Second Chance
50 Capítulo 49 – Philipe e Lilian
Notas iniciais
Seis meses depois…
— Olha só esses dois, Care… — Elena estava segurando dois macacões para recém-nascido, um cor-de-rosa com um coração bordado com a linha da mesma cor do restante da roupa, já o outro era igualzinho ao primeiro, só que azul-claro e o desenho dobrado era da cabeça de um ursinho – Não são a coisa mais fofa que você já viu?
— São, realmente, adoráveis – concordei – Mas o guarda-roupa dos bebês já está tão cheio, não acho que precise comprar mais nada.
Isso era verdade. Um pouco mais de um mês depois do meu acidente, fui a uma consulta pré-natal, onde a minha obstetra pôde verificar, agora com 100% de certeza, que o acidente de carro realmente não tinha deixado qualquer sequela nos meus bebês, e foi nesse mesmo dia que descobrimos que teríamos um casal de gêmeos e partir de então, começamos a preparar o meu aparamento para a chegada deles. Stefan e eu nem mesmo tínhamos terminado de montar o quartinho deles quando os presentes começam a chegar: roupas de cama, roupas para os bebês, fraldas e até mesmo mamadeiras, chupetas e produtos de higiene, tudo comprado pelo meu pai, Steven, minha mãe, Damon, Alaric, Elena, Lexi e Katherine; agora faltam apenas algumas semanas para o nascimento dos meus filhos e eles, com certeza, não precisam de mais nada.
— Ora, Care, deixe-me comprar um presente para os meus “sobrinhos” — pediu – Afinal, eu serei madrinha de um deles.
— Você já comprou presentes para eles – lembrei – Vários presentes, até…
Eu estava tranquila em casa quando recebi uma ligação de Elena dizendo que a Lyn queria ir ao cinema e se eu podia deixar a Libby ir com ela, achei que seria uma boa ideia e aceitei o convite. Então Davina foi ver o filme com as meninas enquanto nós duas fomos dar uma volta no shopping; já devia imaginar que tinha alguma “segunda intenção” por ai…
— Estou começando a perceber que não foi uma boa ideia convidar para ser madrinha de um dos bebês – revirei os olhos — Eles ainda nem mesmo nasceram e você já está aqui mimando os dois. Aliás, não só você, todos estão fazendo isso…
— A culpa não é minha que estão todos empolgados com a chegada dos seus bebês – deu de ombros.
— Sabe, acho que você deveria aproveitar todo esse clima de bebê pequeno, você não pensa em encomendar o seu segundo? — questionei – Ou vai me dizer que você e o Enzo não pensam em ter filhos?
— Claro que queremos ter filhos – garantiu – O Enzo já me revelou que ele sempre sonhou em ser pai, e quanto a mim… Eu vejo a Lyn crescendo cada dia mais, daqui a pouco ela vai ser uma adolescente, vai começar a namorar, seguir a própria vida e tudo que eu consigo pensar é que eu perdi o início da infância dela sendo uma péssima mãe; não quero cometer esse erro de novo, nunca mais.
Elena tem se mostrado bastante arrependida por ter deixado a filha aos cuidados de uma babá e não ter ligado muito para o que estava acontecendo com ela, e percebo o quanto minha amiga tem tentando recompensar isso. Claro que Evelyn tem apenas cinco anos e as duas ainda tem muito o que aproveitar juntas, mas o que já passou, é um tempo que não tem como recuperar.
— Mas não sei se esse é o momento para pensarmos em ter filhos ainda –continuou – Comecei a trabalhar na editora há três meses e não é o momento para parar por causa de licença maternidade, além disso, tem todo esse problema com minha mãe.
