Second Chance
51 Capítulo 50 – Para sempre
Notas iniciais
Parecia que eu tinha deitado há poucos minutos quando o choro ecoou pelo ambiente. Já tinha passado bastante tempo com os meus filhos nessas 48 horas que estamos em casa para saber que quem estava fazendo escândalo era o Philipe.
— Care… — Stef murmurou, ele parecia também ter acabado de acordar – Você quer que eu…?
— Não, não precisa – neguei enquanto levantava da cama – Você tem que acordar cedo amanhã, deixa que eu faço isso.
Fui até um dos berços improvisados que tínhamos colocado para os bebês passarem essas primeiras noites. Peguei meu filho no colo e o retirei rapidamente do quarto antes que acabasse acordando a Lilian também.
— Muito bem meu principezinho, vamos ver o que tem de errado com você – apesar de ainda está chorando, ele parecia bem mais calminho agora.
***
A primeira coisa que eu fiz foi verificar a fralda dele, que estava limpa e seca, e como ainda não está na hora de amamentar, logo cheguei a conclusão que deveria estar cólica.
Comecei a andar pela sala com a intenção de niná-lo, ele até parou de chorar, mas toda vez que eu tento fazê-lo dormir outra vez, recomeça a reclamação.
Por favor, meu filho colabora com a mamãe – pedi – Eu sei que deve estar doendo, mas nós dois precisamos dormir para poder aproveitar o dia de amanhã, não é mesmo?
Foi então que eu ouvi passos se aproximando da sala. Imaginei que fosse Stefan e já estava me preparando para reclamar e pedir para ele voltar para cama.
Mas não era ele…
— Caroline – minha mãe disse assim que viu andando em círculos com o Philipe no colo – Eu vim tomar um copo d’água. Está tudo bem por aqui?
— Ele está sentindo cólicas nada do que eu faço está adiantando para fazê-lo dormir – soltei um suspiro de frustração enquanto explicava a situação – Ontem a noite foi exatamente a mesma coisa aliais, ainda pior, porque ele acabou acordando a Lily e só consegui fazer os dois dormirem quando já estava amanhecendo.
— Me dê ele aqui, minha filha – pediu – Deixe-me resolver isso para você.
— Não precisa, mãe… — garanti – Tenho certeza de que posso resolver isso sozinha.
— Ora, Caroline, não vai ser trabalho algum para mim – avisou – Ele não é o primeiro bebê com cólica que eu preciso lidar. Você mesma teve muito cólica nos primeiros meses de vida.
Acabei concordando e deixei que minha mãe segurasse Philipe. Ele reclamou um pouco, mas acabou aceitando colo da avó.
— A Libby nunca sentiu cólica quando era recém-nascida e, pelo menos até agora, a Lily também não teve nada – comentei – O Stefan disse que a Lyn teve problemas com cólicas quando estava com uns 4 meses e que ela até mesmo precisou tomar um remédio. Sei que deveria falar com a pediatra dos gêmeos sobre isso, mas o Philipe é tão pequeno, não quero dar remédios para ele.
— Você não vai precisar dar nenhum remédio para ele, Caroline – avisou – Venha aqui, minha filha, vou te ensinar como resolver o problema de cólica no meio da noite.
Ela levou meu filho até o sofá da sala e o colocou deitado com a cabeça encostada no encosto de braço. Eu me sentei na poltrona em frente para poder observar tudo.
— Bebês sentem cólicas porque estão incomodados com alguma coisa – explicou – Então você precisa fazê-lo relaxar, ou então ele não conseguirá dormir.
Minha mãe começou a fazer massagem com movimentos circulares na região da barriguinha dele. Aos poucos Philipe pareceu relaxar e não demorou muito para cair no sono novamente.
— Não acredito… — sussurrei com medo que meu filho voltasse a acordar caso eu falasse um pouco mais alto – Ele realmente dormiu.
