Second Chance
39 Capítulo 38 – Conversa final
Notas iniciais
Acho que não mexia na minha caixa de joias desde o dia em que me mudei para o novo apartamento e mesmo assim apenas para jogá-la dentro do armário. Essa é a primeira vez que eu a abro, e com um objetivo bem específico: pegar o anel que Stefan me deu enquanto ainda namorávamos.
Não deveria sentir isso, afinal, estou noiva de outro cara e prestes a marcar a data do meu casamento, mas a verdade é que a notícia do divórcio de Stefan mexeu comigo de uma maneira que não queria que tivesse mexido. Aquele era um assunto encerrado há cinco anos e era dessa maneira que deveria continuar, uma página virada na minha vida.
Coloquei o anel na mão direita, bem ao lado da minha aliança de noivado e fiquei olhando para as duas. É algo errado, mas a verdade é que estou indecisa e não sei o que vou fazer.
— Mãe! — Libby surgiu na porta do meu quarto, ela estava arrumada para sair – A gente vai se atrasar para ir buscar a tia Kath no aeroporto.
Katherine… Kath está chegando hoje a Washington e vou poder pedir um concelho para a minha amiga sobre qual decisão tomar: continuar com o Klaus o voltar com o Stefan.
— Claro que eu sei que precisamos ir para o aeroporto, princesinha – garanti – Mas ainda estamos com tempo, não precisa se preocupar.
— Tem certeza…? — me olhou desconfiada.
— Sim, eu tenho certeza – afirmei – Agora me espera um minutinho na sala que eu já vou te encontrar para podermos sair.
Libby concordou com a cabeça antes de sair do quarto. No instante em que voltei a ficar sozinha, peguei o meu celular e comecei a procurar o telefone do Stefan. Quando começou a chamar, eu pensei em desligar, mas acabei não fazendo isso.
— Stefan Salvatore, falando…— falou assim que entendeu a ligação.
Só de ouvir a sua voz do outro lado da linha senti meu coração acelerar e não pude deixar de revirar os olhos por essa minha atitude: estava parecendo uma adolescente…
— Oi, Stefan, é a Caroline – estava totalmente sem graça naquele momento – Não sei se você sabe, mas eu conversei com a Elena ontem e ela me contou sobre o divórcio de vocês.
— Eu sabia que ela faria isso – avisou – Elena me avisou que iria te encontrar no final da semana e que iria te contar sobre o nosso divórcio.
— Pensei que a primeira coisa que você fosse fazer era me ligar – observei – Mas acho que eu estava enganada.
— A Elena queria te contar tudo pessoalmente e por isso achei melhor que você estivesse pronta para me ligar— explicou – Para que você não pensasse que e eu estava te forçando ou algo parecido.
Não tem como culpá-lo. Acho que se Stefan tivesse me ligado antes da minha conversa com a Elena, eu teria mesmo o acusado de estar me forçando e ainda iria lembrá-lo que eu estava noiva e que precisava me esquecê-lo.
— Acho que você fez certo em tomar essa decisão – concordei, por fim.
— Você me ligou…— continuou, pareceu ignorar meu comentário anterior – Imagino que queira conversar sobre isso… Ou eu estou enganado…?
— Sim, eu quero conversar sobre isso – afirmei – Mas não por telefone… melhor nos falarmos pessoalmente.
— Posso passar no seu apartamento— sugeriu – Ou prefere me encontrar em outro lugar.
Meu lado racional me mandava pedir para que nos encontrássemos em outro lugar, um parque, por exemplo; lembrava perfeitamente do que tinha acontecido quando Stefan e eu ficamos sozinhos no meu apartamento. Mas não é como se fossemos ficar sozinhos, estamos de dias, a Libby está acordada e a Kath estará aqui.
— Sim, você pode vir para cá, mas não agora – respondi – Vou buscar uma amiga no aeroporto e devo estar de volta em uma hora.
— Estarei ai em uma hora— avisou – Até lá…— completou antes de desligar.