Não demorou muito para Miranda ir a julgamento, apenas dois meses depois que aconteceu o sequestro e o acidente; o advogado que o senhor Gilbert contratou, conseguiu aliviar a pena, e por ela ser réu primaria, escapou apenas com a sentença de prestação de serviços comunitários e ainda uma ordem judicial para que fique a uma distância de, pelo menos, dois quilômetros de mim e dos meus filhos. Stefan não ficou feliz ao saber da decisão judicial, mas não havia nada a ser feito contra isso.
Aparentemente, Elena tem exatamente a mesma opinião do meu namorado sobre essa situação e prometeu nunca mais chegar perto ou até mesmo conversar com a mãe outra vez. Até agora ela tem feito exatamente aquilo que falou.
— Lena, não faz isso – pedi – Sei que a Miranda errou, mas ela já está pagando por isso e é a sua mãe.
— Não se trata só do que ela fez com você, Care, isso foi apenas a cereja do bolo – explicou – Ela me forçou a casar com um cara que eu não amava, me afastou do Enzo por vários anos, te afastou do Stefan e até mesmo a minha filha foi afetada por essa história. E, por acreditar, minha mãe não se arrepende de nada do que fez.
— Certo, acho que você tem razão… — tive que concordar.
— Mas voltando ao assunto do bebê, essa realmente não é a hora – continuou – Isso não quer dizer que a gente não vai continuar treinando para quando chegar o momento.
Tive que sorrir desse último comentário e minha amiga repetiu o meu gesto. Em seguida, abriu a bolsa e pego o celular para poder verificar a horas.
— Davina e as meninas já devem estar quase saindo do cinema – comentou – Acho melhor irmos logo para a praça de alimentação encontrar com elas.
Pelo jeito o assunto do presente para os gêmeos tinha ficado esquecido e achei melhor não lembrá-la disso.
— Tem razão, vamos lá – concordei.
***
Apesar do caminho da loja até a praça de alimentação do shopping ser curto, o meu barrigão de oito meses de gestação me deixava bem cansada em pouco tempo e por isso precisei me sentar para poder me recuperar. Elena foi até uma das lanchonetes que tinha no local para comprar refrigerante para nós e foi quando eu estava ali sozinha que avistei Davina chegando acompanhada de Lyn e Libby, elas também me avistaram e por isso já vieram na minha direção.
— Oi, mamãe! — minha filha já foi colocando mão na minha barriga assim estava perto de mim o suficiente – Oi, irmãozinhos! Vocês se comportaram bem enquanto eu estava no cinema?
— Oh sim, eles se comportaram muito bem – respondi para ela – E parecem ter sentido muito a sua falta também.
— Eu também senti muito a falta deles – garantiu – Mas agora eu estou aqui, com vocês dois…
Assim que ela terminou de falar, um dos bebês chutou bem em cima do local onde a mão de Libby estava, que realmente ficou surpresa com aquela reação.
— Isso foi um chute de um dos irmãozinhos? — decidiu perguntar.
— Sim, Libby – afirmei – E esse é um sinal de que eles te amam tanto quanto você os ama.
— Que legal… — abaixou-se e deu um beijo justamente na mesma região em que sentiu o chute alguns segundos antes – Eu também amo muito vocês e mal posso esperar para finalmente conhecê-los.
— Será que eu também posso sentir os meus irmãozinhos chutando? — foi Lyn quem pediu.
— Claro – afirmei.
Então ela fez a mesma coisa que Libby e um dos bebês também chutou sob a sua mão, o que a fez sorrir.
— Isso é mesmo muito legal! — comentou.
— Muito bem, agora deem um pouco de espaço para a Caroline – Davina pediu, fazendo com que as duas se afastassem de mim por alguns centímetros – Se continuarem assim daqui a pouco ela não vai conseguir respirar direito.
— Ora, vocês já estão aqui… — Elena tinha acabado de retornar e me entregou um dos copos que estava segurando – Vocês se divertiram no cinema?
— Sim! — as meninas responderam ao mesmo tempo.
— Mamãe, nós queremos tomar sorvete – então Lyn completou – Será que nós podemos?