— Eu disse que ele ia dormir – usou o mesmo tom de voz que eu – Você já tem quase 30 anos, mas ainda me lembro como se cuida de um bebê.
— Não tenho ideia do que eu faria sem você aqui – admiti – Acho que eu surtaria completamente antes deles completarem um mês de vida.
Sei que pode parecer exagero da minha parte, afinal, Libby tem apenas três anos, mas acho que desde o nascimento da minha filha mais velha eu esqueci completamente como cuidar de um bebê. Sem contar que dessa vez eu tive gêmeos: dois para dar de mamar, dois para dar banho, dois para trocar fralda, duas vezes mais choro e duas vezes mais trabalho.
— Tenho certeza de que você ficaria bem, Caroline – afirmou – São seus filhos, de uma forma ou de outra, você aprende a lidar com eles. Foi da mesma maneira com a Libby, não lembra?
Exatamente como está fazendo agora, minha mãe foi para Londres assim que Libby nasceu. E, exatamente como agora, ela também foi muito útil na época.
— Já que você está lembrando da época que a Libby nasceu – continuei – Tem ideia de quanto tempo vai ficar aqui em Washington?
— Pelo tempo que você e o Stefan me quiserem aqui – ela respondeu da mesma maneira que há cinco anos, quando eu fiz essa pergunta – Você conhece Mystic Falls, as coisas estão mais do que tranquilas lá, então não é exatamente um problema que eu tire umas longas férias; claro que também avisei que meu telefone está ligado para qualquer emergência e, se for necessário, pego o primeiro avião para casa.
— Sendo sincera, espero que não tenha nenhuma emergência lá em Mystic Falls — admiti – Acho que ainda vou precisar de você pelos próximos seis meses, talvez por um ano.
— Caroline, minha filha, claro que eu gosto de estar aqui com você e os meus netos, mas não posso ficar aqui para sempre – lembrou – Eu tenho a minha vida em Mystic Falls, você tem a sua vida aqui em Washington, com o seu namorado e seus filhos; sem contar que o Stefan pode achar ruim ter a sogra aqui, você tem que pensar em tudo isso.
— Tenho certeza de que o Stefan não está achando ruim – garanti – Ele adora você.
Stef já deixou bem claro que está aqui para me ajudar com qualquer coisa me relação aos gêmeos e ainda disse que trocou muita fralda, deu banho e até passou algumas noites em claro quando a Lyn nasceu e por isso tem alguma experiência. Mas ele também comentou que se eu me sinto mais segura com a minha mãe aqui, principalmente nessas primeiras semanas, não irá se opor.
— Logo você criará a sua rotina com os seus filhos e tudo será bem mais fácil – completou – E será quando você não precisará mais de mim.
— Dei uma rápida olhada em Philipe, que, para o meu alívio, continuava a dormir tranquilamente.
— Acho melhor eu levá-lo de volta para o berço – avisei – Nós dois estamos precisando de uma boa noite de sono.
— Sim, vai lá… — concordou – Ficamos aqui conversando e eu até mesmo esqueci que me levantei para beber água – deu um beijo na minha testa antes de se levantar e ir na direção da cozinha.
Então eu peguei meu filho com todo o cuidado para não acordá-lo novamente.
Quando cheguei no quarto Stefan já tinha voltado a dormir, da mesma maneira que Lily. Coloquei Philipe no berço ao lado da irmã e voltei me deitar, não demorou muito para eu cair na inconsciência.
***
— Você tem certeza de que vai ficar bem aqui sozinha? — Stef já estava arrumado para sair quando fez essa pergunta – Por que, se você quiser, eu fico aqui com vocês mais um dia, sabe disso.
Eu estava sentada com as pernas cruzadas na cama observando meus filhos, que estavam deitados em frente a mim. Ambos estavam totalmente acordados, Lily mexendo os bracinhos e as perninhas sem parar, enquanto Phil tentava arranjar uma maneira de colocar a mãozinha dentro da mão.
