoje mesmo, assim já resolveríamos logo isso— continuou – A não ser que você esteja ocupado demais com alguma coisa do trabalho, se for assim, podemos marcar para amanhã ou algum outro dia que seja melhor para você.
— Na verdade eu não tenho nada para fazer hoje: não tem nenhuma sessão no congresso e decidi dar folga a minha secretária e não aparecer no escritório hoje – expliquei – Se quiser podemos combinar de nos encontrarmos.
— Para mim parecer perfeito— concordou – Nos vemos em frente ao prédio onde fica o escritório do advogado daqui há uma hora?
— Combinado… — respondi – Até lá.
Assim que eu desliguei, me levantei e fui até o armário para poder escolher uma roupa para vestir. Eu posso não ter conseguido ficar com a Caroline, mas, pelo menos, hoje vou colocar fim ao meu casamento de fachada com a Elena.
***
— E mais esse… — o advogado me entregou mais um papel para que eu assinasse – Meus parabéns, estão oficialmente separados.
— E é só isso? — Elena pareceu surpresa – Assinamos os papéis e pronto? Acabou?
— Sim, é só isso, senhora Salvatore, ou melhor, senhorita Gilbert – o homem a nossa frente afirmou – Eu disse que seria tudo bem rápido e vocês facilitaram muito; quado os casais discordam de tudo, esse processo pode levar meses, até mesmo anos, o que não foi o caso aqui.
— Eu sei de tudo isso… — ela afirmou – Só pensei que fosse precisar de mais coisa para finalizar o processo, não apenas algumas assinaturas.
— Elena, isso não é um casamento, é um divórcio — foi a minha vez de falar – Não tem nenhum tipo de cerimônia.
Minha, agora, ex-esposa, revirou os olhos e não pude deixar de sorrir com a sua irritação ao meu comentário.
— Bom, vou levar esses papéis ao cartório ainda hoje – advogado continuou – Mas é isso, vocês já estão livres para seguirem em frente com as suas vidas.
— Nós nos despedimos dele e saímos juntos da sua sala, indo até o hall esperar pelo elevador.
— E então, Elena… — a chamei, fazendo com que voltasse a se virar na minha direção – O que acha de irmos almoçar juntos para comemorar o fim do nosso casamento?
Ela não respondeu de imediato, apenas sorriu.
— O que houve? — decidi questioná-la – O que tem de tão engraçado no meu convite?
— Você está me convidando para “comemorarmos o fim do nosso casamento” — lembrou – É uma situação tão estranha que não tem como não achar engraçado…
— Bom, nosso casamento não começou de uma maneira normal e não pode terminar de uma maneira normal, também – lembrei, sem conseguir deixar de imitar o seu gesto – E então, você aceita o meu convite? Ou está planejando comemorar que está solteira de novo com o Enzo?
— Na verdade, o Enzo está ocupado com o trabalho hoje, cheio de reuniões para fazer, combinamos de nos encontrarmos mais tarde – explicou, dando de ombros – E como a Lyn ainda está na escola, estou totalmente livre até o meio da tarde. Então, sim vamos almoçar juntos.
— Perfeito! — completei no momento em que o elevador chegou ao nosso andar.
***
Então, escolhemos uma restaurante recomendado por Elena, não ficava muito longe do centro comercial e era pequeno, isolado e aconchegante. Ela mesma admitiu já ter vindo com o Enzo aqui algumas vezes.
Assim que chegamos ao local fizemos os nossos pedidos, que não demoraram muito para chegar. Então, em menos de meia hora, estávamos saboreando as nossas refeições.
— E o que você pretende fazer agora que é um homem livre? — Lena decidiu me perguntar depois de alguns minutos.
— Bom, a primeira coisa que eu farei é procurar um apartamento para mim – admiti – Não aguento mais ficar morando naquele hotel.
— Eu te disse que poderia ter ficado lá no nosso apartamento enquanto oficializávamos o divórcio – lembrou – Mas você não quis e preferiu ir para o hotel… não posso fazer nada…
— Sim, eu quis ir para o hotel e decididamente não me arrependo dessa escolha – garanti – Mas não posso dizer que sinta falta de ter o meu próprio lugar e agora vou poder ter isso novamente.
— Boa sorte com essa sua “nova vida” — completou, enquanto levantava o seu copo de refrigerante – Um brinde a isso.
Imitei o seu gesto e então batemos os copos um no outro.
— E quanto a você? O que pretende fazer agora? — decidi fazer a mesma pegunta que ela há alguns minutos – O Enzo vai morar com você e a Lyn? Vocês vão se casar? Ou vão apenas continuar namorando como já estavam até agora?