— Acho que não tem nenhum problema – e então virou-se para mim – Não é mesmo, Care?
— Sim, eu concordo – afirmei – Acho que não tem nenhum problema.
— Davina, será que você pode ir lá com elas comprar o sorvete? — abriu a careteira e entregou a babá uma nota de vinte dólares – Enquanto isso eu fico fazendo companhia para a Caroline.
— Claro, senhorita Gilbert – ela concordou.
As três voltaram a se afastar e minha amiga sentou-se ao meu lado, começando a beber o seu refrigerante. Foi nesse momento que os bebês começaram a se agitar mais do que o normal, o que me fez fazer uma careta.
— Está tudo bem, Care? — Elena perguntou, parecendo levemente preocupada – Está sentindo dor ou alguma coisa parecida?
— Não precisa se preocupar, Lena – garanti – As meninas ficaram sentindo os bebês chutando e agora eles estão um pouco agitados. Isso é só um pouco incomodo.
— Acredite em mim, eu sei muito bem como é isso – ela imitou o meu gesto anterior – A Lyn era bem agitada, ainda mais no final da gravidez; eu não dormia direito e ficava muito irritada.
— A Libby era bem quietinha, só deve ter chutado umas duas ou três vezes e raramente se mexia também, agora eu estou pagando em dobro por isso – soltei um longo suspiro – Acredite, eu mal posso esperar para que eles nasçam logo.
— Não vai demorar muito tempo agora, Care – ela lembrou – Logo esses bebês estarão aqui, dando muitas alegrias e algumas preocupações, para você e para o Stefan.
— Sim, eu sei disso – passei a mão levemente pela minha barriga, com a esperança de que esse pequeno gesto pudesse acalmá-los de alguma forma.
Então voltei a tomar a minha bebida, tentando incomodar aquele leve incomodo.
— Sabe, Care, já faz um tempo que eu quero te perguntar sobre isso – minha amiga continuou, depois de alguns segundos – Você já pensou que nome dará aos bebês ou vai deixar para escolher só quando eles nascerem?
— Para ser sincera, eu já pensei em alguns nomes – respondi – Mas ainda não tive tempo de conversar sobre isso com o Stefan e acho que isso é uma coisa que eu preciso decidir com ele.
— Isso é verdade – concordou.
— Talvez eu já converse com ele nesse final de semana, ou talvez eu espere os bebês para fazer isso – dei de ombros – Quem sabe eu não olhe para a carinha deles e não mude de opinião.
Foi nesse momento que o incomodo que eu estava sentido, transformou-se em dor e eu tinha quase certeza de que era uma contração. A confirmação veio quando eu senti uma água escorrendo pelas minhas pernas e uma poça se formando em baixo de mim.
— Essa não…! — Elena também tinha reparado o que estava acontecendo – Isso é…?
— A bolsa estourou – a interrompi, confirmando os seus pensamentos – Parece que esses bebezinhos estão querendo ver o mundo aqui fora algumas semanas antes do previsto.
— Tudo bem, você precisa ficar calma – disse, mas percebi que ela parecia mais nervosa do que eu – Vamos ligar para a doutora Fell, depois para o Stefan, e vamos para o hospital. Tudo vai ficar perfeitamente bem.
Acenei com a cabeça e então Lena me ajudou a levantar. Davina, Lyn e Libby estavam retornando com os seus sorvetes.
— Está tudo bem, senhorita Gilbert? — a babá já foi perguntando.
— A Caroline está em trabalho de parto e preciso levá-la para o hospital – explicou – Por favor, Davina, pegue um táxi e leve as meninas para a minha casa.
— Mas eu quero ir com vocês – minha filha avisou – Quero ver os meus irmãozinhos nascendo.
— Eu também quero ir – a outra seguiu o exemplo da amiga – Eles são meus irmãozinhos também.