— Não tem nada do que se preocupar, meu amor – garanti – Você já não vai há dois dias no seu escritório há dois dias, e hoje você tem seção, não pode faltar.
Três dias após o nascimento dos gêmeos, nós recebemos alta para voltar para casa e como as coisas estavam tranquilas no escritório, meu namorado avisou pra a secretária que ele tiraria uns dias de folga para ficar mai tempo conosco. Mas hoje é dia de seção na câmara e ele não podia faltar.
— Care, eu nunca deixei de aparecer uma única sessão, desde que eu fui eleito pela primeira vez – lembrou – Acredite, não seria algo muito grave que eu não aparecesse la hoje.
— Mesmo assim, eu preferia que você não ficasse – insisti – Seus eleitores estão contando com você para que esteja lá, defendendo os seus direitos, não aqui em casa comigo.
— Mas essa é primeira vez que você fica sozinha em casa os bebês – deu uma rápida olhada neles e eu fiz o mesmo – Sei que você já tem a Libby e está mais do que acostumada a cuidar dela, mas, mesmo assim, não posso deixar de ficar receoso.
— Não estarei totalmente sozinha, Stef, minha mãe está aqui – retruquei – Ela só foi deixar a Libby na escola, daqui a pouco estará aqui e pode me ajudar com o que quer que eu precise.
— Certo, você tem razão – acabou concordando – Mas já sabe, qualquer problema, por mais bobo que seja, não tenha receio de me ligar, vou deixar meu celular ligado o dia inteiro.
— Eu ligo, pode ficar tranquilo quanto a isso – garanti.
— Ótimo… — abaixou-se para me dar um selinho – A gente se vê de noite então.
Deu um sorriso na direção dos nossos filhos antes de sair do quarto. Não demorou muito para eu ouvir o barulho de chave vindo da sala.
***
Como tinha feito nos dias anteriores, levei os bebês aos seus quartos para que se acostumassem com seus próprios berços e então fui para a cozinha tomar o meu café da manhã. Mas só fui tomar uma rápida ducha depois que minha mãe chegou em casa e assim poderia olhar os gêmeos caso começassem a chorar.
Pouco mais de meia hora depois, eu estava no sofá lendo um livro…
— Você está precisando de alguma coisa, Caroline? — minha mãe perguntou, fazendo para olhá-la – Eu estava querendo arrumar algumas coisas lá dentro, mas se você precisar de algo, ou até mesmo queira companhia…, posso fazer isso outra hora.
— Não precisa se preocupar, mãe – garanti – Estou aqui lendo um pouco esperando a hora dos bebês mamarem.
— Está bem então… — completou – Mas qualquer que precisar é só me chamar, vou deixar a porta do quarto aberta.
— Pode deixar… — afirmei antes que ela caminhasse na direção do corredor.
Continuei a ler até que fui interrompida novamente, alguns minutos depois, dessa vez pelo eu celular. Peguei o meu telefone e vi o número da Katherine piscando no identificador de chamadas.
— Kath? — já fui falando assim que atendi – Está tudo bem? Alguma emergência no hotel? — foi a primeira coisa que eu pensei, minha amiga raramente ligada, principalmente a essa hora da manhã.
— Não precisa se preocupar, Care, está tudo bem— afirmou – Acabei de chegar ao hotel e tudo por aqui está mais perfeita ordem. Nenhum motivo para você se preocupar.
— Ótimo, isso me deixa mais tranquila – admiti – Mas então, será que eu posso saber qual o motivo de você estar ligando?
— Só queria saber se está tudo bem ai— explicou – Com você, o Stefan, a Libby e os bebês.
— Estamos todos muito bem – garanti – Os bebês ainda acordam de madrugada, principalmente o Philipe, que tem cólica, mas fora isso está tudo maravilhosa.
— Que bom—tinha certeza de que ela estava sorrindo nesse momento – As vezes eu me sinto culpada de não estar mais ai, eu poderia estar te ajudando com os gêmeos.
