Second Chance

38 Capítulo 37 – Velha infância


Notas iniciais
Oi, gente! Quarta-feira e capítulo novinho para vocês e com momento super fofura. Espero que gostem! E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

— E aqui está a lista de todas as reservas das próximas seis semanas – Lexi colocou a pasta na minha frente – Estamos praticamente lotados…

— Isso é bom – dei uma olhada na primeira folha, aparentemente teríamos vários congressos aqui em Washington e isso é algo sempre lucrativo para os hotéis – E quanto ao relatório dos gastos? Preciso enviá-lo para a Esther ainda hoje.

— Oh sim, aqui está – me entregou a segunda pasta que estava na sua mão – Já tinha até mês esquecido…

— Não tem problema – balancei a cabeça negativamente e dei um pequeno sorriso – Acho que isso é tudo, Lexi, obrigada.

— Não precisa agradecer, Caroline – avisou – Só estou fazendo o meu trabalho…

— Lexi, espera só um minuto… — voltei a chamá-la antes que pudesse sair da minha sala – Me conta como andam as coisas na sua casa.

Já faz cinco dias desde que Lexi me ligou contando que tinha descoberto sobre o caso do seu marido com o Damon e que o tinha expulsado de casa e desde então não tínhamos mais conversado sobre isso; ela parece bem, mas as aparências costumam enganar…

— Está tudo bem, sim – afirmou enquanto voltava a se aproximar e sentou-se em frente a mim – É estranho estar sozinha novamente, depois de tantos anos, mas acho que estou bem.

— E você falou com o Alaric depois de domingo? — quis saber – Sei que você ainda está magoada, e com razão, mas até mesmo para se divorciar vocês vão precisar conversar.

— O Ric me mandou uma mensagem de texto querendo ver as crianças; ele vai buscá-lo na escola hoje, mas como ainda está em um hotel ainda não podem passar a noite com ele – explicou – Avisei que pediria para o meu advogado entrar em contato e ele concordou. Tenho certeza de que ele quer acabar com tudo isso tão rápido quanto eu.

— Isso é verdade… — concordei – E quanto as crianças? Imagino que eles já devem estar sabendo porque o pai saiu de casa.

— Tive quer ser sincera com os dois, sei que já são grandes o suficiente para entender que nem sempre os pais ficam juntos – deu de ombros – E, como você mesma disse, isso dele estar com o Damon agora, não foi tão chocante assim para os dois.

— Está vendo… — sorri – Mas como os dois estão reagindo, no geral, a isso?

— Não vou mentir, pensei que seria difícil para eles, mas não… — respondeu – Jordan disse que admira a coragem do pai e a Claire também está achando tudo maravilhoso.

— Essa é a vantagem de se ser criança: achar tudo normal e não ver maldade em nada – lembrei – Mas fico feliz que esteja tudo indo muito bem apesar de tudo.

— Sim, acho que está tudo bem, ou pelo menos, ficará bem… — completou – Mas olha só, você prestes a marcar a data do seu casamento e eu aqui falando em divórcio.

Klaus tinha voltado para Londres ontem a tarde. Infelizmente o trabalho não o permitiu ficar mais tempo aqui comigo e com a Libby; ele também não tem ideia de quando poderá vir definitivamente para Washington, mas combinamos que ele virá em três meses para marcarmos a data do casamento, não importando como as coisas estejam até lá. Já esperamos tempo demais…

— Posso estar prestes a me casar, mas sei que a vida não é um conte fadas – observei – Casamento acabam, isso é normal…

— Fico feliz que pense assim – ela voltou a se levantar – Bom, Caroline, vou te deixar trabalhar, eu também preciso resolver algumas coisas. Então…

— Tudo bem, vai lá – afirmei com a cabeça – Tenho milhares de coisas para fazer antes da hora de buscar a Libby e nós duas temos um compromisso depois disso.

Lexi apenas concordou com a cabeça antes de sair da sala.

***

Pouco mais de meia hora depois eu já tinha enviado todos os relatórios para a minha futura sogra e tinha basicamente terminado tudo que precisava fazer bem antes do que imaginava. Ainda estava com o meu e-mail aberto quando recebi uma mensagem da Katherine.