— É melhor vocês fazerem o que a Elena está pedindo e irem com a Davina – pedi – Hospital não é lugar para crianças e isso pode demorar, vocês podem ficar entediadas.
— Tudo bem… — Libby pareceu triste, mas acabou aceitando.
— Eu aviso assim que tiver notícias – minha amiga garantiu – Mas agora precisamos ir, Care.
Lena me ajudou a caminhar, com certa dificuldade e por isso demoramos mais do que o normal para chegarmos ao estacionamento. Mas assim que entramos no carro, partimos logo na direção das movimentadas ruas de Washington, a caminho do hospital.
***
Elena tinha o telefone da doutora Fell na agenda do celular e por isso ligamos para ela no caminho para o hospital. Assim que chegamos, uma enfermeira chegou com uma cadeira de rodas e me levou para a ala de obstetrícia, lá foi verificado que eu estava mesmo em trabalho de parto e, em seguida, fui levada para um quarto, tudo que era preciso agora era esperar.
— Muito bem, Caroline, dez centímetros de dilatação e contrações chegando de um em um minuto – a médica disse depois de fazer um exame em mim – Acho que já podemos tirar esses bebezinhos ai de dentro.
— Não! Espere! — pedi – O Stefan ainda não chegou, não quero ter os meus bebês sem ele aqui.
Elena também tinha ligado para o meu namorado quando estávamos a caminho. Ele estava em uma seção da câmara, mas viria me encontrar assim que fosse possível.
— Caroline, já estamos aqui há quase uma hora – lembrou – Não podemos esperar mais, os bebês estão prontos para nascer e se ficarem mais tempo ai dentro podem correr algum risco.
— Tudo bem, você tem razão – tive que concordar – Vamos logo fazer isso.
A porta do quarto foi aberta e não pude deixar de sorrir quando vi Stefan bem ali. Ele ainda estava sem o paletó e sem a gravata e sua camisa social estava com três botões aberto e com as mangas dobradas até o cotovelo, provavelmente veio “trocando de roupa” no caminho até aqui.
— Stefan… — estiquei uma das mãos, pedindo para que ele se aproximasse.
— Você está bem, meu amor? — me deu um selinho e em seguida passou a mão pela minha barriga.
— Você chegou na hora certa, papai – a doutora Fell comentou – No momento certo para ver o nascimento dos seus bebês.
— O que? Agora? — Stef pareceu apavorado com a ideia.
— Ora, meu amor, não é como se você já não tivesse passado por isso antes – lembrei – Quero dizer, a Lyn…
— Eu não assisti o nascimento dela! — admitiu – Estava em Atlanta, resolvendo assunto da minha campanha, quando o senhor Gilbert ligou avisando que a Elena tinha entrado em trabalho de parto. Peguei o primeiro avião que eu consegui para Washington, mas quando cheguei aqui a Lyn já tinha nascido.
— Acho que eu entendo… — continuei – Tudo bem se você não quiser assistir ao parto dos bebês, mas quero que saiba que eu ficaria muito feliz em te ter ao meu lado nesse momento.
Ele ficou me encarando por alguns segundos e em seguida olhou para o monitor que indicava os meus batimentos cardíaco e o dos bebês.
— Eu quero estar com você nesse momento, meu amor – avisou – Claro que eu vou assistir ao parto dos nossos bebês.
Ele me deu um beijo na minha testa e segurou a minha mão com a intenção de trazer algum conforto.
— Muito bem, Caroline, quando eu disser para empurrar, você empurra com bastante força – a doutora Fell avisou – Entendeu?
— Sim, entendi… — claro que aquela não era a primeira vez que eu passava por isso, afinal, eu já tinha uma filha, mas não posso dizer que a ideia de passar por isso novamente, e duas vezes, não me apavora.
