Second Chance
3 Capítulo 2 - Uma Noite Pra Lembrar
Notas iniciais
– Prontinho... – Elena falou quando terminou de passar o rímel em meuá olhos – Agora vê como ficou...
Eu me levantei para poder dar uma olhada no espelho que ficava atrás da porta. A maquiagem que a Lena fez em mim tinha ficado mesmo incrível, bem natural e do jeito que eu gosto.
– Está perfeito! – respondi – Acho que eu já te disse isso milhares de vezes, mas você devia mesmo cogitar a possibilidade de largar a faculdade e fazer um curso para ser maquiadora profissional.
– Como se meu pai fosse me deixar fazer isso – revirou os olhos – Você sabe como já foi difícil convencê-lo de que eu queria fazer literatura inglesa. Se eu disser que quero virar maquiadora profissional, acho que ele enfarta de uma vez por todas.
Por ser uma figura pública e por ter a família sempre presente na mídia, o senhor Gilbert sempre cuidou para que os filhos fossem exemplos para todo o país. Então Elena e Jeremy, irmão mais novo dela, sempre estudaram nas melhores escolas de Washington, entraram para faculdades renomadas e nunca foram vistos bêbados ou em fotos comprometedoras. Minha amiga tem razão, seria um escândalo se a filha mais velha do senador Gilbert não se formasse ainda mais para se tornar maquiadora.
– Acho que você tem razão – fiz uma careta concordando com ela – Pelo jeito continuarei a ser a única a aproveitar os seus talentos, amiga.
– Parece que sim – deu de ombros – Agora vai trocar de roupa, por que eu preciso me maquiar – apontou para a sacola que estava em cima da cama.
– Sim senhora! – brinquei antes de ir na direção do banheiro.
O vestido que Elena me fez comprar hoje podia ser facilmente confundido com uma camisa de tão curto que era: ele era preto, de renda, tinha uma manga que só era o suficiente para cobrir os ombros e a barra batia apenas na metade da minha coxa. Minha amiga ainda me emprestou uma meia-calça e uma bota curta para completar o visual.
– Você está linda, Care! – ela falou quando eu já estava totalmente arrumada – Digna de uma aniversariante.
– Você acha? – perguntei enquanto me olhava mais uma vez no espelho – Não tenho tanta certeza assim se eu gostei.
– Está linda, Care, acredite em mim – afirmou – E... o Stefan vai amar!
O assunto Stefan ainda não tinha voltado a nossa conversa desde que saímos do escritório do pai de Elena. Sinceramente, achei até que ela demorou muito para falar dele.
– Como se ele fosse reparar em mim em algum momento – revirei os olhos — Só você para acreditar nisso.
– Pois ele já reparou. Aliás, ele não tirou os olhos de você hoje à tarde – estava com um sorriso divertido no rosto – E tenho certeza que você também percebeu isso.
É claro que eu tinha percebido isso, não tinha como não reparar naquele par de olhos verdes em cima de mim. Mas é claro que eu não iria dar o braço a torcer e não iria admitir isso para a minha amiga.
– Pois é, eu não reparei em nada – dei de ombros, tentando me fazer o mais indiferente o possível.
– Você é uma péssima mentirosa, Caroline Forbes – Elena estava passando blush, mas mesmo assim me encarava pelo espelho – Nós somos melhores amigas desde que tínhamos sete anos, Care. Eu te conheço melhor que qualquer pessoa nesse mundo. E posso afirmar sem medo que você não só reparou que o Stefan estava te olhando, como também olhou.
Não tive como não ficar envergonhada com o comentário da minha amiga. Por sorte, meu rosto já estava vermelho por causa da maquiagem, então eu consegui disfarçar.
– Eu não posso te culpar, ele é um gato – continuou – Não faz exatamente o meu tipo, mas eu estaria sendo hipócrita se dissesse que ele é feio.
– E por que você acha que ele faz o meu tipo? – quis saber.
– Conheci os seus ex-namorados – lembrou – Acredite em mim, o Stefan é o seu tipo.
Até hoje eu tive apenas dois namorados: Liam e Jesse, os dois eram totalmente diferentes um do outro, tanto fisicamente quanto na personalidade, mas ambos queriam ser médicos e estavam bastante determinados a conseguir isso. Acho que eu entendi o que a Elena quis dizer sobre o Stefan ser o meu tipo, já que ele também parece bem empenhado em seguir a carreira política.