Então era isso, Stefan e eu teríamos uma longa e decisiva conversa, tudo será esclarecido depois disso. Mas agora eu preciso ir buscar a Kath, não quero deixar a minha amiga esperando.
***
— Ela está demorando muito, mamãe – Libby estava tentando se apoiar na grade que dividia a parte que estávamos da área de desembarque e eu segurava ela para impedir que acabasse se machucando – Será que a tia Kath desistiu de vir?
Quando chegamos ao aeroporto, o painel que indicava os voos mostrava que o avião que vinha de Londres já estava aparecendo como “no pátio”. Isso já fazia uns vinte minutos e não tínhamos nem mesmo visto qualquer sinal da Katherine.
— É claro que ela veio, Libby – garanti – Se ela tivesse desistido ou até mesmo perdido o avião, ela teria me avisado.
— Mas ela já devia estar aqui – insistiu – Não é mesmo?
— Talvez ela esteja enrolada para pegar a mala ou esteja enrolada na imigração, voos internacionais são assim mesmo – disse – Lembra que foi do mesmo jeito quando chegamos a Washington? A gente também demorou para conseguir vir encontrar o Steven?
— Tem razão… — concordou – É que eu não aguento ficar aqui esperando, é muito chato… — fez uma careta e cruzou os braços.
— Ora, princesinha, só precisa ter um pouquinho mais de paciência – me ajoelhei na frente da minha filha e passei a mão pelo seu cabelinho loiro – A Kath já deve estar quase chegando, não precisa se preocupar.
— Está bem – afirmou com a cabeça, por fim.
***
Como eu já tinha previsto, não demorou muito para Kath surgir empurrando um carrinho com duas malas grandes. Levando em consideração que minha amiga tinha vindo para ficar, imagino que ela até trouxe pouca coisa.
— Tia Kath! — Libby, que até então estava parada ao meu lado, saiu correndo na direção da madrinha — Você veio mesmo!
— É claro que eu vim, minha linda – eu já tinha me aproximado quando ela pegou minha filha no colo e deu um beijo na sua bochecha – Você estava mesmo duvidando que eu viria?
— Essa é uma longa história, Kath – respondi antes de abraçá-la – Como – você está? Fez uma boa viagem?
— Melhor impossível – garantiu – E estou feliz por estar finalmente aqui, com a minha melhor amiga e a minha afilhada favorita.
— Eu sou sua única afilhada, tia Kath… — Libby lembrou, rindo.
— Isso é apenas um detalhe – deu de ombro, entrando a brincadeira –Então… acho que já podemos ir, não é mesmo?
— Claro, vamos – concordei.
Kath colocou a minha filha no colo para poder voltar a empurrar o carrinho com as malas. Tentei oferecer a minha amiga que eu fizesse isso, mas ela negou.
— A mamãe disse que você vai ficar aqui para sempre, é verdade, tia Kath? — Libby pergunto quando já estávamos a caminho do estacionamento – Porque se for mesmo verdade, vai ser muito legal
— E é verdade sim, Libby – garantiu – Vim para Washington definitivamente ou até a sua mãe cansar de mim.
— A mamãe não vai cansar de você nunca, tia Kath – falou com bastante firmeza – Ela sempre diz que você é a melhor amiga dela e nunca se cansa da melhor amiga.
— A Libby tem razão…, você sabe que pode ficar por aqui o tempo que quiser – lembrei – Claro que, ajuda se você finalmente me disser porque decidiu vir para cá.
— Conversamos sobre isso depois, pode ser? — pediu dando uma rápida olhada para a Libby, deixando claro que era melhor não conversamos sobre isso enquanto minha filha está escutando – E sabe de uma coisa: agora que eu estou aqui, posso te ajudar com os preparativos do seu casamento com o Klaus. Isso se você ainda for se casar com ele.
Se eu vou me casar com ele? Katherine não tem ideia da confusão que está na minha mente nesse momento.
— É claro que eles vão se casar, tia Kath – Libby garantiu – Minha mãe e meu pai se amam, por isso vão se casar.
