Second Chance
35 Capítulo 34 – Pior das traições
Notas iniciais
Lexi
Não acredito que estava fazendo isso. Já devia fazer mais ou menos uns vinte minutos que não conseguia parar de chorar, mas não deveria fazer isso, Alaric não merece nenhuma das minhas lágrimas.
Aquele safado estava me traindo bem debaixo do meu nariz, desrespeitando não só a mim, mas os nossos filhos também; claro que eu já estava desconfiada que meu marido não estava sendo fiel, mas descobrir que era mesmo verdade, é milhares de vezes pior.
— Mãe…? — Jordan estava parado na porta, parecendo meio incerto se entrava ou não – Está tudo bem?
Acho que nunca tinha reparado o quanto meu filho mais velho era parecido com o pai: o jeito, a altura, os olhos e até mesmo o cabelo. Sendo sincera, ele não tinha quase nada de mim.
— Sim, filho, eu estou bem – me limpei rapidamente as lágrimas no meu rosto com a intenção de que ele não visse, mas acho que não tive muito sucesso – Onde é que está a sua irmã?
— A Claire está no quarto – respondeu – Ela estava preocupada com você, queria vir até aqui, mas eu disse que estava tudo bem.
Não pude deixar de dar um fraco sorriso, Jordan se preocupa muito com a irmã e, por ser três anos mais velho, está sempre cuidando e protegendo ela. Claro que ouvi-lo falar isso faz com que eu me sinta culpada, eu que deveria confortar os meus filhos e dizer que ficaria tudo bem, mas ao invés disso eu apenas gritei com o pai deles e depois me isolei no quarto.
— Acho que é melhor assim mesmo – concordei.
— Mãe… — ele voltou a falar – Você está triste desse jeito por causa da sua briga com o papai?
— Ora. Jordan, o que te faz pensar uma coisa dessas? — questionei.
— Ouvi você e o papai discutindo e depois ele foi embora – comentou – Não sei o que foi que aconteceu, mas parece que foi grave.
— Nós tivemos apenas uma pequena discussão – tentei tranquilizá-lo, embora não soubesse se estava mesmo conseguindo mentir – Não é nada com o que você precise se preocupar, meu filho.
— Mas ele saiu de casa e levou uma mala… — lembrou.
— As vezes os pais precisam ficar um tempo longe um do outro, para pensarem nas coisas – me aproximei e passei a mão pelo seu cabelo – Mas ficará tudo bem, eu te prometo.
Por um lado era isso que eu queria, Ric voltando, dizendo que foi tudo um mal entendido e, por fim, ficar tudo bem conosco. Mas a minha parte racional sabe que isso nunca vai acontecer.
— Tenho uma ideia… — voltei a falar – Por que você não chama a sua irmã para a sala e os dois assistem algum filme bem legal na televisão? Eu já vou me encontrar com vocês.
— Eu preciso ver alguma coisa na televisão junto com a Claire? — Jordan fez uma careta – Mas ela só gosta de assistir coisa chata, mãe…
— Filho, a Claire é sua irmã caçula, precisa ter um pouquinho mais de paciência com ela – pedi – Por favor, Jordan, faça isso por mim…
— Tudo bem – concordou, mas não sem antes revirar os olhos.
— Eu já vou encontrar vocês lá – coloquei a mão nas suas costas, o guiando na direção da porta.
Assim que fiquei sozinha novamente, sabia exatamente o que precisava fazer. Abri a minha bolsa para pegar o meu celular e comecei a passar pela agenda até encontrar o número que estava procurando e apertei o botão de “chamar” no mesmo instante.
— Lexi? Está tudo bem?— a voz de Caroline ecoou do outro lado da linha no exato instante em que ela atendeu ao telefone.
— Não…- essa pequena palavra foi o suficiente para eu voltasse a cair no choro; estava tentando me fazer de forte na frente de Jordan, mas não precisava mais – Era verdade, Caroline, ele estava mesmo me traindo… Ele… — nem mesmo consegui completar aquela frase.
— Fica calma, Lexi, estou indo ai…— avisou e foi impossível não soltar um suspiro de alívio.
Assim que encarramos a ligação voltei a limpar o meu rosto e peguei o pequeno espelho que sempre levava comigo para verificar se meus olhos ou minha bochecha não estavam vermelhos. Caroline foi a primeira pessoa para quem eu pensei em ligar depois de tudo que aconteceu e conversar com ela certamente me fará muito bem.
Mas antes disso, eu preciso encenar por mais um tempo.
***
Tenho que admitir, era muito bom assistir um pouco de televisão com os meus filhos. Com tanta coisa para fazer no trabalho, não tenho muito tempo para passar ao lado dos dois.