— Vamos continuar do jeito que está, pelo menos por algum tempo, é melhor assim – respondeu – E, é claro, a primeira coisa que vou precisar fazer é contar para os meus pais e sei que essa não será uma conversa fácil.
— Boa sorte com isso… — fiz uma careta, decididamente não queria estar no lugar dela nesse momento – Também preciso contar para os meus pais, mas sei que será muito mais fácil do que com os seus pais.
— De uma maneira ou e de outra eles terão que aceitar – deu de ombros – Também quero arranjar um emprego, fazer algo da minha vida. O Enzo disse que pode arranjar algo para mim na editora em que ele trabalha, nada muito grande, afinal, eu já estou parada há cinco anos, mas já é um começo.
— Com certeza – concordei – E também te desejo toda a felicidade do mundo nessa nova fase da sua vida.
Voltei a me concentrar no almoço e ficamos assim em silêncio por vários minutos depois disso.
— E quanto a Caroline? — aquela nova pergunta de Elena me pegou totalmente de surpresa – Você vai procurar ela agora que o nosso divórcio está oficializado?
— Eu procurei a Caroline há dois meses e ela me pediu para ficar longe – recordei – Você sabe, Lena, eu a perdi no exato momento em que decidi me casar com você e agora é ela quem está com outra pessoa, foi uma escolha minha e agora preciso lidar com as consequências.
Ela nunca soube que a minha “escolha” foi feita por pressão da sua mãe. Apesar de já ter questionado a minha decisão por várias vezes nesses cinco anos, não pretendo lhe contar a verdade.
— Mas você parece saber de algo que eu não sei… — nesse momento, minha ex-esposa encarava a toalha branca que cobria a mesa, sinal de que não quer me encarar por estar me escondendo algo – Lena…, o que é?
— Bom… — soltou um longo suspiro antes de continuar – Você sabe que eu tenho visto muito a Caroline nesses últimos meses, não é mesmo?
—Sim, eu sei… — Elena e Care estão recuperando a velha amizade, acho isso ótimo, mas preciso me manter totalmente distante dessa história.
— Não vou mentir, ela não tem perguntado sobre você nem nada parecido – admitiu – Mas, ela e o Klaus não estão mais juntos. E dessa vez o término foi para valer, parece que ele já está com outra…
—Uau… — foi tudo que eu consegui dizer.
— Eu não estou querendo te dar esperanças, mas… — continuou – Se você tentar procurá-la novamente agora, talvez vocês dois tenha uma nova chance agora.
— Lena, a Caroline sabe perfeitamente nós dois não estamos mais juntos e mesmo assim não me procurou assim que o noivado dela com o Klaus acabou – lembrei – Já forcei muito a barra desde que ela voltou para Washington e preciso saber a hora de parar. Não é para ser…
Ela continuou me encarando e logo percebi que essa história não acabava por ai.
— Tem mais alguma coisa que eu precise saber além disso? — decidi arriscar.
Mas antes que ela pudesse responder qualquer coisa, o garçom chegou para recolher os nossos pratos vazios e perguntar se queríamos sobremesa. A partir daquele momento o assunto parecia estar encerrado.
***
— E é isso… — depois de comermos a sobremesa e pagarmos a conta, fomos para o lado de fora do restaurante – Melhor eu ir, é um longo caminho até o colégio da Lyn, até chegar lá já será a hora dela sair.
— Não pode deixar a nossa princesinha esperando – concordei – Depois eu te ligo para combinarmos de eu buscar a Lyn para passarmos o dia juntos; claro que ela só poderá passar o fim de semana todo comigo quando eu tiver o meu próprio apartamento, mas antes disso não fugirei das minhas obrigações.
— Claro, combinaremos – concordou.
Eu me aproximei e dei um beijo de despedida no seu rosto antes de me afastar.
— Stef, espera… — me chamou, fazendo com que eu voltasse a me virar – Eu… eu prometi para a Care que não te contaria nada e que não era meu dever fazer isso, mas a verdade é que eu já atrapalhei o relacionamento de vocês por muito tempo e sinto que é o meu deve ajudá-los nessa segunda chance. Vocês se amam e merecem ficarem juntos, dessa vez para sempre.
— Lena, você está me deixando confuso… — franzi a testa enquanto a encarava – Me contar o que? O que está acontecendo?
— A Caroline está grávida! — praticamente gritou, por sorte não havia mais ninguém além de nós naquele estacionamento – De gêmeos, para ser mais específica.
— Grávida…? — minha voz saiu como um sussurro – Eu… Eu sou o…?