— Muito bem…, pode empurrar… — disse logo depois de um dos aparelhos ligados a mim apitar, e eu fiz exatamente o que ela pediu – Certo, pode parar…
— Você está bem, Care? — Stefan perguntou logo em seguida.
— Sim, estou bem – afirmei – Isso já vai acabar, Stefan, logo estaremos com os nossos bebês aqui conosco.
— E mais uma vez, pode empurrar – a médica voltou a pedir – E pare… Muito bem, eu já estou vendo cabeça do primeiro bebê. Já estamos quase lá…
Stef passou o polegar pelas costas da minha mão, lembrando, mais uma vez, que estava aqui comigo.
— E agora, mais uma vez… — e eu empurrei, foi quando um chorinho, bem fino, de bebê, ecoou pelo ambiente – Pronto, aqui está a menininha de vocês: linda, forte e saudável.
— A menina! — estiquei os dois braços – Eu quero vê-la… Por favor, deixe-me vê-la.
A doutora Fell pegou a tesoura para cortar o cordão umbilical e depois enrolou a minha filha em um lençol verde do hospital. Em seguida a entregou para a enfermeira, que a levou até mim.
— Oi, minha princesinha… — passei a mão de leve pela sua bochecha.
Ela tinha o rosto tão branquinho, que era possível ver as suas veias bem definidas, seus cabelos eram apenas uma penugem loira no topo da cabeça e os olhos estavam fechado, por isso não conseguia ver de que cor eram.
— Stefan, ela não é linda – virei para o meu namorado, que continuava ao meu lado e parecendo encantado com a nossa filha.
— É sim! — afirmou – A nossa garotinha, ela é mesmo perfeita!
Um novo barulho surgiu no quarto, a princípio pensei que fosse apenas o aparelho avisando a chegada de uma nova contração, que, por eu estar anestesiada, não estava sentindo; mas nada verdade, era o monitor que mostrava os batimentos cardíacos.
— Doutora, os batimentos do segundo feto estão acelerados – a enfermeira disse e a simples menção daquelas palavras simplesmente me apavorou.
— Tira o outro bebê daqui, agora! — pediu – E pede para alguém trazer um aparelho de ultrassonografia.
Então ela retirou a minha garotinha, que começou a chorar desesperadamente, dos meus braços. Dessa vez foram os meus batimentos cardíacos aumentaram, eu estava mais do que apavorada, as lágrimas chegaram a se acumular nos meus olhos.
— Meu bebê… — sussurrei – Doutora, por favor, me diga que o meu filho vai ficar bem.
— Por favor, Care, você precisa se acalmar, meu amor…. — Stefan afagou o meu ombro – Se desesperar desse jeito, só vai fazer mal para o bebê.
— O Stefan, tem razão, Caroline, fica calma… — doutora Fell falou, nesse momento ela já estava com o aparelho de ultrassonografia em mãos – Vamos ver o que está acontecendo.
Ela passou o gel na minha barriga e pegou o aparelho. Não ficou nem trinta segundos olhando as imagens e já voltou a se virar para a enfermeira.
— Vamos transferi-la para o centro cirúrgico, imediatamente – disse – Precisamos fazer uma cesariana de emergência.
— Cesariana? — gritei – Não! Eu não quero uma cesariana, quero parto normal!
— Caroline, isso é necessário – explicou – O bebê está com o cordão umbilical em volta do pescoço e se fizermos parto normal, ele pode acabar com o pescoço quebrado.
Claro que ela falou isso com a intenção de me acalmar, mas o efeito foi totalmente o contrário.
— Ele pode quebrar o pescoço – comecei a me espernear, queria levantar dali, não sei…, fazer qualquer coisa – Por favor, doutora Fell, faça alguma coisa, não pode acontecer nada com o meu bebê, não pode…
— Nós já iremos tirá-lo daí, são e salvo – garantiu – Stefan? Você vai assistir a cirurgia?
— Claro que sim – afirmou – Prometi não sair de perto da Caroline e não sairei.