Sim, minha filha está certa, eu amo, o Klaus…, mas será que isso é o suficiente para eu construir uma vida ao lado dele? Será que é o suficiente para eu esquecer o Stefan de uma vez por todas? Funcionou muito bem quando estávamos há milhares de quilômetros um do outro, mas e agora que estamos na mesma cidade e podemos nos esbarrar sempre?
— Exatamente isso que a Libby disse, Kath… — afirmei por fim – O que te fez pensar que eu poderia ter mudado de ideia?
— Não sei, apenas besteira da minha cabeça – deu de ombros, mas sabia muito bem o que estava passando pela sua mente e também era algo que não poderia ser falado na frente da minha filha – Mas acho que temos bastante coisa para conversamos mais tarde.
— Isso é verdade – concordei – Nós duas temos muita coisa para conversar.
Tínhamos acabado de chegar aonde meu carro estava estacionado, então colocamos todas as coisas no porta-malas para podermos sair do aeroporto.
***
O prédio que eu moro não tem garagem subterrânea, o que significa que preciso parar do lado de fora. Por sorte consegui uma vaga bem em frente a entrada da portaria e no momento em que desliguei o motor, pude ver Stefan olhando para mim.
No caminho do aeroporto até aqui tínhamos decidido parar em uma lanchonete e com isso já tinha passado um pouco mais do que a uma hora que tinha combinado com ele para nos encontrarmos.
— Mãe, aquele ali não é o tio Stefan? — Libby foi a primeira a falar dentro do veículo – O que ele está fazendo aqui?
— Stefan? — Katherine se manifesto no banco ao meu lado – Então esse é o famoso Stefan?
— O próprio… — revirei os olhos antes de abrir a porta do carro, essa era outra coisa sobre a qual teríamos que conversar – Venham, vamos ver o que ele quer.
Assim que coloquei os meus pés no chão Stefan desceu as escadas para vir ao meu encontro.
— Oi… — já foi me cumprimentando – Eu disse que vinha e estou aqui.
— Sim, você está mesmo aqui – o olhei de cima a baixo enquanto falava – Espero que não tenha te feito esperar por muito tempo.
— Não se preocupe com isso – garantiu – Cheguei aqui e o porteiro disse que você não estava, então decidi ficar aqui fora para te esperar, assim poderia te ver chegando.
— Oi, eu sou a Katherine, Katherine Pierce – minha amiga estava, nesse momento, parada ao meu lado e esticou a mão na direção de Stefan – Já ouvi falar muito de você.
— Ora… espero que apenas coisas boas – brincou.
— Essa é a Kath, minha melhor amiga lá em Londres – decidi fazer as apresentações – Ela veio morar aqui nos Estados Unidos, vai trabalhar comigo no Washington Place.
— Legal… — ficou olhando de mim para Katherine diversas vezes – Care, apesar de hoje ser sábado eu tenho uma reunião com o meu advogado daqui a pouco e não posso demorar muito aqui, então…
— Ah sim, claro…. — concordei antes de voltar a me virar para a minha amiga – Kath, você se importa de ir lá para cima com a Libby enquanto eu converso com o Stefan? Prometo que não demoro muito.
— Claro que não me importo, Care – garantiu.
— Certo… obrigada – agradeci antes de me ajoelhar para ficar na altura da minha filha – Libby, vai lá para cima com a sua madrinha e mostra o nosso apartamento para ela. Tudo bem?
— Claro, mamãe – deu uma rápida olhada para o Stefan, parecia ligeiramente desconfiada daquela situação, mas não falou nada – Vou mostrar tudinho para a tia Kath, principalmente o meu quarto.
— Isso mesmo… — voltei a ficar de pé e peguei o chaveiro lá dentro para entregar para a Katherine – Aqui está a chave, não se preocupe que a Libby vai saber te guiar até o apartamento.
— Pode ficar tranquila, Care, a gente não vai se perder para chegar lá em cima – afirmou – E boa sorte… — essa última frase ela sussurrou de uma maneira que apenas eu pudesse ouvir e não pude evitar fazer uma careta com aquele comentário.
Fiquei observando as duas caminharem na direção do prédio e apenas quando elas entraram na portaria que eu me virei novamente a direção do Stefan.