Quando a campainha tocou fiz Claire, que estava com a cabeça no meu colo, deitar no sofá antes de me levantar e ir atender a porta.
— Oi, Caroline! — a abracei antes mesmo de falar – Por favor, entrar.
Ela sorriu e acenou com a cabeça antes de entrar no apartamento. Deu uma rápida olhada nas crianças, que continuavam totalmente concentradas no filme da televisão. Caroline já os conhecia, pois os levei mais de uma vez ao hotel depois que ela chegou a cidade.
— Jordan! Claire! Vocês se lembrar da Caroline? — perguntei, tentando chamar a atenção dos dois, algo que não era muito fácil – Ela trabalha com a mamãe lá no hotel.
— Oi, tia Caroline… — disseram ao mesmo tempo e sem tirar os olhos do filme que assistiam.
— Certo… — falei — Bom…, eu e a Caroline vamos conversar um pouco lá dentro. Vocês dois fiquem bem aqui sozinhos.
Apesar de não terem dito nada, sabia que meus filhos tinham ouvido perfeitamente as minhas palavras. Então em seguida levei Caroline na direção do meu quarto, aquele era o lugar em que teríamos mas privacidade para conversar.
***
— Olha só que cabeça a minha, esqueci de te oferecer alguma coisa – comentei depois de já estarmos dentro do outro cômodo e com as portas fechadas – Quer alguma coisa para beber? Talvez comer algo?
— Não quer nada – negou com a cabeça enquanto sentava em poltrona que eu tinha no quarto e que indiquei para ela – Quando você me ligou eu tinha acabado de chegar da casa do meu pai, fui almoçar lá com o Klaus e a Libby.
Caroline e eu conversamos bastante desde que nos conhecemos e ela nunca tinha falado muita coisa a respeito do pai da sua filha, até ele chegar no hotel de surpresa há dois dias. Eles parecem estar bem firmes, principalmente porque ontem reparei em um anel de noivado enorme no dedo da minha amiga, mesmo assim não posso afirmar que ela pareça realmente feliz.
— Espero não ter estragado nenhum plano seu – avisei – Se você precisar, pode ir embora o momento que for.
— Você não atrapalhou nada, Lexi – garantiu – Sendo sincera, você me impediu de cometer o maior erro da minha vida hoje.
— Fico feliz em ter ajudado – dei de ombros, sem saber muito bem o que comentar.
— Mas agora me conta – pediu – O que foi exatamente que aconteceu para você me ligar tão desesperada?
Sentei na ponta da cama para poder ficar de frente para ela e soltei um longo suspiro para ter coragem de começar a falar. Aquilo já tinha sido difícil demais de vivenciar, relembrar enquanto contava tudo para Caroline seria pior ainda.
— Se você precisar de um tempo… vou entender – avisou enquanto colocava a mão sob a minha – Eu…
— Não, tudo bem – dei um fraco sorriso, estava me segurando para não voltar a chorar – Acontece que as minhas suspeitas estavam corretas e o Alaric estava mesmo me traindo. Ele decidiu me contar toda a verdade hoje.
— E ele te contou que estava te traindo com o Damon, não é mesmo? — foi uma verdadeira surpresa ouvi-la perguntar isso.
— Como é que você sabe disso, Caroline? — decidi questioná-la.
— Ouvi uma conversa bem suspeita dos dois ontem a noite na festa, um pouco depois de ter encontrar no terraço – explicou – Já estava desconfiada que os dois pudessem estar juntos e quando você me ligou, tive quase certeza.
— E foi exatamente isso – concordei – Acho que nem se eu vivesse até os mil anos, jamais esqueceria dessa conversa.
*Flashback*
— E prontinho… — estava ajoelhada ao lado da minha filha enquanto a ajudava a fazer o dever de matemática – Você tem exercício de mais alguma matéria para fazer?
— Não – Claire balançou a cabeça afirmativamente – Eu já fiz todos os outros na sexta-feira, só com o de matemática eu estava em dúvida, pedi ajuda para o papai ontem, mas ele também não entendeu nada e disse que era melhor esperar até você poder ver.
Foi impossível não revirar os olhos, Ric era realmente péssimo em matemática. Lembro-me quando estávamos na faculdade e éramos da mesma turma de cálculo, toda hora precisava tirar uma dúvida dele, nem sem como conseguiu passar de ano.
— Bom, se você não precisa mais da minha ajuda, acho que vou embora então – avisei.
— Tudo bem, mãe – concordou – Acho que vou brincar um pouco com as minhas bonecas, tudo bem?