— Certo, a enfermeira irá te acompanhar até um local onde você pode colocar uma roupa esterilizada – avisou.
Então meu namorado fez o que ele pediu, me deixando ali sozinha no quarto com a doutora Fell.
— Por favor, doutora, seja totalmente sincera comigo – pedi – Vai mesmo ficar tudo bem comigo e com meu bebê?
— Você pode ficar tranquila, vai ficar tudo bem com vocês dois – respondeu – Eu te garanto isso.
— Nunca gostei muito de hospitais ou de ir ao médico e muito menos passar por cirurgias – admiti – Sei que pode parecer bobagem da minha parte, mas eu realmente fico apavorada.
— Não se preocupe, vou te dar um remédio que irá te deixar mais tranquila – avisou.
Eu a vi pegando uma siringa e injetando alguma coisa no meu soro. A última coisa que eu vi foram dois enfermeiros entrando no local e depois disso, tudo ficou escuro.
***
Quando retomei a consciência pude ver pela janela que já estava escuro do lado de fora. Eu continuava no mesmo quarto de antes, mas agora não tinha mais nenhum aparelho ligado a mim e a doutora Fell também não estava no local, apenas Stefan e, para a minha surpresa, o meu pai.
— Eu preciso admitir que cometi um grave erro de julgamento, Stefan – ele falou, parecia que estavam tendo uma conversa há algum tempo – Realmente pensei que você faria a minha filha sofrer, exatamente como tinha feito há cinco anos; mas agora, depois desses seis meses, eu preciso admitir: nunca vi a Caroline tão feliz quanto agora, vocês dois parecem fazer muito bem um ao outro e isso é tudo que importa.
— Obrigado, senhor Forbes – meu namorado agradeceu – Mas acredite, ela me faz muito mais bem do que eu a ela. Graças a Caroline e agora aos nossos bebês, eu sou um homem melhor.
— Stefan… — minha voz saiu bem fraca, mas foi o suficiente para os dois se virarem na minha direção.
— Care… — ele se aproximou um pouco mais de mim – Como você está se sentindo?
— Bem – respondi – O que foi que aconteceu? Eu só…
— Você estava muito nervosa, então a doutora Fell achou melhor te dar alguma coisa para dormir, assim você relaxava – explicou – Eu vou lá fora avisar para a doutora Fell que você acordou.
— Deixa que eu vou, Stefan – meu pai avisou – Fique aqui fazendo companhia para a sua namorada.
— O senhor tem certeza, senhor Forbes? — questionou.
Claro, deixe-me ir lá – garantiu – Vou aproveitar e vou lá fora e ligo para o Steven para saber se a Liz já chegou.
Meu pai deu um beijo na minha testa antes de sair do quarto.
— Sua mãe decidiu vir aqui para Washington assim que soube que você estava no hospital – Stef votou a falar – O Steven foi buscá-la no aeroporto e vai levá-la direto para o nosso apartamento e não se preocupe que eu deixei uma cópia da chave com ele.
— Os bebês! — disse – Como eles estão? E o nosso garotinho? Ele…?
— Apesar de todo o susto, ele nasceu um pouco roxinho, mas muito bem, medindo 49 cm e pesando 2,650 kg, só um pouco maior que a irmã, que nasceu com 48 cm e 2,600 kg – sei tom de voz deixava bem claro o orgulho que estava sentindo – Apesar de serem prematuros, nenhum dos dois precisou ficar na encubadora, ambos tem um choro poderoso e um pulmão muito bem desenvolvido.
— Eu quero vê-los – anunciei – Quero segurar logo os meus dois bebês. Preciso vê-los aqui comigo.
— Você irá vê-los meu amor, assim que seu pai avisar que você acordou, logo uma enfermeira deve trazê-los para você amamentá-los – respondeu — Bom, assim que os bebês estavam no berçário e como você ainda estava dormindo, fui avisar a Elena que estava tudo bem, então ela foi embora e prometeu dar as boas notícias para todos. Claro que eu pedi para avisar que se alguém quisesse te visitar, que fizesse isso só amanhã.