— Do outro lado da rua tem uma praça com alguns bancos – disse – Acho que conversaremos melhor lá.
— Claro, como você preferir – concordou – Vamos até lá.
***
A praça estava vazia, o que era estranho para aquele belo inicio de tarde de sábado, mas foi bom porque não foi difícil encontrarmos um lugar para sentarmos a sombra de uma árvore. Fiquei ali olhando alguns passarinho, que já começavam a se arriscar do lado de fora após um longo inverno, e pensando em como começaria a falar.
— E então…? — Stefan disse por mim
— Stef, não vou mentir para você, saber a respeito do divórcio mexeu comigo – admiti – Acho que se isso tivesse acontecido há cinco anos, não teria pensando duas vezes antes de correr para os seus braços.
— Mas é agora? — quis saber – Você não que fazer a mesma coisa?
— As coisas mudaram muito, Stefan, nós dois mudamos – lembrei – Você se casou com a Elena e, apesar de tudo, formaram uma família; e eu conheci o Klaus, temos uma filha e vamos nos casar. E agora não posso jogar tudo para o alto por causa de uma paixão adolescente.
— Então agora o nosso namoro foi resumido a uma “paixão adolescente”? — riu – Dessa vez você se superou, Caroline.
— Em algum momento entre a minha conversa com a Elena e agora, realmente pensei em jogar tudo para o alto e te dar uma nova chance – confessei – Mas não me parece justo com o Klaus
— Quer dizer que você vai desperdiçar a chance de estarmos juntos por que não acha que seria justo com o Klaus? — ficou me olhando totalmente incrédulo – Foi isso mesmo que eu acabei de ouvir?
— Durante o tempo em que estivemos separados, o Klaus beijou outra mulher, e assim que nós voltamos, ele veio me contar o que fez, totalmente cheio de culpa, e ainda disse que o quer que tivesse feito enquanto não estávamos juntos, ele entenderia – falei – E em vez de ser sincera como ele foi eu menti, simplesmente não tive coragem de contar para ele que nós dois dormimos juntos. Estou me sentindo a pior das pessoas por fazer isso.
— Então conte a verdade a ele, esse será um passo para contar que na verdade quer ficar comigo – pediu – Demorei tanto para tomar uma atitude, mas agora eu estou aqui para você, 100% com você. Não desiste de mim agora, Care, por favor…
— Eu “desisti” de você há cinco anos, quando você também desistiu de mim por causa da sua carreira politica – lembrei – O Klaus esteve lá por mim todo esse tempo; ele me ama, ama a nossa filha e é o tipo de cara com que eu sempre sonhei em passar o restante da minha vida.
— E será que o Klaus te ama o suficiente por vocês dois? — voltou a me questionar – Por que em nenhum momento você disse que o ama. Será que saber que ele te ama é o suficiente para construir uma vida a dois?
— Eu amo o Klaus sim…, do meu jeito – E eu o respeito, da mesma maneira que ele me respeita. Algo que você não teve por mim quando escolheu ficar com a Elena.
— Care, eu já te expliquei o que foi que aconteceu – me interrompeu – Eu realmente te magoei, não nego isso, mas foi para te proteger e para proteger a nossa filha.
Sim, você me disse, mas nem mesmo quer me dizer do que estava me protegendo – revirei os olhos – Como posso confiar em você se nem ao menos pode me contar toda a verdade?
— Eu queria te contar, Care, realmente queria te contar tudo – sua voz saiu como um sussurro – Mas pode ser perigoso para você, verdade.
— Se eu posso estar em perigo, eu deveria saber, não acha? — o questionei – As coisas são sempre assim com você, Stefan, eu não posso trocar o certo pelo duvidoso.
— Care… — segurou uma das minhas mão e começou a massageá-la com o polegar – Care, por favor, não faz isso comigo…
— Você está solteiro agora, é a sua chance de encontrar alguém que possa te fazer feliz, da maneira que você merece – avisei – Mas essa pessoa não pode ser eu, não mais.