Oi, Care!

Caso você tenha se esquecido, estou te mandando esse e-mail para lembrar que chegarei ai a Washington amanhã no início da tarde. Já te mandei uma mensagem com as informações do meu voo, então imagino que não precisa fazer isso de novo.

Imagino que vai me buscar, mas caso não vá, me dê instruções detalhadas de como pegar um táxi para chegar ao seu apartamento, porque eu não estou com vontade de ficar perdida em uma cidade desconhecida.

Estou ansiosa para voltarmos a trabalhar juntas.

Beijos,

Katherine.

Foi impossível não revirar os olhos depois de ler aquilo. Essa é a Kath que eu conheço, sempre dramática.

Os últimos dias foram tão corridos com a visita do Klaus, a festa dos Gilberts e as coisas no trabalho, que eu até mesmo tinha me esquecido da chegada da minha amiga, e olha que eu estava empolgada com isso.

Claro que foi uma surpresa quando, há uma semana, fiquei sabendo da vontade de Katherine de se mudar para Washington. De todas as pessoas que eu conhecia que eu imaginaria que quereria sair de Londres, ela seria a minha última opção.

*Flashback*

Todo o dia de hoje está sendo um grande pesadelo. Acordar nos braços de Stefan, toda a culpa que me atingiu apenas alguns segundos depois, “expulsá-lo” do meu apartamento e para completar ainda teve essa visita surpresa da Elena.

Soltei um grande suspiro e fiquei encarando o buquê que Stefan me mandou. Não sei quanto tempo vou conseguir manter tudo isso que aconteceu, mas a verdade é que está cada vez mais difícil de fazer isso…

Tomei um susto quando meu celular começou a tocar em cima da mesa e eu imediatamente peguei o telefone para atendê-lo.

Stefan, estou falando, é melhor parar me ligar – nem mesmo olhei o identificador de chamadas e já fui falando – Já falei hoje de manhã e repito agora, você precisa me esquecer, de uma vez por todas!

— Não é o Stefan, Care, sou eu…— no instante em que ouvi a voz da minha amiga do outro lado da linha, senti as minhas bochechas esquentarem de vergonha.

Kath… — sussurrei – Desculpe… acho que estava distraída demais e não esperava que você fosse ligar…

— Eu percebi— ela riu, parecia estar mesmo se divertindo com toda aquela situação – Será que eu posso saber o que aconteceu entre você e o Stefan para você estar falando com tanta firmeza que ele precisa te esquecer?

Acredite em mim, Kath, você não vai querer saber – revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não podia me ver nesse momento.

— Só uma pergunta, esse Stefan…— quis saber – E o seu ex-namorado? É o pai do bebê que você perdeu há cinco? É esse mesmo Stefan?

Acho que não devem existir muito “Stefans” morando em Washington – respondi – Eu até poderia te contar o que aconteceu, mas é uma longa história e também não é algo que eu deva falar pelo telefone.

— Sorte sua que vai poder me contar tudo na semana que vem— avisou – Quando eu estiver ai em Washington!

Como assim, Kath? — disse um pouco mais alto do que estava planejando – Você está vindo passar uns duas aqui em Washington? Isso é incrível! Quanto tempo você vai ficar?

Essa era mesmo a melhor noticia que eu recebia hoje. Eu e Katherine já tínhamos adquirido o costume de nos falarmos todos os dias nos últimos cinco anos, desde que fomos morar em Londres, estar longe da minha amiga estava sendo para difícil do que eu pensava.

— Essa era a primeira coisa que eu queria te falar quando liguei, mas você começou a falar de outra coisa – explicou – Estou precisando dar um tempo aqui de Londres e perguntei para a Esther se eu poderia ser transferida para um outro hotel da rede e sugeriu que eu fosse ai para Washington para ser sua assistente. Ela ia te avisar, mas pedi para dar a notícia eu mesma.

Você vai vir morar aqui em Washington? — fiquei mais empolgada ainda – Isso é mesmo incrível! Mas, por que você está tão decidida a sair de Londres? Aconteceu alguma coisa?