— Kath, está tudo bem, você não precisa se sentir culpada, minha mãe está aqui me ajudando com tudo que é necessário – a tranquilizei – Sem contar que você tem todo o direito de seguir com a sua vida, eu não poderia te prender morando aqui para sempre, não é mesmo?
Esses últimos seis meses foram mesmo de profundas mudanças na minha vida… Além de Stefan ter se mudado definitivamente para cá, também teve a surpresa de Kath indo embora para morar com seu novo namorado.
*Flashback*
Não importe quantas vezes eu entre nesse quarto, nunca vou me cansar desse local: parede toda pintada de branco, dois berços encostados na parede e um cômodo grande o suficiente para caber a roupa de dois bebês e que também podia ser usado como trocador… Ainda faltam quatro meses para a chegada dos bebês, mas já estava quase tudo pronto para recebê-los e eu mal posso esperar para isso.
— E está tudo mesmo adorável – me virei na direção da porta, a ponto de ver Katherine encostada no batente e me encarando.
— Kath, eu nem te ouvi chegando… — observei – Pensei que você ainda estivesse no hotel.
Estou de repouso desde o acidente de carro, há dois meses, só devo voltar a trabalhar daqui há seis semanas e mesmo assim com alguma cautela. Por sorte tenho Katherine aqui comigo e tem feito um bom trabalho na minha ausência e fará a mesma coisa em breve quando eu entrar de licença maternidade.
— As coisas estavam muito tranquilas e decidi sair mais cedo – explicou – E eu também queria conversar uma coisa com você, será que pode ser agora.
— É claro – concordei – Vamos até a sala.
Eu já tinha tirado o gesso, mas ainda andava com certa dificuldade, por isso Katherine me ajudou a caminhar até a sala e depois a me sentar no sofá, em seguida, ela fez o mesmo, se sentando em frente a mim.
— Muito bem, você pode falar – comentei logo em seguida.
— Bom, não é algo muito fácil de dizer – soltou um longo suspiro antes de continuar – Acontece que o Mason me chamou para me mudar para o apartamento dele.
— Uau! Isso é sério…? — fiquei surpresa, mas, ao mesmo tempo, não pude deixar de ficar feliz por ela.
A convenção de bombeiros da qual eu estava cuidando um pouco antes do acidente, acabou acontecendo lá mesmo no Washington Place e com a minha ausência, Kath acabou sendo a responsável por tudo. Isso a fez ficar cada vez mais próxima de Mason Lockwood e os dois estavam sempre saindo juntos para jantar a noite ou para passear no final de semana; não foi nenhuma surpresa quando soube que os dois estavam namorando.
— Sei que você disse que eu poderia ficar aqui no seu apartamento o tempo que eu quisesse – lembrou – Mas eu realmente sinto que estou começando a tirar a sua privacidade, principalmente, desde que se mudou para cá.
— Você não atrapalhe em nada, Kath, o Stefan porque você está aqui e até mesmo me confessou que gosta que você esteja aqui me fazendo companhia quando ele não está – disse – Se for só por isso que você estiver querendo ir embora…
— Não é só por causa disso, Care – respondeu – Eu confesso que gosto de ficar aqui com você, é como quando dividíamos o quarto e depois o apartamento lá em Londres, mas chegou a hora de seguir a minha vida.
— Você gosta mesmo do Mason, não é mesmo? — quis saber – Você parece bem feliz quando está ou fala dele.
— Estou sim, muito feliz – admitiu – Nunca pensei que fosse encontrar alguém depois do Elijah, mas então eu conheci o Mason e tudo mudou.
— Fico muito feliz de te ver dessa maneira – sorri – E, se você acha que é o melhor para você se mudar para o aparamento do Mason, faça isso, mas saiba que pode voltar a hora que quiser, se for necessário.