– E como dizem: a noite é uma criança – sorriu enquanto prosseguia com o seu pensamento – Quem sabe ele não vai ser o cara que você vai beijar 21 vezes hoje na festa?
– Sinceramente, Lena, vamos encarar os fatos: como é que o Stefan pode pensar em me beijar, sendo que ele pode ter você? – não que eu me achasse feia ou até mesmo inferior a minha melhor amiga, mas eu tenho que admitir que ela tem muito mais facilidade de se comunicar com o sexo oposto do que eu, e por isso é sempre “escolhida” – Estou falando alguma mentira?
Lena não disse mais nada, apenas se levantou da penteadeira e me puxou na direção do espelho.
– Care, o que você vê bem na sua frente? – afastou-se um pouco, permitindo que eu olhasse apenas o meu reflexo.
– Eu estou me vendo, é claro... – foi impossível não revirar os olhos – Mas onde você quer chegar com isso?
– Pois eu estou vendo uma mulher linda, inteligente, determinada e que é capaz sim de ter qualquer cara que ela queira, embora às vezes não pareça enxergar isso – usou o seu tom de voz sério enquanto falava –Alguém de quem eu secretamente sempre tive um pouco de inveja.
– Você tem inveja de mim? – foi impossível não rir desse comentário – Olha só para você, Lena: você é filha de um dos senadores mais conhecidos do país, conhece vários lugares do mundo e ainda fala cinco idiomas. Como é que pode ao menos pensar em ter inveja de mim.
– Exatamente por você não ter tudo isso que eu tenho inveja de você – explicou – A sua vida não é controlada 24 horas por dia, você não tem um pai autoritário, nem dois seguranças que só não te seguem na hora de ir ao banheiro porque são homens. Você é livre, pode fazer o que bem entender sem se importar com o que metade do país vai achar e isso é algo que eu sempre desejei.
– Uau! – foi tudo que eu consegui dizer – Não tinha ideia que você pensava dessa maneira.
– Não me leve a mal, viajar e conhecer o mundo é divertido; mas eu não posso nem mesmo ter um namorado sério sem pedir a aprovação do meu pai primeiro e isso é cansativo às vezes – deu um longo suspiro e enrolou a ponta do cabelo com o dedo – Bom, mas agora não adianta ficar lamentando; vou terminar de me arrumar e enquanto isso você pode ligar para o Stefan.
– O quê? – gritei mais alto do que estava planejando – Você está ficando maluca, Lena? Não vou ligar para ele!
– Sim, você – pegou o cartão que Stefan tinha entregado para ela mais cedo e colocou na minha mão – Eu disse que iria avisar para ele quando estivéssemos prontas para sair, assim ele poderia se arrumar também.
– Mas eu pensei que isso significasse que só ligaríamos quando estivéssemos mesmo para sair de casa – argumentei – E não é isso que estamos fazendo.
– Care, você mesma acabou de dizer que o Stefan nunca olharia para você comigo por perto – lembrou – Então tome uma atitude, se imponha, mostre que poder ser mil vezes mais interessante que eu.
Fiquei alguns instantes encarando o cartão nas minhas mãos e observando todos os seus detalhes: o nome de Stefan estava bem no centro em letras cursivas e o número do seu celular no canto inferior direito.
– Estarei no banheiro se precisar de mim... – ela completou antes de ir para o outro cômodo e fechar a porta.
***
Coloquei os números com todo o cuidado no meu celular antes de apertar o botão verde de “chamar”. Deitei na cama e fiquei encarando a parede enquanto esperava.
– Stefan Salvatore falando... – ele disse quando atendeu depois de três ou quatro toques – Quem é?
– Oi, Stefan! Aqui é Caroline Forbes – foi quando eu percebi que estava sendo formal demais — É a Caroline, nós nos conhecemos hoje à tarde, no escritório do senador Gilbert.
– Oi, Caroline! – pareceu animado ao ouvir minha voz.
– A Elena disse que iria te ligar quando estivéssemos saindo para ir à boate – lembrei – Você ainda vai conosco, não é mesmo?
– Não perderia por nada nesse mundo – garantiu – Imagino que você está me ligando por que vocês duas já estão vindo para cá, não é mesmo? Então já posso começar a me arrumar.