—Claro, mas primeiro arruma as suas coisas – pedi – Já deixa tudo arrumado na mochila para a escola amanhã.
—Certo… — concordou antes de lentar da cadeira.
Apesar de hoje ser domingo, decidimos almoçar cedo e aqui em casa mesmo, assim estaríamos todos livres para fazermos o que queríamos. Eu, pessoalmente, sentia falta de passarmos um tempo em família no final de semana, mas era difícil segurar os filhos quando começam a crescer e o Alaric também tem seus próprios problemas, ele tem estado bem ocupado com as coisas do trabalho.
Assim que sai do quarto de Claire, apenas atravessei o corredor e fui ver o meu filho mais velho. Ele estava deitado na cama e jogando no seu tablet.
— Jordan – chamei a sua atenção – Você está precisando de alguma ajuda? Com o dever de casa, talvez?
— Não estou precisando de nenhuma ajuda mãe – ele não parou com o seu joguinho, nem mesmo enquanto me respondia – Mas obrigado por perguntar.
— E o seu dever de casa está mesmo todo pronto? — quis saber – Não está faltando mesmo nada?
— Minha professora não passaram muito dever para esse final de semana e eu já fiz tudo na sexta-feira – eu tinha motivos para desconfiar, afinal, já tinha recebido ligações da escola avisando que o Jordan não estava fazendo exercícios e desde então sempre fazia questão de verificar todas as suas tarefas – Estou falando sério, mãe, não precisa duvidar de mim.
— Sei… — continuei a encará-lo seriamente – Bom, seu pai estava preocupado com alguma coisa do trabalho e vou até lá ver se está tudo bem com ele. Mas mais tarde eu venho aqui verificar os seus deveres, o que te dará um tempo para fazer caso tenha “esquecido”.
—Tenho certeza de que não esqueci de nada – garantiu.
— Isso serei eu que vou dizer – fiz uma pequena “ameaça” antes de voltar a deixá-lo sozinho.
**
Nosso apartamento não é pequeno, mas infelizmente temos apenas três quartos e desde o nascimento de Claire que perdemos o nosso escritório. Por isso Ric tinha ido para o nosso quarto para poder trabalhar em paz e foi justamente até lá que eu fui encontrá-lo.
— Damon, Damon, por favor, me atende. Esse já é o terceiro recado que eu deixo na sua caixa postal e também já te enviei cinco mensagens de texto – a porta estava apenas encostada, então antes mesmo que eu pudesse entrar no cômodo já pude ouvir a voz do meu marido – Por favor, apenas me liga assim que ouvir ou ler tudo isso, só quero ouvir a sua voz.
Alaric apenas estava de pé com o celular na mão. Não tinha nenhum computador ou papel por perto, nada que indicasse que estivesse mesmo trabalhando, apenas sua expressão que parecia bem preocupada.
— Ric…- o chamei e foi só nesse momento que ele notou a minha presença no quarto – Está tudo bem?
— Claro que está tudo bem, Lexi – respondeu – São apenas alguns problemas do trabalho, mas já estou terminando de resolvê-los pode ficar tranquila quanto a isso.
— Bom.., eu pensei mesmo que você estivesse aqui trabalhando, mas acabei de ouvir que você estava ligando para o Damon — disse – Sei que ele é o irmão do seu chefe, mas tenho certeza de que não com ele que você precisa resolver qualquer questão referente ao trabalho.
— Eu… — estava gaguejando, um sinal claro de nervosismo – Eu… Posso explicar tudo que você acabou de ouvir.
— Não me diga que está planejando largar o trabalho com o Stefan e pretendendo ir trabalhar com o irmão dele? — essa foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça – O Damon mora em Los Angeles e tem uma agência de modelos ou algo assim, não é mesmo? Sinceramente, não me importaria de me mudar de Washington, só ficaria triste em ter que largar o meu trabalho no Washington Place, mas tenho certeza de que não demoraria muito para arranjar um emprego em algum outro hotel lá em Los Angeles e…
— Não Lexi – voltou a me interromper, Ric nesse momento estava encarando o chão – Não é nada disso…
— Então o que é? — perguntei, mas uma vez – Com toda a sinceridade, não consigo entender o que está acontecendo com você…
Ele largou o celular em cima da cama, então aproximou-se de mim enquanto colocava a mão no meu ombro e sei que só faz isso quando quer me acalmar.
— Lexi, a gente se conhece há anos, somos casados e você é a mãe dos meus filhos – voltou a falar calmamente – Eu me sinto mal por mentir para você e agora eu percebi que preciso te contar… tudo.