— Obrigada, mas saiba que eu não vou precisar – garantiu – Devo me mudar no final de semana, o Mason estará de folga e vem me ajudar com a levar as minhas coisas.
— Está bem – afirmei – Sei que nos veremos sempre no trabalho, mas, por favor, não deixa de ligar sempre e também venha visitar a sua afilhada, é claro.
— Nunca faria uma coisa dessas… — balançou a cabeça negativamente.
*Fim do Flashback*
— E por falar nisso, como estão as coisas entre você e o Mason? — quis saber logo em seguida.
— Estão mais do que bem — afirmou – Já conheci a família dele e agora os meus pais querem conhecê-lo e estamos planejando ir até a Bulgária nas próximas férias.
— Isso parece muito bom… — observei – E quanto ao casamento? Para quanto é? — sei o quanto a minha amiga sonha em se casar e não pude deixar de questioná-la a respeito disso.
— Acredite, não estamos com pressa — riu – Acho que o seu casamento com o Stefan vai sair bem antes do meu e do Mason.
— Nós também não estamos com a menor pressa para nos casarmos – eu e Stefan nunca conversamos sobre oficializar a nossa situação, nem quanto ele se mudou para cá, nem mesmo agora, depois do nascimento dos gêmeos, mas essa não é uma coisa que seja tão urgente assim – Então realmente não sei quais de nós duas vai se casar primeiro.
— Vamos ver quem vai se casar primeiro então—riu.
Foi nesse momento que um chorinho de bebê ecoou pelo ambiente, era Lily, e não demorou muito para ser seguida pelo irmão. Fiquei tão distraída conversando com a Katherine, que até mesmo esqueci do horário dos meus filhos mamarem.
— Kath, eu preciso desligar – avisei – Tem dois bebês lá dentro precisando da minha atenção agora.
— Tudo bem, eu tenho umas coisas para fazer aqui no hotel mesmo — disse – Nós nos falamos depois.
— Eu concordei antes de desligar e já corri na direção do quarto da Lily e do Philipe. O dever me chama…
***
— Eles são tão bonitinhos, mamãe… — Libby estava na ponta dos pés enquanto observava os irmãos nos bercinhos improvisados no meu perto – Dá vontade de guardar no potinho, para proteger de todo mundo.
— Acho que isso é um pouco de exagero, princesinha – ri – Mas é, as vezes eu tenho vontade de guardá-los em um potinho.
— Meu pai e a tia Cami podiam me dar irmãozinhos também, não é? — seus olhinhos estavam brilhando de animação.
Para aumentar a lista de surpresas desses últimos meses, teve a notícia de que Klaus pediu a Cami em casamento no dia da formatura dela. Meu ex-namorado me ligou contando isso e pedindo bastante cautela para contar as novidades para a Libby; mas, para a nossa surpresa, ela ficou bem empolgada, afirmou como eu estou feliz ao lado do Stefan, o pai também merece estar com alguém e agora, aparentemente, também está pedindo um irmãozinho para ele.
— Ora, Libby não sei se seu pai está pensando em ter filhos agora – me sentei para os pés para fora da cama, ficando um pouco mais próxima dela – Eles vão se casar em breve e a Cami acabou de se formar, acho que eles vão esperar um pouco mais antes de pensar em terem filhos.
— Você e o tio Stefan também não estavam preparados, mas os gêmeos vieram sem querer – lembrou – Por que não pode acontecer a mesma coisa com o papai e a tia Cami.
— Bom, sempre é uma possibilidade – dei de ombros – Mas não vai contando muito com isso.
— Ora, ai está você mocinha… — minha mãe surgiu na entrada do quarto – O seu lanche já está pronto; você disse que só ia até o seu quarto trocar de roupa e veio aqui encher a sua mãe.
— Ela não está me atrapalhando – garanti – E atá bom tê-la aqui por perto.
— É isso mesmo, vovó – afirmou – Só vim aqui ver como estavam os meus irmãos.