— Apenas problemas com o Elijah…— soltou um suspiro de frustração, e era exatamente o que eu imaginava o que estava acontecendo – Mas será que podemos conversar sobre isso quando eu estiver ai? Ainda preciso de uns dias para absorver tudo que aconteceu.

Claro que sim, Kath – afirmei – E só quero dizer que eu sinto muito, por seja lá o que tenha acontecido.

— Obrigada, Care…— agradeceu – Mas, vamos falar de coisas boas, estava esperando te avisar oficialmente para comprar a minha passagem e até amanhã eu te aviso quando, exatamente, chegarei. Será que você vai poder me buscar no aeroporto?

Claro que eu vou te buscar, Kath, será uma honra – garanti – E, é claro, você ficará lá em casa enquanto não encontra um apartamento para você. Faço questão.

— E será como nos velhos tempos…— completou – Bom, agora eu preciso ir, nos falamos depois.

Nos despedimos antes de finalmente desligar. Sem dúvida o meu humor melhorou muito e as coisas, com certeza, serão melhores quando a Katherine chegar.

*Fim do Flashback*

Como tinha avisado, no dia seguinte Katherine me mandou uma mensagem avisando que chegaria a Washington no outro sábado, ou seja, amanhã. Temos muita coisa para colocar em dia quando ela chegar…

Decidi digitar uma resposta para a minha amiga.

Kath,

Deixa de ser dramática, é claro que eu vou te buscar, aliás, eu e a Libby. Estamos ansiosas para ter você aqui conosco.

Boa viagem!

Beijos,

Caroline.

Assim que enviei o e-mail, dei uma olhada no relógio do canto do computador. Já estava na hora de sair para ir buscar a minha filha.

***

Em pouco mais de meia hora eu já estava com o carro estacionado em frente ao colégio da minha filha. Eu a peguei dentro do prédio e voltamos para onde o veículo estava.

— Você está com pressa hoje, mamãe… — minha filha comentou, normalmente parávamos para comprar pipoca, sorvete ou doces dos vendedores que sempre ficavam no portão, mas hoje não tínhamos tempo para isso – Por que?

— Ora, princesinha, eu já te disse de manhã, nós temos uma coisa para fazer agora – lembrei – E eu não quero me atrasar.

— Parece alguma coisa bem importante… — observou – Já estou bem curiosa para saber o que é?

— Não é como se fosse um grande segredo, minha filha – ri enquanto a pegava no colo para poder fazê-la se sentar no banco de trás e a prendi no cinto de segurança – Nós vamos almoçar com uma velha amiga minha e a filha dela. Tenho certeza de que vocês duas também virarão amigas.

Quando Elena me ligou para fazer o convite de lancharmos juntas, imediatamente me veio a ideia de apresentar a Evelyn e a Libby. Apesar de as duas terem a diferença de idade de pouco mais de um ano, elas parecem bem parecidas em personalidade e tem tudo para se dar bem.

— Parece bem divertido! — concordou – E nós estamos indo encontrá-las agora?

— Sim, agora mesmo… — afirmei enquanto fechava a porta do carro – A Elena já deve estar nos esperando.

Sentei no banco do motorista e sairmos. Por sorte não peguei o costume engarrafamento que costumava se formar na saída do estacionamento.

***

O local que Elena escolheu para nos encontrarmos era uma lanchonete que costumávamos ir quando éramos mais novas: primeiramente com nossos pais quando crianças e depois na adolescência no fim das aulas. Obviamente não pude deixar de sentir um clima de nostalgia no momento em que passei pela porta, era tudo exatamente como me lembrava;

— Uau! — Libby estava de mãos dadas comigo e olhava para todos os cantos, totalmente deslumbrada – Esse lugar é enorme!

E era mesmo. Apesar de ser uma lanchonete simples e servia apenas prato simples, o salão era bem grande e abrigava cerca de cinquenta pessoas por vez, sem que o espaço ficasse apertado para ninguém.

— E a comida daqui também é muito boa – afirmei – Você vai ver.

Não demorou muito para eu avisar Elena, sentada próxima a janela que dava vista para o parquinho. Evelyn estava sentada ao seu lado e olhava o cardápio, embora tivesse quase certeza de que ela não estava exatamente lendo algo.

— Lena! — eu a chamei, fazendo com que se virasse na minha direção – Estamos aqui!