— Certo, é melhor assim – concordei.
— Com licença… — a porta do quarto foi aberta mais uma vez, dessa vez era a doutora Fell – Seu pai me disse que você tinha acordado, Caroline, vim ver como você está.
— Eu estou me sentindo muito bem – avisei – E sentindo como se vinte quilos tivessem saído do meu quarto.
— Acho que foi por ai mesmo – riu – Bom, deixe-me apenas fazer alguns exames superficiais e verificar o seu soro, prometo que não vou demorar muito.
***
Depois que a doutora Fell foi embora, não demorou muito para a enfermeira aparecer trazendo os meus bebês. Primeiro eu amamentei a menina enquanto meu namorado segurava o menino; dessa vez eu consegui olhar muito mais detalhes do seu rostinho e agora seus olhinhos extremamente verdes me encaravam seriamente.
— Care, nós precisamos escolher os nomes deles – Stefan comentou alguns minutos depois quando já tínhamos “trocado” os bebês – Não podemos chamá-los de ele e ela.
— Tem razão eles precisam de um nome – respondi sem conseguir tirar os olhos do meu filho, seus cabelos eram só um pouco mais escuros que os da irmã e os olhos eram do mesmo tom de azul que os meus – Na verdade, eu tinha pensado em dois nomes, mas, é claro, quero saber a sua opinião.
— Quais são os nomes? — quis saber.
— Bom, primeiro o da menina – disse – Como eu dei o nome da Libby em homenagem a minha mãe. O que acha de chamá-la de Lilian?
— Lilian? Como a minha mãe? — pareceu maravilhado com a minha sugestão – Está mesmo falando sério? Quer dar a ela o nome da minha mãe?
— Sim! Achei que podia ser uma boa ideia – dei de ombros – Mas se você não gostou… Tudo bem, podemos escolher outro.
— Não, eu amei o nome é uma bela homenagem – concordou – Tenho certeza de que minha mãe ficaria muito feliz de conhecer os netos, principalmente a pequena xará dela.
Lily soltou um pequeno sonzinho que até parecia uma risada e levantou os dois bracinhos tentando alcançar o rosto do pai.
— Pelo jeito ela gostou do nome – comentou, sem conseguir deixar de sorrir – Mas o menino? Qual nome você pensou?
— O menino… — continuei, voltando a olhar o bebê nos meus braços – Pensei que poderíamos chamá-lo de Philipe.
— Philipe – repetiu – É um nome bonito. Mas por que Philipe?
— É um nome bonito pomposo, digno do um príncipe – expliquei – E é o que ele vai ser, no meio de tantas irmãs mais velhas.
— Eu gostei do nome… — ele voltou a se aproximar da cama – E Philipe, você pode ser o nosso caçula, mas eu conto com você para vigiar as suas três irmãs e espante qualquer garoto mal intencionado.
— Stef… — o reprimi – Ele mal nasceu e você já está querendo colocá-lo para vigiar as irmãs? Sem contar, é claro, que nenhuma das três tem idade para namorar ainda.
— Tudo bem, eu sei que ainda falta bastante tempo para eu começar a me preocupar com isso – concordou – Mas quando acontecer, eu quero estar preparado.
— Sei… — revirei os olhos.
— Você fica linda quando está irritada – sorriu – E é por isso que eu te amo tanto.
— Eu também te amo, Stefan Salvatore – ele inclinou-se para poder me beijar.
Lilian e Philipe ainda ficaram conosco no quarto por mais uma hora antes de serem levados de volta para o berçário. Estar ali com o meu namorado e nossos bebês recém-nascido foi um momento único e especial e prova que não importa tudo que aconteceu antes e sim o agora.
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