— Tudo bem, mas agora vamos que o seu sanduíche vai esfriar – avisou – Eu até deixo você comer biscoito do chocolate.
— Oba! — pareceu animada indo em direção a avó; então as duas caminharam na direção da saída do carro.
***
Philipe era o mais comilão dos dois, então sempre alimentava a Lily primeiro e o deixava para depois.
Assim que senti parar de sugar, eu o coloquei deitado no meu ombro para fazê-lo arrotar, o que não demorou muito para acontecer e logo ele também estava dormindo profundamente.
— Espera, deixa que eu coloco ele no berço para você – Stefan surgiu de dentro do banheiro antes que eu pudesse me levantar da cama – Não precisa se levantar.
Antes que eu pudesse argumentar, meu namorado já tinha tirado Philipe dos meus braço e o colocou no berço. Espero que tanto ele quanto a irmã continuem dormindo até a hora da próxima mamada, daqui há três horas.
— Se você continuar desse jeito eu vou acabar mal acostumada – comentei — Sabe, posso ter passado por uma cesariana há menos de uma semana, mas eu não sou uma invalida.
— Sei que você não é uma invalida, meu amor – ele sentou-se eu meu lado enquanto falava – Só estou querendo facilitar mais as coisas ao máximo para você.
— Você está é me mimando, isso sim – revirei os olhos.
Ele deitou-se e ficou encarando o teto do nosso quarto. Tenho quase certeza de que ele quer me falar alguma coisa, mas não sabe como fazê-lo.
— Sabe…, é até bom que os gêmeos já estejam dormindo – virou-se para mim enquanto voltava a falar – Assim eu posso criar coragem e finalmente te pedir uma coisa, sem ser interrompido.
— O que você quer me pedir, Stefan? — quis saber.
— Antes de mais nada, eu quero que você saiba que eu queria ter feito isso há alguns meses, antes do Philipe e da Lilian nascerem – continuou – Mas então aconteceu o acidente, você ficou de repouso e depois estávamos preocupados em prepararmos as coisas para a chegada dos bebês e acabei deixando isso para lá.
— Tudo bem, eu entendi… — afirmei – Agora será que você pode deixar de enrolar e falar logo, sabe como eu detesto esperar.
Em vez de responder, ele se levantou e foi até o seu lado do armário. Quando voltou para a cama, não pude deixar de perceber que estava segurando uma caixa azul de veludo, onde só podia estar uma joia.
— Stef… — sussurrei, não podia acreditar que era isso mesmo que ele estava fazendo.
— Espera um minuto – pediu— Se não eu perderei a coragem.
Então ele abriu a caixa e lá estava: aquele mesmo anel que Stefan havia me dado há cinco anos e que eu lhe devolvi há alguns meses. Isso só podia significar uma coisa…
— Caroline Forbes, apesar de nós estarmos namorando há apenas alguns meses, a gente já conhece há seis anos; já estamos morando juntos e temos dois lindos bebês, só precisa de mais uma coisa para a nossa felicidade estar completa – continuou – Você quer se casar comigo?
— Sim! — respondi sem nem pensar duas vezes, confesso que não estava esperando por isso, mas não diminui a minha felicidade.
Ele puxou o meu rosto para um beijo e, me seguida, colocou a aliança no meu dedo anelar direito.
— Pronto, já está no lugar de onde nunca deveria ter saído – brincou antes de dar um sorriso bobo.
— Acha que devemos ir lá contar as novidades para a minha mãe e para a Libby? — perguntei, sabia que as duas estavam na sala assistindo televisão nesse momento.
— Claro, vamos até lá – concordou – Estava mesmo pensando em ir comer alguma coisa.
— Também estou com fome – confessei, eu também não tinha comido nada, estava esperando a hora dos bebês mamarem – Vamos até lá então.
Meu, agora, noivo, me ajudou a levantar. Ainda dei uma rápida olhando para ver se os gêmeos não tinham acordado e sai junto com Stefan do meu quarto.
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