Imediatamente minha amiga se levantou, disse alguma coisa para filha, que apenas assentiu e então veio caminhando na nossa direção.

— Care! — ela me abraçou assim que estava perto o suficiente – Que bom que você pode vir!

— É claro que eu vim, Lena – afirmei – Combinamos isso no início da semana e você parecia tão empolgada, nunca poderia desmarcar.

— Fico feliz em saber disso – sorriu, foi só então que ela reparou na Libby, que continuava parada ao meu lado, apenas observando a nossa conversa – E você? Quem é? — ajoelhou-se para poder falar melhor com a minha filha.

— Eu sou a Libby – afirmou – Essa a sua amiga que viemos encontrar aqui, mamãe?

— Mamãe? — ficou olhando para nós duas repetidas vezes, provavelmente procurando alguma semelhança – Uau… Isso é sério, Caroline? Essa é a sua filha?

— Sim, essa a minha filha com o Klaus – decidi deixar isso bem claro, antes que Elena também pensasse que ela era filha do Stefan – A minha pequena Libby.

— Isso é… realmente, maravilhoso! — voltou a ficar de pé, olhando diretamente para mim – Mas vamos nos sentar, a Lyn está lá nos esperando.

Então seguimos na direção da mesa em que ela estava há alguns minutos. Isso fez com que Evelyn virasse o rosto na nossa direção.

— Oi… — ela disse, dando um rápido aceno com o braço.

— Lyn, você se lembra da Caroline, não é mesmo? — a menina balançou a cabeça afirmativamente – E essa daqui é a filha dela, a Libby.

— Oi – minha filha cumprimentou sua possível nova amiguinha de maneira tímida – Gostei do seu cabelo… — provavelmente estava se referindo a trança embutida que a outra garota usava.

— Obrigada, foi a minha babá quem fez em mim antes de eu ir para o colégio – Lyn explicou – Se quiser ela pode fazer em você um dia.

— Seria legal… — afirmou.

— Eu tenho uma ideia – foi ela quem falou – Lyn, por que você não leva a Libby até o parquinho para vocês brincarem enquanto eu e a Caroline conversamos um pouco?

— Mas o meu hambúrguer, mamãe? — quis saber.

— Eu peço para você, pedimos para as duas; e vamos chamá-las assim que tudo chegar – garantiu – Agora vão lá, tenho certeza de que vai ser bem mais legal do que ficar aqui sentada sem fazer nada.

Evelyn concordou antes de se levantar, então segurou a mão de Libby e a levou para o lado de fora.

***

Em poucos minutos as duas meninas estavam brincado e rindo juntas. Não pude evitar a ter outro momento de nostalgia: eu e Elena nos divertindo nesse mesmo parquinho há alguns anos.

— Elas são adoráveis – minha amiga, comentou, me tirando dos meus devaneio – Sabe, não pude deixar de me lembrar como sempre imaginamos que nossas filhas seriam as melhores amigas e aqui estamos nós: tornando isso realidade.

Foi impossível não sorrir. A imagem de nós duas aos oito anos brincando de boneca e imaginando que quando fossemos adultas teríamos filhas na mesma época e as levaríamos para fazerem tudo juntas; infelizmente o destino não quis que acontecesse da maneira que sonhamos, mas estamos tentando corrigir isso agora.

— Eu realmente fico imaginando como deve ter sido difícil para você superar a perda da Emma – continuou – Mas o nascimento da Libby deve ter ajudado nesse processo.

— Obviamente, a Libby foi um grande alívio para mim – afirmei – Mas a minha filha não é um estepe ou qualquer coisa assim, ela é um ser único e a Emma sempre terá um lugar no meu coração, não importa quantos filhos eu tenha.

— O Stefan fala exatamente a mesma coisa a respeito da Lyn… — deu de ombros – Mas por que você não contou sobre ela para mim logo que nos reencontramos? Eu teria adorado conhecer a sua filha.

Aquela pergunta decididamente me pegou de surpresa. Eu não poderia contar a verdade: que não queria que ela conhecesse a Libby, que eu estava protegendo a minha filha de todos os maus aos quais eu tinha sido exposta há cinco anos. Ser sincera demais pode doer.