– Bom..., mais ou menos – dei de ombros – Digamos que estaremos aí no seu hotel em no máximo meia hora. Não precisa ter pressa, mas em todo caso...
– Se você diz – foi nesse momento que Elena saiu de dentro do banheiro e quando ela viu que eu ainda estava ao telefone, se aproximou de mim.
– Oi, Stefan! É a Elena! – falou bem próxima ao aparelho, permitindo que ele pudesse ouvir do outro lado da linha – Vamos sair daqui a pouco, então é bom não se atrasar.
– Diga para a Elena que eu ouvi o que ela disse – pediu – E também diga que eu vou trocar de roupa agora mesmo.
– Certo... – foi impossível não dar um sorriso bobo – A gente se vê daqui a pouco.
Desliguei e fiquei alguns instantes olhando a tela do meu celular antes de encarar a minha amiga, que parecia estar se divertindo muito com a situação.
– Se eu fosse você, levava o batom dentro da bolsa – avisou enquanto me entregava o objeto – Vai me agradecer mais tarde.
– Vamos embora, Elie... – revirei os olhos antes de me levantar.
– Mas antes, uma coisa para complementar a sua roupa – pegou um embrulho que eu não tinha reparado antes que estava em cima da penteadeira – Achou mesmo que eu não fosse te dar um presente de aniversário?
– Pois não precisava... – me fingi de brava – Você sabe muito bem que não tinha que se preocupar com isso.
– Mas eu queria – insistiu – Além disso, tem tudo a ver com o dia de hoje, então...
Sabia que não tinha como argumentar com a minha melhor amiga, ela conseguia ser tão teimosa quanto eu, talvez até mesmo mais. Abri a embalagem e dentro tinha um colar com um pingente de coração com uma letra “C” no centro.
– É lindo, Lena! – sorri ao agradecê-la – Mas eu disse que você não precisava; eu não me importo com presente.
– Mas eu me importo – completou – Agora me deixa colocar em você.
Eu me virei de costas e afastei o cabelo para que a minha amiga pudesse prender o colar. Ela tinha mesmo razão, o acessório tinha completado o visual.
– Acho que agora nós podemos ir – disse – Não queremos deixar o Stefan esperando por muito tempo.
– Vamos lá – concordei enquanto íamos em direção à porta do quarto.
Os pais de Elena aparentemente não estavam em casa, então saímos rapidamente e sem sermos interrompidas por ninguém.
***
Assim que o motorista parou em frente a entrada do hotel nós duas saímos de dentro do carro para poder esticar as pernas e também para podermos esperar pelo Stefan. Por sorte não demorou muito para ele aparecer.
– Uau...! – ele olhou Elena de cima a baixo e depois fez a mesma coisa comigo – Vocês duas estão lindas.
– Obrigada! – dissemos ao mesmo tempo.
– Você também está ótimo – completei; ele estava usando uma calça jeans, camisa social azul e uma jaqueta de couro por cima, estava tão charmoso como quando usava terno, hoje mais cedo.
– Obrigado também — passou a mão pelo cabelo, parecendo ligeiramente sem graça pelo meu elogio.
– Bom, Stefan, eu esqueci de comentar hoje cedo – Elena colocou o braço em volta dos meus ombros enquanto falava – Mas hoje é o aniversário da Care, ela está fazendo 21 anos.
– Ora, meus parabéns, Caroline – disse – Isso é mesmo um grande motivo para se comemorar.
– Exatamente! – agora a minha amiga também o puxou para perto de nós – E, como dizem por aí, a noite é uma criança.
– Então vamos lá – concordou – Tenho certeza que vai ser divertido. Você não acha, Caroline?
– Sim... – afirmei – Agora vamos, imagino que ninguém aqui quer passar o resto da noite toda aqui em frente ao hotel.
– É assim que se fala, minha amiga – Elena completou, totalmente animada – Vamos lá.
Seguimos de volta para o carro, nossa próxima parada era a boate.
***
A vantagem de ter uma melhor amiga que é filha de um senador é o fato de nunca precisarmos pegar fila, sempre tínhamos entrada VIP para todas as festas da cidade.
Quando chegamos, a música já estava rolando solta e várias pessoas já estavam se mexendo animadas na pista de dança, e outras estavam conversando e bebendo com os amigos.