— O pai? — interrompeu a minha pergunta bem ao meio – Sim, você é o pai, a Caroline me garantiu, ela tem certeza.
— Se for assim, ela já deve estar com uns dois meses, não é mesmo? — afirmou com a cabeça – E por que ela não me procurou antes para contar? Eu tinha o direito de saber que serei pai novamente!
— Ela só descobriu há alguns dias, na verdade – explicou – E ela ia te contar, mas só pediu um tempo para fazer isso. Sei que posso parecer uma péssima amiga fazendo isso, mas sinto que é para o bem dela, aliás, mas para o bem de vocês dois e dos bebês.
— E agora que eu sei… — continuei – O que sugira que eu faça?
Agora estamos meio que na mesma situação que há cinco anos… Caroline está grávida e Miranda Gilbert ainda é uma ameaça, assumir o nosso relacionamento com a Care pode ser um perigo, para ela e para os nossos filhos. Mas ao mesmo tempo, saber a verdade me faz ter mais vontade de ficar perto dela, ou menos deles…
— Vá atrás dela e diga que a ama – sugeriu – Sei que você já fez isso antes, mas prove que dessa vez é para valer, mostre que apesar de tudo que aconteceu antes, você está disposta a recomeçar e quer muito que vocês, a Lyn, a Libby e esses bebês, sejam uma linda e grande família. Tenho certeza de que é isso que ela está precisando ouvir nesse momento.
— Você tem certeza? — duvidei.
— Nunca tive tanta certeza de nada na minha vida quanto tenho disso – garantiu – Agora vai, a Caroline ainda deve estar no hotel a essa hora, mas se demorar muito ela vai sair para buscar a Libby.
Ela começou a me empurrar em direção ao estacionamento.
***
Antes que eu pudesse perceber estava parando o carro em frente ao Washington Place. Elena tem razão, posso arriscar tomar outro fora, mas é isso eu preciso fazer agora.
Tudo que eu quero agora é ver a Care. Abraçá-la, beijá-la e dizer que ficará tudo bem.
— Boa tarde, posso ajudá-lo? — uma das recepcionistas perguntou assim que eu me aproximei da bancada.
— Acho que sim – disse – Sou Stefan Salvatore e estou procurando Caroline Forbes.
— Lamento, senhor Salvatore, mas a senhorita Forbes não está aqui nesse momento – soltei um suspiro de frustração, eu tinha chegado tarde demais – Ela e a filha foram passar uns dias na casa da mãe dela, no interior da Virgínia, se eu não me engano.
Para a casa da mãe dela? Caroline nasceu em uma cidadezinha chamada Mystic Falls e sua mãe mora lá até hoje, ir para lá, do nada… é quase como se estivesse querendo fugir de alguma coisa, ou melhor de alguém?
— E você sabe quando ela ir voltar? — quis saber, não sei aguentarei esperar para conversarmos, mas talvez não tenha escolha.
— Infelizmente eu não sei – lamentou – Ela deixou a sua assistente, Katherine Pierce, no seu lugar. Se for algo urgente, pode falar com ela…
Estava prestes a falar que não, era um assunto apenas com a Caroline. Mas foi nesse momento que Katherine surgiu no saguão.
— Stefan? — só tínhamos nos visto uma vez, mas da mesma maneira que eu a reconheci, ela também me reconheceu – O que você está fazendo aqui?
— Eu… Eu preciso falar com a Caroline – expliquei – É muito importante.
— Sinto muito, mas a Care não está aqui agora – respondeu – Ela nem mesmo está em Washington, para falar a verdade.
— Ela foi para Mystic Falls, eu sei, ela me contou – apontei rapidamente para a recepcionista – Mas será que não existe uma maneira de eu falar com ela agora?
— A Caroline não me autorizou a passar o número ou o endereço da casa da mãe dela e não posso fazer isso sem que ela me permita – disse dando de ombros – Sinto muito, Stefan…
— Eu sei sobre os bebês – decidi usar a última cartada que eu tinha.
— Você sabe? — ficou totalmente surpresa com a minha revelação – A Care… Foi ela quem te contou?
— Não, não foi ela – já que tinha começado, era melhor ser totalmente sincero – Não importa como eu descobri, mas eu preciso muito conversar com a Caroline agora. Por favor, Katherine me dê o telefone dela, ou melhor, o endereço. Eu preciso muito ir até Mystic Falls.
Ela passou algum tempo em silêncio e queria saber muito o que estava passando pela sua cabeça nesse momento.
— Tudo bem… — suspirou logo depois de responder – Vamos até a minha sala que eu te dou o endereço.
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