— Sendo sincera, Lena, nem eu mesma sei porque fiz isso – respondi, por fim – Mas agora estou corrigindo isso, não é mesmo?

— Com certeza… — foi a vez dela dar uma olhada pela janela, Lyn e Libby agora corriam uma atrás da outra.

— Boa tarde… — uma garçonete se aproximou da nossa mesa – Posso anotar os seus pedidos?

— Oh sim, é claro… — minha amiga afirmou – A Lyn quer que eu peça um hambúrguer para ela; você sabe o que e a Libby vai querer?

— Na realidade eu não perguntei, mas imagino que ela esteja com fome, afinal viemos direto da escola para cá – observei – Mas acho que ela gostaria de um hambúrguer também.

— Certo… — concordou – Acho que fico realmente feliz de saber que você não impôs as suas ideias vegetarianas para a sua filha.

— Não foi por falta de vontade da minha parte – brinquei – Mas o Klaus nunca concordaria com isso…

— Então são três hambúrgueres – falou agora diretamente para a outra mulher – E você, Care? Vai querer o que?

— Vou querer um queijo quente – respondi – E para beber, vamos querer quatro refrigerantes. Certo?

— Isso mesmo – concordou.

— Está bem… Três hambúrgueres, um queijo quente e quatro refrigerantes… — anotou todos os nossos pedidos – Eu já venho trazer os seus lanches.

A garçonete voltou a se afastar, fazendo com que eu e Elena ficássemos sozinhas mas uma vez. Passamos alguns segundos apenas nos encarando.

— Tudo bem, Lena, imagino que você tenha me chamado aqui apenas para revermos o nosso lugar favorito da infância e para as nossas filhas brincarem juntos – decidi falar – Teve algum motivo específico para me convidar para virmos aqui hoje?

— Bom, Care, é totalmente obvio que temos nos afastado cada vez mais nesses últimos cinco anos. Primeiro teve todo aquele problema com o Stefan, depois você se mudou para Londres e mesmo agora que você voltou para Washington, nós duas ainda não tivemos tempo para conversarmos direito – observou – Pode parecer bobagem da minha parte, mas é isso que eu sinto, e recuperar a nossa antiga amizade. Isso se você também estiver disposta, é claro.

— Nada me deixaria mais feliz do que isso, Lena… — garanti – Não podemos mentir uma para outro todo esse “problema com o Stefan”, como você disse, foi o que começou a nos afastar. Por mais que eu dissesse que estava tudo bem, não podia ver vocês dois se casando e formando uma família, era doloroso demais, por isso eu precisei me afastar. Mas agora eu estou feliz com o Klaus e não tem porque ficar me lamentando pelo que não aconteceu.

— Eu e o Stefan estamos nos divorciando… — disse de uma vez só e sem qualquer tipo de aviso ou preparação.

— Como é? — aquela revelação tinha me pego totalmente de surpresa e aquilo foi tudo que consegui perguntar – Lena… Você está falando sério? Vocês estão se divorciando?

— Exatamente isso… — voltou a afirmar – Não sei porque esse tom de surpresa.

— Talvez porque vocês já estejam casados há quase cinco anos, tenham uma filha e pareçam ter um relacionamento bem estável – lembrei – E agora você simplesmente me diz que vocês estão se separando? Isso me parece tão estranho.

— Não vou mentir, Stefan foi uma boa válvula de escape para todos os problemas que eu estava enfrentando na época – sorriu — Nos tornamos amigos ao longo desses anos e o sexo também era muito bom também, mas acho que não preciso te falar isso, você sabe muito.

Senti as minhas bochechas esquentarem no mesmo instante, mas a verdade é que Elena tinha toda razão.

— Mas eu e o Stefan nunca nos amamos e isso acabou pesando em algum momento – completou – Sou grata por todo esse tempo em que estivemos juntos e por ele ter me dado a Lyn, mas agora eu quero ser feliz com alguma que tenha feito por mim mesma e ao lado do Enzo.

— Enzo? — não ouvia aquele nome há vário anos e foi mesmo uma surpresa minha amiga falar do ex-namorado assim do nada – Não me diga que vocês…?