– Acho que vou pegar um uísque para mim – Stefan falou um pouco mais alto para que pudéssemos ouvir – Vocês querem que eu pegue alguma bebida para vocês?
– Eu vou querer um Cosmopolitan – Lena respondeu – E você, Care? Vai querer o que?
– Acho que vou querer um Cosmopolitan também – disse.
– Vou ali até o balcão, então – apontou para o local – Enquanto isso vocês podem procurar uma mesa para sentarmos.
Concordamos e quando ele se afastou fomos procurar a mesa, o que por sorte não foi muito difícil de achar.
– Ora, se não são as duas garotas mais bonitas de toda a cidade — uma voz bem conhecida surgiu no meio de todo aquele barulho – Elena Gilbert e Caroline Forbes, há quanto tempo eu não vejo as duas.
E lá estava: Tyler Lockwood, parado bem na nossa frente. Ele tinha sido nosso colega de classe durante todo o Ensino Fundamental e depois durante o Ensino Médio, era um galinha incorrigível e já devia ter ficado com pelo menos metade da população feminina de Washington.
– Ty... – foi impossível para Elena não fazer uma careta ao vê-lo, os dois tinham namorado durante o último ano de colégio e as coisas não tinham exatamente terminado bem – Agora eu lembrei porque não gosto de vir aqui; tinha esquecido completamente que seu pai era o dono dessa boate e você está aqui quase todas as noites.
– Desse jeito você me magoa, Leninha... – se fingiu de ofendido – Eu vim até aqui saber se você não queria dançar comigo, para relembrarmos os velhos tempos.
– Prefiro ficar aqui parada o resto da noite a ter que “relembrar os velhos tempos” com você – respondeu, fazendo com que Tyler desmanchasse o sorriso convencido.
– Tudo bem, você quem sai perdendo – deu de ombros antes de se virar para mim – E quanto a você, Caroline? O que acha de ir dançar comigo? – segurou a minha mão e deu um beijo na ponta dos meus dedos.
– A Caroline está acompanhada hoje e ele é um pouco ciumento – minha amiga falou antes que eu tivesse a chance de abrir a boca – Então não, ela não aceita dançar com você.
– Ora, Lena, é só uma dança – insistiu – Eu prometo que não vou tentar te atacar ou qualquer coisa parecida.
Ela deu uma rápida olhada para mim, como se perguntasse se estava tudo bem me deixar sozinha ali. Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente a incentivando a aceitar o convite, sei o quanto Elena está doida para dançar, mesmo que seja com o canalha do seu ex-namorado.
– Tudo bem, eu vou – acabou concordando antes de se levantar – Mas é só uma música e é bom não vir com gracinha para cima de mim enquanto dançamos.
Eles se afastaram em direção à pista de dança e poucos instantes depois Stefan apareceu tentando equilibrar as nossas bebidas com todo o cuidado.
– Aonde é que está a Elena? – quis saber enquanto se sentava ao meu lado.
– Foi ali relembrar os velhos tempos com um velho amigo – expliquei – Ela disse que não vai demorar muito, mas nunca se sabe.
– Então pelo jeito seremos apenas nós dois por enquanto – tomou um gole do seu uísque e eu fiz o mesmo com minha bebida – Levando em consideração que você está fazendo 21 anos, imagino que eu esteja presenciando a primeira vez que você está bebendo.
– Para falar a verdade, não – foi impossível não sorrir – Mas, se for te fazer sentir melhor, então tudo bem, vou dizer que essa é a primeira vez que eu bebo.
– Ótimo... – brincou – Vamos brindar a isso, então – levantou o copo e eu repeti o seu gesto.
Diferente do que tinha “prometido”, Elena não voltou para a mesa quando terminou a música, então ficamos ali apenas nós dois, bebendo e tentando conversar. Stefan era mesmo uma pessoa bem divertida e estava sendo bom passar um tempo com ele.
– Se você quiser pode ir dançar um pouco – sugeri – Eu até iria, mas acho que não tenho mais coordenação motora para isso.
Depois de cinco taças de Cosmopolitan, estava começando a me sentir um pouco tonta, felizmente não o suficiente para eu fazer algum tipo de besteira.