Ele esteve mentindo para mim? Por quanto tempo? Nesse momento toda a preocupação que Alaric pareceu sentir há alguns minutos tinha ido toda para mim.
— Eu… estou apaixonado por outra pessoa… — completou.
Essas palavras foram como um banho de água fria para mim. Ric estava apaixonado por outra? Não posso acreditar nisso…
— Você está me traindo? — para meu total desespero, ele balançou a cabeça afirmativamente – Quem é ela? Qual o nome da mulher com quem você está me traindo?
— Não é ela – disse isso em um sussurro, mas estávamos perto o suficiente para que eu ouvisse.
O que? Alaric está me traindo com um outro homem? Isso só pode ser uma piada…
— É o Damon? É com ele que você está me traindo? — não consegui mais me controlar, agora eu estava gritando com todas as minhas forças – E há quanto tempo que isso está acontecendo nas minhas costas?
— Há cinco anos… — e cada vez as coisas pioravam mais – Como você sabe, Damon e eu perdemos contato quando fomos para faculdades diferentes e acabamos nos reencontrado por acaso quando ele estava em Washington para o casamento do irmão.
— Aquela vez que você saiu e disse que encontraria com um velho amigo de Atlanta – afastei-me dele bruscamente – Você não dormiu em casa e disse que tinha bebido de mais e que acabou dormindo no sofá da suíte do hotel em que o seu amigo estava. Era o Damon, não é mesmo? E você não dormiu no sofá coisa nenhuma, foi nesse dia que você começou a me trair!
— Lexi, por favor… — tentou se aproximar novamente, mas eu não permiti – Não planejava me apaixonar, simplesmente aconteceu.
— Não planejava se apaixonar – soltei uma risada nervosa – Só me diz mais uma coisa: você por acaso pensava nele quando estava comigo? — ele não disse nada, apenas continuou em silêncio – Me responda, Alaric!
— Lexi, fala baixo – pediu diminuindo o tom de voz, demonstrando o que eu devia fazer – As crianças estão em casa, você não quer que elas nos ouçam brigando, não é mesmo?
— Deixe que elas ouçam! Assim vão saber que o pai deles é um cretino e traidor! — gritei até mais alto do que antes, tenho certeza de que estarei rouca amanhã de manhã, mas não estou me importando com isso – Apenas responda a minha pergunta…
E ele continuou quieto e de uma maneira ou de outra eu já sabia o que aquilo significava. Estava tão chocada com aquela nova revelação, que deixei Alaric voltar a se aproximar e passar a mão pelo meu braço.
— Lexi, não fica assim – pediu – Ainda temos a nossa história juntos, temos os nossos filhos e mesmo que a gente não seja mais um casal… Eu me importo com você.
Voltei a empurrá-lo, dessa vez com tanta força que Ric acabou caindo sentado na cama. Então segui até o armário e comecei a jogar as roupas dele no chão, minha vontade era de atirar tudo pela janela, mas me contive e apenas peguei uma mala e em seguida comecei a colocar tudo lá dentro de qualquer jeito.
— O que você está fazendo? — ele estava parado atrás de mim quando fez essa pergunta.
— Quero você fora da minha casa, hoje mesmo – respondi sem parar com a minha tarefa por nenhum minuto sequer – Seu namoradinho está na cidade, tenho certeza de que ele. Talvez você possa aproveitar e os dois vão para Los Angeles juntinhos, eu não me importo mais.
— Mas eu pensei que poderia passar a noite aqui – questionou – Claro que não ficaria aqui no nosso quarto, mas poderia dormir no quarto do Jordan ou na sala, só até eu encontrar um outro lugar para mim. Depois de tudo que passamos juntos, você vai mesmo me expulsar assim?
— Alaric… Você achou mesmo que eu deixaria que você ficasse aqui depois de tudo que eu vi – já tinha fechado a mala, então eu me levantei para poder olhá-lo nos olhos – Sinceramente, não importo que você esteja apaixonado por outro homem, não estou aqui para criticar as suas escolhas, mas o que me incomoda é que tenha escondido isso de mim por todos esses anos.
— No início foi por causa das crianças, eles eram muito pequenos para viver sem o pai por perto – tentou se explicar – Mas depois fiquei pensando como iria te contar e não achava o momento certo, pelo menos até agora.
— O momento certo foi quando você percebeu que não sentia mais nada por mim, independente de quantos anos o Jordan e a Claire tinham, talvez fosse difícil para eles no começo, mas iriam se acostumar – argumentei – Você não poderia ter feito uma coisa dessas comigo ou com os nossos filhos, principalmente por tantos anos assim.