— Isso é uma longa história, mas sim… — respondeu, sabendo perfeitamente onde que eu queria chegar – Mas não é sobre mim e o Enzo que temos que falar agora, mas sim de você e do Stefan.

— Eu e o Stefan não temos mais nada – lembre de maneira quase ríspida – E você sabe muito bem disso, Elena.

— Por enquanto – deu de ombros – Mas o Stefan tem esperanças de que pode conseguir concertar as coisas com você com esse divórcio e não precisa mentir para mim, sei que você ainda o ama.

— Eu estou com o Klaus agora e muito feliz – afirmei – E o Stefan fez a escolha dele há cinco anos, e escolheu ficar com você. Foi difícil, mas eu aceitei e agora ele tem que aceitar a minha também.

— Não deveria estar te falando isso, mas ele tinha te escolhido, você e a Emma na verdade – continuou – E, sinceramente, não sei o que aconteceu para fazê-lo mudar de ideia. Mas sei o quanto o Stefan se arrepende da escolha que acabou fazendo, principalmente porque acabou fazendo você perder o bebê que estava esperando.

— Ele me disse que tinha mesmo tomado essa decisão e que tinha até conversado com você – disse – E que teve um bom motivo para ter mudado de ideia, algo sobre me proteger, mas não quis me dizer de quem.

Eu realmente queria acreditar nas palavras dele, mas Stefan não queria me contar toda a verdade, o que me deixava ainda mais desconfiada, e com motivos.

— Estive ao lado do Stefan durante esses cinco anos e sei que ele nunca te esqueceu – prosseguiu – Já perdi as contas de quantas vezes ele acordou no meio da noite dizendo o seu nome.

— Eu estou noiva de outro cara, Elena – foi a minha vez de insistir – Não importa o que eu ainda sinta pelo Stefan, o Klaus é muito importante para mim e eu não posso magoá-lo dessa maneira.

— Care, casando com o Klaus você cometerá o mesmo erro que eu quando casei com o Stefan, escolhendo alguém que não ama – soltou um longo suspiro – Você é a minha melhor amiga, só quero a sua felicidade.

— Acredite em mim, Lena, eu estou feliz com o Klaus – falei, mas, mesmo assim, ela continuou a me olhar desconfiada – Por favor, não vamos falar mais nesse assunto.

— Certo… — concordou, mas soltou um longo suspiro de frustração.

Nossa conversa voltou a se interrompida pela mesma garçonete de antes, dessa vez ela trazia os nossos pedidos.

Deixe-me ir chamar as garotas – avisei enquanto me levantava e minha amiga apenas concordou com a cabeça.

***

Depois de comermos nossos sanduíches e de dois sorvetes que as meninas insistiram em pedir, finalmente estávamos saindo da lanchonete. Libby acabou adormecendo, mas não vi nenhum problema em carregá-la até o carro.

—Sei que não quer mais falar sobre isso… — Elena voltou a falar quando já estávamos nos estacionamento – Mas, por favor, promete que vai ao menos pensar sobre o assunto.

Estava pronta para dizer não, que eu já tinha tomado a minha decisão, que era ficar ao lado do Klaus. Mas tivemos um lanche tão agradável e não queria estragar tudo.

— Claro, eu vou pensar — respondi.

— E sobre aquele outro assunto – Lena não disse especificamente, mas sabia que se referia ao seu divórcio com Stefan – Por favor, não comente nada com ninguém, ainda estamos fazendo segredo até tudo esteja oficializado – e deu uma olhada na filha, que estava claramente sonolenta, avisando que ela também não estava sabendo a repeito do fim do casamento dos pais.

— Pode ficar tranquila, Elena, seu segredo está seguro comigo – garanti.

Nós nos despedimos mais uma vez antes que cada uma para o seu canto.

Notas finais
E ai, o que acharam da conversa da Elena e da Care? Acham que ela ficou mexida com a notícia do divórcio Stelena? E a Libby e a Lyn sem conhecendo? Fofas demais, né? E a Kath está chegando, meu povo! Já teremos a rainha de volta no próximo capítulo e ela dará uns bons concelhos para a amiga... Sem contar que também precisamos saber o que houve entre ela e o Elijah... *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?