– Sendo 100% sincero com você, não sou muito fã de dançar – deu de ombros – Digamos que eu tenha alguns traumas de infância em relação a isso e eu não gostaria de revivê-los.
– Se você não gosta de dançar, o que veio fazer em uma boate? – quis saber.
– Quer saber a verdade? – balancei a cabeça afirmativamente – Bom..., digamos que vocês me convidaram de tão bom grado que não tive como dizer não, sem contar que eu não queria mesmo ficar a noite de hoje preso no quarto de hotel.
– Agora eu entendi – disse.
– E mais uma coisa – segurou a minha mão e entrelaçou os dedos nos meus – Eu queria te conhecer e essa foi a melhor oportunidade que encontrei para isso.
Dei um sorriso sem graça e já estava sentindo as minhas bochechas esquentarem de vergonha. Queria falar alguma coisa, mas as palavras simplesmente não saíam. Pelo jeito, Elena não estava tão errada assim a respeito do interesse dele por mim.
– Você não vai dizer nada? – continuou depois de alguns minutos – Eu aqui abrindo o meu coração e você fica aí só me olhando?
– Desculpa, eu só... – balancei a cabeça negativamente, ainda anestesiada com o que tinha acabado ouvir – O que acha de sair daqui?
– Mas e quanto a Elena? – quis saber – Vamos deixar ela aqui sozinha?
Dei uma olhada na direção a pista de dança e só então consegui avistar a minha melhor amiga. Para quem disse que não queria mais nada com o Tyler ela estava bem entretida nos braços do ex-namorado, tenho a impressão que ela nem mesmo lembrava a nossa existência.
– Ela vai ficar bem – garanti – Qualquer coisa ela liga para o meu celular, não precisa se preocupar com isso.
Então eu me levantei e Stefan fez a mesma coisa, me seguindo em direção à saída da boate.
– Será que eu posso saber onde é que você está querendo me levar? – perguntou quando já estávamos quase na porta.
– Você gosta de sorvete, certo? – ele balançou a cabeça afirmativamente em resposta – Ótimo! Conheço uma sorveteria que não fica muito longe daqui, lá a gente pode conversar mais à vontade.
***
A sorveteria da qual eu tinha falado ficava apenas a duas quadras da boate, então fomos caminhando até lá. A rua estava bem tranquila e não demoramos muito para chegarmos ao local.
– Está tão frio... – eu me abracei em uma tentativa falha de me esquentar – Devia ter trazido um casaco.
– Pega o meu – avisou enquanto retirava a peça de roupa sem parar de andar.
– Não precisa – neguei com a cabeça enquanto ele já colocava o casaco sobre o meu ombro – Você também deve estar com frio, não vou te deixar congelar só porque eu fui descuidada e não me lembrei de trazer um casaco.
– Eu estou bem – garantiu – Além disso, a minha camisa é de manga comprida e o seu vestido não. Que tipo de cavalheiro eu seria se te deixasse com frio?
– Está bem, obrigada – agradeci por fim.
Quando chegamos à sorveteria tinham algumas pessoas sentadas, mas o local não estava nem perto de estar lotado, provavelmente por causa do tempo, estamos no mês de outubro e é quando as temperaturas começam a cair.
– Você deve estar me achando uma doida – comentei em seguida – Esse frio e eu te convidado para tomar sorvete.
– Bom... algumas pessoas dizem que sorvete é um alimento para se comer no frio – argumentou – Tomar algo que está mais gelado do que o ambiente te mantém aquecido.
– Boa noite... – o atendente disse quando nos aproximando do balcão – O que vocês vão querer?
– Boa noite! – Stefan o cumprimentou – Eu vou querer um sorvete de morango. E você, Caroline?
– Eu quero um de chocolate triplo – respondi sem nem pensar duas vezes – Sempre venho aqui com a Elena e sem dúvidas o sorvete de chocolate triplo é o melhor que eles têm aqui, pelo menos, essa é a minha opinião.
– Não sou muito fã de chocolate, então vou ficar mesmo com o de morango – avisou – Por que você não escolhe um lugar para se sentar e eu levo o sorvete para você?
Concordei antes de me afastar, e procurei uma mesa vazia que ficasse o mais longe possível da rua por causa do vento frio. Fiquei então observando Stefan apoiado na bancada e depois vindo até mim. Assim que ele me entregou o pote, eu peguei um pouquinho do sorvete na colher e levei à boca.