— Você está usando a aliança que eu te dei há cinco anos – comentou enquanto mexia com o anel na minha mão – Isso só pode querer dizer alguma coisa.
— Guardei esse anel, porque era a melhor lembrança que eu tinha de nós dois – afastei minha mão da dele para poder retirar a aliança – Em algum momento pensei em dá-lo para a Libby quando fosse mais velha, mas acho melhor devolvê-lo para você.
— Não…, eu não quero esse anel de volta – avisou – Ele é seu, eu te disse isso na época e nada mudou desde então.
— Não tem mais sentido eu ficar com uma aliança que foi da sua mãe, Stefan – insisti – Agora que está divorciado pode arranjar uma namorada nova, talvez até se casar novamente, dê essa aliança para ela; ou então guarde para a Evelyn, se preferir. É o certo a se fazer.
— Então esse é o fim? — ficou de olhando para a aliança nas suas mãos e para mim, repetidas vezes – Esse é o fim da nossa história?
— A nossa história terminou há cinco anos, só acho que nós dois não queríamos admitir – dei de ombros – Por favor, não me procurar mais, vai ser melhor desse jeito.
Ele pareceu um pouco relutante, mas, mesmo assim, balançou a cabeça afirmativamente. Então eu simplesmente deu um beijo no seu rosto e me levantei, aquilo estava sendo difícil para mim também mas era o certo para as nossas filhas, era o certo para Klaus e, principalmente, era o certo para nós dois.
***
Assim que cheguei ao meu apartamento, a sala estava vazia e se não fosse pela porta destrancada ou pelas duas malas próximas ao sofá diria que Katherine e Libby não estavam aqui.
— Kath… — comecei a chamar a minha amiga – Kath, onde você está?
— Oi, Care… — ela apareceu na divisão entre a sala e o corredor – Desculpa, é que a Libby fez questão de me mostrar todos brinquedos que o avô comprou para ela.
— Sabe, eu achava que a minha mãe mimava a neta, mas isso foi antes de ver como o meu pai e o Steven são exagerados – revirei os olhos – Eles estão deixando a minha filha muito mal acostumada.
— Acho que todos os avós são assim, Care – comentou – Quando a Libby tiver filhos, tenho certeza de que você será da mesma maneira.
— Por favor, não fala sobre a Libby tendo filhos na frente do Klaus – pedi – Ele surta só com a ideia da filha namorar um dia, se dependesse dele, ele viraria freia.
— Pode deixar que não vou falar nada na frente dele… — riu antes de se jogar no sofá – Mas, falando em Klaus, como foi a conversa com o senhor bonitão?
— Você está falando do Stefan? — e sentei ao lado dela.
— É claro que eu estou falando do Stefan… — respondeu – E é bom você parar de me enrolar, Caroline Forbes. Você sabia que teria que falar sobre isso comigo mais cedo ou mais tarde.
— Acho que não tem muita coisa para falar – deu de ombros – Se é que tivesse alguma coisa acontecendo entre nós dois, acabou…
— Como assim acabou? — voltou a me questionar – É bom você me contar exatamente tudo que aconteceu desde que você chegou a Washington… E quero saber de todos os detalhes.
— Certo… — soltei um longo suspiro para criar coragem – Eu vou te contar tudo.
Então contei para ela sobre os dois primeiros desastrosos encontros com o Stefan (na frente do hotel e depois da delicatessen do meu padrasto), a visita dele ao meu novo apartamento com uma garrafa de vinho, a noite que passamos juntos, o meu arrependimento na manhã seguinte, a insistência dele mesmo eu dizendo que estava noiva de outro, a notícia sobre o divórcio dele e da Elena e, por fim, essa nossa definitiva conversa de alguns minutos atrás.
— E é isso – completei – Acho que por mais que eu ainda sinta alguma coisa pelo Stefan, ele me magoou muito, e isso é algo que não dá para apagar em uma noite. Mesmo que ele insista que as coisas não foram bem assim…
— Acho que eu consigo entender o seu lado, Care… — ela comentou, por fim – Relacionamento só existe se houver confiança e se você não tiver isso com o Stefan, tudo será completamente inútil.