— Sinto muito, Lexi – repetiu – Sinto muito mesmo…
— Agora saia daqui, Alaric – joguei a mala em que grande parte das suas roupas estavam, na sua direção – Apenas vá embora e me deixe em paz.
Pensei que fosse falar mais alguma coisa, mas ele desistiu e apenas foi embora. Assim que ele fechou a porta do quarto, tudo que eu consegui fazer foi chorar.
*Fim do Flashback*
Quando terminei o meu relato estava chorando novamente e, sendo sincera, nem sei como ainda tinha alguma lágrima dentro de mim. Caroline já tinha se ajoelhado na minha frente e estava tentando me confortar.
— Eu sinto muito… — disse, por fim – Nem imagino como deve se passar por tudo isso que você está passando.
— Disse para ele que não me importava com o fato dele ter me trocado por um homem, mas a verdade é que eu me importo – admiti – Fico pensando no que foi que eu errei, quando foi que ele percebeu que a vida ao meu lado não era o suficiente e preferiu um cara.
— A culpa não foi sua, Lexi – garantiu – Simplesmente aconteceu e quer saber, se ele e o Damon estão felizes, você tem que ficar feliz por eles.
— Bom, não vai ser fácil – ri, enxugando os meus olhos.
— Ninguém disse que é, mas, como tudo na vida, vai passar – continuou – E tenho certeza de que logo você vai encontrar um cara que vai te amar até mais do que o Alaric te amou um dia e você vai ser muito feliz.
Quanto a isso eu duvidava muito que acontecesse, não são mais tão jovem como antes e ainda tenho dois filhos. Que cara poderia querer ficar comigo?
— Como foi para a sua mãe? — decidi perguntar – Quero dizer, descobrir que o seu pai era gay. Como foi que ela reagiu?
Não sei muito da história da família de Caroline. Mas sei que o pai dela vive com um homem, Steven, que minha amiga até chama de padrasto; imagino que a mãe dela deve ter passado pela mesma situação que eu e aparentemente hoje está tudo bem.
— Minha mãe sempre soube disso – deu de ombros – Meus pais nunca estiveram juntos de verdade, eles apenas… me tiveram. Mas se quer saber, a minha mãe adora o Steven pois sabe que meu pai está feliz e também é grata por ele ter ajudado a cuidar de mim quando ela não estava por perto.
— Uau… — disse – Eu realmente não fazia ideia de nada disso.
— Só vi o Damon duas vezes na vida, mas ele é uma boa pessoal e sei que gosta muito da sobrinha, ele pode ser bom para os seus filhos também – continuou – A questão é: você não pode afastar o Jordan e a Claire do pai deles, isso não fará para nenhum dos três nem para você.
— Sei disso – concordei – Mas isso não significa que eu preciso vê-lo, porque eu não quero isso, pelo menos não por enquanto.
— Tudo bem e você não precisa vê-lo enquanto não quiser – garantiu – E sobre contar para eles que o pai está com um outro cara agora, pode contar sem medo, tenho certeza de que eles entenderão.
— A minha cabeça está explodindo – disse enquanto colocava as mãos uma de cada lado da testa – Acho que é resultado de toda a tensão de hoje.
— Tenho um remédio aqui na bolsa – pegou um comprimido e me entregou, então eu o engoli sem o auxílio de água mesmo – Tenho certeza de que você irá melhor rapidinho.
— Obrigada, Caroline… — disse antes de me levantar – Bom, acho que é melhor eu preparar alguma coisa para o lanche, almoçamos cedo e tenho certeza de que logo as crianças estarão com fome.
— Eu posso preparar alguma coisa para elas – Caroline sugeriu – Você devia descansar agora e esperar a dor passar.
— Tenho certeza de que ficarei melhor quando mantiver a minha cabeça ocupada – garanti – Além disso, já te prendi muito por aqui. Você precisa voltar para casa, para o seu namorado e para a sua filha.
— Já disse que o Klaus não se importa e a Libby está com o pai e te garanto que nem deve estar sentindo a minha falta – revirou os olhos – Acredite, posso ficar aqui o tempo que precisar.
— Você foi mesmo de uma grande ajudar, Caroline – eu a abracei – Mas agora eu estou precisando de um momento com os meus filhos, acho que nós três temos muito o que conversas.
— Quanto a isso eu tenho que concordar – falou – Mas, qualquer coisa que precisar, saiba que pode me ligar outra vez.
— Eu sei disso – concordei.
Então eu levei minha amiga até a porta antes de ir para a cozinha. Eu tinha razão, bastou ocupar a cabeça e todos os problemas dentro dela desapareceram, apesar disso, sabia que ainda tinha um longo caminho pela frente e que não será fácil, mas que eu superarei.
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