– Perfeito! – murmurei – Sinceramente, não sei como é que você pode não gostar de sorvete de chocolate.
– E eu não entendo como é que você pode gostar de sorvete de chocolate – reclamou – Mas então... me fale um pouco mais sobre você.
– O que, exatamente, você quer saber de mim? – perguntei; nunca fui muito boa em falar a respeito de mim mesma, nem mesmo na época do colégio.
– Bom, eu já sei que seu nome é Caroline Forbes, você está fazendo 21 anos hoje, provavelmente nasceu aqui em Washington, sua melhor amiga é a Elena Gilbert e aparentemente gosta muito de sorvete de chocolate – foi impossível não sorrir com esse último comentário – Imagino que você está na faculdade, mas não tenho a menor ideia de qual curso você está fazendo.
– Eu estou estudando hotelaria – respondi – E me formo no meio do ano que vem, caso queira saber.
– Bem determinada, pelo que eu posso ver – prosseguiu – Mas por que hotelaria, exatamente? Não é algo que você encontre muitas pessoas estudando.
– Sempre fui fascinada por hotéis, a maneira como todos sempre fazem você se sentir em casa, mesmo você não estando – expliquei de maneira animada, como sempre faço quando falo da minha futura profissão – Mas se você me deixar falar, vou ficar aqui o resto dia. Melhor mudarmos de assunto.
– Não me importo, é lindo ouvir alguém falar de maneira apaixonada a respeito de algo que provavelmente vai fazer pelo restante da vida – observou – Mas já que estamos nesse assunto: você trabalha em alguma coisa ou está apenas estudando?
– Eu trabalho como recepcionista na delicatessen do meu padrasto, quatro tardes por semana e, às vezes, aos sábados – voltei a falar – É tipo um restaurante na verdade, não é muito grande, mas é bem movimentado e faz um grande sucesso.
– Gosto de lugares assim – comentou – Talvez eu dê uma passada lá um dia.
– Pode passar, você não vai se arrepender – garanti – O Steven faz o melhor macarrão com molho branco de toda cidade de Washington.
Ele apenas sorriu e depois ficamos algum tempo nos encarando em total silêncio. Depois de poucos segundos, desviei o olhar diretamente para o meu pote de sorvete.
– Falando a respeito de uma coisa que você supôs antes – continuei – Eu não nasci aqui em Washington, sou de uma cidade chamada Mystic Falls.
– Mystic Falls? – repetiu – Onde exatamente fica?
– Virgínia – fui mais específica – É uma cidade bem pequena, fica a uma hora de Richmond.
– Sair de uma cidade no interior da Virgínia e se mudar para a capital do país – observou – É mesmo uma grande mudança.
– Moro aqui desde os cinco anos, já estou mais do que acostumada – dei de ombros – Apesar de costumar passar parte das férias em Mystic Falls, já moro aqui em Washington há mais tempo que morei lá.
Parecendo totalmente alheio ao que estava falando, Stefan levou o polegar o canto dos meus lábios, fazendo com que eu prendesse a respiração quase que inconscientemente. Ele retirou o sorvete que estava sujo e em seguida levou o dedo à boca.
– Nada mal... – disse em seguida – Talvez você consiga me fazer mudar de ideia a respeito da minha opinião sobre sorvete de chocolate.
– Fico feliz com isso – estava totalmente sem graça com essa situação, mas tentei não deixar transparecer.
– Mas só tem uma maneira de descobrir – continuou enquanto aproximava o rosto ainda mais do meu.
Ele rompeu a pouca distância que tinha entre nós e me beijou. Fui pega totalmente de surpresa, mas mesmo assim eu entreabri os lábios, correspondendo.
Não sei quanto tempo nós ficamos ali, mas no momento em que nos separamos, quando o ar foi necessário, soltei um gemido de reclamação.
– Vou entender se você quiser me dar um tapa – sussurrou ainda com a testa grudada na minha – Mas eu queria fazer isso desde que te conheci hoje à tarde, e não podia perder essa oportunidade.
– Não se preocupe, eu não quero te dar um tapa – garanti – Acho que eu, secretamente, também queria fazer a mesma coisa.
Então foi a minha vez de segurar o seu rosto e beijá-lo.
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