Senti uma lágrima surgir no canto do meu olho e eu a limpei imediatamente. Eu tinha conseguido me segurar até agora, mas sempre existe aquele momento em que tudo desaba…
— Você vai mesmo ficar bem, Care? — Katherine quis saber, colando a mão sob a minha – Tem certeza de que não vai se arrepender dessa decisão que está tomando?
— Acredite em mim, Kath, não vou me arrepender; passei cinco anos feliz ao lado do Klaus e sem pensar no Stefan e é assim que continuarei – garanti – Mas agora, a senhorita também tem algo para me contar: o que foi que aconteceu de tão ruim entre você e o Elijah que te fez decidir vir para cá?
— Acho que foi algo parecido com o que aconteceu com você e o Stefan, talvez até mesmo pior – fez uma careta enquanto explicava – Digamos que eu e o Elijah terminamos, definitivamente.
Uau… por essa eu, realmente, não esperava… Kath sempre me pareceu muito apaixonada pelo Elijah e nunca se importou com o fato dele ser casado e que de alguma maneira ela sempre seria a outra na vida dele. Isso era exatamente o que eu não queria para a minha vida, mas ela parecia feliz com isso e respeitava a escolha da minha amiga.
— Sinto muito… — tentei confortá-la da mesma maneira que fez comigo há alguns minutos – Se você não quiser me contar o que foi que aconteceu eu vou entender, mas confesso que estou curiosa.
— Tudo bem, acho que estou preparada para falar sobre isso – garantiu – Acontece que o Elijah e a Hayley vão ter mais um bebê.
— Isso é sério? — falei um pouco mais alto do que estava planejando – A Hayley esta grávida novamente?
Como Klaus não se dá bem com os irmãos, só estive no mesmo ambiente que a Hayley em poucas ocasiões, apenas em eventos relacionados com o hotel e como nunca tivemos a oportunidade de conversarmos, tudo que sei a respeito dela é o que Katherine me fala. Ben, filho dela e de Elijah, é três anos mais velho que a Libby, e minha cunhada é uma mãe muito dedicada, tanto que acabou deixando um pouco o marido de lado.
— Não sou idiota, sei que os dois são casados, mas Elijah sempre e disse que era só um casamento de fachada, por causa do filho – continuou – Mas esse novo bebê é a prova de que as coisas entre eles estão sim indo muito bem. Não posso ficar com alguém que mente assim para mim.
— Verdade – concordei – Acho que teria tido a mesma atitude que você em uma situação como a essa.
— Disse para o Elijah que estava tudo acabado quando o ouvi falando com a Rebekah sobre o bebê e sobre como estava empolgado por ser pai novamente, ele nem ao menos veio me contar as “novidades” pessoalmente – deu um fraco sorriso – Mas eu continuava a trabalhar com ele e o Elijah ficar me provocando, dizendo que eu ainda o amava e que deveria passar por cima de tudo isso para voltarmos a ficarmos juntos. Foi por isso que eu decidi falar com a Esther para ser transferida para outro hotel.
— Você realmente passou por uma barra nessas últimas semanas – completei – Mas quero que você saiba que, apesar de toda a situação, estou feliz por ter você aqui em Washington comigo.
— Também estou muito feliz por estar aqui – concordou – Você é a minha melhor amiga, Care, não poderia pensar em uma pessoa melhor para estar ao meu lado nesse momento.
Comecei a ouvir passos de alguém se aproximando e logo Libby surgiu na sala.
— Mamãe, você não vai mostrar o quarto em que a tia Kath vai ficar? — quis saber – Eu disse que podia mostrar, mas ela queria te esperar para que você mostrasse.
— Ora, claro que precisamos mostrar o quarto de visitas para ela – concordei enquanto me levantava – Vamos até lá, Kath?
— Claro – concordou enquanto repetia o meu gesto.
Aquele era um novo começo, tanto para mim quanto para a Kath. Nós duas fomos magoadas pelos caras que amamos, mas ambas saberemos dar a volta por cima.
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